David Bowie, Peter Gabriel, Cliff Richard, Paul Cook, John Lydon, Stevie Wonder, Mick Taylor e Paul McCartney foram entrevistados em 16 de dezembro de 1979 no especial “End of the decade” do programa de TV australiano “Countdown” (confira abaixo trechos escolhidos e o especial inteiro lá pra baixo). E responderam a seguinte pergunta: haveria algum legado para o punk como última grande manifestação do rock dos anos 1970?

O papo sobre Sex Pistols, Clash e outros nomes surgiu após nomes como Abba, Rod Stewart e Olivia Newton John serem citados na conversa. Perguntado sobre a publicidade que os Sex Pistols tiveram entre 1976 e 1977 após serem despejados de diversos selos, David Bowie diz crer que “é uma vergonha que tudo tenha sido manufaturado e tão rápido, teria sido melhor se tivessem vindo de um selo independente”. John Lydon, na época um ex-Sex Pistols e já no Public Image Limited, diz que havia uma expectativa de que ele cumprisse determinados papéis. “Virei maldito por isso. Não sou uma marionete, não vou fazer nada de acordo com o que os outros planejam para mim”. Até Mick Taylor, ex-guitarrista dos Rolling Stones, diz que o movimento abriu portas para várias bandas novas.

Paul McCartney, por sua vez, elogia a energia dos punks e diz que “é rock n roll”. Anos depois, em 2008, num papo com a revista “The Stool pigeon”, ele lembraria que sua filha Heather era fã de punk na época. “Ela ia a shows do Damned, do Clash, Billy Idol, tudo o que você puder imaginar. Não dá para negar que soava bem fresco, mas fui iniciado nisso pela minha filha mais velha. Entendi que algo precisava acontecer e tinha que ser uma coisa grande como ‘Pretty vacant’, que foi produzida pelo Chris Thomas, que a gente conhecia. Ele era assistente do George Martin, trabalhou em algumas coisas dos Beatles. O som de ‘Pretty vacant’ era bom pra valer e a energia da banda era sensacional. Não dá pra negar”.