Connect with us

Cultura Pop

As gravadoras do The Fall: descubra agora!

Published

on

As gravadoras do The Fall

Quando você menos esperar, a banda indie britânica The Fall faz três coisas: 1) lança um disco; 2) muda de formação; 3) muda de gravadora. O grupo de Manchester, liderado por Mark E. Smith, tem até ficado fixo há alguns anos no selo Cherry Red. Por lá, lançou em julho seu 32º (!!!) disco, New facts emerge,uma caixa de singles.

O histórico do grupo, porém, inclui passagens por cerca de quinze selos, lançamentos semipiratas por etiquetas mínimas e pelo menos um disco feito por uma gravadora e lançado por outra. As gravadoras do The Fall foram várias e algumas delas são/foram bem históricas. Conheça aí onze delas.

NEW HORMONES. A banda punk Buzzcocks e seu empresário Richard Boon montaram essa gravadora em 1977 para autobancar o single Spiral scratch (você leu sobre isso no POP FANTASMA). Só que a banda foi contratada pela United Artists e não conseguiu levar o selo adiante. Boon ficou com a gravadora e em 1978 gravou o primeiro EP do Fall, Bingo-master’s break-out!, mas não conseguiu mandar prensar por falta de grana. O New Hormones só retomou efetivamente as atividades em 1980 e lançou bandas como Dislocation Dance, Howard Devoto e Diagram Brothers.

STEP FORWARD RECORDS. Bingo-master’s foi parar na mão do selo Step Forward, selo especializado em punk e que pertencia à gravadora Illegal. A Illegal tinha como donos Stewart Copeland, baterista do Police, seu irmão Miles Copeland e o empresário da banda, Paul Mulligan. Lançou o primeiro compacto do Police, Fall out, e gerenciava uma série de pequenos selos. Do Step Forward saíram discos de bandas como Cortinas, The Models e Chelseas, além dos dois primeiros álbuns do The Fall.

ROUGH TRADE. Uma das gravadoras mais cool da Inglaterra, o futuro selo dos Smiths soltava discos de bandas como Young Marble Giants, Stiff Little Fingers (Inflammable material, de 1979, foi o primeiro LP da gravadora), Cabaret Voltaire e The Monochrome Set. O Fall soltou alguns discos por lá após 1980, começando pela compilação de gravações ao vivo Totale’s turns – que teve faixas gravadas em clubes de trabalhadores britânicos, em frente a plateias que mal conheciam a banda.

https://www.youtube.com/watch?v=8GrsMw7TRnI

CHAOS TAPES. Versão cassette do selinho semipirata Chaos, que lançava gravações raras e ao vivo de bandas como Exploited e Sex Pistols (o popular The mini album, de 1985, com ensaios do grupo com Glen Matlock no baixo). O Chaos soltou gigs ao vivo de bandas como Vice Squad, G.B.H., Anti-Pasti e Abrasive Wheels, sempre com preços populares. Do Fall, saiu Live in London, 1980.

https://www.youtube.com/watch?v=Ynz2eddDXYM

KAMERA. Selo que sobrevivia à base de new wave, pós-punk e experimentações, com bandas como Group Therapy, o grupo de “positive punk” Blood And Roses, a alemã Palais Schaumburg, a belga Allez Allez e a pós-punk The Dancing Did. The Fall gravou lá após 1982, quando lançaram Hex enduction tour, gravado em parte na Islândia e cheio de influências do realismo mágico local.

https://www.youtube.com/watch?v=eRHp8FSdZbY&list=PLrO4SwMB0WVP84e3U8a8b-wnJBNZgWq2e

FLYING NUN RECORDS. Selo da Nova Zelândia, lançou Fall in a hole, disco duplo ao vivo (com um LP em 33 rotações e outro em 45) gravado num show da banda por lá – na real, o último show de uma turnê que deram pela Oceania. O selo ainda existe e tá lançando discos de artistas como Grayson Gilmour e a produtora e cantora Fazerdaze.

BEGGARS BANQUET. E o Fall entrava para um verdadeiro dream team do indie rock. Era a gravadora-corporação indie que soltava grupos como Bauhaus, Lurkers, The Cult, Go-Betweens e outras bandas – e que depois passou a controlar selos poderosos como XL (gravadora de Adele) e 4AD (Pixies, Cocteau Twins). Foi por lá que saíram discos bem sucedidos e mais acessíveis como Bend sinister (1986) e The frenz experiment (1988), ambos lançados por aqui em vinil.

FONTANA. Deu bom pro The Fall. O veterano selo pop-rock ligado à holandesa Philips, que havia lançado bandas como The Troggs e The High Numbers (depois The Who) voltava ao mercado disposto a descobrir o que havia de legal no indie-rock. Deslumbrados com a nova onda psicodélica de Manchester (a popular Madchester), cataram o grupo de Mark Smith, que lançou três discos por lá. E passou a flertar com sons eletrônicos e com a onda indie-dance.

COG SINISTER. “As gravadoras do The Fall”, aqui, é uma frase literal. Cog Sinister é um selinho montado pelo próprio Mark E. Smith para lançamentos alternativos, coletâneas e álbuns ao vivo, e que chegou a soltar discos em parceria com gravadoras como Fontana e Voiceprint.

JET RECORDS. O Fall aportou por lá para gravar o problemático The light user syndrome (1996), feito em meio a brigas internas e a problemas de Mark E. Smith com a bebida. A Jet tinha sido um selo extremamente poderoso, fundado em 1974 pelo empresário Don Arden (pai de Sharon Osbourne) e que tivera sob contrato nomões como Electric Light Orchestra, Olivia Newton-John e Ozzy Osbourne. Na época, andava mal das pernas.

CHERRY RED. O Fall chama essa gravadora indie britânica de lar desde 2011, quando lançaram o 28º disco, Ersatz GB. Fundado por uma lenda viva do mercado indie britânico, Iain McNain, o selo tem quase a idade do Fall, começou lançando raridades de bandas pré-punks como Destroy All Monsters e Hollywood Brats e, em 1980, soltou o primeiro disco dos Dead Kennedys, Fresh fruits for rotting vegetables. Hoje representa vários selos independentes e vem recolocando nas lojas álbuns de artistas como Bow Wow Wow, Be Bop de Luxe e até Kylie Minogue.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

Published

on

George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Published

on

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Published

on

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS