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Entre o noise e o colapso: Gilla Band lança “Giraffe”

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Gilla Band (Foto: El Hardwick / Divulgação)

Imagine um som que não é bem pós-punk, não é bem noise-rock, passa perto da no wave, e causa tensão: essa é a música da Gilla Band, quarteto de Dublin que lançou na sexta-feira sua primeira música em quatro anos, a ruidosa Giraffe.

Formada por Dara Kiely nos vocais, Alan Duggan Borges na guitarra, Daniel Fox no baixo e Adam Faulkner na bateria, a Gilla Band investe em peso, paredes sombrias de guitarras e sons repetitivos à moda do krautrock na música nova – chegando depois a beats eletrônicos.

Já a letra… “Nessa faixa, as primeiras seções representam como meu estado mental geral é. Pode ser um lugar muito disperso e às vezes solitário. Me sentindo pouco amado e achando difícil articular o que realmente estou pensando”, conta Dara, que enche a canção de vocais irônicos.

Depois, o jogo vira. “O final, por outro lado, detalha indiretamente uma espécie de confirmação de que a afeição por mim realmente existe. Embora eu aprecie isso, ainda acho difícil de acreditar: ‘ela me perseguiu porta afora com uma escova de cabelo exigindo que eu usasse um casaco adequado’. É uma atitude muito típica de mãe irlandesa. Essa quantidade de amor é difícil para eu aceitar, mas é uma coisa linda de se ter na vida”, conta o cantor.

Giraffe sai pelo histórico selo Rough Trade. Não há ainda notícias de um álbum novo – Most normal, o terceiro e mais recente álbum, saiu em 7 de outubro de 2022.

Foto: El Hardwick / Divulgação

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Depois do silêncio: Babehoven retorna com disco sobre recomeços

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Babehoven (Foto: Divulgação)

Depois de passar por um período em que cantar deixou de ser uma certeza, o Babehoven está de volta com um disco que parece nascer justamente dessa sensação de recomeço. O duo de Hudson, Nova York, formado por Maya Bon e Ryan Albert, lança em 18 de setembro o terceiro álbum, I see them, I see me, pela Double Double Whammy.

A dupla lança também o single Lasagna, acompanhadoo de um clipe bem humorado dirigido por Ash Kron, no qual a dupla ganha um prêmio ao comer num fast food e decide partir numa road trip com o dinheiro que ganhou (“mas antes precisamos pagar umas contas”, avisa Ryan no vídeo).

A história por trás do álbum é bem menos leve. Durante a primeira turnê da banda como atração principal, em 2024, Maya Bon sofreu uma paralisia na corda vocal direita e passou meses sem conseguir cantar. Os médicos chegaram a dizer que ela talvez nunca recuperasse a voz.

Ela recuperou — e, segundo a cantora, voltou a cantar com um prazer que não sentia havia muito tempo. Essa sensação atravessa o disco inteiro: em vez de transformar o trauma em um álbum soturno, o Babehoven escolheu celebrar o simples fato de ainda poder fazer música.

Outro elemento importante veio das nove sessões de terapia com cetamina em altas doses que Bon fez para tratar a depressão. As experiências, descritas por ela como sonhos lúcidos, acabaram infiltrando as letras, que embaralham realidade e imaginação enquanto observam um mundo cada vez mais difícil de decifrar.

Entre crises climáticas, ansiedade coletiva e catástrofes diárias, I see them, I see me gira em torno da ideia de perspectivas diferentes sobre uma mesma realidade — uma espécie de “visão em paralaxe” aplicada às relações humanas.

Lasagna resume bem essa proposta. A música fala daquele tipo de intimidade em que duas pessoas ficam tão próximas que deixam de enxergar uma à outra com clareza. Enquanto a rotina ocupa todos os espaços, a presença da outra pessoa continua rondando, invisível e constante, produzindo ao mesmo tempo afeto, angústia e uma estranha sensação de paralisia.

“Às vezes, quando duas pessoas estão profundamente entrelaçadas, elas ficam tão próximas que já não conseguem realmente enxergar uma à outra. Você quer que a outra pessoa se parta ao meio, para revelar o que existe por baixo. Você se mantém ocupado, enche o dia de tarefas, mas a outra pessoa continua balançando ao vento ao seu redor — você a sente em todos os lugares. Ao mesmo tempo, você se sente pequeno, preso e tomado por uma inquietação desesperada”, diz Maya sobre a música.

Musicalmente, o disco também marca uma mudança de método. Pela primeira vez, Bon e Albert abriram mão do processo quase fechado que sempre guiou a banda e gravaram em quatro estúdios diferentes, com a colaboração dos engenheiros Sam Evian, Kevin Copeland e Phil Weinrobe — este último também como coprodutor. Blue around you, outro single do disco, já foi também liberado. Abaixo você confere o single de Lasagna, a capa e a lista de faixas de I see them, I see me.

Foto: Divulgação

Capa do disco I see them, I see me, do Babehoven

LISTA DE FAIXAS
01. You’re a liar
02. When you look at me
03. Lasagna
04. Monster
05. Blue around you
06. Something true
07. Red interlude
08. Jess has a place
09. And I in a dream
10. Wave has a place
11. Neck
12. Beetle on the scene pt. 2
13. Three reds
14. Pelorus

 

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E o show do Napalm Death no Tiny Desk, hein?

