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Cultura Pop

Muito além do punk: Crass ganha série de relançamentos

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Muito além do punk: Crass ganha série de relançamentos

Se você achava que o Clash era a banda mais punk que você conhecia, bem vindo ao mundo real. A banda anarco-punk britânica Crass, criada em 1977 por um poeta e ativista chamado Penny Rimbaud, levou o “faça você mesmo” às últimas consequências.

O Crass promovia flash mobs em clubes punk (antes de tal termo existir) em protesto às mais variadas causas. Incitava fãs a montarem suas próprias bandas e marcarem seus próprios shows, incentivava os fãs a gravarem seus shows (o que faz com que a discografia pirata da banda se confunda com a original).

Se o punk significava três acordes, o grupo punha em seus discos desde canções formais, até sons psicodélicos e textos enormes falados. Um deles, Asylum (ou Reality asylum) foi considerado blasfemo demais até para os padrões da primeira gravadora da banda. Tanto que o Crass desistiu de lançar seus álbuns por selos comuns e lançou sua própria gravadora, Crass Records.

A novidade para os fãs e futuros fãs é que a discografia do Crass irá voltar, ao menos em formato físico, pelo selo One Little Independent Records (o antigo One Little Indian, que lançou bandas como Sugarcubes).

A série de relançamentos Crassical collection, que já havia sido lançada em 2010, retorna em 2 de outubro com todos os discos da banda, faixas bônus inéditas e novo lay out feito por Gee Vaucher. Sheep farming in the Falklands, um dos hits de protesto da banda (feita em “homenagem” à Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica, por causa da decisão de iniciar a Guerra das Malvinas, em 1982), sai de novo em versão inédita.

O Crass tinha obsessão por mexer com tudo que era instituído. Além de copiar a postura política e radical de bandas como MC5, adotou logo no começo da carreira um logotipo que misturava vários símbolos totalitários. Era um protesto, mas rendia críticas e portas fechadas.

O grupo distribuía panfletos anarquistas em seus shows, e certa vez contou com a ajuda de funcionários da loja britânica Rough Trade para inserir sorrateiramente cópias de seus singles em LPs vendidos pela empresa. Temas como feminismo, ambientalismo e religião eram obsessões para o Crass, que lançou discos como Penis envy (“inveja do pênis”, 1981) e Christ – The album (1982). Aliás, a confusão conceitual e política era um problema para o Crass. A banda se dividia entre integrantes pacifistas e não-pacifistas, e volta e meia atraía a raiva da direita, da esquerda e dos próprios anarquistas.

Um detalhe interessante sobre o Crass é que as origens da banda eram mais hippies do que o cardápio punk poderia aguentar. Penny Rimbaud havia montado o grupo após a morte de seu amigo Phil Russell (o popular Wally Hope), um dos fundadores do festival de Stonehenge. Phil havia sido internado num hospital psiquiátrico, sua morte foi registrada como “suicídio” e Rimbaud acreditava que o amigo havia sido assassinado por motivos políticos. Durante um bom tempo, os integrantes da banda viviam numa espécie de comuna anarco-punk.

O Crass, ou pelo menos o repertório dele, volta e meia volta aos palcos por intermédio de um de seus ex-integrantes, Steve Ignorant. Olha aí Steve no palco, em 2018, inacreditavelmente em Las Vegas. Em 2019, inclusive, Steve manifestou interesse em fazer uma turnê em 2020 usando o nome Crass (não rolou, obviamente).

Não que o “retorno” do Crass agrade a Penny Rimbaud, criador da banda. Rimbaud, que hoje escreve livros, dá aulas e vive uma vida relativamente pacífica (e já é um senhor de 77 anos) chegou a proibir os shows de Steve. Depois voltou atrás e liberou. Mas já deu entrevistas dizendo que, apesar disso, não tem nada a ver com as apresentações e não as apoia. “Tem gente no Japão que provavelmente comprou a história como você faria com um show do Queen em Paris ou algo assim. O que isso tem a ver com o movimento político clandestino secreto do qual o Crass fazia parte?”, reclamou aqui.

Foto destaque: Wikipedia

Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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4 discos

4 discos: Ace Frehley

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Dizem por aí que muita gente só vai recordar de Gene Simmons e Paul Stanley, os chefões do Kiss, quando o assunto for negócios e empreendedorismo no rock – ao contrário das recordações musicais trazidas pelo nome de Ace Frehley, primeiro guitarrista do grupo, morto no dia 16 de outubro, aos 74 anos.

Maldade com os criadores de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, claro – mas quando Frehley deixou o grupo em 1982, muita coisa morreu no quarteto mascarado. Paul Daniel Frehley, nome verdadeiro do cara, podia não ser o melhor guitarrista do mundo – mas conseguia ser um dos campeões no mesmo jogo de nomes como Bill Nelson (Be Bop De Luxe), Brian May (Queen) e Mick Ronson (David Bowie). Ou seja: guitarra agressiva e melódica, solos mágicos e sonoridade quase voadora, tão própria do rock pesado quanto da era do glam rock.

