Cultura Pop
Aquela vez em que (dizem) Jimmy Page ficou puto com Eddie and The Hot Rods

Vivendo um inferno de drogas e problemas internos (e sempre assombrado pelo medo de ficar para trás na realeza do rock setentista, já que várias bandas e modas foram se sucedendo na década) o Led Zeppelin com certeza teria mais o que fazer na vida do que se incomodar com um single de uma banda do segundo escalão do punk rock. A banda, no caso, era Eddie and The Hot Rods, cujo vocalista Barrie Masters morreu dia 2 de outubro.
https://www.instagram.com/p/BsTUd7JjTZs/
Dizem que os caminhos das duas bandas chegaram a se cruzar, por causa de uma razão que vamos ver daqui a pouco. Em termos de fama, Eddie and The Hot Rods, lá por 1977, eram tidos como uma grande promessa do punk, levando novamente o som do pub rock a se unir com os poucos acordes do estilo. Foram empresariados por Ed Hollis (irmão de Mark Hollis, criador da banda Talk Talk), que abasteceu o grupo de informações musicais e escreveu letras para a banda.
Até hoje comenta-se da rivalidade que Eddie and The Hot Rods teve não com (obviamente) o Led Zeppelin, mas com os Sex Pistols, que acabou virando o grupo punk do momento em 1977. Johnny Rotten, o vocalista, tentou chamar Masters, boxeador durante os tempos de escola, pro pau. Acabou apanhando. Durante um show em que abriram para os Pistols em 1976, tiveram parte do seu equipamento destruído pela banda principal.
No Brasil, muita gente possivelmente só ouviu falar do grupo (que, vale citar, teve um “Eddie” como integrante no comecinho – o cara se mandou mas o nome ficou) por causa das duas músicas incluídas na coletânea A revista Pop apresenta o punk rock, de 1977: I might be lying e Writing on the wall. Fato é que Eddie & The Hot Rods estavam até bastante adiantados na corrida pelo estrelato punk: Teenage depression, o primeiro disco, saíra em 1976, antes do estouro do estilo musical (saiu até no Brasil, diga-se).
https://www.youtube.com/watch?v=VNz9ftbwd90
Em 1977, algumas mudanças no universo de Eddie and The Hot Rods. A banda viraria um quinteto com a entrada de outro guitarrista, Graeme Douglas, que também seria responsável por algumas músicas (e levaria uma sonoridade mais sessentista, herdada dos Byrds, para o grupo). Uma dessas canções foi justamente o primeiro single do segundo disco, Life on the line.

O tal single era Do anything you wanna do, cuja capa era essa aí de cima, trazendo o ocultista inglês Aleister Crowley com orelhas de Mickey Mouse. A música era uma parceria entre Graeme e Ed Hollis, e o título – você já pode ter adivinhado – era uma gracinha em cima do popular “faz o que tu queres, há de ser tudo da Lei”, escrito por Crowley e popularizado no Brasil por Raul Seixas.
Olha a música aí (um dos maiores clássicos do rock dos anos 1970, por sinal).
O comentário geral é que Jimmy Page, guitarrista do Led e discípulo de Crowley, ficou bem puto da vida com essa capa do single. Tão puto que (dizem) teria jogado uma praga em Masters e seus colegas. E enfim, o fato é que, dentro em pouco, Eddie and The Hot Rods sumiriam do estrelato. A banda gravou só mais um disco pela Island (Thriller, de 1979), assinaria um contrato com a EMI que só geraria o fracassado Fish’n chips, de 1980, e fim. O grupo só retornaria com o álbum Gasoline days, de 1996. “Coisas estranhas aconteceram depois disso. Muitas pessoas disseram que não deveríamos ter brincado com Crowley”, contou o baixista Paul Gray.
“Eu nem sabia quem era Aleister Crowley”, jurou Masters num papo com a Loudersound, em que a história da música foi dissecada. “Eu tinha ouvido falar sobre isso, mas eu era um cara ligado em rock, não em nada místico ou coisa parecida”. A produção foi creditada a Ed Hollis, mas quem cuidou mesmo da gravação foi Steve Lillywhite, então um iniciante – que depois estaria produzindo discos de U2, Big Country e vários outros. Masters estava com uma dor de dente horrenda no dia da gravação e credita a isso uma certa “raiva” que transpareceu em seus vocais. “Fizemos duas versões da música: uma delas estava tecnicamente certa. Na outra cometemos alguns erros, mas ela parecia certa e foi essa que foi lançada”, contou.
Já que você chegou até aqui, pega aí um show inteiro de Eddie and The Hot Rods em Liverpool em 2018. R.I.P. Barrie Masters.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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