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Therapy?: Andy Cairns exclusivo para o POP FANTASMA

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Andy Cairns (Therapy?) exclusivo para o POP FANTASMA

Alguém aí lembra do Therapy??

Nos anos 1990, quando o grunge estava em alta, a banda da Irlanda do Norte chamou a atenção com discos interessantes como Troublegum e Infernal love. Chegou inclusive a se apresentar em 1995 no Brasil.

Porém, o tempo passou, a cena rock se modificou, integrantes entraram e saíram e eles acabaram relegados a uma espécie de segundo escalão do rock, sem nunca contudo perder o peso do som, a fina ironia das letras e a qualidade nas composições. O disco mais recente deles é Cleave, lançado em 2018 pela nova gravadora Marshall Records, que faz parte daquela mesma empresa que lança amplificadores. Na formação do novo álbum, Andy Cairns (voz e guitarra), Michael McKeegan (baixo) e Neil Cooper (bateria).

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Completando em 2019 30 anos de carreira, nós do POP FANTASMA batemos um papo via email com o simpaticíssimo vocalista e guitarrista da banda, Andy Cairns, que entre outras coisas destilou todo seu ódio contra o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, todo seu amor pela Elza Soares e demonstrou estar mais por dentro da cena rock underground brasileira que muito brasileiro por aí. Confiram.

(Agradecemos aos leitores Sandro Wagner, Marco Txuca e Generval Bonna pelas perguntas enviadas)

POP FANTASMA: Em primeiro lugar, gostaria de dizer que estive no show do Therapy? no Rio de Janeiro em 1995 e curti bastante. Que memórias você tem dessa turnê pelo Brasil? E afinal, quando vamos vê-los novamente?
ANDY CAIRNS: Olá, Luciano! Minha passagem pelo Brasil, apesar de breve demais, foi incrível e é algo que lembrarei pelo resto da minha vida. O país era lindo, as pessoas apaixonadas e amigáveis, ​​e os fãs que conhecemos eram incríveis. Alguns até nos ajudaram a conhecer tanto o Rio quanto São Paulo. Vimos o Pão de Açúcar de helicóptero e depois fomos à estátua do Cristo. Passamos um tempo em praias, clubes, bares e em um dia de folga no Rio, fomos ao Estádio do Maracanã, onde assistimos o Flamengo jogar contra o Palmeiras!

De Thirty seconds of silence (nome da primeira demo, de 1989) pra trinta anos de banda, como foi passar pelo tempo e as suas mudanças da forma como se ouve e consome música? Como manter a paixão? (Pergunta enviada pelo leitor Sandro Wagner). Nós nos sentimos muito felizes por termos passado 30 anos trabalhando como músicos profissionais. Claro que tivemos alguns problemas durante o percurso, mas trabalhamos duro para que isso aconteça todos os anos. Mudanças no negócio da música acontecem e nós nos adaptamos da melhor maneira possível. Quando começamos a banda, ninguém tinha laptop ou celular e todos ouvimos nossas músicas em vinil! Música e shows especialmente ao vivo nos mantêm animados e engajados. Também ouvimos novas músicas regularmente.

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Na minha opinião, o trabalho mais recente do Therapy?, Cleave, prova que a banda está ainda bastante pesada e agressiva. Parabéns, achei o disco incrível! Qual sua opinião sobre ele e como o público o recebeu? Muito obrigado por suas ​​palavras gentis! O público realmente reagiu positivamente a Cleave, muitas pessoas dizem que ele soa como “Therapy? clássico” e parece que ele conseguiu trazer de volta alguns dos nossos fãs dos anos 90 que perderam o interesse pela banda quando nos tornamos um quarteto. As músicas são pesadas, mas cativantes e os temas líricos são aqueles com os quais as pessoas podem se relacionar, especialmente nesses tempos sombrios.

