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E finalmente saiu a música dos Rolling Stones com Robert Smith…

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Robert Smith (The Cure) e Mick Jagger (Rolling Stones) - Fotos: Divulgação

… mas não é Jealous lover, o single novo do grupo, que aliás tem também participação especial – a lenda viva Steve Winwood toca teclados nela. É o lado B do single, Divine intervention.

Smith toca apenas guitarra na faixa e sua aparição não é destacada por um feat nas plataformas (e sendo um lado B, a música também não está tendo tanta divulgação assim). Ele ainda participa de outra faixa do álbum Foreign tongues, dos Stones, previsto para 10 de julho, mas ainda não há detalhes.

Jealous lover, o lado A, é um baita rock que destaca o oiano Rhodes e o órgão com sonoridade tradicional de Steve – que aliás, participa de todo o disco, após ter sido chamado para o anterior, Hackney diamonds (2024) e não ter podido comparecer.

“Acho que me pediram para tocar em apenas uma música, depois disseram: ‘Tem mais algumas que você pode tocar'”, disse Winwood à Uncut. “Toquei em mais algumas e então eles disseram: ‘Volte semana que vem e toque em mais algumas'”.

Foi justamente por causa de Jealous lover que Steve acabu surgindo no radar do novo dos Stones. Inicialmente, Watt sugeriu que Mick Jagger tocasse teclado em Jealous lover, mas ele preferiu se concentrar nos vocais. “Quero poder interpretar a música no estúdio, interpretá-la de verdade. Não consigo fazer isso sentado ao piano”, disse Jagger à revista Uncut . “Então pensamos: ‘Quem é um bom pianista de soul?’ Eu simplesmente pensei em Steve”.

“Conheci o Stevie quando ele tinha uns 15 anos”, disse Keith Richards à Uncut. “Como ele conseguiu subir ao palco com essa idade, eu não sei. E o mais curioso é que aqueles discos do Traffic (ex-banda de Steve) foram produzidos pelo Jimmy Miller, que produziu alguns discos ótimos para nós logo depois. Então, de certa forma, conheço o Stevie há mais da metade da vida dele”.

Musicalmente, há muito dos Stones antigos nas duas faixas. Jagger canta que nem no disco Emotional rescue (1980), com vocais em falsete, em Jealous lover. Já Divine intervention tem o maior jeitão de boogie rock, além de algumas lembranças de Shattered, a breve adesão dos Stones ao punk – no disco Some girls, de 1978.

A entrada de Robert Smith no disco foi mais informal ainda que a de Steve. Numa conversa com Conan O’Brien para falar sobre todos os detalhes do 25º álbum de estúdio da banda, Jagger revelou ter encontrado Smith por acaso durante a gravação do álbum no Metropolis Studios, em Chiswick, Londres. Os dois não se conheciam pessoalmente, e foi uma surpresa para ambos.

“Um dia, cheguei para gravar meus vocais em Londres e havia um cara parado lá de costas para mim, usando uma longa túnica, e quando ele se virou, estava todo sujo de batom”, disse Jagger, conforme anotado pela Far Out Magazine. “Eu nunca o tinha visto antes, e eu disse: ‘Você é Robert Smith, do The Cure.’ E ele disse: ‘Sim, nunca nos encontramos’”.

Poderia ser só um conversa constrangida, mas Jagger achou que aquele encontro não poderia passar despercebido: “E então eu disse: ‘Bem, já que você está aqui, é melhor ir fazer alguma coisa.’ É assim que as colaborações funcionam às vezes. Vá lá e cante o vocal de apoio”, disse.

Um outro detalhe sobre Jealous lover é que o clipe dela foi lançado com exclusividade na Amazon Music, e é protagonizado por Anya Taylor-Joy (O gambito da Rainha) e Charles Melton (Beef S2). Mas dá pra ouvir a música no YouTube, bem como Divine intervention.

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Turmallina leva shoegaze ao limite em novo single sobre abuso emocional

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Foto (Turmallina): Binha Sakata / Divulgação

O álbum de estreia da banda paulista Turmallina chega em breve, ainda em 2026. Mas os fãs já podem encontrar os singles mais recentes do grupo – e que estão no disco – reunidos num EP. O mais recente deles é Não tem espaço pra mais nada (além do seu ego aqui), um shoegaze agressivo, inspirado direto no universo do álbum Disintegration, do Cure (1989), e também na atmosfera sonora do grupo DIIV. E uma música que fala sobre uma relação de afeto que vai se transformando em abuso.

“A música segue o estilo intenso da banda, desta vez se aprofundando em conexões em que não existem trocas emocionais verdadeiras, apenas proximidade física esvaziada de sentido. É a sensação de reconhecer uma dinâmica tóxica e ainda assim permanecer nela”, diz o texto de lançamento. O Turmallina dessa vez investiu em guitarras altas e vocais soterrados na gravação / mixagem. Tanto que, nos bastidores da composição, há a história de que o baixista Eduardo Campos chegou pra cantora Gabe Jordano e perguntou se ela tinha alguma letra bem agressiva.

