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Henry Rollins fala sobre abusos que sofreu na infância em novo livro

RESUMO: Henry Rollins anuncia a autobiografia Bait dog boy, livro em que relata sua infância marcada por abusos, a descoberta do punk, a amizade com Ian MacKaye e a trajetória que o levou ao Black Flag.
Texto: Ricardo Schott – Foto: ceedub13 / Wikimedia Commons
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Henry Rollins vai abrir um capítulo da própria vida que passou décadas evitando. O ex-vocalista do Black Flag e da Rollins Band lança em 2 de março de 2027 a autobiografia Bait dog boy, pela Penguin Random House, em um relato sobre a infância difícil que antecedeu sua trajetória como um dos nomes mais importantes do punk americano.
Com 304 páginas, o livro acompanha Rollins desde os anos em Washington, D.C., passando pela convivência com pais distantes e uma sequência de figuras abusivas até o encontro com Ian MacKaye e a descoberta do punk rock, apresentado pelo músico como a saída que encontrou para sobreviver àquele ambiente.
“Não tenho nenhum desejo de ser um sobrevivente”, escreve Rollins em um dos trechos divulgados. “Prefiro aceitar, absorver, adaptar-me, lutar e destruir aquilo que tenta me destruir. E ser aquilo que permanece”.
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Segundo a editora, Bait dog boy é a primeira vez que Rollins aborda de forma direta esse período da vida, que ele evitou revisitar por décadas. O título faz referência à ideia de alguém treinado para suportar dor continuamente, imagem que o músico usa para descrever a própria infância. Bait dog, ou “cão isca”, em português, é um termo usado para descrever cães que seriam utilizados em rinhas ilegais para testar ou aumentar a agressividade de cães de luta (um correspondente na cultura brasileira seriam os “bois de piranha” dos rebanhos).
Além da carreira que ajudou a definir o hardcore punk com o Black Flag e, depois, à frente da Rollins Band, Henry Rollins construiu uma trajetória como escritor, ator, apresentador, DJ e artista de spoken word. Em 1995, venceu o Grammy de Melhor Álbum de Spoken Word por Get in the van, obra que reunia seus diários de turnê com o Black Flag. Como ator, esteve nos elencos de filmes como Estrada perdida, de David Lynch, e Johnny Mnemonic, de Robert Longo.
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Por que Stephen Street virou “co-produtor” de “The queen is dead”, dos Smiths, 40 anos depois?

RESUMO: Evento comemorativo de 40 anos do disco The queen is dead, dos Smiths, alçou Stephen Street, engenheiro de som do disco, à categoria de produtor – apesar de, nos créditos originais, os produtores serem Morrissey e Marr. Por que isso aconteceu?
Texto: Ricardo Schott- Foto: Max Knight / Divulgação
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Há uma suposta confusão nos materiais que divulgam atualmente os encontros de Mike Joyce e Stephen Street para debater os 40 anos de The queen is dead (falamos desses encontros aqui). Street aparece ali como “co-produtor” do álbum, embora nos créditos originais do disco ele seja identificado como engenheiro de som, enquanto os produtores são Morrissey e Johnny Marr.
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Vale citar que os créditos oficiais não mudaram. O que mudou foi a maneira como seu papel nas gravações passou a ser descrito. E existe uma razão para isso: Street teve uma participação criativa bem maior do que a expressão “engenheiro de som” pode sugerir.
Marr e Morrissey eram os responsáveis pela produção, mas Street trabalhava muito próximo dos dois e funcionava, na prática, também como uma espécie de consultor criativo. Ele próprio já descreveu as sessões como um processo bastante colaborativo.
Além disso, ao longo das décadas seguintes, Street se tornou um produtor bastante conhecido, trabalhando com Blur, The Cranberries, Kaiser Chiefs, Durutti Column, The Psychedelic Furs e o próprio Morrissey (na estreia solo Viva hate, de 1988, ele produziu e ainda compôs tudo ao lado do cantor). Para um material promocional atual, chamá-lo de “co-produtor” acaba sendo uma maneira mais direta de explicar sua importância no processo. E, claro, tem mais peso do que simplesmente “engenheiro de som”.
