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Cultura Pop

12 apostas malucas das gravadoras

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Fizeram uma versão de CINCO HORAS E MEIA de "Brainwash", do Flipper

Ah, os pitorescos anos 1990… naquela época o rock alternativo estava em alta graças ao estouro mundial do grunge e isso fez as grandes gravadoras se voltarem para o cenário underground e saírem lançando todo tipo de banda possível, na esperança de encontrarem um novo Nirvana ou Soundgarden e, na ânsia de ganhar dinheiro, muito provavelmente as majors foram com muita sede ao pote e não prestaram muita atenção no que estavam contratando… acho que só isso (ou um porre homérico dos engravatados) justifica algumas escolhas que até hoje parecem bizarras!! Nós do POP FANTASMA listamos aqui 12, mas certamente tem bem mais (se você porventura lembrou de alguém que nós deixamos de fora, por favor nos diga!)!! Dito isso, vamos a eles (na foto, o Flipper).

CLAW HAMMER. Banda californiana que fazia uma mistura indigesta de punk rock, blues e experimentalismo, mas ainda assim, apesar da esquisitice, foi a segunda banda da gravadora independente Epitaph a assinar com uma major, depois do L7. Sim, acredite, o Claw Hammer conseguiu chegar ao mainstream antes do Offspring e do Bad Religion, vai entender… Quem cometeu tal loucura foi a Interscope, subsidiária da Universal e que já tinha em seu cast bandas como o Primus e o Nine Inch Nails. Por esse selo, eles lançaram dois discos, Thank the hold upper e Hold your tongue and say apple, ambos bons trabalhos, porém difíceis de assimilar e que, obviamente, não deram em nada.

COP SHOOT COP. Só pela formação dá pra ver que os novaiorquinos do Cop Shoot Cop não eram nem um pouco convencionais. Os caras tinham dois baixistas, não tinham guitarra e ao invés de um baterista tinham uma espécie de percussionista que usava apenas caixa, surdo e um prato aqui e ali. Mesmo assim a Interscope (olha eles aí de novo…) achou que com uma roupagem adequada daria pra encaixá-los na cena industrial que estava pipocando na época e apostou neles.

Surpreendentemente até que deu certo: O primeiro disco lançado pelo selo, Ask questions later, estourou nas college radios graças a música $10 bill, um jazz torto e esquisito mas que sabe-se lá porque caiu no gosto de um público razoável, o que fez as vendas irem melhor do que o esperado e deixou tanto banda quanto selo animados e cheios de expectativas. Em 1994, menos de um ano após o lançamento do álbum anterior, saiu Release, porém apesar de também terem conseguido um mini hit (Interference), a resposta não foi tão calorosa e as vendas não foram tão boas, fazendo o selo rescindir o contrato. No final da turnê, o Cop Shoot Cop encerrou as atividades.

DRIVE LIKE JEHU. Nesse caso não foi exatamente culpa da gravadora (mais uma vez a Interscope): Ao assinararem com o Rocket From The Crypt, o vocalista John Reis colocou uma cláusula no contrato exigindo que seu projeto paralelo Drive Like Jehu teria que ir junto, ou nada feito.

O selo aceitou a condição e assim, em 1994, veio ao mundo Yank crime, segundo álbum do DLJ. Foi um daqueles discos que a crítica adorou mas o público não curtiu. A gravadora também não ajudou, haja vista que sabiam que algo tão experimental dificilmente cairia no gosto do povo e que o foco principal do selo era o Rocket From the Crypt. Curiosamente, Yank crime ganhou um certo status cult com o passar dos anos e até hoje tem um séquito apaixonado de fãs. Talvez estivessem muito à frente do tempo e por isso não emplacaram, vai saber…

FLIPPER. O Flipper sempre foi uma banda complicada pois seus integrantes tinham um comportamento destrutivo, viviam se entupindo de drogas e o som que faziam era cru ao extremo, propositalmente repetitivo e tosco, tanto é que mesmo sendo rotulados como punks, muitos punks odiavam o som deles. Por serem tão caóticos, só tinham lançado um disco, Generic Flipper, em 1982.