Na sua opinião, quais os três melhores álbuns do Therapy?? E qual é o pior? Em primeiro lugar, Troublegum (1994) porque quando tocamos essas músicas ao vivo, posso ver o quanto elas significam para as pessoas. Esse álbum foi uma parte significativa da vida de muitos fãs e sou grato por termos feito esse disco pra eles. O segundo é Babyteeth (1991), pois foi nosso primeiro álbum e foi feito numa época difícil na Irlanda do Norte, quando era complicado para os músicos serem ouvidos, encontrar shows e conseguir contratos para gravação. Nós autofinanciamos a gravação trabalhando em outros empregos e ensaiando em nosso tempo livre. Nós éramos grandes amigos na época e ver o disco ser lançado e chegar até o número um no UK Independent Album Charts foi surreal!

Em terceiro lugar, Cleave, que é um disco muito forte e nós três nos saímos bem demais. A bateria está incrível, assim como o baixo e as músicas são poderosas. Também foi muito divertido gravar com o produtor dos anos 90, Chris Sheldon, novamente. Já o disco do Therapy? que eu menos gosto é Shameless (2001). Nos divertimos muito gravando em Seattle com o lendário Jack Endino, mas a verdade é que as músicas não eram muito boas e era visível que Graham Hopkins (baterista da banda na época) tinha planos de trabalhar com outros músicos, então ele não foi muito agradável com a gente durante o processo, o que acabou causando estresse.

Por que Fyfe Ewing, Graham Hopkins (ex-bateristas) e Martin McCarrick (ex-guitarrista) deixaram a banda? Vocês ainda mantém contato? (Pergunta enviada pelo leitor Marco Txuca). Fyfe deixou a banda porque estava ficando difícil trabalharmos juntos e também porque ele odiava fazer turnês. Graham queria estar em uma banda que fosse mais acessível e desse mais grana, então ele foi embora achando que seria uma estrela. Pedimos a Martin McCarrick para sair porque ele se tornou muito mais difícil de lidar do que era no começo. Uma pena, pois ele é um cara legal e um músico maravilhoso. Não guardamos ressentimento por eles e desejamos a todos boa sorte. Nunca mais os vimos, mas esperamos de coração que onde quer que estejam, estejam todos saudáveis ​​e felizes!

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Essa é uma pergunta de fã: por que na música Potato junkie, tem um verso que diz que “James Joyce (um dos maiores escritores do século 20) está trepando com a minha irmã”? Qual o significado disso e por que exatamente ele? Essa música foi escrita sobre a mercantilização da cultura irlandesa e como ela era usada para atrair turistas. Todos nós amamos James Joyce, mas achávamos estranho o fato de haver tantos bares em Dublin que alegavam ter conexões com ele, especialmente para visitantes americanos. A frase da música veio na minha cabeça durante um ensaio. Na verdade, eu nem tenho uma irmã!

Qual a sua opinião sobre a livre troca de arquivos em MP3 na internet? Você acha que pode ser um problema para você e/ou sua gravadora? Ou a internet é uma aliada? Bem, a gente teve que se adaptar. Eu tenho um filho pequeno e ele ama ouvir música, ouve o tempo todo, mas ele não compra nenhuma música nem possui nenhum CD ou vinil. É apenas a realidade de hoje. Se você tiver sorte de ser tão grande quanto o Metallica ou Ed Sheehan, as pessoas também comprarão sua música. Temos sorte, somos uma boa banda ao vivo, para que possamos sempre apoiar nossos álbuns nos shows.

Você acha que o Therapy? merecia maior reconhecimento por tudo que fez ao longo desses anos? Eu amo essa banda, então sempre acharei que merecemos maior reconhecimento!

