O designer novaiorquino Saul Bass (1920-1996) trabalhava na batuta do jazz. Numa olhada distraída, seu trabalho já é imediatamente associado ao estilo musical, ainda que ele tenha se dedicado mais a títulos e cartazes de filmes, e posteriormente a logotipos de empresas. Um dos primeiros grandes sucessos que Saul fez foi a sequência de imagens para formar o título de O homem do braço de ouro, filme dirigido por Otto Preminger (1955), com Frank Sinatra e Kim Novak.

O filme falava sobre um músico de jazz viciado em heroína lutando para largar o vício e continuar a trabalhar. Para simbolizar a questão principal do filme, ele fez várias imagens utilizando um braço como figura central. Preminger, por sinal, já havia usado os serviços de Bass. O designer também havia feito pôster e sequência de título de Carmem Jones (1954), musical dirigido por ele e protagonizado por Dorothy Dandridge e Harry Belafonte. Em 1959, fez o mesmo trabalho em outro filme de Preminger, Anatomia de um crime.

Outros cineastas, como Alfred Hitchcock, Billy Wilder e Martin Scorsese, também recrutaram Bass. O designer passou um tempo sumido do mercado e retornou nos anos 1980. Em 1991, fez a sequência de título de O cabo do medo, de Scorsese. Em 1993, fez seu último cartaz de filme, para A lista de Schindler, de Steven Spielberg – mas o cartaz não foi distribuído. O designer morreu em 1996, aos 75 anos.

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O trabalho de Saul era marcado pelo uso de linhas animadas, letras que se transformavam em objetos e em outras curtições gráficas, e total relacionamento entre os demais elementos da sequência com os nomes de elenco, diretores, e outros créditos. Volta e meia sai algum filme em que a abertura ou o pôster é imediatamente associada a ele.

Olha aí a abertura de Prenda-me se for capaz (2002), de Steven Spielberg, inspirada no trabalho dele.

Pois bem, o canal The Art Of Movie dá uma analisada boa na obra de Saul Bass, recordando a época em que Saul começou sua carreira. Um período em que bolar títulos e aberturas de filmes não era apenas cumprir tabela para informar quem trabalhou na produção e quais eram os atores: o trabalho envolvia muita criatividade e verdadeiras criações de cenas. O vídeo lembra também que o estilo de Saul vinha da escola de design Bauhaus, e de toda a modernidade clean associada a ela.

Aliás, tem uma conta de Instagram só com o arquivo de Saul. Olha aí.

Via Laughing Squid.

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