Entretanto, veio o estouro do grunge, Kurt Cobain apareceu em diversas fotos usando uma camiseta do Flipper e bandas como o Melvins e o Mudhoney citaram Generic Flipper como uma grande influência, o que fez as grandes gravadoras crescerem o olho neles. Quem os contratou foi a American Recordings (não foi a Interscope dessa vez, aleluia!), casa do Slayer, que lançou em 1992 American grafishy, disco que foi massacrado tanto pela crítica quanto pelos fãs das antigas, apesar de, milagrosamente, ter conseguido a proeza de emplacar um mini hit, Flipper twist. Obviamente, a American Recordings percebeu que não foi uma boa ideia, rescindiu o contrato e eles só lançaram outro álbum em 2009, Love, novamente através de um selo independente.

DANIEL JOHNSTON. Daniel Johnston era um rapaz que tinha esquizofrenia, e tinha um talento único pra escrever melodias delicadas e ensolaradas. Lançou diversas fitas K7 na década de 1980 e a mais famosa delas, Hi, how are you? também atraiu a atenção depois que o vocalista do Nirvana apareceu com uma camiseta estampada com a capa da tal fitinha. O problema é que a condição mental do Daniel foi degringolando cada vez mais. Ele ficou obcecado pelo diabo a ponto de enxergar o mal em tudo, só falar nisso e, por causa disso, volta e meia ser internado em hospitais psiquiátricos.

Porém, assim como o Flipper, a exposição que o Nirvana proporcionou fez as gravadoras disputarem seu passe. Um caso curioso foi a Elektra, que ofereceu um caminhão de dinheiro pra ele, mas Daniel recusou porque “não queria estar na mesma gravadora de uma banda satânica como o Metallica”. Quem acabou levando no fim foi a Atlantic, subsidiária da Warner, que deve se arrepender disso até hoje: apesar de ser um disco lindíssimo, Fun, lançado em 1994, foi um fracasso retumbante, vendendo menos de 5 mil cópias .

BRUTAL JUICE. Os texanos do Brutal Juice se autorrotulavam como Acid punk, tinha integrantes que vieram da cena jazz local e um vocalista chamado Craig Welch que era famoso por apagar cigarros NA TESTA durante os shows. Bem, acho que já deu para perceber por esse breve resumo que eles eram uma banda completamente fora da casinha, não?

Após lançarem seu segundo álbum pelo cultuado selo Alternative Tentacles, receberam uma proposta da Interscope (sempre ela) e lançaram por ali Mutilation makes identification difficult, um baita discaço, porém bastante indigesto, que foi um sucesso de crítica e um fracasso comercial, fazendo com que a banda resolvesse encerrar as atividades após a turnê de divulgação. Em 2016, eles retornaram à ativa, lançaram mais um trabalho chamado Welcome to the panopticon, que quase ninguém viu/ouviu e desde então fazem shows esporádicos.

SURGERY. Talvez seja o caso mais triste na lista. Após lançarem um bom trabalho chamado Nationwide pelo selo Amphetamine Reptile, a banda de blues punk nova iorquina Surgery foi contratada pela Atlantic, muito graças a uma forcinha do Sonic Youth. Porém, menos de um mês antes do lançamento de Shimmer, o vocalista Sean McDonell teve uma súbita crise de asma e veio a falecer. Os demais integrantes ficaram tão consternados que terminaram com tudo ali mesmo, fazendo a gravadora abortar todo o projeto de divulgação e, assim, o disco passar em brancas nuvens. Mas de qualquer jeito duvido que daria certo, haja vista que o trabalho em questão não era lá muito comercial…

