Exibido em dezembro de 1987 na Band, Wandergleyson Show não parecia um programa comum da televisão brasileira. Aliás, não era. Pouco lembrado nos dias de hoje, foi a estreia de Hubert, Reinaldo e Marcelo Madureira, futuros integrantes do Casseta & Planeta, na TV – alguns meses antes da Globo exibir o TV Pirata, que trazia toda a turma reunida.

O programa já foi subido pro YouTube e tirado da web várias vezes. No momento, tá lá de novo.

O diretor do programa, Sérgio Mattar, contou um pouco da história dele em seu site (aqui, aqui, aqui e aqui). A atração foi feita por uma produtora independente, a PRF3-TV, e só depois levada à Band. A grande inspiração foi o (você duvidava?) Monty Phyton. O nome Wandergleyson Show, além do personagem Wandergleyson (que só aparece em poucos momentos na atração), apareceram antes de qualquer coisa.

“Ele seria um pianista, com a aparência de Raul Seixas, cabelos e o swing do Wando e com a elegância abstrata de Benito di Paula. Alguém de smoking bordô, lapelas de cetim brilhante com um tom a menos, anéis em profusão e claro, seus cordões e correntes dourados derramados sobre o peito”, escreveu. Como Benito não desgrudava do piano, ficou decidido que Wandergleyson tocaria órgão – tudo a ver com a estética brega do programa (e, claro, “órgão” é de duplo sentido)”.

Benito di Paula, Raul Seixas? Sim: Wandergleyson, o cara do título, era um músico cabeludo, que aparecia nas vinhetas da atração e gravava discos fictícios usando o nome “Wandergleyson e seu órgão” – lançados pelo selo oficial da emissora, Disco Ban. Olha as capinhas dos álbuns “lançados” por Wandergleyson aí.

O programa trazia uma iconografia bastante parecida com a do antigo Planeta Diário, apresentava Luiz Fernando Guimarães, Pedro Cardoso e Carina Cooper como atores principais e já abria com uma gracinha típica da galera do futuro Casseta: os créditos, subindo à moda do texto de abertura de Star Wars, mostravam os atores que o show NÃO tinha no elenco: Nastassia Kinski, Robert de Niro, Meryl Streep e até Wilson Grey, ator-símbolo do cinema nacional.

Curiosamente, o material do programa lembra até mais atrações recentes como Tá no ar do que o próprio Casseta ou o TV pirata, com piadas mortais sobre psicanálise, relacionamentos, história do Brasil e com a própria televisão. E alguns quadros que hoje dariam (vários) problemas aos roteiristas.

O programa acabou servindo como passaporte para a rapaziada ir para a Globo fazer o TV Pirata, já que um amigo de Boni – então manda-chuva da emissora – enviou um VHS com o programa. A biografia Bussunda: A vida do Casseta, de Guilherme Fiuza, explica que inicialmente Boni deu uma bela desprezada no programa, que recebera numa fita VHS, e nem quis ver. Depois assistiu e acabou interessado pela turma, convidada para ir para lá após a saída de Jô Soares da estação, no ano seguinte.