Notícias
Faixa a faixa: Monomotor Estéreo, “Voyager golden disko”

Pós-punk, hardcore, surf music, música eletrônica e estilos afins entram na receita do Monomotor Estéreo, um projeto montado pelo brasiliense Felipe Rodrigues. Voyager golden disko, o segundo álbum do projeto, é uma ideia bem bacana: o músico decidiu fazer referência aos Voyager golden records, que são discos fonográficos que estão a bordo das naves Voyager, numa ação desenvolvida pela NASA. “Eles contêm sons e imagens selecionados como amostras da diversidade de vida e culturas da Terra e são dirigidos a qualquer forma de vida extraterrestre que os encontrem”, comenta.
O álbum foi produzido entre março de 2020 e maio de 2021 (pegando bastante o período de pandemia) e teve participação da cantora Luciana Ribeiro. O trabalho também ganha uma versão física em fita K7 com tiragem limitada pelo selo Escafandro Records. Felipe mandou pro POP FANTASMA um faixa a faixa do projeto. Leia e ouça.
RUA DO LAZER. Uma homenagem às tardes de lazer e as matinês da década de 1990, onde as equipes de dança, a molecada e a comunidade se encontrava para ouvir musica e dançar. Música retrofutrista, dance music, funk de rua. Uma das mais tocadas na Danceteria Pedras Bar.
BOLADINHO. Tema feito com sintetizadores para bailes dançantes e reuniões de jovens. Um encontro entre funk brasileiro e o laser punk, trilha sonora para viagens estelares.
GRAUZIN. Na madrugada de Taguatinga, Distrito Federal, o som das motocicletas dominam a noite, aqui uma referência a essa faceta da cidade, visões da noite, irritação para muitos, diversão de poucos. Som que conta com sample do jamaicano Dennis Brown.
SOB A LUZ DO ABAJUR LILÁS. Durante a pandemia houve diversas experimentações em composição, essa é um dos resultados, música que transita entre o indie e o post punk e conta com a participação da Luciana Ribeiro na voz e que compôs a letra junto com Felipe Rodrigues. Base feita há muitos anos, enfim concretizada em um pedaço do disco viajante dourado.
O BECO. O título faz referência a uma casa noturna taguatinguense que teve vida curta mas deixou sua marca na cultura local, e nesse espaço conheci uma grande diversidade de sons e ritmos brasileiros. A track reflete a pesquisa feita em torno da música feita no Brasil profundo. Chorume, rejeito e outros beats.
GOEMON. Goemon foi um artista marginal paulista que aparece aqui emprestando um sample do seu disco e é referenciado no título da canção, o nome também batiza um tradicional restaurante japonês em Brasília. O som é como se fosse um rolê do Kraftwerk na cracolândia.
DOWNTOWN 81. Algo entre Princess Chelsea, Weezer e substâncias que alteram a consciência, indie/pop/Space Music. Novamente com a participação da Luciana Ribeiro na voz e na composição da letra. O título vem do filme homônimo que tem no elenco o Basquiat.
VIRTUDES. Música composta por Felipe Rodrigues em parceria com o músico brasiliense Cleiber Mota. Inicialmente feita para o violão, ganhou arranjo synthpop e fala sobre perseverar e enfrentar as batalhas do dia a dia. Encerrando Voyager golden disko, segundo álbum do projeto brasiliense Monomotor Estéreo com esse ensejo de refletir a partir do lugar onde estou, registrar, disseminar e se comunicar com outros lugares terrenos e/ou extraterrenos.
AMY E JÚPITER. Faixa batizada com o nome dos meus cachorros, e que também remete a um encontro que rolou entre o Jupiter Maçã e a Amy Winehouse. Uma das mais melódicas do álbum, fruto de sessões experimentais com sintetizadores e efeitos sonoros.