Ace não foi apenas o melhor guitarrista da história do Kiss: levando em conta que o grupo de Gene e Paul sempre foi uma empresa muito bem sucedida, o “spaceman” (figura pela qual se tornou conhecido no grupo) sempre foi um funcionário bastante útil, que lutou para se sentir prestigiado em seu trabalho, e que abandonou a banda quando viu suas funções sendo cada vez mais congeladas lá dentro. Deixou pra trás um contrato milionário e levou adiante uma carreira ligada ao hard rock e a uma “onda metaleira” voltada para o começo do heavy metal, com peso obedecendo à melodia, e não o contrário.

Como fazia tempo que não rolava um 4 Discos aqui no Pop Fantasma, agora vai rolar: se for começar por quatro álbuns de Ace, comece por esses quatro.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

“KISS: ACE FREHLEY” (Casablanca, 1978). Brigas dentro do Kiss fizeram com que Gene, Paul, Ace e o baterista Peter Criss lançassem discos solo padronizados em 1978 – adaptando uma ideia que o trio folk Peter, Paul and Mary havia tido em 1971, quando saíram álbuns solo dos três cujas capas e logotipos faziam referência ao grupo. Ace lembra de ter ouvido uma oferta disfarçada de provocação numa reunião do Kiss, quando ficou definido que cada integrante lançaria um disco solo: “Eles disseram: ‘Ah, Ace, a propósito, se precisar de ajuda com o seu disco, não hesite em nos ligar ‘. No fundo, eu dizia: ‘Não preciso da ajuda deles’”, contou.

Além de dizer um “que se foda” para os patrões, Ace conseguiu fazer o melhor disco da série – um total encontro entre hard rock e glam rock, destacando a mágica de sua guitarra em ótimas faixas autorais como Ozone e What’s on your mind? (essa, uma espécie de versão punk do som do próprio Kiss) além do instrumental Fractured mirror. Foi também o único disco dos quatro a estourar um hit: a regravação de New York Groove, composta por Russ Ballard e gravada originalmente em 1971 pela banda glam britânica Hello. Acompanhando Frehley, entre outros, o futuro batera da banda do programa de David Letterman, Anton Fig, que se tornaria seu parceiro também em…

“FREHLEY’S COMET” (Atlantic/Megaforce, 1987). Seguindo a onda de bandas-com-dono-guitarrista (como Richie Blackmore’s Rainbow e Yngwie Malmsteen’s Rising Force), lá vinha Frehley com seu próprio projeto, co-produzido por ele, pelo lendário técnico de som Eddie Kramer (Jimi Hendrix, Beatles, Led Zeppelin) e Jon Zazula (saudoso fundador da Megaforce). Frehley vinha acompanhado por Fig (bateria), John Regan (baixo, backing vocal) e Tod Howarth (guitarras, backing vocal e voz solo em três faixas).

O resultado se localizou entre o metal, o hard rock e o rock das antigas: Frehley escreveu músicas com o experiente Chip Taylor (Rock soldiers), com o ex-colega de Kiss Eric Carr (Breakout) e com John Regan (o instrumental Fractured too). Howarth contribuiu com Something moved (uma das faixas cantadas pelo guitarrista). Russ Ballard, autor de New York groove, reaparece com Into the night, gravada originalmente pelo autor em 1984 em um disco solo. Típico disco pesado dos anos 1980 feito para escutar no volume máximo.

“TROUBLE WALKING” (Atlantic/Megaforce, 1989). Na prática, Trouble walking foi o segundo disco solo de Ace, já que os dois anteriores saíram com a nomenclatura Frehley’s Comet. A formação era quase a mesma do primeiro álbum da banda de Frehley – a diferença era a presença de Richie Scarlet na guitarra. O som era bem mais repleto de recordações sonoras ligadas ao Kiss do que os álbuns do Comet, em músicas como Shot full of rock, 2 young 2 die e a faixa-título – além da versão de Do ya, do The Move. Peter Criss, baterista da primeira formação do Kiss, participava fazendo backing vocals. Três integrantes do então iniciante Skid Row (Sebastian Bach, Dave Sabo, Rachel Bolan), também.

“10.000 VOLTS” (MNRK, 2024). Acabou sendo o último álbum da vida de Frehley: 10.000 volts trouxe o ex-guitarrista do Kiss atuando até como “diretor criativo” e designer da capa. Ace compôs e produziu tudo ao lado de Steve Brown (Trixter), tocou guitarra em todas as faixas – ao lado de músicos como David Julian e o próprio Brown – e convocou o velho brother Anton Fig para tocar bateria em três faixas. A tradicional faixa instrumental do final era a bela Stratosphere, e o spaceman posou ao lado de extraterrestres no clipe da ótima Walkin’ on the moon. Discão.

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