Connect with us

Cultura Pop

Clare Torry: muito além de The Great Gig In The Sky, do Pink Floyd

Published

on

O que o progressivo do Pink Floyd tem a ver com o pop oitentista do Culture Club? Engano seu se respondeu “porra nenhuma”. O ponto de ligação entre as duas bandas tem nome: Clare Torry, cantora de estúdio cuja voz toma conta de The great gig in the sky (do álbum The dark side of the moon, dos primeiros, que faz 45 anos esse ano) e aparece igualmente em The war song (hit do grupo liderado por Boy George).

Quem lembra disso é a galera do portal The arts desk, que resolveu fuçar o que é que Clare andou fazendo além de aterrorizar geral na última canção do antigo lado A de The dark side… Bem antes de adentrar o estúdio da EMI para gravar sua participação do disco do PF, em 21 de janeiro de 1973, ela trabalhava como compositora contratada da Ardmore And Beachwood, companhia de publicação musical ligada à EMI.

“Ganhava 10 libras por semana e tinha que fazer um número de canções por ano. Estava sempre com cantores, compositores e produtores. John Paul Jones (futuro baixista do Led Zeppelin) estava sempre por perto”. Em 1967, lançou um single, The music attracts me. Nada aconteceu. Ouça a música aí embaixo.

Clare ainda lançaria outros singles, sem repercussão – num deles, em 1970, adotou o codinome Alice Pepper. Desistiu de cantar e resolveu se dedicar aos estudos, até ver a conta bancária minguando. “Liguei para vários amigos – arranjadores e produtores – e pedi trabalho”, afirma ela, que cantou em gravações de artistas como Elton John e Meat Loaf. De contato em contato, ela e o Pink Floyd se encontraram: Clare foi chamada com urgência, num domingo para participar da música. Até então, cagava solenemente para o Pink Floyd, de cuja obra só conhecia o primeiro hit, See Emily play. “Não era minha banda preferida. Se fossem os Kinks, aí sim eu teria ficado maluca”.

O fator “onde estou? Quem sou eu?” bate forte na história da relação de Clare com o PF. A banda mal sabia o que queria quando convidou a cantora para ir ao estúdio. O tecladista Rick Wright, autor da música, falou “faça o que você quiser”. David Gilmour, guitarrista, só pediu “algo emocionante”. Chegou a afirmar à Mojo, em 1998, que não botou fé na cantora assim que a viu. “Pensávamos na Madeleine Bell ou na Doris Troy (vocalista que participou do disco fazendo vocais em músicas como Us and them e Time)“. Clare garante ter achado que a gravação mal seria usada – e que só soube que sua voz estava num disco quando ele já estava nas lojas.

O problema é que a brincadeira deu certo demais: Dark side of the moon, como é público e notório, ultrapassou as 30 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Clare, que embolsou módicas 30 libras pelo frila com o Floyd, esperou até 2005, quando já estava aposentada, para entrar na justiça pedindo coautoria na canção. Conseguiu: a música hoje é creditada a ela (cuja participação, de fato, fez The great gig… ser o que é) e ao tecladista Rick Wright.

“Durante vários anos, as pessoas me perguntaram sobre isso. Cheguei a pensar no assunto, mas as custas seriam altíssimas. Tive que engolir, não queria ficar com fama de criadora de caso. Quando me retirei do meio musical, reconsiderei”, disse, em entrevista ao portal Brain Damage, de informações sobre o grupo.

Em 1978, pouco após gravar com o Pink Floyd, ela fez alguns vocais na versão ópera-rock de Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, feita pelo músico e compositor Jeff Wayne.

Mesmo sumida do mercado, ela lançou um CD em 2006, Heaven in the sky, coletando algumas de suas músicas dos anos 60 e 70.

A própria Clare Torry, no DVD da série Classic albums de The dark side of the moon, relembra como foram as gravações do disco.

E olha aí The great gig in the sky no early mic, SEM os vocais de Clare Torry. E com uns tapes de vozes faladas a mais.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Cultura Pop

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

Published

on

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por R.E.M. (@rem)

Continue Reading

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

Published

on

George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Published

on

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS