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Dinosaur Jr: o que já dá pra esperar do álbum “There near”

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Dinosaur Jr (Foto: Jeff Fowler / Divulgação)

RESUMO: There near, próximo disco do Dinosaur Jr, já tem dois singles, Several got away e Blowin’ up, e as músicas (a primeira de J Mascis, a segunda de Lou Barlow) indicam a existência de duas entradas diferentes no álbum.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Jeff Fowler / Divulgação

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O segundo single de There near, próximo álbum do Dinosaur Jr., muda um pouco a impressão deixada por Several got away, o primeiro. Se Several apontava para algo próximo do Dinosaur Jr. imediatamente reconhecível, de guitarra gigantesca, distorção e melodias pop soterradas pelo barulho, Blowin’ up mostra que o novo disco pode ter mais nuances do que a primeira amostra fazia imaginar.

A música é de Lou Barlow, uma das duas contribuições dele ao álbum – a outra é No one’s ready, ainda não revelada – e tem um andamento mais contido, quase folk, embora a sujeira das guitarras mantenha tudo dentro do território da banda. Há uma melancolia bastante americana na composição, com uma referência possível ao rock de Neil Young e até alguma coisa que remete ao Pearl Jam (o Stereogum comparou a voz de Lou à de Eddie Vedder). Mas Blowin’ up apenas parte dessa atmosfera aí, e vai ficando mais pesada enquanto avança.

A letra também ajuda a separar Barlow de J Mascis dentro do disco. Enquanto Mascis continua trabalhando com versos mais fragmentados, intuitivos e difíceis de decifrar, Barlow parte diretamente do contexto político norte-americano. Blowin’ up fala do “culto de morte” do governo Trump, e acumula imagens de sangue e violência (“vocês querem ver sangue e tripas?/ vamos lá”). É uma canção relativamente tranquila por fora e bastante furiosa por dentro, mas se você esperava uma música de protesto comum, pode tirar o cavalinho da chuva porque não é isso que Lou faz.

Essa aparente combinação já adianta algumas coisas. J Mascis disse que o disco partiu de uma história envolvendo o produtor Rick Rubin. “Você sempre ouve falar de como Rick Rubin sempre faz as bandas que ele produz sentarem e ouvirem o primeiro álbum delas e dizerem: ‘Vamos voltar àquele som’. Então, eu simplesmente segui o conselho dele”, conta. Mascis voltou a usar um ampli Mesa Boogie Mark I dos anos 70, modelo associado à sonoridade do primeiro álbum, numa tentativa de reencontrar uma textura que ele dizia estar difícil de reproduzir. “Comprei o mesmo amplificador que o Chris Dixon tinha quando gravamos nosso primeiro álbum”, disse.

Isso é bem a cara de Several got away, mas Blowin’ up mostra que essa recuperação do som antigo não significa necessariamente um retorno às mesmas canções de sempre. Há espaço para Barlow, para melodias mais suaves e para letras mais diretamente ligadas ao presente.. O disco parece estar sendo construído em torno de uma espécie de reencontro com o Dinosaur Jr. mais áspero, mas sem transformar a banda numa peça de museu. As duas faixas funcionam quase como duas entradas: de um lado, J Mascis e o som clássico do Dinosaur Jr.; de outro, Lou Barlow trazendo uma canção mais melódica, folk e politizada.

Ainda falta ouvir o álbum inteiro, claro. Mas, com duas músicas divulgadas, There near já lembra uma tentativa de descobrir o que ainda existe naquele som depois de quase quatro décadas. Pra verificar, todo mundo vai ter que esperar até o dia 28 de agosto, quando There near sai pela Jagjaguwar. Abaixo você confere os dois singles, a capa e as músicas.

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LISTA DE FAIXAS:

01. Several got away
02. No friends
03. Everything at once
04. Take me with you
05. Blowin’ up
06. Gone off
07. Clam along
08. Walk me back
09. Read the room
10. Put it down
11. No one’s ready

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Elephant Run solta seu monstro interior em “Little monster”

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Elephant Run - Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

RESUMO: Em Little monster, a banda sueco-brasileira Elephant Run explora impulsos reprimidos em single teatral com clipe de terror que antecipa o álbum Infrared.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

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O pequeno monstro do Elephant Run está cansado de ficar preso dentro de alguém que considera comportado demais. Em Little monster, single da banda sueco-brasileira, é ele quem assume a voz e reclama da pessoa que o mantém escondido. Impulsivo, desinibido e pouco interessado nas regras da convivência, o personagem conduz uma música de origem teatral, que antecipa Infrared, álbum previsto para 2027 pelo selo +um HITS.

A ideia vem de uma composição antiga de Amanda Wahlström Plantin, vocalista e pianista do grupo. Ela tinha vinte e poucos anos quando começou a trabalhar na faixa, então mais próxima do cabaré e inspirada por The trial, aquela orquestral última faixa do disco duplo The wall, do Pink Floyd (1979). Nos ensaios, a música ganhou outros arranjos e uma nova letra. O humor caricato deu lugar a um incômodo mais pessoal: o que fazer com esse lado da gente que quer sair e não liga pra convenções sociais?

“A música de hoje é completamente diferente daquela versão antiga. O que ficou foi a ideia de um ‘little monster’ dentro da gente, que tentamos controlar ou manter escondido, mas que quer sair. Na versão nova, o monstro acabou virando um personagem, um lado mais impulsivo, desinibido, meio vulgar e pouco preocupado em se comportar. Ele é o protagonista e é ele quem conta a história. Está preso dentro de uma pessoa que considera chata e contida demais e passa boa parte da música reclamando disso”, conta Amanda.

