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Sugar ganha mini-documentário, “Changes”, no YouTube

RESUMO: Changes: The story of Sugar, documentário sobre a banda de Bob Mould, revisita a história do grupo, o impacto de Copper blue e o retorno do Sugar em 2025, com imagens raras e depoimentos de fãs e amigos.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
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Das coisas nas quais eu investiria se tivesse uma banda, lá vai a principal: um mini-doc, de uns 20 minutos, como aqueles que apareciam como extras em DVDs, para jogar no YouTube (epa, dá pra fazer um sobre o Pop Fantasma, quem sabe?). O Sugar, a “segunda banda” de Bob Mould, artífice do punk norte-americano e criador do Hüsker Dü, pegou a tendência no ar e já soltou Changes: The story of Sugar, que mergulha na história do grupo que ele montou em 1992 com os músicos David Barbe e Malcolm Travis. E acompanha também o retorno do grupo no fim de 2025, com depoimentos de amigos e de fãs fiéis.
Dirigido por Rob Hatch-Miller, Changes é imperdível, não apenas por contar parte da história de um dos discos mais legais dos anos 1990 (Copper blue, a estreia do Sugar, de 1992) como também por mostrar o que representou a banda para seus fãs. Criado numa época particularmente difícil para Mould – que tinha lançado dois discos solo pela Virgin e saiu com o bolso vazio da experiência – o trio funcionava como se o personagem juvenil das letras de discos como Zen arcade (1984), do Hüsker Dü, estivesse tendo que encarar a vida adulta.
O lance da “vida adulta” funcionava igualmente para Mould, que já havia passado dos 30 anos mas tinha a sensação de estar sempre recomeçando. No começo da década de 1990, para ganhar grana, tinha resolvido fazer shows de voz e violão – veja bem: voz e violão na era grunge – enquanto juntava material para um disco solo. Mould tocou as fitas com as novas músicas para amigos (Barbe entre eles) e papo vai, papo vem, aquilo acabou virando um grupo.
Changes, vale dizer, traz muitas histórias bem interessantes a respeito da banda: uma delas é a de que todo aquele sucesso do Sugar, com turnês exaustivas e fãs agitados, era novidade até para Bob – David Barbe um dia confessou a Mould seu espanto diante da popularidade do grupo e acabou descobrindo isso. Pelo pouco tempo de duração, o documentário passa batido por algumas coisas, como a insatisfação recorrente do grupo com as gravações do álbum File under, easy listening, o segundo da banda, de 1994.
Hatch-Miller também flagrou Bob num período feliz em que ele parecia finalmente estar sendo recompensado pelos seus esforços à frente do Hüsker Dü – que foi uma banda bastante cultuada, mas nunca vendeu muito. “Parece ter sido uma das épocas mais felizes da vida de Bob”, disse Hatch-Miller sobre o filme.
“Encontramos muitas imagens de arquivo incríveis, como o vídeo inédito de Lance Bangs do primeiro show da banda no 40 Watt Club em Atenas, imagens da turnê solo acústica de Bob por festivais europeus com Sonic Youth, Dinosaur Jr. e Nirvana em 1991, e muitos trechos de Bob e da banda no programa 120 Minutes da MTV, onde foram apresentados ao público da televisão aberta”, completa.
E tá aí Changes.
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Girl In The Year Above assina com a Transgressive e lança “Wet paint”

RESUMO: Após chamar atenção com uma versão de Teardrop, do Massive Attack, a irlandesa Girl In The Year Above assina com a Transgressive e estreia no selo com o folk-rock de Wet paint.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Sophia French / Divulgação
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Existe uma possibilidade do próximo hype do rock, no bom sentido, ser uma banda irlandesa-britânica chamada Girl In The Year Above. No começo do ano muita gente prestou atenção numa cover que eles fizeram de Teardrop, do Massive Attack, que apareceu na trilha do filme Peaky blinders: O homem imortal. Robert del Naja, do Massive, não economizou elogios: “é a interpretação mais sublime e bela dessa música que alguém já fez”.