A cantora não apenas fez a letra como contribuiu com novas camadas melódicas na gravação dos vocais – se você escutar a música e ficar com a impressão de espaço totalmente preenchido, a banda trabalhou bastante pra isso, priorizando volume, textura e intensidade, e levando pedais e amplificadores ao limite.

O guitarrista Marcos Marques se trancou sozinho com sua guitarra e seu amplificador para gravar a faixa – a banda brinca que ele chegou a sair meio surdo da gravação. A melodia de Não tem espaço pra mais nada (além do seu ego aqui) não ficou só com Eduardo: a música foi acabada em grupo. E a banda ainda cita o filme Donnie Darko (2001), de Richard Kelly, como referência na hora de “ver” a música, de imaginar o resultado da combinação de letra, melodia e arranjo.

Na formação do Turmallina estão Caio Silva (guitarra e backing vocal), Eduardo Campos (baixo), Marcos Marques (guitarra), Paula Janssen (bateria) e Gabe Jordano (voz). O single novo teve produção de Rafael Penna. Abaixo você confere o áudio de Não tem espaço pra mais nada, e o EP com os singles mais recentes.

Foto: Binha Sakata / Divulgação

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Filme raríssimo do Joy Division vai sair em box novo da banda

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Joy Division ao vivoo no Hope And Anchor, em 1979

A indução do Joy Division ao Rock and roll Hall of Fame animou a Warner e o selo Rhino a colocar nas lojas uma caixa completíssma, contendo praticamente tudo que existe de gravações da banda ao vivo. Eternal (Live) sai em 25 de setembro e é um box com 16 álbuns ao vivo completos, distribuídos em 14 CDs, além de dois DVDs (e você achando que o formato já tinha acabado…)

Entre as gravações de shows, estão três apresentações completas lançadas pela primeira vez e várias outras gravações completas de shows já haviam saído em edições anteriores. Tipo essa gravação de Transmission feita em Paris em 18 de setembro de 1979, e já lançada.

Já o material inédito… Bom, surpreende que uma banda de curta carreira como o Joy Division tenha tido tanto material ao vivo gravado, mas a fúria de documentação do selo Factory (e da própria banda) explica muita coisa. O material mais antigo foi gravado em 1º de março de 1979 no Hope and Anchor, em Londres. Para garantir a melhor qualidade de som, a equipe de produção equilibrou gravações de mesa de som e pirataria enviada por fãs, tudo editado.

Há também as gravações do show de despedida do grupo, no High Hall de Birmingham, em 2 de maio de 1980, 16 dias antes da morte de Ian Curtis – mas esses tapes já haviam saído no álbum duplo Still, de 1981. Eternal (Live) tem também duas gravações de transmissões de rádio, ambas lançadas anteriormente: uma da boate parisiense Les Bains Douches (que gerou a versão de Transmission que você escutou acima) e a outra do Paradiso, em Amsterdã, Holanda – esta, de 11 de janeiro de 1980.

Ian Curtis (Joy Division) vai ganhar exposição em Nova York em junho

O conjunto completo foi masterizado nos estúdios Abbey Road, e vem com um livreto de 16 páginas, trazendo notas de Simon Armitage e fotografias de Anton Corbijn e Kevin Cummins. Agora, o santo graal dos fãs está mesmo no DVDs, que contêm duas horas e meia de filmagens de shows, muitas delas inéditas. Principalmente porque no meio deles há uma edição oficial de Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, filme raríssimo da banda, feito em 1979, e que virou uma espécie de “figurinha difícil” do álbum do JD.

Malcolm, morto em 1979, era o chefe da Ikon/FCL, braço cinematográfico da Factory Records. Para fazer Joy Division, que tem 17 minutos de duração, ele compilou imagens em super-8 feitas durante a gravação da estreia Unknown pleasures (1979), e no show dado no Bowden Vale Youth Club em 4 de março de 1979 – por acaso, foi a primeira vez que um show do grupo foi filmado. Há também uma entrevista com a banda.

Se você fizer uma busca no YouTube, acha apenas trechos desse material, em péssima qualidade de som e imagem – alguns trechos estão com outra trilha sobreposta, ou surgem editados em vídeos feitos por fãs. Joy Division – A Malcolm Whitehead Film foi feito apenas para ser exibido em setembro de 1979 na primeira edição do Factory Flick, no cinema Scala, em Londres.

