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Turmallina leva shoegaze ao limite em novo single sobre abuso emocional

O álbum de estreia da banda paulista Turmallina chega em breve, ainda em 2026. Mas os fãs já podem encontrar os singles mais recentes do grupo – e que estão no disco – reunidos num EP. O mais recente deles é Não tem espaço pra mais nada (além do seu ego aqui), um shoegaze agressivo, inspirado direto no universo do álbum Disintegration, do Cure (1989), e também na atmosfera sonora do grupo DIIV. E uma música que fala sobre uma relação de afeto que vai se transformando em abuso.
“A música segue o estilo intenso da banda, desta vez se aprofundando em conexões em que não existem trocas emocionais verdadeiras, apenas proximidade física esvaziada de sentido. É a sensação de reconhecer uma dinâmica tóxica e ainda assim permanecer nela”, diz o texto de lançamento. O Turmallina dessa vez investiu em guitarras altas e vocais soterrados na gravação / mixagem. Tanto que, nos bastidores da composição, há a história de que o baixista Eduardo Campos chegou pra cantora Gabe Jordano e perguntou se ela tinha alguma letra bem agressiva.
A cantora não apenas fez a letra como contribuiu com novas camadas melódicas na gravação dos vocais – se você escutar a música e ficar com a impressão de espaço totalmente preenchido, a banda trabalhou bastante pra isso, priorizando volume, textura e intensidade, e levando pedais e amplificadores ao limite.
- Ouça antes: Leandro Serizo – G-HD (single)
O guitarrista Marcos Marques se trancou sozinho com sua guitarra e seu amplificador para gravar a faixa – a banda brinca que ele chegou a sair meio surdo da gravação. A melodia de Não tem espaço pra mais nada (além do seu ego aqui) não ficou só com Eduardo: a música foi acabada em grupo. E a banda ainda cita o filme Donnie Darko (2001), de Richard Kelly, como referência na hora de “ver” a música, de imaginar o resultado da combinação de letra, melodia e arranjo.
Na formação do Turmallina estão Caio Silva (guitarra e backing vocal), Eduardo Campos (baixo), Marcos Marques (guitarra), Paula Janssen (bateria) e Gabe Jordano (voz). O single novo teve produção de Rafael Penna. Abaixo você confere o áudio de Não tem espaço pra mais nada, e o EP com os singles mais recentes.
Foto: Binha Sakata / Divulgação
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Filme raríssimo do Joy Division vai sair em box novo da banda

A indução do Joy Division ao Rock and roll Hall of Fame animou a Warner e o selo Rhino a colocar nas lojas uma caixa completíssma, contendo praticamente tudo que existe de gravações da banda ao vivo. Eternal (Live) sai em 25 de setembro e é um box com 16 álbuns ao vivo completos, distribuídos e 14 CDs, além de DVDs (e você achando que o formato já tinha acabado…)
Entre as gravações de shows, estão três apresentações completas lançadas pela primeira vez e várias outras gravações completas de shows já haviam saído em edições anteriores. Tipo essa gravação de Transmission feita em Paris em 18 de setembro de 1979, e já lançada.
Já o material inédito… Bom, surpreende que uma banda de curta carreira como o Joy Division tenha tido tanto material ao vivo gravado, mas a fúria de documentação do selo Factory (e da própria banda) explica muita coisa. O material mais antigo foi gravado em 1º de março de 1979 no Hope and Anchor, em Londres. Para garantir a melhor qualidade de som, a equipe de produção equilibrou gravações de mesa de som e pirataria enviada por fãs, tudo editado.
Há também as gravações do show de despedida do grupo, no High Hall de Birmingham, em 2 de maio de 1980, 16 dias antes da morte de Ian Curtis – mas esses tapes já haviam saído no álbum duplo Still, de 1981. Eternal (Live) tem também duas gravações de transmissões de rádio, ambas lançadas anteriormente: uma da boate parisiense Les Bains Douches (que gerou a versão de Transmission que você escutou acima) e a outra do Paradiso, em Amsterdã, Holanda – esta, de 11 de janeiro de 1980.
Ian Curtis (Joy Division) vai ganhar exposição em Nova York em junho
O conjunto completo foi masterizado nos estúdios Abbey Road, e vem com um livreto de 16 páginas, trazendo notas de Simon Armitage e fotografias de Anton Corbijn e Kevin Cummins. Agora, o santo graal dos fãs está mesmo no DVDs, que contêm duas horas e meia de filmagens de shows, muitas delas inéditas. Principalmente porque no meio deles há uma edição oficial de Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, filme raríssimo da banda, feito em 1979, e que virou uma espécie de “figurinha difícil” do álbum do JD.