Como foi participar do álbum tributo ao Black Sabbath? (Pergunta enviada pelo leitor Generval Bonna) Isso foi muito divertido, mas cansativo pra caramba! Gravamos a música com o produtor Chris Tsangarides em um dia entre os shows, mas Fyfe não tinha ouvido a música porque ele disse que “as músicas do Black Sabbath eram fáceis de tocar”. Passamos o dia todo tentando convencê-lo a tocar bateria corretamente, e então eu e Michael tivemos apenas algumas horas à noite para gravar rapidamente as guitarras e o baixo, então acabou que não ficou como nós queríamos. Algumas semanas depois, eu e Michael fomos para Los Angeles para gravar os vocais de apoio e os vocais principais com o próprio Ozzy. Terry Date foi o produtor dessa sessão e dessa vez as coisas fluíram de modo muito melhor e muito mais agradável. Ozzy foi gente finíssima e gravou sua parte rapidamente

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(o Therapy? participou do tributo Nativity in black, de 1994, tocando Iron man com o próprio Ozzy Osbourne nos vocais)

O que você conhece de música brasileira (Sepultura não conta!)? Eu amo Deaf Kids e Rakta. Dois dos meus álbuns favoritos este ano são Metaprogramação (do Deaf Kids) e Falha Comum (Rakta). Eu vi o Deaf Kids ao vivo duas vezes este ano e foi como ser pego em uma tempestade. Em um dos shows, eles tocaram com Rakta e foi uma coisa fascinante. Eu estava encantado e não queria que o show terminasse! Adoro a faixa Gasolina, do Teto Preto, que música! Eu sei que você disse que o Sepultura não conta, mas posso incluir o novo álbum de Petbrick? Tem Igor Cavalera nele e é incrível. Eu também vi Igor se juntar aos Deaf Kids no palco em Londres e foi insano! Além disso, preciso mencionar A mulher do fim do mundo, de Elza Soares, uma obra lindíssima. Ritmos maravilhosos, guitarras criativas e, claro, aquela bela voz!

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Andy, assim como você, eu também sou um grande fã de Captain Beefheart e do Hüsker Dü, então preciso te perguntar: Como essas bandas influenciaram o som do Therapy?? Quais são seus álbuns favoritos deles? Beefheart influencia o senso de absurdo e brincadeira em nossa música. Além disso, como guitarrista, não gosto muito de solos ‘tradicionais’. O solo de Die laughing por exemplo é influenciado pelos músicos que Beefheart tinha. Já o Hüsker Dü influenciou não só nosso modo de compor como também nossa atitude. Mostrou que qualquer um poderia tocar música feroz e melódica. Que banda! E claro, todos nós sentimos muito a falta de Grant Hart.

(olha aí o Therapy? tocando Diane, do Hüsker Dü).

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Com quais bandas da atualidade você se identifica mais? No momento, minhas bandas favoritas são Rainbow Grave, Zonal, Rakta, Deaf Kids, Petbrick, Terminal Cheesecake e Debby Friday.

Não tem como não perguntar: Você tem acompanhado a situação política aqui do Brasil? Qual a sua opinião a respeito? Ah, sim, Jair Bolsonaro… Mas que babaca! Nós crescemos em tempos complicados na Irlanda, por isso temos simpatia por todas as pessoas que precisam passar por essa merda. Deve ser horrível. Não desanimem!

Deixe uma mensagem final para os fãs brasileiros. Obrigado por seu apoio ao longo dos anos, realmente esperamos vê-los novamente em breve. Continuem a lutar! (OBS: Ele escreveu essa resposta EM BOM PORTUGUÊS!)

BATE BOLA JOGO RÁPIDO
COR FAVORITA: Azul
COMIDA FAVORITA: Indiana
FILMES FAVORITOS: Todos do Tarkovsky
TIME DE FUTEBOL: Chelsea e a Seleção Brasileira!
PREFERE TOCAR AO VIVO OU ESTÚDIO?: Tocar ao vivo
COISAS QUE GOSTO:, Generosidade e Empatia
COISAS QUE ODEIO: Racismo
CÃES OU GATOS?: Cães

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LUCIANO CIRNE é jornalista, flamenguista, casado, ama cachorros e aceita doações de CDs, DVDs, videogames e carrinhos!