Tem um detalhe: o próprio Stephen, ao trabalhar no disco, já queria ampliar sua participação. Em 2005 o site Sound on Sound conversou com Stephen sobre seu trabalho em The queen is dead e lembrou que as funções dele, de Morrissey e de Johnny Marr nesse disco eram as mesmas do álbum anterior, Meat is murder (1985). Mas que Stephen viu The queen is dead como uma oportunidade de também fazer parte da produção – mesmo que nem recebesse crédito por isso.
“Obviamente, quando você é o engenheiro de som de uma banda que produz por conta própria, você geralmente é usado como uma espécie de consultor em termos de som e ideias”, disse. “Bem, Morrissey, Johnny e eu tínhamos uma ótima relação de trabalho – éramos todos mais ou menos da mesma idade e gostávamos do mesmo tipo de coisa, então todos se sentiam bastante à vontade no estúdio”.
O texto flagra Stephen fazendo coisas que vão bem além da função de um técnico: ele, por exemplo, deu a ideia de usar um loop de bateria na faixa-título, e de usar um harmonizador AMS para distorcer a voz de Morrissey (daí veio o falso vocal feminino, creditado a uma cantora imaginária chamada Ann Coates, que surge em Bigmouth strikes again).
Enfim: Street era oficialmente o engenheiro de som, mas sua atuação incluía sugestões de arranjo, efeitos, soluções técnicas e decisões que interferiam diretamente no resultado artístico. Mas chamá-lo de co-produtor, além de colocar as coisas em seus lugares, também ajuda a apresentar Street ao público a partir da carreira que ele construiu depois.
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Dinosaur Jr: o que já dá pra esperar do álbum “There near”

RESUMO: There near, próximo disco do Dinosaur Jr, já tem dois singles, Several got away e Blowin’ up, e as músicas (a primeira de J Mascis, a segunda de Lou Barlow) indicam a existência de duas entradas diferentes no álbum.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Jeff Fowler / Divulgação
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O segundo single de There near, próximo álbum do Dinosaur Jr., muda um pouco a impressão deixada por Several got away, o primeiro. Se Several apontava para algo próximo do Dinosaur Jr. imediatamente reconhecível, de guitarra gigantesca, distorção e melodias pop soterradas pelo barulho, Blowin’ up mostra que o novo disco pode ter mais nuances do que a primeira amostra fazia imaginar.
A música é de Lou Barlow, uma das duas contribuições dele ao álbum – a outra é No one’s ready, ainda não revelada – e tem um andamento mais contido, quase folk, embora a sujeira das guitarras mantenha tudo dentro do território da banda. Há uma melancolia bastante americana na composição, com uma referência possível ao rock de Neil Young e até alguma coisa que remete ao Pearl Jam (o Stereogum comparou a voz de Lou à de Eddie Vedder). Mas Blowin’ up apenas parte dessa atmosfera aí, e vai ficando mais pesada enquanto avança.
A letra também ajuda a separar Barlow de J Mascis dentro do disco. Enquanto Mascis continua trabalhando com versos mais fragmentados, intuitivos e difíceis de decifrar, Barlow parte diretamente do contexto político norte-americano. Blowin’ up fala do “culto de morte” do governo Trump, e acumula imagens de sangue e violência (“vocês querem ver sangue e tripas?/ vamos lá”). É uma canção relativamente tranquila por fora e bastante furiosa por dentro, mas se você esperava uma música de protesto comum, pode tirar o cavalinho da chuva porque não é isso que Lou faz.
Essa aparente combinação já adianta algumas coisas. J Mascis disse que o disco partiu de uma história envolvendo o produtor Rick Rubin. “Você sempre ouve falar de como Rick Rubin sempre faz as bandas que ele produz sentarem e ouvirem o primeiro álbum delas e dizerem: ‘Vamos voltar àquele som’. Então, eu simplesmente segui o conselho dele”, conta. Mascis voltou a usar um ampli Mesa Boogie Mark I dos anos 70, modelo associado à sonoridade do primeiro álbum, numa tentativa de reencontrar uma textura que ele dizia estar difícil de reproduzir. “Comprei o mesmo amplificador que o Chris Dixon tinha quando gravamos nosso primeiro álbum”, disse.
