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Ouça antes: Leandro Serizo – “G-HD” (single)

Dia 30 de julho sai Sol quimérico, disco do cantor e compositor Leandro Serizo, definido por ele como “um trabalho que transita por rock progressivo, math rock, pop experimental, metal e ritmos afro-latinos e do mediterrâneo oriental”.
G-HD, novo single, que sai nesta sexta (26) e o Pop Fantasma adianta hoje com exclusividade, é puro peso unido de math rock, metal e percussões. Uma música sobre medos e caos na era da tecnologia – seres humanos gerados sem alma, falhas na matrix, bugs que acabam com tudo, sinais que encerram e terminam com qualquer tipo de transmissão.
“Musicalmente, eu me movo entre dois polos que admiro profundamente. De um lado, a carne, o transe e a mistura afro-brasileira de Chico Science e o Nação Zumbi. Do outro, a raiva estruturada, quase cirúrgica, da banda Rage Against the Machine”, explica Serizo, que fez a canção em parceria com a dupla Kim & Dramma, e uniu canto e vozes rappeadas ao longo da faixa, além de quebras rítmicas.
O resultado é um som distorcido e pesado, em clima de pesadelo. E se você está se perguntando o que quer dizer G-HD, é a junção de três palavras que explicam a letra: gerado humano digital.
Leandro faz questão de falar que a faixa não mexe no caos pelo caos. “O que me interessa é o caos com arquitetura. Por isso trabalhamos muito as polimetrias e polirritmias da faixa”, diz.
“Ela tem quebras rítmicas que exploram tempos ímpares, com inspiração em ritmos brasileiros como o maracatu, de modo que o ouvinte pode sentir isso no corpo, antes de entender racionalmente”, completa (e de fato, o beat da música, com a ajuda da produção e da mixagem, reverbera por dentro).
Serizo é de Campinas (SP). E a turma que foi com ele para o estúdio é de profissionais formados ou em formação no curso de Música da Universidade de Campinas (Unicamp). São eles Luísa Ramos (backing vocals), Thales Hashiguti (violino e viola), Pedro Rossi (percussões), Granadeiro Guimarães (guitarras), Guto Nascimento (baixo) e Mariani Fernandes (trombones).
Leandro Serizo toca acordeom e sintetizadores, além de cantar. Quico Dramma, da dupla com Kim, tocou bateria e co-produziu a faixa. Kim Cortada, a “outra metade” da dupla, fez vocais.
Sol quimérico foi também adiantado pelos singles Mosteiro do abismo e Abutre. E G-HD você ouve aí embaixo antes de todo mundo. Aumenta o volume (e confira também a capa do single, com fotografia de Fernanda Ferreira, que também é autora da foto de Serizo que aparece lá em cima)!

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Queens of the Stone Age “fala” português em clipe novo, e pode vir ao Brasil em 2027

RESUMO: O Queens of the Stone Age encheu de português o clipe de Where the goth girls at? justamente quando surgem informações sobre um possível retorno da banda ao Brasil em março de 2027.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Andreas Neumann / Divulgação
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O Queens of the Stone Age resolveu falar português — ou pelo menos seu clipe novo resolveu. Where the goth girls at?, terceira prévia do álbum Perfecth, começa, para quem assiste do Brasil, com a apresentação “Rainhas da Idade da Pedra apresenta: Onde estão todas as mulheres góticas?”. E não para por aí: durante o vídeo aparecem chamadas e legendas como “vai se foder”, “isso aí, porra!”, “putz grila” e “nossa, que bosta!”.
A brincadeira chega num momento especialmente curioso para os fãs brasileiros. O jornalista José Norberto Flesch afirmou recentemente que o Queens of the Stone Age pode retornar ao país em março de 2027. É justamente o mês do próximo Lollapalooza Brasil, marcado para os dias 19, 20 e 21. Por enquanto, porém, não há confirmação da banda nem informações oficiais sobre data, cidade ou festival.
Dirigido por Christopher Gruse e Tony Wolski, o clipe de Where the goth girls at? se passa numa usina elétrica abandonada, tomada por garotas góticas que vão transformando quem encontram pelo caminho. Participam da produção o comediante Steve Agee, a dançarina e artista Scarlett Kapella e a cantora e atriz Lou Lou Safran, além de Josh Homme e seus companheiros de banda.
A inspiração da música vem de bem antes. Homme recordou a adolescência nos arredores de Palm Desert, na Califórnia, e as garotas góticas que encontrava trabalhando numa loja de departamentos. “Ver as garotas góticas trabalhando no balcão da JCPenney e fazendo transformações góticas nas senhoras foi quando percebi que o único lugar onde queria estar era onde estavam as garotas góticas”, contou. “Amor adolescente, não é maravilhoso?”
Mas a faixa também esbarra em lembranças bem menos divertidas. Ao falar à Consequence sobre o verso “nunca me senti tão vivo quanto no dia em que quase morri”, Homme recordou que quase se afogou aos 12 anos, durante um acidente de barco em Idaho.
“Acho que todo mundo nesta vida está passando por uma experiência de quase vida ou quase morte, ou certamente vai passar, caso ainda não tenha passado”, afirmou. Para ele, existe uma espécie de euforia depois de situações assim. “Quase me afoguei quando tinha 12 anos e os dias e semanas depois daquilo foram realmente maravilhosos. A comida tinha um sabor incrível e o pôr do sol era do caralho”.
Homme ressalva que não recomenda a experiência: “Não estou dizendo que você deva sair por aí e arranjar uma experiência de quase morte, mas essas coisas acontecem. E essa euforia demora um pouco para desaparecer. É difícil não sentir alegria nesses momentos que vêm depois”.
Where the goth girls at? sucede Easy street e Insignificant other na apresentação de Perfecth, primeiro álbum do Queens of the Stone Age desde In times new roman…, de 2023 (resenhado pela gente aqui). Produzido por Homme e Michael Shuman, o disco chega em 30 de outubro. Você fica sabendo mais sobre Perfecth aqui.
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808 Punks segue firme no anarcophunk no clipe de “Bater cabeça e rebolar”