O Factory Flick foi um evento criado por Malcolm e Tom Wilson, dono do selo. A ideia era apresentar bandas da Factory Records em um formato que misturava cinema experimental, videoclipes, documentário e arte de vanguarda. Era algo muito alinhado ao espírito da Factory, que nunca quis ser apenas uma gravadora – e não foi apenas o Joy Division que ganhou seu curta, já que filmes sobre bandas como A Certain Ratio, Orchestral Manoeuvres in the Dark e The Durutti Column estavam também nos programas do evento. Só que, como o JD virou objeto de culto após a morte de Ian Curtis, o filme deles virou lenda.

Não foi só isso que tornou o filme uma lenda: Whitehead não fez um simples filme-concerto e decidiu dar – por conta própria – dimensões políticas ao Joy Division.

Ele enquadrou o Joy Division como uma resposta ao clima social britânico do fim dos anos 1970, à ascensão do thatcherismo e ao autoritarismo. O filme intercala imagens da banda com entrevistas com um sujeito chamado James Anderton, chefe de polícia da Grande Manchester e tido por artistas, jovens e membros da comunidade gay local como um agente da repressão.

Há também referências ao romance House of dolls, de Yehiel Dinur, que popularizou o termo “joy division” (como referência aos grupos de mulheres judias aprisionadas em campos de concentração, que se prostituíam para soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial). Já era algo que causava polêmica, mas quanto à visão do JD como resposta ao autoritarismo, muita gente reclama que Whitehead impôs um viés político à banda.

Com Eternal (Live) resolve-se uma questão de décadas, já que – ao que consta – a versão completa do filme não circulava desde 1979, e a própria banda não estaria interessada numa edição oficial. E é um item que pode fazer a caixa do grupo virar raridade logo logo.

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Histórico: Cabaret Voltaire faz show na KEXP e revela bastidores de sua turnê nova

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Histórico: Cabaret Voltaire faz show na KEXP e revela os bastidores de sua turnê comemorativa

Quem acompanha as sessions ao vivo feitas pela rádio KEXP, de Seattle, teve uma ótima surpresa nos últimos dias: a mitológica banda de música eletrônica e industrial Cabaret Voltaire esteve nos estúdios da emissora e fez um show de quarenta minutos. A apresentação foi gravada no dia 3 de maio e levada para o YouTube da emissora na terça (23). Hits como Sensoria e Nag nag nag estavam no repertório.

A banda estava inativa desde a morte do membro fundador Richard H. Kirk em 2021, mas Stephen Malinder (voz, synths) e Chris Watson (synths) aderiram à moda da “tour de despedida” e puseram o grupo na estrada ano passado, com uma nova formação. A turnê continua 2026 adentro e já gerou até um álbum ao vivo, But what time is it really?, com gravações feitas em outubro e novembro do ano passado no Reino Unido.

A ida do grupo à KEXP aproveitou a passagem do Cabaret Voltaire pela América do Norte, e trouxe uma pequena mudança na formação. Da banda, estavam no palco Mallinder, Benge Edwards (bateria), Eric Random (guitarra, synths) e Dan Conway (visuais). Chris não foi para os Estados Unidos porque, segundo Malinder afirmou recentemente, “viajar é difícil para ele”.

As partes do músico foram tocadas pela convidada Tara Busch, tecladista norte-americana, e criadora do projeto audiovisual I Speak Machine. “Muito do que Chris fez, ganhou de Tara sua própria interpretação”, conta Mallinder no palco da KEXP. O novo line-up é formado por velhos amigos, como Random, e gente que esteve ao lado de Malinder em outros projetos musicais.

Mallinder e Watson afirmaram em entrevistas que não sairão novos materiais do grupo sem Kirk, e no papo com a KEXP, conduzido por Kevin Cole, ele diz que sabia que seria difícil fazer novos shows sem o amigo – apesar da vontade de comemorar os 50 anos o grupo, que iniciou atividades em 1973. Os dois toparam se reagrupar no ano passado para um show no festival Sensoria (por acaso, o nome do festival vem de uma música deles).

“Eu não queria que a coisa simplesmente se perdesse, então achei que seria uma ótima oportunidade de celebrar isso”, conta. “As primeiras pessoas que contatei foram Eric e Chris, porque vi que precisava ser algo mais colaborativo. A ideia era dar a oportunidade às pessoas de ouvirem essas faixas num contexto mais contemporâneo, e perceber a relevância do que criamos, musicalmente e visualmente”.

Ele também diz que recriar as músicas ao vivo envolveu uma logística bem diferente. “Quando essas faixas foram criadas, não havia arquivos separados para elas. Tudo foi gravado e o sinal foi transmitido para um aparelho de som. O que queríamos fazer essa reecriar esses sons usando o equipamento original que usamos. Construímos tudo do zero. O que as pessoas ouvem pode parecer massivamente familiar, mas os únicos samplings das gravações originais são as amostras vocais. Eu consegui extraí-las, mas o resto foi criado do zero com carinho”, brinca.

E tá aí o show!

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