A novidade é que a banda assinou com a Tranngressive Records (a casa de Alvvays, Arlo Parks, Black Country, New Road, Damon Albarn, entre outros) e já soltou o primeiro single e o primeiro clipe na gravadora. Wet paint, que é o terceiro single da banda, saiu nesta terça (22) e revela um som entre o folk, o rock irlandês e algumas referências celtas. A vocalista Jennifer Ball capricha nos vocais sensíveis e confessionais (saem quase em tom de revelação em alguns momentos), e a letra usa a metafora da “tinta fresca” para falar de temas como vulnerabilidade e consideração.
“Ao compor a letra de Wet paint juntas, Jen e Jeanie logo perceberam o quão dolorosamente identificável é esse tema, embora raramente discutido. A história da música começa de forma leve para atrair o ouvinte até que, gradualmente, você percebe que se trata de consentimento. Com um tema tão pesado, era importante para nós que a música ainda transmitisse uma sensação de leveza e força”, diz a banda.
“Esperamos que a música reflita a essência de qualquer pessoa que se identifique com ela – no sentido de que você é brilhante e poderoso, não importa o que aconteça. Adoraríamos que essa música trouxesse alegria e rebeldia; sintam-se à vontade para gritar, dançar, rir, chorar etc”, continuam.
A Transgressive define o Girl In The Year Above como “uma banda verdadeiramente extraordinária e cativante. Suas músicas são ao mesmo tempo comoventes e eufóricas; empáticas e empoderadoras; e sempre contagiantes”, disse a gravadora. Já a banda tá naquela alegria: “Que loucura! Como conseguimos isso? Nos sentimos muito, muito sortudos – a Transgressive já é como uma família para nós”, contaram.
Tem clipe: dirigido por Dylan Friese-Greene, o vídeo de Wet paint traz a banda tocando nos cômodos de uma casa que anda precisando de reformas. Por acaso, Jennifer canta e dança num quarto cuja parede parece não ganhar uma nova camada de tinta há décadas. Ouça / veja aí e confira também a cover de Teardrop.
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Chapterhouse faz show único em SP dia 29; ainda há ingressos

RESUMO: Nome do shoegaze britânico dos anos 1990, o Chapterhouse toca nesta terça (29) no Cine Joia, em São Paulo, com abertura do terraplana. Ainda há ingressos para pista e camarote.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
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Só pra lembrar, porque ainda tem ingressos à venda: o Chapterhouse, um dos nomes do shoegaze britânico dos anos 1990, faz apresentação única no Brasil na próxima terça-feira (29), no Cine Joia, em São Paulo. A abertura fica por conta dos curitibanos do terraplana, que apresentam o repertório de Natural, segundo álbum da banda, lançado em março de 2025 pela Balaclava Records. Os últimos ingressos estão à venda pela Ingresse, nos setores Pista e Camarote, e também podem ser comprados sem taxa de conveniência no Takkø Café, na Vila Buarque.
Formado em Reading, na Inglaterra, em 1987, o Chapterhouse surgiu de um grupo de amigos que inicialmente tocava covers dos Stooges e de bandas das coletâneas Pebbles. No começo da trajetória, o grupo se aproximou do Spacemen 3 e passou a desenvolver uma mistura de psicodelia, dream pop e guitarras cada vez mais ruidosas. Depois de alguns EPs, a banda ganhou projeção com Pearl, faixa que combinava paredes de guitarra com uma base rítmica influenciada tanto por John Bonham quanto pelo hip-hop de Schoolly D. A gravação contou ainda com backing vocals de Rachel Goswell, do Slowdive.