RESUMO: A 808 Punks leva seu anarkophunk para o clipe de Bater cabeça e rebolar, misturando punk, funk, samba e eletrônica com o subúrbio carioca no centro da conversa.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Léo Castro / Divulgação
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A 808 Punks tem uma definição própria para o barulho que faz: anarkophunk. Traduzindo: punk, funk, samba, rock e eletrônica metidos no mesmo lugar, de preferência sem muita cerimônia. É essa mistura que a banda carioca leva para o clipe de Bater cabeça e rebolar, faixa-título do EP de estreia, lançado em 2025 pela Bonde Music (e resenhado pela gente aqui).
Dirigido por Rabu Gonzales, que já trabalhou com Xamã, Emicida e Ludmilla, o vídeo funciona como apresentação da banda. “A ideia do vídeo foi fazer um raio X da banda, mostrar e dizer para que a gente veio e qual é o nosso recado! É como uma Polaroid da banda, nua e crua”, diz o guitarrista Xandee.
Para Rabu, funk e punk estão mais próximos do que parece. “Entre funk e punk, só se muda umas letras (rs), os dois são crus e vêm do ‘faça você mesmo’. É um clipe cru e direto como o punk e o funk são”, diz.
A 808 Punks é formada atualmente por André Paumgartten (voz, programação e theremin), Glenda Maldita (voz), Prixxx (voz), Xandee Farias (guitarra), Formigão (baixo, também Planet Hemp) e JotaErre (bateria). Este último, fundador do MC’s HC, entrou em maio e estreou logo no Circo Voador, depois de apenas um ensaio. “A química simplesmente apareceu. A sensação foi de que eu já tocava com aqueles caras há muito tempo”, conta.
A mistura não surgiu do nada. André cita MC’s HC, Comunidade Ninjitsu, Bonde do Rolê e DeFalla como antecedentes, mas diz que a 808 Punks resolveu trazer a conversa para mais perto de casa: “Puxou o papo mais pro subúrbio carioca mesmo, juntando com samba de quadra e funk de baile, que é a coisa mais punk do mundo”.
Daí o tal anarkophunk. “Existe uma atitude punk na nossa música, mas não aceitamos ficar presos a uma única fórmula”, explica Glenda. André vai além: “Punk é coisa criada por suburbano, operário, desempregado, estigmatizado, e tanto o DIY quanto o NO FUTURE têm muito a ver com o funk, o samba de quadra e o subúrbio carioca”.
A banda já levou essa mistura ao Uruguai, volta ao país em novembro e estreia na Alemanha em outubro. “Estamos muito empolgados com o show na terra do Kraftwerk e do Einstürzende Neubauten”, diz Formigão. Um novo álbum já está em pré-produção e sai em 2027.
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Oh Pray Tell: luta, memória e transformação em “Poor black woman blues”

RESUMO: O trio canadense Oh Pray Tell cruza roots, gospel, R&B acústico e folk em Poor black woman blues, single sobre resiliência e afirmação pessoal que antecipa seu primeiro álbum.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O trio Oh Pray Tell, de Kootenay, na Colúmbia Britânica, apresenta Poor black woman blues, single que combina roots, gospel, R&B acústico, folk e elementos de folclore experimental. Formado por Sally Titasey, Shayna-Adjowa Jones e Betty Supple, o grupo trabalha com narrativas, spoken word e harmonias vocais a três vozes.
A música fala de resiliência, transformação e afirmação pessoal. A letra parte da busca por força em momentos de dificuldade, enquanto a instrumentação aproxima referências tradicionais e contemporâneas.
“Essa música é especialmente tocante para mim”, conta Shayna. “A letra fluiu da minha mão em um dia fatídico, quando a intensidade da vida me mantinha presa ao chão. Mas esta é uma canção sobre se levantar, lutar e assumir cada grama de poder”.
Poor black woman blues relaciona experiência pessoal, identidade e herança cultural, mas o trio evita determinar uma única leitura para a música, deixando espaço para diferentes interpretações.
O Oh Pray Tell surgiu em 2015 como um duo formado por Betty Supple e Sally Titasey. As duas já trabalhavam juntas quando começaram a desenvolver uma proposta baseada em harmonias, palmas e batidas de pé.
A formação mudou em 2021, quando Shayna-Adjowa Jones, artista multidisciplinar ligada ao spoken word, conheceu o trabalho da dupla e propôs uma colaboração. O primeiro encontro aconteceu no Langham Theatre, em Kaslo, na Colúmbia Britânica. A experiência resultou em uma residência de três dias e, alguns meses depois, em uma apresentação com ingressos esgotados.
Shayna passou a integrar oficialmente o grupo em 2024. Desde então, o trio vem se apresentando em diferentes espaços da Colúmbia Britânica, incluindo o Salmon Arm Roots & Blues Festival e o Key City Theatre, em Cranbrook.
Em fevereiro de 2026, o Oh Pray Tell lançou seu primeiro EP. O grupo agora trabalha na gravação do primeiro álbum completo, previsto para fevereiro de 2027.
Poor black woman blues apresenta, assim, uma amostra do caminho construído pelo trio: música centrada em vozes, narrativa e diferentes tradições, com temas ligados a luta, memória e transformação.
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