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Cultura Pop

Clipes do Fantástico: descubra agora!

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Depois do sucesso inicial como fruto do casamento entre a central de produção e a turma do jornalismo da Globo, o Fantástico começou a valorizar mais o jornalismo. Ainda assim, a música não sumiu do programa.

Bom, “não sumiu”, é apelido: os musicais do Fantástico viraram grandes acontecimentos musicais que todo mundo discutia no dia seguinte. Aliás. se não fosse pela música em questão, pelo menos rolava a resenha do visual dos artistas e do clima camp de alguns vídeos (vários tinham a participação de um indefectível grupo de dançarinos).

Segundo o Almanaque dos anos 70, de Ana Maria Bahiana, o esquema de produção dos vídeos era o mais frugal possível: músicas e artistas aprovados na segunda, roteiros aprovados na terça, produção acertada entre quarta e quinta, gravação entre quinta e sexta, edição no sábado, para tudo ir ao ar domingo. Não eram superproduções, apesar de alguns clipes não economizarem em cenários, participações e detalhes.

Aliás, como se pode imaginar, nem tudo eram flores. Vários vídeos que se tornariam conhecidos (e que representaram algumas das primeiras tentativas de clipe do Brasil) traziam efeitos especiais que fizeram sucesso, mas hoje parecem mais com “defeitos especiais”. Já outros protoclipes tentavam colocar um pouco de surrealismo (pode acreditar!) no lançamento de canções que ficariam bastante populares. Um detalhe que ajudava a explicar o clima “qualquer nota” de alguns desses clipes: não havia um paradão de vídeos da Globo, e a ideia é que esses musicais fossem ao ar uma só vez e acabassem esquecidos.

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Com a ajuda de vários amigos e leitores, fizemos uma lista de quinze clipes lançados pelo programa. Maratone e divirta-se.

“GITA” – RAUL SEIXAS (1974). Quase foi o primeiro “musical” nacional em cores lançado pelo Fantástico – a produção esmerada e os efeitos visuais deram uma atrasada na edição e a honra ficou com Chorinho fora de tempo, de Sonia Santos (que infelizmente não está no YouTube). Dirigido por Cyro del Nero, Raul circula entre obras de artistas como Pieter Breughel, Hyeronimus Bosch, Max Ernst, Odilon Redon, Salvador Dali e outros. Quem viu, ficou fã do clipe e do cantor.

“HORA DO ALMOÇO” – BELCHIOR (1974). Para arrancar lágrimas dos fãs recém-conquistados do cantor: dois anos antes de Alucinação, Belchior, com um camiseta de Super Homem, canta um de seus primeiros hits num almoço ao ar livre, armado na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE).

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“AMÉRICA DO SUL” – NEY MATOGROSSO (1975). O Fantástico, além de outros programas, já vinham lançando vídeos musicais antes disso, mas América do Sul é tido como o primeiro clipe nacional digno desse nome. Ney gravou no Parque da Cidade, em descampados de São Conrado e em praias da Zona Sul. E correu perigo, pendurado por uma corda, num helicóptero que estava com a porta arrancada (!), para que o diretor Nilton Travesso pudesse pegar imagens do oceano.

“AGORA SÓ FALTA VOCÊ” – RITA LEE (1975). Rita sobe aos ares num avião da esquadrilha da fumaça (opa) e canta um de seus maiores hits do início da carreira solo, incluído na trilha da novela Bravo.

“A LUA E EU” – CASSIANO (1975). Um portão de ferro, um tapete, um castiçal, uma harpa (sem cordas), um baú repleto de bugigangas, uma samambaia, uma cadeira de rodas, duas espadas (enterradas na areia), uma tuba e uma antiga máquina de costura. Tudo ao ar livre, sob o sol da Praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Era o cenário surrealista que Cassiano encontrava para dublar seu hit, que aparecia na trilha da novela O grito.