Malcolm, morto em 1979, era o chefe da Ikon/FCL, braço cinematográfico da Factory Records. Para fazer Joy Division, que tem 17 minutos de duração, ele compilou imagens em super-8 feitas durante a gravação da estreia Unknown pleasures (1979), e no show dado no Bowden Vale Youth Club em 4 de março de 1979 – por acaso, foi a primeira vez que um show do grupo foi filmado. Há também uma entrevista com a banda.
Se você fizer uma busca no YouTube, acha apenas trechos desse material, em péssima qualidade de som e imagem – alguns trechos estão com outra trilha sobreposta, ou surgem editados em vídeos feitos por fãs. Joy Division – A Malcolm Whitehead Film foi feito apenas para ser exibido em setembro de 1979 na primeira edição do Factory Flick, no cinema Scala, em Londres.
O Factory Flick foi um evento criado por Malcolm e Tom Wilson, dono do selo. A ideia era apresentar bandas da Factory Records em um formato que misturava cinema experimental, videoclipes, documentário e arte de vanguarda. Era algo muito alinhado ao espírito da Factory, que nunca quis ser apenas uma gravadora – e não foi apenas o Joy Division que ganhou seu curta, já que filmes sobre bandas como A Certain Ratio, Orchestral Manoeuvres in the Dark e The Durutti Column estavam também nos programas do evento. Só que, como o JD virou objeto de culto após a morte de Ian Curtis, o filme deles virou lenda.
Não foi só isso que tornou o filme uma lenda: Whitehead não fez um simples filme-concerto e decidiu dar – por conta própria – dimensões políticas ao Joy Division.
Ele enquadrou o Joy Division como uma resposta ao clima social britânico do fim dos anos 1970, à ascensão do thatcherismo e ao autoritarismo. O filme intercala imagens da banda com entrevistas com um sujeito chamado James Anderton, chefe de polícia da Grande Manchester e tido por artistas, jovens e membros da comunidade gay local como um agente da repressão.
Há também referências ao romance House of dolls, de Yehiel Dinur, que popularizou o termo “joy division” (como referência aos grupos de mulheres judias aprisionadas em campos de concentração, que se prostituíam para soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial). Já era algo que causava polêmica, mas quanto à visão do JD como resposta ao autoritarismo, muita gente reclama que Whitehead impôs um viés político à banda.
Com Eternal (Live) resolve-se uma questão de décadas, já que – ao que consta – a versão completa do filme não circulava desde 1979, e a própria banda não estaria interessada numa edição oficial. E é um item que pode fazer a caixa do grupo virar raridade logo logo.
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Histórico: Cabaret Voltaire faz show na KEXP e revela bastidores de sua turnê nova

Quem acompanha as sessions ao vivo feitas pela rádio KEXP, de Seattle, teve uma ótima surpresa nos últimos dias: a mitológica banda de música eletrônica e industrial Cabaret Voltaire esteve nos estúdios da emissora e fez um show de quarenta minutos. A apresentação foi gravada no dia 3 de maio e levada para o YouTube da emissora na terça (23). Hits como Sensoria e Nag nag nag estavam no repertório.
A banda estava inativa desde a morte do membro fundador Richard H. Kirk em 2021, mas Stephen Malinder (voz, synths) e Chris Watson (synths) aderiram à moda da “tour de despedida” e puseram o grupo na estrada ano passado, com uma nova formação. A turnê continua 2026 adentro e já gerou até um álbum ao vivo, But what time is it really?, com gravações feitas em outubro e novembro do ano passado no Reino Unido.
A ida do grupo à KEXP aproveitou a passagem do Cabaret Voltaire pela América do Norte, e trouxe uma pequena mudança na formação. Da banda, estavam no palco Mallinder, Benge Edwards (bateria), Eric Random (guitarra, synths) e Dan Conway (visuais). Chris não foi para os Estados Unidos porque, segundo Malinder afirmou recentemente, “viajar é difícil para ele”.
As partes do músico foram tocadas pela convidada Tara Busch, tecladista norte-americana, e criadora do projeto audiovisual I Speak Machine. “Muito do que Chris fez, ganhou de Tara sua própria interpretação”, conta Mallinder no palco da KEXP. O novo line-up é formado por velhos amigos, como Random, e gente que esteve ao lado de Malinder em outros projetos musicais.