Little monster é o segundo single do próximo disco. Além de Amanda, o Elephant Run reúne Fernando Coelho (guitarra e sintetizadores), Ladislau Kardos (bateria) e Renato Cortez (baixo). A banda levou o personagem para um clipe dirigido por Fábio Knoll e pelo próprio grupo, filmado no teatro Arka dos Anjos, em São Paulo.

Amanda interpreta uma criatura cuja mordida transforma humanos em monstros. As referências incluem A maldição da besta, de Paul Naschy, e Um lobisomem americano em Londres, de John Landis, num cenário gótico que aproveita o gosto da banda pelo cinema. Amanda e Ladislau também são atores, e ajudaram os colegas a entrar na brincadeira. Outras ideias surgiram nas conversas durante a filmagem.

Fernando, o guitarrista do grupo, idealizou e produziu o vídeo e assina a colagem da capa. O vermelho acompanha o que ele define como uma música quente, enquanto os pássaros representam entidades brasileiras protegendo a personagem de um olhar externo.

Confira abaixo a capa e o clipe de Little monster.

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Solarski estreia com pós-punk tenso e crítica às guerras em “Do you need a riot?”

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Solarski - Foto: Shoot Me Again Webzine

RESUMO: O trio belga Solarski estreia com Do you need a riot?, single de pós-punk tenso e guitarras cortantes que critica guerras, interesses econômicos e manipulação.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Shoot Me Again Webzine

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“Não nos ponha numa caixinha. Somos o Solarski”. É assim que o trio belga Solarski se apresenta, deixando claro que não está muito interessado em rótulos. Mas dá para começar pelo pós-punk, que aparece com bastante força no single Do you need a riot?, primeiro single da banda, formada na região de Namur, na Bélgica. O som é tenso, nervoso, com baixo pulsante, bateria insistente, guitarras cortantes e um vocal áspero, quase sempre no limite entre cantar e gritar.

O Solarski é formado por três músicos experientes, que dividem baixo, guitarra e bateria. Os integrantes já passaram por palcos importantes da Bélgica, como o Cirque Royal, o Botanique e o festival Dour, em projetos anteriores. Agora, apostam num som que mistura pós-punk e indie rock, mas com uma urgência que lembra mais uma banda tocando à beira de um ataque de nervos. Há pouco espaço para descanso: a música avança com uma tensão quase permanente, sustentada por uma cozinha pesada e guitarras que parecem querer aumentar ainda mais a pressão.

E o assunto não é dos mais tranquilos. Do you need a riot? (“Você precisa de uma revolta?”) fala de um mundo em que guerras e conflitos parecem cada vez menos ligados a ideais e cada vez mais aos interesses de quem controla petróleo, dinheiro e recursos naturais. A letra mistura referências a guerras econômicas e religiosas, manipulação de informações e uma ordem mundial que parece ter perdido qualquer regra. No refrão, a banda repete uma frase simples, quase como palavra de ordem: “Não precisamos de guerra”.

“Queríamos escrever uma música que não dissesse às pessoas o que pensar, mas que as obrigasse a perguntar quem tem interesse em ver o mundo pegar fogo”, explica o trio.

Gravada, mixada e masterizada pelos próprios integrantes, Do you need a riot? é a primeira amostra do álbum de estreia do Solarski, ainda sem data anunciada. A banda prefere não ser colocada numa caixinha, mas já dá para perceber que o pós-punk é sua arma para falar de um mundo que anda difícil de engolir.

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Smile: poesia falada e desespero punk em “Gotta run”

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Smile (Foto: Divulgação)

RESUMO: Em Gotta run, o Smile mistura punk, pós-punk e poesia falada numa música sobre traumas e sobrevivência. Single antecipa o álbum Gun-shy, de 2027.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O Smile tem uma vocalista que diz preferir “entoar suas histórias poéticas, repletas de reflexões pessoais” em vez de simplesmente cantar. Mas é bom não se acostumar: no single Gotta run, Rubee True Fegan começa com uma voz blasé, quase falada, e depois solta o desespero. A banda acompanha com um som elegante e ruidoso, mais punk do que pós-punk (embora definam-se como pós-punk), até mudar de assunto no meio da música. Ou melhor: mudar a maneira de tratar o mesmo incômodo.

Formado por amigos durante a pandemia, o grupo reúne músicos dos Estados Unidos e da Alemanha, hoje espalhados por Amsterdã, Berlim e Colônia. Rubee, também artista performática, põe histórias e reflexões pessoais em letras que nem sempre precisam de uma melodia para funcionar. O EP I hate it here (2022) e o álbum Price of progress (2023) apresentaram esse encontro de poesia falada, guitarras e vontade de experimentar.

Gotta run antecipa Gun-shy, segundo álbum, que sai em 22 de janeiro de 2027 pela Siluh Records. A faixa começa correndo, com bateria rápida e uma urgência que combina com o título. Depois desacelera e vira quase outra música, mais arrastada e cheia de tensão. Rubee levanta a voz, e aquela aparente indiferença do começo vai para o espaço. A fuga ganha um peso que a velocidade inicial ainda permitia disfarçar.

A letra trata do que um sistema violento ensina ao corpo, inclusive depois que a pessoa consegue escapar. Sair de um lugar não resolve automaticamente o que ele fez com você: sobram reflexos de defesa, medos e hábitos que acabam entrando nas relações amorosas e familiares. Dá para desaprender o que foi necessário para sobreviver?

No clipe, Rubee circula por Albuquerque, sua cidade natal (no Novo México), vestida de poodle rosa. A figura absurda atravessa uma paisagem marcada por desigualdade, carros e ruas, com imagens de câmera de mão. O disco foi gravado com Olaf Opal em Colônia, aproveitando demos feitas também em Albuquerque e preservando algumas primeiras tomada. Tudo com uma boa dose de aspereza.

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