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Napalm Death (Foto: Divulgação)

Sim, o show do Napalm Death no Tiny Desk Concerts foi histórico. Foi na real uma das coisas históricas que a atração de YouTube apresentou desde que começou a ir ao ar, mas se você não imaginava ver uma das bandas mais barulhentas do mundo num espaço tão exíguo e intimista, foi exatamente o que rolou. E o Napalm Death provou que o formato funciona justamente quando o artista não tenta se adaptar a ele: o caos da banda permaneceu intacto, só mudou de endereço.

Lars Gotrich, produtor da rádio NPR Music, que faz o programa, é fã de som pesado e já sonhava com a banda de grindcore lá há tempos. O site Blabbermouth publicou uma declaração dele, afirmando que “a primeira banda de grindcore a se apresentar no Tiny Desk tinha que ser a banda pioneira. Recusei ou disse ‘talvez mais tarde’ para tantas outras – era assim que eu me preocupava em acertar. Só existe um Napalm Death, não apenas um exemplo de música extrema, mas também do que é preciso para ser humano em tempos que parecem desumanos”.

O repertório do grupo foi curto e direto, cabendo músicas como Instinct of survival, Amoral, Throes of joy in the jaws of defeatism e até duas músicas da estreia da banda, Scum (1986): a faixa-título e nada menos que a canção de dois segundos You suffer. O detalhe é que nenhum dos integrantes da formação original da banda faz parte do Napalm hoje – e nenhum dos atuais, que são Shane Embury (baixo), Barney Greenway (voz), Danny Herrera (bateria) e John Cooke (guitarra), tocou em Scum.

Falando em Shane, ele continua afastado da banda para tratar de sua pancreatite – Matt Sheridan vem tocando como baixista substituto e tocou em seu lugar no Tiny Desk. Barney Greenway, o cantor do grupo, estava orgulhosíssimo de tocar lá e manifestou isso algumas vezes. Chegou a fazer um apelo pela preservação da radiodifusão pública durante o programa.

“Há décadas que ouço o Democracy Now! na NPR Radio para me manter informado sobre as notícias norte-americanas, sem rodeios, mas com uma visão crítica. Então, quando surgiu o Tiny Desk da NPR , fiquei um pouco surpreso”, contou (via Blabbermouth).

“Percebemos que iríamos alcançar muito mais pessoas do que o normal com a apresentação no Tiny Desk, mas, como vocês podem esperar do Napalm Death, jamais suavizaríamos a performance. Esperamos que todos tirem pelo menos algo dela, mesmo que seja apenas uma compreensão da abrasividade musical levada ao extremo. Por favor, apoiem sempre a radiodifusão pública, tendo em vista os ataques implacáveis ​​que ela vem sofrendo”, afirmou o cantor.

O ND provavelmente não vai “viralizar” por causa da apresentação – mas uma turma enorme que jamais veria um show deles, ou clicaria num vídeo deles, deve ter parado pra ver nem que seja um minuto da session. Outro detalhe: um grupo de grindcore tocando entre estantes de livros é um contraste tão grande que atrai cobertura espontânea. Mesmo quem não gosta do som acaba clicando para ver como aquilo funciona. Pra Barney e cia foi ótimo, pros fãs também, pra NPR idem. E o show, se você não assistiu, tá aí.

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“Easy street”: Queens of the Stone Age volta com dueto country e clipe insano

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Queens of the Stone Age (Foto: Andreas Neumann / Divulgação)

A foto nova do Queens of The Stone Age deixou a banda de Josh Homme com uma cara de elenco de série – e se você estranhou a nova imagem, precisa ouvir o som novo. Easy street traz o QOTSA chutando pra bem longe qualquer linguagem sonora associada ao stoner. Trata-se de uma canção bem próxima do country, lembrando o mergulho dream pop que uma série de artistas vêm fazendo no estilo musical.

No single, Josh faz dueto com a cantora e compositora country Nikki Lane – que geralmente é chamada por aí de “primeira dama do country fora-da-lei”, e que teve um álbum, Denim & diamonds, produzido por Josh em 2022. A produção foi feita pelo cantor ao lado de Michael Shuman. O som é bem solar, tranquilo, e a música nem sequer uma uma bateria – uma percussão meio pé-de-pano (são palmas, segundo o músico) dá conta do recado. Quem é QOTSAmaníaco, aliás, já conhece Easy street de outros carnavais: ela já havia sido tocada durante a turnê Catacombs, em 2025.

Josh diz que a música foi produzida de modo bem despojado – aliás outra coisa na qual o Queens anda se parecendo com bandas mais novas.

“É uma canção meio engraçada. É como bater o cotovelo, daquele jeito que é engraçado porque dói e dói porque é engraçado. Você está falando sério, mas é cômico. Fizemos do jeito que se faz uma demo. Sem click track, erros deixados de propósito”, conta.

“Ela acelera, desacelera, as palmas não são grandes coisas, mas também não são ruins, e uma palma ruim adiciona essa coisa humana que não dá para fingir. Não se trata apenas de bobagem. É sobre entender a imperfeição da sua vida. A canção, como a sua vida, está nos erros. Suas imperfeições são imbatíveis”, afirma.

O clipe de Easy street é uma produção dqquelas: Josh surge correndo, mas não está fazendo o cooper diário. Ensanguentado e descalço, com uma sandália crocs quebrada (!) ao lado do pé direito, ele tenta escapar de um batalhão de pessoas – incluindo um cowboy e um sujeito com um cutelo na mão, além de uma senhorinha com uma baita cara de ódio, pilotando uma cadeira motorizada. Até o momento, não se sabe se vem álbum novo do grupo.

Foto: Andreas Neumann / Divulgação

 

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