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“SERÁ QUE EU VOU VIRAR BOLOR?” – ARNALDO BAPTISTA (1975). Arnaldo canta e toca piano (segundo o próprio cantor, as gravações foram feitas lá pelos lados de Cabo Frio) na carroceria de um caminhão tremelicante que não economiza nas curvas (!). O casaco usado pelo ex-mutante é o mesmo que foi parar numa rifa no ano passado.

“SE VOCÊ PENSA” – MORAES MOREIRA (1976). Acompanhado por três quintos da futura Cor do Som, Moraes (lembrando um cruzamento de Phil Lynott e Lemmy Kilmister) pôs células de hard rock e jazz no clássico de Roberto e Erasmo Carlos, que já havia sido gravado por Gal Costa. O vídeo da canção é pós-psicodélico, cheio de “bolhas” lisérgicas e efeitos malucos. A participação do corpo de baile rende algumas risadas.

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“ADMIRÁVEL GADO NOVO” – ZÉ RAMALHO (1979). O principal hit do disco A peleja do diabo contra o dono do céu (1979) em vídeo gravado na Avenida Paulista.

“TEMPOS MODERNOS” – LULU SANTOS (1982). O clipe mais bonito exibido pelo Fantástico, sem dúvida. Filmado em Ouro Preto e Mariana (MG), traz o moderninho Lulu viajando ao passado ao observar a pintura de um zepelim. Detalhe muito louco: mesmo aparecendo em flashback, o dirigível tem merchan de uma empresa de seguros (!).

“VOCÊ NÃO SOUBE ME AMAR” – BLITZ (1982). Pronto: a Globo era definitivamente apresentada à linguagem dos clipes oitentistas. Muita gente já tinha ouvido a canção no rádio, mas ficou sabendo que aquele grupo se chamava “Blitz” quando viu o clipe na TV.

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“NAÇÃO” – CLARA NUNES (1982). Os clipes de Clara gravados para o programa já renderam até um DVD. O de Nação foi um dos últimos feitos pela cantora para o Fantástico e ajudava a puxar um disco de sucesso (também chamado Nação) que tinha vendido 600 mil cópias quase do nada, em meio a vários compromissos fora do país. Clara morreria no ano seguinte.

“COMO EU QUERO” – KID ABELHA (1984). Parece uma abertura do Fantástico ou uma cena de novela, mas era a banda carioca no comecinho dos anos 1980. Destaque para a participação especial do computador Apple II, que deve ter encarecido bastante a produção do clipe (reprisado bastante em programas como o Clip clip).

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“COWBOY FORA DA LEI” – RAUL SEIXAS (1987). Os vídeos da fase inicial de Raul poderiam ser até mais históricos, mas o de Cowboy (estourada após a inclusão na novela Brega & chique) era o mais engraçado, com direito a um duelo entra o cantor e o ator-lenda do cinema nacional Wilson Grey. Além de cenas que pareciam coisa dos Trapalhões.

“MANEQUIM” – DOMINÓ (1987). O hino de protesto P… da vida foi preterido por essa música na hora de puxar o disco da boy band lançado em 1987. “Manequim foi lançada no Fantástico com um clipe com direção do Paulo Trevisan. Investiram uma fortuna no clipe, fizeram uma cidade cenográfica só para a gente gravar, foi gravado com grua, várias câmeras… Não existia isso em 1987, era como se fosse cinema”, me contou Afonso Nigro aqui.

“ADELAIDE” – INIMIGOS DO REI (1989). Anos antes de virar o chefe do Big Brother Brasil, Boninho dirigiu esse clipe repleto de efeitos especiais para a canção-besteirol do Inimigos.

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Cultura Pop

Lembra do Strawberry Switchblade?

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Lembra do Strawberry Switchblade?

Jill Bryson e Rose McDowall não tinham um histórico muito comum a cantoras de uma dupla new wave felizinha da vida. Ainda assim, as duas integrantes do Strawberry Switchblade, que existiu entre 1981 e 1986 na Escócia (e fez sucesso com Since yesterday, em 1985), fizeram o trajeto comum às estrelas pop da época no Reino Unido. Conseguiram bastante sucesso com alguns singles, apareceram na capa do sucesso editorial Smash hits, excursionaram, fizeram vários programas de TV, etc.