Isso é bem a cara de Several got away, mas Blowin’ up mostra que essa recuperação do som antigo não significa necessariamente um retorno às mesmas canções de sempre. Há espaço para Barlow, para melodias mais suaves e para letras mais diretamente ligadas ao presente.. O disco parece estar sendo construído em torno de uma espécie de reencontro com o Dinosaur Jr. mais áspero, mas sem transformar a banda numa peça de museu. As duas faixas funcionam quase como duas entradas: de um lado, J Mascis e o som clássico do Dinosaur Jr.; de outro, Lou Barlow trazendo uma canção mais melódica, folk e politizada.
Ainda falta ouvir o álbum inteiro, claro. Mas, com duas músicas divulgadas, There near já lembra uma tentativa de descobrir o que ainda existe naquele som depois de quase quatro décadas. Pra verificar, todo mundo vai ter que esperar até o dia 28 de agosto, quando There near sai pela Jagjaguwar. Abaixo você confere os dois singles, a capa e as músicas.
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LISTA DE FAIXAS:
01. Several got away
02. No friends
03. Everything at once
04. Take me with you
05. Blowin’ up
06. Gone off
07. Clam along
08. Walk me back
09. Read the room
10. Put it down
11. No one’s ready
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Sugar ganha mini-documentário, “Changes”, no YouTube

RESUMO: Changes: The story of Sugar, documentário sobre a banda de Bob Mould, revisita a história do grupo, o impacto de Copper blue e o retorno do Sugar em 2025, com imagens raras e depoimentos de fãs e amigos.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
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Das coisas nas quais eu investiria se tivesse uma banda, lá vai a principal: um mini-doc, de uns 20 minutos, como aqueles que apareciam como extras em DVDs, para jogar no YouTube (epa, dá pra fazer um sobre o Pop Fantasma, quem sabe?). O Sugar, a “segunda banda” de Bob Mould, artífice do punk norte-americano e criador do Hüsker Dü, pegou a tendência no ar e já soltou Changes: The story of Sugar, que mergulha na história do grupo que ele montou em 1992 com os músicos David Barbe e Malcolm Travis. E acompanha também o retorno do grupo no fim de 2025, com depoimentos de amigos e de fãs fiéis.
Dirigido por Rob Hatch-Miller, Changes é imperdível, não apenas por contar parte da história de um dos discos mais legais dos anos 1990 (Copper blue, a estreia do Sugar, de 1992) como também por mostrar o que representou a banda para seus fãs. Criado numa época particularmente difícil para Mould – que tinha lançado dois discos solo pela Virgin e saiu com o bolso vazio da experiência – o trio funcionava como se o personagem juvenil das letras de discos como Zen arcade (1984), do Hüsker Dü, estivesse tendo que encarar a vida adulta.
O lance da “vida adulta” funcionava igualmente para Mould, que já havia passado dos 30 anos mas tinha a sensação de estar sempre recomeçando. No começo da década de 1990, para ganhar grana, tinha resolvido fazer shows de voz e violão – veja bem: voz e violão na era grunge – enquanto juntava material para um disco solo. Mould tocou as fitas com as novas músicas para amigos (Barbe entre eles) e papo vai, papo vem, aquilo acabou virando um grupo.
Changes, vale dizer, traz muitas histórias bem interessantes a respeito da banda: uma delas é a de que todo aquele sucesso do Sugar, com turnês exaustivas e fãs agitados, era novidade até para Bob – David Barbe um dia confessou a Mould seu espanto diante da popularidade do grupo e acabou descobrindo isso. Pelo pouco tempo de duração, o documentário passa batido por algumas coisas, como a insatisfação recorrente do grupo com as gravações do álbum File under, easy listening, o segundo da banda, de 1994.
Hatch-Miller também flagrou Bob num período feliz em que ele parecia finalmente estar sendo recompensado pelos seus esforços à frente do Hüsker Dü – que foi uma banda bastante cultuada, mas nunca vendeu muito. “Parece ter sido uma das épocas mais felizes da vida de Bob”, disse Hatch-Miller sobre o filme.
“Encontramos muitas imagens de arquivo incríveis, como o vídeo inédito de Lance Bangs do primeiro show da banda no 40 Watt Club em Atenas, imagens da turnê solo acústica de Bob por festivais europeus com Sonic Youth, Dinosaur Jr. e Nirvana em 1991, e muitos trechos de Bob e da banda no programa 120 Minutes da MTV, onde foram apresentados ao público da televisão aberta”, completa.
E tá aí Changes.
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