WESLEY WILLIS. Wesley Willis era um rapaz que tinha esquizofrenia, ganhava dinheiro tocando um teclado fuleiro nas ruas de Chicago e vendendo desenhos que fazia com hidrocor. Lançou mais de 50 discos por conta própria e todos rigorosamente iguais: as letras mudavam, mas a base das músicas era sempre a mesma. Ao mesmo tempo ele tinha uma banda de rock chamada Wesley Willis Fiasco, que causou um murmurinho no underground e chamou a atenção de figurinhas consagradas na cena. Porém, na hora de assinar com um grande selo (no caso a American Recordings), inexplicavelmente optaram em lançar seu trabalho solo cujas músicas eram todas iguais, ao invés do seu projeto com banda. Dois discos foram lançados num intervalo de apenas dois meses, Fabian road warrior e Feel the power, ambos rigorosamente iguais e claro, ambos fracassos retumbantes. Como curiosidade, no disco Fabian road warrior tem uma música chamada Brutal Juice, cuja letra é uma homenagem à banda citada anteriormente.

BOREDOMS. É uma banda de noise rock japonesa altamente experimental que não raro faz mais barulho do que música propriamente dita e que não tem lá uma das melhores reputações. Além do vasto histórico de destruir as casas de shows onde se apresentavam, ainda por cima costumavam jogar na plateia pedestais, instrumentos e demais objetos capazes de ferir com gravidade. Isso para não falar de seus discos repletos de obscenidades (só para citar um exemplo, todas as músicas do EP de estreia Anal by anal têm a palavra “anal” no título e falam sobre vocês já imaginam o que). Porém nos insanos anos 1990, estávamos no auge do grunge e tudo que era ruidoso interessava as majors. Pop tatari (lançado em 1992 pela Reprise, que também lançou o Mudhoney) é um álbum de difícil digestão, totalmente não comercial, mas sabe-se lá porquê chamou a atenção do público e não foi de todo mal nas vendas, pois ainda lançaram outros dois CDs pelo selo, participaram da turnê do Lollapalooza em 1994 e, no Japão, são contratados da Warner até hoje! Vai entender….

FUDGE TUNNEL. Tava na cara que essa tinha tudo pra dar errado (e deu), a começar pelo nome (“Fudge Tunnel” é um apelido carinhoso da cavidade anal). Como se não bastasse, o som era um noise rock barulhento ao extremo (basta ver que seu primeiro álbum foi lançado pela Earache, gravadora independente especializada em Grindcore). Ainda assim a Sony achou que, com um polimento, dava para vendê-los naquela cena metal moderna que surgia na época, com bandas como o Prong e o Helmet assumindo a dianteira. Creepy diets foi lançado e até conseguiu um surpreendente mini hit com a música Grey, mas infelizmente não vendeu o suficiente pra Sony continuar apostando neles. O Fudge Tunnel encerrou as atividades pouco tempo depois, após o lançamento do terceiro disco (novamente pela Earache), mas uma coisa boa ficou: o vocalista Alex Newport tornou-se um produtor muito requisitado, já tendo trabalhado inclusive em dois álbuns do Ratos de Porão.

UNSANE. Resumindo bastante, a mesma coisa que aconteceu com o Fudge Tunnel aconteceu com os novaiorquinos do Unsane. Ambas as bandas fazem um som lento, pesado, cheio de nuances e de difícil digestão e em ambos os casos uma grande gravadora achou que dava para vendê-los como parte da cena metal moderna da época (aqui no caso a Atlantic, subsidiária da Warner), porém aqui com um agravante: Total destruction é um trabalho EXTREMAMENTE irritante, barulhento, com músicas que soam todas iguais. Parece até que foi composto na base da zoeira, só pra tirar uma com a cara da gravadora. Óbvio que não vendeu nada e de lá pra cá eles já passaram por várias gravadoras independentes renomadas (Matador, Ipecac, Relapse, Alternative Tentacles), permanecendo na ativa até hoje.

THREE MILE PILOT. Os californianos do Three Mile Pilot são uma banda bastante complicada de rotular. Depois de lançarem um disco de punk rock SEM GUITARRAS na sua estreia (Na vucca do lupu), lançaram um segundo trabalho (já com guitarras dessa vez) chamado The chief assassin to the sinister pela pequena gravadora Cargo Records. Surpreendentemente a DGC (sim, o mesmo selo do Nirvana) resolveu relançá-lo, com músicas a mais e alterando a ordem das mesmas, sabe-se lá porquê. Se o objetivo era tornar mais acessível, não funcionou: o trabalho em questão passou em brancas nuvens e eles voltaram para o underground.