Olha as meninas aí no Japão, dando entrevista em inglês mesmo, para um repórter japonês com voz de locutor da madrugada de rádio FM.

Na adolescência, Rose chegou a ter uma banda chamada Poems, na qual tocava bateria em pé, imitando a baterista do Velvet Underground, Maureen Tucker. O grupo novaiorquino era amado pelas duas garotas a ponto de terem gravado uma versão de Sunday morning, do primeiro disco deles.

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O visual delas era uma mescla de felicidade new wave (vestidos de bolinhas, apliques nos cabelos) e gotiquices (a maquiagem usada pelas duas). O currículo delas era punk e deprê o suficiente para terem chamado as atenções de Bill Drummond e David Balfe, empresários e produtores que trabalharam com bandas como Echo & The Bunnymen. O primeiro single delas, Trees and flowers (1983), falava de transtorno de ansiedade e agorafobia, entre outros temas nada leves. Em pouco tempo, elas estavam contratadas pela Korova, o selo que lançava os discos do Echo.

“Nossa imagem era colorida, mas nossas mentes estavam sombrias”, lembrou Rose num papo com o The Guardian não faz muito tempo. Outras letras, como Let her go, Who knows what love is e Being cold, não economizam na hora de falar de tristezas, problemas, altos e baixos (estes, em especial).

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Rose conta ao Guardian que desde criança foi interessada em magia, que sua mãe lhe dizia que ela costumava falar em línguas estranhas, e que às vezes ela “tinha pesadelos que continuavam quando eu estava acordada”. Um tempo depois, ela chegou a ser atraída pelo malucão Genesis P. Orridge para que fizesse parte do grupo de magia Thee Temple ov Psychick Youth. Nunca deu muito certo, e ela sempre dava uma desculpa e não se juntava ao grupo. “Posso praticar feitiços, mas não farei parte de um coven ou ‘coisa’ de qualquer outra pessoa. Eu não entro em grupos”, conta.

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Rose de vez em quando ainda lança uma coisa ou outra – como o álbum acima, de demos e gravações realizadas nos anos 1980. Jill Bryson, por sua vez, sumiu mesmo (inclusive da convivência da ex-colega). Reapareceu em 2013 como integrante de uma nova banda, The Shapists, que tem na formação sua filha Jessie Frost.

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Cultura Pop

Nico Rezende: “Sempre tive essa veia pop, mas com um pé na MPB”

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Nico Rezende: "Sempre tive essa veia pop, mas com um pé na MPB"

É só começar a introdução de Esquece e vem, maior hit do produtor, arranjador e músico Nico Rezende como cantor, que os anos 1980 retornam: as guitarras apitando, a cama de teclados, o som da bateria eletrônica (“que eu conseguia programar de modo que não parecesse eletrônica”, lembra Nico).

E agora o som dessa época está de volta mesmo: os três álbuns de Nico Rezende pela Warner foram reeditados nas plataformas digitais. Além disso, Nico relançou Esquece e vem em versão acústica (com participação da cantora Ive) e está preparando um disco novo para o fim do ano. Hoje tem sai single novo, Pra que serve uma canção. “Acho que estou na fase talvez mais criativa da vida, estou compondo como nunca compus antes”, diz Nico Rezende ao POP FANTASMA.

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POP FANTASMA: Como tá sendo revisitar o sucesso de Esquece e vem alguns anos depois de lançado?

NICO REZENDE: Foi uma ideia que surgiu, muitas pessoas comentando sobre a música, e eu decidi fazer uma coisa meio luau, com uns violões. Dar uma repaginada na música, trazer para os dias de hoje. Ela tinha uma atmosfera pop anos 1980 e fiz a regravação, que é praticamente uma releitura de violões. E chamei a Ive, uma cantora amiga que mora em Portugal para a gente fazer juntos. A coisa foi acontecendo, foi bem aceito, tá tocando bastante em rádio, o clipe tá indo bem. Tá sendo um bom resgate.