Mallinder e Watson afirmaram em entrevistas que não sairão novos materiais do grupo sem Kirk, e no papo com a KEXP, conduzido por Kevin Cole, ele diz que sabia que seria difícil fazer novos shows sem o amigo – apesar da vontade de comemorar os 50 anos o grupo, que iniciou atividades em 1973. Os dois toparam se reagrupar no ano passado para um show no festival Sensoria (por acaso, o nome do festival vem de uma música deles).
“Eu não queria que a coisa simplesmente se perdesse, então achei que seria uma ótima oportunidade de celebrar isso”, conta. “As primeiras pessoas que contatei foram Eric e Chris, porque vi que precisava ser algo mais colaborativo. A ideia era dar a oportunidade às pessoas de ouvirem essas faixas num contexto mais contemporâneo, e perceber a relevância do que criamos, musicalmente e visualmente”.
Ele também diz que recriar as músicas ao vivo envolveu uma logística bem diferente. “Quando essas faixas foram criadas, não havia arquivos separados para elas. Tudo foi gravado e o sinal foi transmitido para um aparelho de som. O que queríamos fazer essa reecriar esses sons usando o equipamento original que usamos. Construímos tudo do zero. O que as pessoas ouvem pode parecer massivamente familiar, mas os únicos samplings das gravações originais são as amostras vocais. Eu consegui extraí-las, mas o resto foi criado do zero com carinho”, brinca.
E tá aí o show!
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Ouça antes: Leandro Serizo – “G-HD” (single)

Dia 30 de julho sai Sol quimérico, disco do cantor e compositor Leandro Serizo, definido por ele como “um trabalho que transita por rock progressivo, math rock, pop experimental, metal e ritmos afro-latinos e do mediterrâneo oriental”.
G-HD, novo single, que sai nesta sexta (26) e o Pop Fantasma adianta hoje com exclusividade, é puro peso unido de math rock, metal e percussões. Uma música sobre medos e caos na era da tecnologia – seres humanos gerados sem alma, falhas na matrix, bugs que acabam com tudo, sinais que encerram e terminam com qualquer tipo de transmissão.
“Musicalmente, eu me movo entre dois polos que admiro profundamente. De um lado, a carne, o transe e a mistura afro-brasileira de Chico Science e o Nação Zumbi. Do outro, a raiva estruturada, quase cirúrgica, da banda Rage Against the Machine”, explica Serizo, que fez a canção em parceria com a dupla Kim & Dramma, e uniu canto e vozes rappeadas ao longo da faixa, além de quebras rítmicas.
O resultado é um som distorcido e pesado, em clima de pesadelo. E se você está se perguntando o que quer dizer G-HD, é a junção de três palavras que explicam a letra: gerado humano digital.
Leandro faz questão de falar que a faixa não mexe no caos pelo caos. “O que me interessa é o caos com arquitetura. Por isso trabalhamos muito as polimetrias e polirritmias da faixa”, diz.
“Ela tem quebras rítmicas que exploram tempos ímpares, com inspiração em ritmos brasileiros como o maracatu, de modo que o ouvinte pode sentir isso no corpo, antes de entender racionalmente”, completa (e de fato, o beat da música, com a ajuda da produção e da mixagem, reverbera por dentro).
Serizo é de Campinas (SP). E a turma que foi com ele para o estúdio é de profissionais formados ou em formação no curso de Música da Universidade de Campinas (Unicamp). São eles Luísa Ramos (backing vocals), Thales Hashiguti (violino e viola), Pedro Rossi (percussões), Granadeiro Guimarães (guitarras), Guto Nascimento (baixo) e Mariani Fernandes (trombones).
Leandro Serizo toca acordeom e sintetizadores, além de cantar. Quico Dramma, da dupla com Kim, tocou bateria e co-produziu a faixa. Kim Cortada, a “outra metade” da dupla, fez vocais.
Sol quimérico foi também adiantado pelos singles Mosteiro do abismo e Abutre. E G-HD você ouve aí embaixo antes de todo mundo. Aumenta o volume (e confira também a capa do single, com fotografia de Fernanda Ferreira, que também é autora da foto de Serizo que aparece lá em cima)!








