Pearl entrou no álbum de estreia, Whirlpool, lançado em 1991 e hoje considerado um dos discos importantes da primeira geração do shoegaze. O trabalho traz também músicas como Breather e Falling down e teve participação de Robin Guthrie, do Cocteau Twins. Em 2026, quando o álbum completa 35 anos, ele aparece na 17ª posição da lista dos melhores discos de shoegaze publicada pela Pitchfork.
O Chapterhouse lançou ainda Blood music, em 1993, disco no qual ampliou o uso de eletrônica e ritmos ligados à dance music. A banda encerrou as atividades em 1995 e voltou aos palcos em 2008 para uma apresentação que deveria ser isolada. A reunião acabou se estendendo, com shows no Reino Unido, Estados Unidos e Japão. Agora, o grupo retorna aos palcos com Stephen Patman (guitarra e voz), Andrew Sheriff (guitarra e voz), Robin Light (guitarra), Ashley Bates (bateria) e Michael Secker (baixo).
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SERVIÇO:
Balaclava apresenta: Chapterhouse (UK) e terraplana em São Paulo
Data: 29 de Setembro de 2026
Local: Cine Joia
Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade
Horários: Portas 19h / terraplana 20h / Chapterhouse 21h30
Classificação etária: 16+ / menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsável legal
Ingressos aqui.
Ponto de venda físico (sem taxa de conveniência):
Takkø Café
R. Maj. Sertório, 553 – Vila Buarque – São Paulo/SP
Horários: Terça à Sexta, das 8h às 17h / Sáb, dom e feriados, das 9h às 18h.
Saiba mais em @takkocafesp no Instagram
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Eyecolour traz de novo seu “dark pop com coração narcótico” com “Clean”

RESUMO: A dupla australiana Eyecolour antecipa o álbum Perfume com o single Clean, faixa que mistura pós-punk, dream pop e synth-pop em uma sonoridade mais eletrônica, escura e noturna.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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“Dark pop com um coração narcótico”. É assim que o Eyecolour define o próprio som, e a descrição ajuda bastante a entender Clean, novo single da dupla de Brisbane, Austrália. A faixa junta sintetizadores em camadas, guitarras que parecem evitar qualquer resolução e uma atmosfera noturna que fica em algum ponto entre pós-punk, dream pop e synth-pop.
Hoje formado por Steven Appleton (voz, guitarra e sintetizadores) e Leith Jacobs (bateria), o Eyecolour nasceu a partir de integrantes dos projetos Soviet X-Ray Record Club e Howling Rabbits. O primeiro álbum, Giallo (2024), tirava o nome do gênero italiano de suspense e terror e já deixava clara uma atração por trilhas sonoras, eletrônica indie francesa e pelo lado mais sombrio dos anos 1980. O disco foi gravado ao vivo, com quatro músicos tocando juntos numa sala.
A formação encolheu para uma dupla e o som também mudou. Em vez de simplesmente reproduzir referências oitentistas, Appleton e Jacobs vêm buscando algo mais enevoado e eletrônico. Clean é parte dessa fase e aponta para Perfume, próximo álbum do grupo.
A dupla situa a música entre a expansão sonora do The Horrors, o instinto synth-pop do M83 e o brilho meio nebuloso do Wild Nothing. As referências aparecem, mas Clean tá num lugar menos definido: sintetizadores e guitarras se sobrepõem, a bateria mantém a faixa em movimento e a melodia surge no meio dessa névoa.
O próprio Eyecolour associa Clean à última hora de uma noite que, na verdade, está apenas começando — aquele instante em que alguma coisa muda e ninguém sabe exatamente para onde vai. É daí que vem o tal “coração narcótico”, surgido pela repetição e pela sensação de estar entrando cada vez mais fundo no clima da música.
Clean dá sequência aos singles Lighter, Poor girl e Afterimage e prepara o terreno para Perfume, segundo álbum, que vem neste ano ainda. Aos poucos, o Eyecolour vai deixando para trás o formato de banda que marcou Giallo e encontrando outra identidade: mais sintética, mais escura e deliberadamente noturna.
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