Notícias
Urgente!: Quatro apostas nossas pro Grammy 2026

A 68ª edição do Grammy Awards vai rolar neste domingo (1º) em Los Angeles, com transmissão pela TNT e pela HBO Max, a partir das 21h30 – a apresentadora Carol Ribeiro vai acompanhar tapete vermelho. O comediante Trevor Noah ocupa mais uma vez o cargo de mestre de cerimônias. A lista inteira de indicados você já acompanha em vários sites por aí – tem até Caetano Veloso e Maria Bethânia concorrendo na categoria Melhor álbum de música global por causa de Caetano e Bethânia ao vivo, registro da turnê dos irmãos. Os dois são os únicos brasileiros da lista, aliás.
E seguem aí quatro apostas nossas para a premiação (esse texto não tem patrocínio de nenhuma bet e aconselhamos você a não apostar dinheiro em premiação nenhuma).
Álbum do ano: Chromakopia, Tyler The Creator. Lançado em 2024, e não em 2025, Chromakopia é mais um divisor na carreira de um artista cuja discografia só tem divisores. O álbum vai além do hip hop e cai pra cima de r&b, jazz, rock, psicodelias e maluquices – algo que Tyler já vinha fazendo em discos anteriores, mas que aqui ganha outro foco. Como costuma acontecer na discografia de Tyler, é pra ouvir prestando atenção nas letras, já que, partindo de histórias de sua infância e adolescência, o cantor dialoga com sua mãe, com antigos amores, com velhas versões de si próprio, e com vários lados diferentes de sua versão atual.
Quem mais concorre: Bad Bunny, Debí tiras más fotos. Justin Bieber, Swag. Sabrina Carpenter, Man’s beat friend. Clipse, Pusha T & Malice, Let God sort em out. Lady Gaga, Mayhem. Kendrick Lamar, GNX. Leon Thomas, Mutt.
Quem deve ganhar: Bad Bunny, ou Sabrina Carpenter. Recentemente, a academia botou todos os votantes do Grammy Latino para votar junto com eles, o que talvez ajude Bad Bunny.
Canção do ano: Abracadabra, Lady Gaga. Mayhem, seu disco de 2025, foi prometido desde o início como um retorno à fase “grêmio recreativo” de Gaga. E sim, ele entrega o que promete: Gaga revisita sua era inicial, piscando para os fãs das antigas, trazendo clima de sortilégio no refrão do single Abracadabra (que remete ao começo do icônico hit Bad romance), e mergulhando de cabeça em synthpop, house music, boogie, ítalo-disco, pós-disco, rock, punk (por que não?) e outros estilos.
Quem mais concorre: Doechii, Anxiety. Rosé, Bruno Mars, Apt. Bad Bunny, DtMF. Guerreiras do K-Pop, Golden. Kendrick Lamar e SZA, Luther. Sabrina Carpenter, Manchild. Billie Eilish, Wildflower
Quem deve ganhar: Pode ser que Bad Bunny ganhe. Ou Kendrick, que tem o maior número de indicações de 2026.
Artista revelação do ano: Olivia Dean. Não resenhamos ainda o ótimo The art of loving, seu segundo disco – fica para uma das próximas semanas. A Variety aposta que ela será a vencedora por causa de sua turnê concorridíssima e cara que está a caminho, ainda que seu disco não tenha entrado na lista de melhores discos porque saiu tarde demais para isso. Como é um baita disco pop, é uma aposta bem especial para a gente.
Quem mais concorre: Katseye, The Marias, Addison Rae, Sombr, Leon Thomas, Alex Warren, Lola Young.
Quem deve ganhar: Talvez o histórico complicado de Lola Young comova os jurados, mas algo nos diz que Sombr, grande cantor a bordo de um disco mediano, I barely know her, tem um bom número de benzedores.
Álbum de rock: HAIM, com I quit, discão lançado em junho e que aparentemente, foi pouco lembrado ao longo do ano – mas cujo repertório pode conquistar muitos jurados. O que pode parecer uma versão musical da novela Quatro por quatro (no caso Três por três, enfim) na real é um disco bastante arrojado, rock de olho no pop e vice-versa. É também um disco que ensina que, às vezes, as histórias mais duras não terminam em vingança nem em perdão – terminam no entendimento de que esse mundo é cheio de gente sonsa mesmo.
Quem mais concorre: Deftones, com Private music. Linkin Park, com From zero. Turnstile, com Never enough. Yungblud, com Idols.