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

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Cultura Pop

Qual é a do The Coverups, banda de covers de Billie Joe (Green Day) e amigos?

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The Coverups: Billie Joe recebe Bruce Dickinson (Foto: Reprodução Internet)

Antes de Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, aparecer de surpresa no palco em Québec, o The Coverups já dava muitos sinais de vida havia anos. O projeto paralelo de Billie Joe Armstrong continua funcionando exatamente como nasceu: como uma desculpa para tocar músicas que seus integrantes amam, sem a pressão de lançar discos ou sair em turnê.

Criado em 2018, o grupo reúne integrantes e colaboradores do Green Day em apresentações pequenas, normalmente em clubes da Califórnia. A formação original contava com Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo e voz), Jason White (guitarra), Bill Schneider (baixo) e Chris Dugan (bateria) – Mike e Jason são os únicos que fazem parte também do Green Day, sendo que Jason atua como músico de turnê. Nos últimos anos, porém, Dirnt deixou de participar dos shows, e o The Coverups passou a atuar como quarteto.

O repertório é uma carta de amor ao rock e ao punk. Clássicos de Ramones, David Bowie, The Clash, Cheap Trick, Joan Jett, Tom Petty, Misfits, Nirvana, Rolling Stones e até Strokes costumam aparecer nas apresentações, que muitas vezes são anunciadas poucas horas antes de acontecer. Diferentemente de outros projetos paralelos de Billie Joe, como Foxboro Hot Tubs e The Longshot, o The Coverups nunca teve a intenção de gravar músicas próprias. A proposta é apenas revisitar clássicos em um ambiente intimista, recriando um pouco da atmosfera dos primeiros dias do Green Day nos clubes da região de Berkeley e Oakland.

Mesmo sem lançar um único álbum de estúdio, a banda conquistou um público fiel justamente por isso: oferece a rara oportunidade de ver Billie Joe tocando as músicas que ajudaram a moldar sua formação musical, longe das grandes produções e da rotina de estádios do Green Day.

Nos últimos meses, o The Coverups voltou a fazer apresentações esporádicas na Califórnia, mantendo esse espírito despretensioso. Não havia qualquer indicação de mudanças de rumo, nem anúncios de gravações ou turnês. A maior novidade acabou sendo justamente a participação-surpresa de Bruce Dickinson em um show realizado em Québec. Sem aviso prévio, o vocalista do Iron Maiden subiu ao palco para cantar All the young dudes, clássico do Mott the Hoople escrito por David Bowie, num encontro improvável que reuniu dois dos nomes mais conhecidos do rock em um contexto bastante informal.

Houve uma outra novidade recente, que rolou durante o show da banda no Roxy, na Califórnia, dia 21, uma segunda-feira. Antes de tocar Drain you, clássico do Nirvana (do disco Nevermind, de 1991), Armstrong dedicou a música a Jennifer Finch, baixista do L7, que morreu recentemente. Antes, Adrienne Armstrong, esposa do músico, havia doado US$ 5 mil para uma campanha criada para ajudar a custear o tratamento de Finch.

De qualquer jeito, Bruce fi a primeira participação especial de grande repercussão na história recente do The Coverups e, naturalmente, chamou muito mais atenção do que os próprios shows da banda. Ainda assim, tudo indica que o projeto continuará exatamente como sempre foi: um grupo de amigos reunidos para tocar os discos que mudaram suas vidas, sem maiores pretensões além da diversão.

Ah, sim: importante falar que All the young dudes faz parte do repertório solo de Bruce há bastante tempo. Ele a havia regravado em seu primeiro álbum solo, Tattoed millionaire, de 1990. Na época, teve até clipe da faixa.

Foto: Reprodução Internet

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