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Banda veterana do shoegaze, The Veldt homenageia designer do selo 4AD em novo single

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The Veldt (Foto: James Neumann / Divulgação)

Banda de shoegaze formada na Carolina do Norte nos anos 1980 – hoje vivendo em Nova York – The Veldt volta com novidades. O grupo criado pelos irmãos gêmeos Daniel Chavis (vocal, guitarra) e Danny Chavis (guitarra), e completado pelo baixista e programador Hayato Nakao, já havia lançado em abril o fantasmagórico single Black girl, uma mescla de shoegaze e soul – afinal, é uma regravação, no estilo da banda, do tema do filme Black girl, de 1972, dirigido por Ossie Davis.

Para o single, o grupo já havia adotado um formato diferente, de clipe lançado no Bandcamp, com direção de Rob Weiss e James Eakins. O novo single, Morning, june and yesterday, ganhou também um visualizer no site – e o vídeo é uma homenagem a Vaughan Oliver, o lendário designer gráfico cujo estilo visual definiu a estética da gravadora 4AD. O som une clima de sonho e guitarras ruidosas em formato de nuvem, com a novidade de trazer vibes próximas do gospel. Já a letra acompanha o ouvinte numa viagem bem além da linha do horizonte, com versos como “mas o fluxo e refluxo da vida não está distante, mas bem aqui, no fundo da sua alma”.

“Essa musica”, diz Danny. “dita a arte do drone e sua busca incessante pela repetição artística de paisagens sonoras em texturas e padrões visuais sonoros e formas, dissonância cognitiva do som”. Morning, june and yesterday, aliás, é uma gravação antiga do grupo: foi feita em 2007 e estava guardada até hoje. Geralmente ligado a grupos como AR Kane, Massive Attack, Cocteau Twins e Jesus & Mary Chain, o The Veldt inclui também referências como Sun Ra, Prince e Pink Floyd em sua lista.

As duas músicas estão no EP Spanikopita, que sai pelos selos Little Cloud Records / 5BC Records e está à venda apenas nos shows do grupo. The Veldt acabu de concuir uma turnê pelos EUA e Canadá ao lado de outra banda veterana, The Chameleons. Com participações de amigos como Carlos Bess, técnico de som que trabalha com o Wu-Tang Clan, o novo EP derruba fronteiras – a ideia é unir pós-punk, shoegaze e cultura do DJ. E vem por aí um novo capítulo da banda.

Foto: James Neumann / Divulgação

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Com o Empty Melon, Summer Kodama mergulha no lado sombrio da eletrônica

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RESUMO: No projeto Empty Melon, Summer Kodama explora eletrônica experimental, art pop e clima cinematográfico em Don’t look away, faixa sobre honestidade e autoexpressão.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Daniel Verdecchia / Divulgação

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Summer Kodama, baixista e produtora da banda Ada Lea, segue apresentando o seu projeto solo Empty Melon. Depois de estrear com Hoping to find, ela acaba de lançar Don’t look away, um single que mergulha em um universo mais sombrio, combinando eletrônica experimental, art pop e paisagens sonoras de clima cinematográfico – num resultado sonoro que fica bem próximo de Laurie Anderson, em muitos momentos.

A música nasceu de uma madrugada solitária. “Tudo começou quando eu estava dirigindo sozinha às duas da manhã e improvisando no baixo”, conta Summer. A partir dali, a faixa foi ganhando forma como uma reflexão sobre honestidade, tanto nas relações com os outros quanto consigo mesma.

“Existe algo catártico em expressar seus sentimentos e necessidades de maneira direta”, diz a artista. “Isso ajuda você a se alinhar com sua versão mais autêntica. Honestidade é a parte mais importante da autoexpressão”.

Se Hoping to find explorava um território mais etéreo, entre o sonho e a vigília, Don’t look away segue pelo caminho oposto. Summer define as duas músicas como “irmãs polares”: uma iluminada pela luz do dia, a outra construída no silêncio da noite. As duas foram compostas no mesmo mês, em maio de 2024, mas revelam lados bastante diferentes de um mesmo processo criativo.