Quem deve ganhar: A tal info de que os votantes do Grammy Latino estão no corpo de jurados talvez ajude os Deftones. Ou o Linkin Park.
Notícias
Urgente!: Tom Morello faz show para vítimas da violência policial em Minneapolis nesta sexta (30)

Tom Morello, um dos nomes mais politizados do rock, anunciou um show beneficente em Minneapolis para apoiar famílias vítimas da violência de agentes federais. Batizado de A Concert of Solidarity & Resistance to Defend Minnesota!, o evento acontece nesta sexta (30), no histórico First Avenue, palco que já viu de tudo no rock americano – inclusive o show histórico do Hüsker Dü que deu origem a esta caixa que a gente resenhou aqui.
A ideia do show é arrecadar fundos para as famílias de Renee Good e Alex Pretti, ambos mortos em janeiro de 2026 durante ações do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) e da U.S. Customs and Border Protection. Morello, que não é de fazer rodeios, divulga o show chamando as ações dos agentes federais pelo nome: fascismo.
“Se parece com fascismo, soa como fascismo, age como fascismo, se veste como fascismo, fala como fascismo, mata como fascismo e mente como fascismo, meninos e meninas, é fascismo, porra”, escreveu Morello no Instagram. “Está aqui, está agora, está na minha cidade, está na sua cidade, e deve ser combatido, protestado, defendido, enfrentado, exposto, deposto, derrubado e expulso. Por você e por mim”.
Além de Morello, o palco vai receber Rise Against, Ike Reilly e o guitarrista de jazz fusion Al Di Meola, com direito a convidado surpresa prometido pela organização. Os ingressos custam US$ 25, e toda a renda vai direto para as famílias das vítimas.
Cinema
Urgente!: Show solo de Thom Yorke (Radiohead) na Austrália vira filme

É provável que os fãs do Radiohead estejam esperando BASTANTE por um filme de concerto do grupo – mas pelo menos vem por aí um filme de show de… Thom Yorke, líder da banda. A primeira tour solo do cantor vai ganhar o registro oficial Thom Yorke Live at Sydney Opera House, com os shows que ele fez em novembro de 2024 no Forecourt, pátio da Ópera de Sydney. Detalhe que os fãs não apenas do Radiohead como também de todos os projetos capitaneados por Thom podem esperar para se sentirem contemplados pelo filme. A direção é de Dave May.
Isso porque, segundo o comunicado de lançamento, Thom Yorke Live at Sydney Opera House “abrange todos os aspectos dos mais de trinta anos de carreira de Yorke como artista de gravação, desde uma versão acústica de tirar o fôlego de Let down (Radiohead), até faixas menos conhecidas favoritas dos fãs (como Rabbit in your headlights, do UNKLE) e seleções de seus aclamados álbuns solo com influências eletrônicas”. Ou seja: você confere lá todo o baú de recordações do cantor, que mergulhou também em canções de sua banda paralela Atoms For Peace e de seu projeto em dupla com Mark Pritchard (o disco Tall tales foi resenhado aqui pela gente).
Um outro detalhe que o release promete: mesmo que a casa de shows seja enorme, a sensação é a de assistir a um show bem intimista, tipo “uma noite com Thom Yorke”. “O filme tem ares de um vislumbre íntimo dos bastidores, permitindo testemunhar um mestre em ação. Yorke une as diversas vertentes de sua carreira com seu falsete arrebatador e presença de palco magnética. Para fãs de Radiohead, The Smile e tudo mais, esta é uma experiência cinematográfica imperdível”, dá uma enfeitada o tal texto.
Live at Sydney Opera House estreou no Playhouse da Ópera de Sydney no último dia 20 de janeiro. No dia 6 de março, uma sexta-feira, ele chega nos cinemas da Austrália. Vale aguardar? Confira aí Thom soltando a voz em Back in the game, dele e de Pritchard, e o trailer do filme (e sem esquecer que temos um podcast sobre o começo do Radiohead, que você ouve aqui).


































