Cultura Pop
Quanto valem os produtos do Grupo Imagem-Teleshop hoje em dia?

O “vamos falar de coisa boa” nos anos 1990 não se referia a produtos como a câmera Tekpix e a iogurteira TopTherm. Ok, a expressão ainda não tinha ganhado fama. Mas o que se aproximava mais do, er, conceito eram os comerciais do Grupo Imagem-Teleshop, que davam um ar de “seus problemas acabaram” a produtos que pareciam tão bizarros quanto irresistíveis.

Emissoras como Band e Manchete exibiam essas propagandas a todo momento. O tal clima de que tudo pareceria perfeito se você comprasse um conjunto de Facas Ginsu ou um óculos Ambervision, aumentava mais ainda caso você visse os reclames de madrugada, enquanto tentava assistir a alguma série ou ao Cine Privé (safadinho, hein?).

Esclarecimento importante
E o mais provável era você passar a mão no telefone ligar para o 1406 e comprar alguma coisa – mesmo que jamais fosse usar. Olha aí alguns dos comerciais e por quanto você pode comprar hoje em dia cada um dos produtos. Não conhecemos nenhum dos vendedores e não nos responsabilizamos por nenhum dos produtos vendidos.
FACAS GINSU 2000. As facas que cortavam de tudo, até latas, provocavam muitas risadas por causa do comercial que abria com um peixe caindo do céu e recebendo golpes de karatê de um sujeito que tentava cortá-lo. No Mercado Livre, exemplares podem chegar hoje a R$ 180, dependendo da série (e do número de facas) a ser comprado. Nesse link do Buzzfeed, um cara tenta passar seu pacote de facas adiante por 200 paus.
MEIAS VIVARINA. Essas meias, alegadamente, não se rasgavam nunca – talvez nem sob a ação das facas Ginsu. No Mercado Livre, tem gente tentando passar adiante exemplares (será que são mesmo Vivarina?) por preços que chegam a R$ 40. No Enjoei, uma pessoa vende um exemplar, com direito a embalagem que traz um “como visto na TV”, a R$ 20.
https://www.youtube.com/watch?v=6VyL3foU9gg
ÓCULOS AMBERVISION. Para você conseguir descobrir o verdadeiro sentido da palavra “enxergar”, o grande lance era jogar seus óculos fora e fazer quase uma viagem de LSD com as lentes Ambervision, que bloqueavam raios ultravioleta. Esses óculos continuaram sendo fabricados por um bom tempo lá fora. Não é fácil de achar para vender e as últimas vendas em sites como o eBay encerraram-se em 2014, a preços como 7 euros.
FERRO A VAPOR FRATTINA. Encontrar um desses é mais difícil do que achar mosca branca – não tem nas mais conhecidas lojas online, e a Frattina que resistiu às crises é uma empresa de joalheria. Mas vale lembrar disso aí, porque se trata de um ilustre primo pobre dos comerciais do 1406. É um ferro que funciona com uma base de água e sal, que passa roupas e cortinas (!) até na posição vertical e vem com um copo medidor e uma escova para estofados.
COLETÂNEA THE 80’S. Não havia Spotify e as pessoas não baixavam música da internet. Ou seja: se você quisesse ter todos os sucessos de uma determinada época, era pra ficar de olho nas coletâneas do Grupo Imagem-Teleshop, montadas com fonogramas da Sony Music. A amiga Fernanda Bauer informa que esse comercial passava todo fucking dia no horário do Cavaleiros do Zodíaco, na Manchete. É possível achar os CDs dessa caixa em separado no Mercado Livre, a preços tipo R$ 30.
HOLLYWOOD COLLECTION. Mais uma série de CDs do catálogo da Sony, vendida pelo 1406 – dessa vez só com sucessos do cinema. Na época, chegava até você por R$ 59,95 (CDs) e R$ 39,95 (cassettes). Alguém resolveu colocar essa relíquia do auge da era do CD pra jogo por cinco centavos a mais que o preço dos anos 1990.
https://www.youtube.com/watch?v=4S12HpNGlVg
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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