Na produção, Summer trabalhou ao lado de Leo Bagel, tecladista da Post NC. Segundo ela, a parceria abriu espaço para mais experimentação e ajudou a equilibrar as ideias que surgiam durante a composição. O resultado é uma faixa que dispensa refrãos imediatos. A aposta é na construção de atmosfera, acompanhando o crescimento de um projeto que parece disposto a explorar diferentes caminhos sem perder a identidade.

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Som friiiio: Kate Schutt canta sobre nevascas no Ártico em “Drumfire of the hurricane”

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Kate Schutt - Foto: Natalie Deryn Johnson / Divulgação

RESUMO: Inspirada pelo relato de Christiane Ritter sobre uma tempestade no Ártico, Kate Schutt compõe Drumfire of the hurricane durante uma expedição a Svalbard.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Natalie Deryn Johnson / Divulgação

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Já pensou passar uma temporada solitária e friorenta numa cabana no Ártico, e ainda enfrentar uma tempestade de inverno, sem ninguém pra ajudar? Bom, a escritora austríaca Christiane Ritter passou por isso e contou a experiência em 1934 no livro Drumfire of the hurricane. E a cantora, compositora e produtora americana Kate Schutt inspirou-se nessa história para seu novo single, o meditativo Drumfire of the hurricane (mesmo nome do livro, enfim),

A música parte justamente do momento em que Christiane percebe que a tempestade já tá rolando e ela vai precisar sair dessa sozinha – e ela ainda teve tempo de descrever a tempestade como “o furioso toque de tambor do furacão”. “A frase de Ritter é perfeita, diz Schutt. “A escrita dela é muito visceral e captura a sensação de estar dominada pelo medo e pelo terror de uma grande tempestade de inverno. Espero que minha música acrescente outra dimensão à história incrível e marcante de Ritter”.

A composição nasceu em 2024, durante uma viagem a Svalbard, no Ártico, que fazia parte do programa Arctic Circle. Kate já conhecia o livro de Ritter e levou essa referência para a expedição. A faixa começou a ser escrita a bordo do navio MV Ortelius, durante um dos dias de mar mais agitado da viagem. “Fiquei isolada na minha cabine e comecei a juntar pedaços de ideias para letras e melodias”, conta. Dias depois, ela apresentou uma primeira versão para artistas da residência, guias e tripulantes. O saxofonista e escritor dinamarquês Benjamin Koppel participou da apresentação no sax alto.

A faixa inicialmente seria apenas voz e violão, mas ganhou banda completa durante a produção, por sugestão do coprodutor Jay Newland. “Mudei de ideia quando Jay sugeriu que uma banda completa poderia ajudar a criar a atmosfera do frio, do gelo e da tempestade. E ele estava totalmente certo”.

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Lóca une passado, presente e futuro em “Composto de tempo”

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Lóca - Foto: Lucas Micheluzzi / Divulgação

RESUMO: Em Composto de tempo, Lóca explora memória, passado e futuro com mudanças de andamento e compasso, misturando indie rock, jazz, música erudita e MPB.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Lucas Micheluzzi / Divulgação

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“O que é o passado senão a memória do passado?”. É a partir dessa pergunta que Lóca, projeto solo do músico catarinense Lucas Micheluzzi, constrói a música Composto de tempo, seu single mais recente. A nova faixa mexe com a ideia de passado, presente e futuro – e faz isso também na própria música, que muda de andamento, compasso e clima o tempo todo.

A inspiração veio de uma frase atribuída ao mestre sufi Omar Ali-Shah, segundo a qual seria possível modificar o passado e o futuro. Lóca levou a ideia para um terreno mais próximo da psicanálise e do autoconhecimento, assuntos que aparecem com frequência em seu trabalho. E a ideia não é explicar o conceito, é fazer quem ouve sentir essa instabilidade. Quando parece que a música encontrou um caminho, ela muda de direção e quebra a expectativa.

“Assim que parece que vai iniciar um novo ciclo, igual ao outro, uma nova surpresa aparece no caminho do ouvinte, tirando-o do lugar esperado”, explica Lóca, que precisou lidar com compassos ímpares enquanto cantava. A intenção não era transformar a música numa aula de matemática musical, ele completa. “Quero tornar o arranjo como se fosse um discurso recitado com a cadência que cada sentença necessita para ser entendida”, diz. No som, essa mistura de ideias aparece numa combinação de indie rock, jazz, música erudita e MPB.

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