Cultura Pop
Quando Angie Bowie quase foi a Mulher Maravilha

Em 1973, David Bowie – inglês em vias de residir Estados Unidos – era um superstar do rock. E sua esposa Angie Bowie vivia dias meio… estranhos. Tentava se adaptar à condição de mulher de astro pop e levar adiante um frustrado casamento aberto com Bowie. O objetivo do casório era que a “abertura” valesse para os dois, ainda que David volta e meia escondesse um ou outro caso dela. Era o que acontecia quando supostamente ele tinha algum interesse a mais pela garota, como entrega a biografia Bowie, de Mark Spitz.
Numa dessas, ela decidiu se relançar como atriz e modelo. Só que adotou o nome Jipp Jones, usando o sobrenome verdadeiro do marido. Foi com esse apelido que ela encarou, no fim de 1973, um teste para o papel-título da série Mulher Maravilha, que seria levada ao ar pela CBS a partir de 1974. O assunto ocupa algumas páginas de sua autobiografia Backstage passes, escrita ao lado de Patrick Carr e lançada em 1993.
Angie disse que o papel já estava prometido à ex-miss Lynda Carter (que de fato interpretou a Mulher Maravilha por cinco anos após 1974). E que a possibilidade de uma audição só lhe foi oferecida porque seria um bom gancho a explorar na ida de Bowie ao Tonight Show para promover o especial 1900 floor, que seu marido fizera para o Midnight Special (falamos desse show aqui). Ela chegou a fazer fotos como Mulher Maravilha, pouco antes de realizar os testes.

Olha elas aí. Angie diz ter sido interpelada por uma mulher da produção, no meio do teste, que reclamou que ela não estava usando sutiã. E também afirma ter sido vítima de assédio por parte de um dos roteiristas. “Eu odiava Hollywood; era realmente muito desagradável. Eles eram muito desagradáveis, um monte de porcos chauvinistas. As mulheres eram puramente decorativas”, chegou a afirmar certa vez ao BlogTalkRadio.com.

Uma reportagem da Rock Scene de maio-junho de 1974, afirmava que Angie, quando não era a “Senhora David Bowie”, era a modelo e atriz Jipp Jones, que recentemente tinha feito teste para Mulher Maravilha. E mostrava algumas fotos em que ela encarnava a personagem. A foto maior saiu publicada na revista Manchete nos anos 1980, numa reportagem sobre o livro Rock wives, de Victoria Balfour, sobre as vidas das mulheres de roqueiros famosos.
O namoro de Angie Bowie com o universo dos quadrinhos não parou aí. Ela resolveu comprar os direitos dos personagens Daredevil e Viúva Negra, com a intenção de fazer um filme ou uma série. O próprio Stan Lee (que Angie conhecera ainda na época das negociações da audição) vendeu os direitos para a atriz e modelo.
Essa aventura também rendeu uma série de fotos, tiradas por Terry O’Neill (o mesmo que clicou as imagens dela como Mulher Maravilha), com o ator Ben Carruthers na fantasia de Demolidor. Seguem abaixo.

O projeto não andou. Angie diz não ter conseguido ninguém interessado em levar a história adiante. “Eu recebi permissão de Stan Lee para ter os direitos de Demolidor e Viúva Negra por um ano. Não foi possível colocar a série. Ben Carruthers e eu fizemos a sessão de fotos com Terry O’Neill, a figurinista Natasha Kornilkoff e a maquiadora Barbara Daly em Londres. E foi tudo o que aconteceu. Infelizmente, naquela época, era considerado muito difícil e caro filmar, efeitos especiais etc”, afirmou.
Com infos de Dangerous Minds, We Minored in Film, Wonder Woman Museum e Female First.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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