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Crítica

Ouvimos: The Shits – “Diet of worms”

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Ouvimos: The Shits – “Diet of worms”

RESENHA: The Shits misturam gêneros num disco pesado e caótico, com guitarras densas, clima perturbador e letras gritadas em desespero. Só porrada.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Rocket Recordings
Lançamento: 3 de abril de 2026

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Bubblegrunge, pigfuck, sludge punk, nu-gaze… É tanta mistura que as pessoas podem começar a enlouquecer. No caso da banda britânica The Shits, fica até complicado falar que se trata de uma mescla de shoegaze (que já é barulhento) com noise rock (ué). Mas o pior é que isso nem responde pelo todo do terceiro disco deles, Diet of worms, um álbum que também tem encartados estilos como hard rock, pós-punk, grunge e montes de outras coisas que aparecem do nada e duram alguns minutos dentro das faixas.

Diet of worms tem oito longas faixas, clima arrasador, poesia escatológica (“dieta de vermes” é a tradução do título) e funis de guitarras pesadas que vão surgindo aos poucos nas músicas, dando um ar mais perturbador ainda a todas as faixas. As letras são frases quase (quase) soltas, berradas pelo vocalista Callum Howe em clima próximo do desespero.

In a hell, na abertura, dá a impressão de já ter passado pelo próprio inferno e sofrer com traumas dos mais diversos – o som é quase pós-punk, repetitivo, e vai ganhando distorções e solos malucos. Tarrare tem uma guitarra wah-wah intermitente que vai se transformando ao longo da faixa – já a letra conta as desventuras de um pobre diabo que existiu de verdade: um 171 francês chamado Tarrare (1772  – 1798), que tinha um apetite fora do comum e comia de rolhas e animais vivos a cadáveres, além de outras coisas que é melhor nem comentar. Algo de Swans, Flipper e até de The Fall, por sua vez, reside em faixas como Joyless satifaction e Then you’re dead.

  • Ouvimos: Angine de Poitrine – Vol. II

O som de Diet of worms é pra quem curte música fria, pesada e repetitiva – nem adianta apresentar o The Shits (e olha só esse nome…) para pessoas com gosto musical certinho que não vai colar. Mas a banda não é nada formulaica. Tanto que rola até uma mescla de rock experimental com boogie a la AC/DC, só que mais sombrio e lento, em Change my ways – além de um clima próximo de bandas como The Cult na ótima Thank you for being a friend, a melhor do álbum.

A faixa-título, do alto de seus pouco menos de três minutos, tem barulhos vindos lááá de longe e urros que vão chegando. O final, com Three o’clock in the morning, é ameaça pura, com microfonias, beat funéreo e ritmo lento. Só porrada do começo ao fim.

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Crítica

Ouvimos: Makeshift Art Bar – “Marionette” (EP)

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Resenha: Makeshift Art Bar – “Marionette” (EP)

RESENHA: Makeshift Art Bar mistura jungle, industrial, ska e eletrônica pesada em Marionette, EP intenso, caótico e cheio de tensão.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Heist or Hit
Lançamento: 26 de junho de 2026

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Vindo da Irlanda do Norte, o Makeshift Art Bar é uma banda interessada em porrada, caos e ousadia: Marionette, o segundo EP, une sons eletrônicos e peso sem soar parecido com o Ministry ou com qualquer outra banda craque do estilo.

O som de faixas como Chocolate é basicamente um jungle distorcido e imagético, gravado como se fosse uma trilha de filme – dá para imaginar uma pista de dança escura bombando. Crows é um blues industrial porradeiro, em que o ritmo parece dado por várias correntes rangendo, enquanto a letra fala sobre incertezas e falta de paz.

  • Ouvimos: Data Animal – Future of ghosts

Marionette é um EP curtinho, com duas faixas em cada metade. Discipline tem ares de Laibach e de Alien Sex Fiend – une música sombria, clima hi-energy, peso e ondas de pavor. Servant, no final, é um ska demoníaco e pesado, em que temas como controle mental e manipulação se tornam cada vez mais apavorantes.

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Ouvimos: Bleeder – “Marble station” (EP)

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Resenha: Bleeder – “Marble station” (EP)

RESENHA: Bleeder une pós-punk, post-rock e experimentalismo em Marble station, EP que transforma duas covers em viagens sonoras densas e sombrias.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Escho
Lançamento: 5 de junho de 2026

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Direto da Dinamarca, o Bleeder é o projeto musical de Peter Peter, mais conhecido como autor de trilhas de filmes de ação e crime. No EP Marble station, ele se cerca de amigos, como Elias Ronnelfelt (do Iceage), para unir pós-punk e experimentalismo roqueiro histórico.

Marble station tem quatro faixas, mas o clima é de ocupação sonora, abrindo com a faixa-título. São nove minutos de música em que as guitarras vão tomando conta de um jeitão até meio emo – mas com piano luminoso e clima perdido, quase de post-rock, em que o peso vai chegando aos poucos. Here comes the dead, a outra autoral do álbum, é metal post-rock, em clima sombrio e sonhador.

O repertório de Marble station é complementado por duas covers. Boy / girl, de Lydia Lunch, vira hardcore ruidoso e eletrônico, com ares de Ministry, mas ganhando até uma percussão. If not this time, música da pioneira banda experimental estadunidense Fifty Foot Hose, é psicodelia sombria sessentista. Loucura sonora mapeada.

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Crítica

Ouvimos: Jokas – “Ispiridiguiberto”

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Resenha: Jokas – “Ispiridiguiberto”

RESENHA: All Jokers vira Jokas e lança Ispiridiguiberto. São 16 minutos de punk e hardcore irônicos, pesados e maduros, entre zoeira, crítica e boas melodias.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Lixo-O-Rama Discos
Lançamento: 28 de junho de 2026

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Falamos outro dia de um álbum de onze minutos, mas tá aí a banda paulista Jokas quase na mesma linha. Ispiridiguiberto, o primeiro álbum do grupo, tem oito faixas e uma duração pouca coisa menos extravagante (16 minutos) que Magazine, o tal disco curto do YHWH Nailgun. O Jokas, que vem de Campinas (SP), é “das antigas”: é o clássico grupo punk All Jokers com outro nome, mas com a mesma receita irônica e ruidosa.

Ispiridiguiberto, primeiro álbum com o nome novo, oscila entre punk californiano e hardcore para falar de vida no limite (Vida de doidão), ruindades do mundo (Fuck this shit, a faixa-título), amores (She couldn’t wait, em clima meio The Clash, meio NOFX). Tem zoeira em tom surf-punk, A bosta, e hardcore em clima guerrilheiro, Come join us – completando com a beleza punk de Goodbye, grey sky e Sweet perfection. Som com peso, vocais bacanas e maturidade nas composições.

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