Como essa música foi feita?

Essa música surgiu numa manhã de gravação em 1986. Eu estava no estúdio com o Lulu Santos, numa sessão de gravação para o disco dele. Eu cheguei muito cedo no estúdio e, tocando piano, pintou essa melodia. Lembro que pedi pro assistente de estúdio gravar para eu não esquecer. Gravei a melodia de piano e depois apresentei para o Paulinho Lima, meu parceiro. Na verdade ele nem era meu parceiro ainda, só apresentei a melodia e fomos juntos fazendo a letra.

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Nessa época você já estava com ideia de fazer carreira solo? Você já era um arranjador bem requisitado.

Eu já tinha gravado dois compactos cantando, mas não tinha essa coisa… Eu ainda morava em São Paulo, e não tinha essa coisa do mainstream. Queria gravar mas não tinha na cabeça a ideia do popstar. Isso nunca esteve muito latente na minha cabeça. Gostava de compor, de tocar e de estúdio. Eu cresci em estúdio. A coisa foi andando mais quando eu gravei o primeiro álbum, com Esquece e vem.

Eu já tocava com Lulu na época e ele me deu um superespaço nos shows dele. Sempre cantava três músicas, e os shows eram superlotados. Senti que dava pé e comecei a tomar gosto pela coisa. Ainda mais com aquela escola, de estar vendo o Lulu em todos os shows. Eu fazia backing vocal e tocava teclado. Via o Lulu fazendo aquela performance maravilhosa que ele sempre fazia.

Antes disso já tinha visto um outro grande showman que era o Ritchie, sempre no palco performando, cantando. Aquilo tudo foi me acendendo essa chama e esse conhecimento a partir desse contato com eles.

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Como você começou na música? Antes do Lulu teve o Ritchie, o Kiko Zambianchi… Você fez os arranjos do primeiro disco do Kiko, não?

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Isso, fiz o arranjo, a gente produziu juntos na EMI, aqui no Rio. Comecei na música muito cedo, tocava em conjunto de baile. Eu fui muito curioso, tocava um pouco de tudo. Desde os 8 anos de idade já fazia violão clássico. Mas eu era curioso por teclados e tal. Eu fui crooner de baile de Carnaval, tinha um conjunto de Beatles que eu tocava contrabaixo, era o Paul McCartney do grupo, só tocava músicas do Paul.

Isso em São Paulo, certo? Você é paulista?

Sim, paulistano.

Mas você tem o maior sotaque carioca!

Eu já tô há trinta e tantos anos no Rio! Mas eu falo “paulista” perfeito também, se eu forçar eu consigo fazer. Mas a coisa foi andando assim, trabalhei em vários estúdios, fui assistente de estúdio, o cara que plugava os cabos. Isso foi me dando uma noção de estilos, sempre gostei muito de balada. Essa coisa da MPB pop, sempre tive essa veia pop, mas com um pé na MPB, sempre pronunciado, porque cresci ouvindo bossa nova. Adorava bossa nova, jazz, mas cresci ouvindo rock progressivo também.

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Então minha formação tem essa mistura de coisas. Minha bagagem musical é essa, são coisas que eu escutava com meu pai, o que ele escutava e o que meus irmãos mais velhos escutavam. Ele não gostava muito de Roberto Carlos e eu adorava, tinha compactos dele, que eu ganhava. Lembro que o carrinho ia passando na rua e ia distribuindo compactos do Roberto Carlos…

Sério? Lá em São Paulo?

Acontecia isso, era uma kombi que distribuía os compactos de plástico. Era um patrocínio da Colgate! Era um disquinho colorido, promocional, lançamento da música. E foi assim que eu conheci a obra do Roberto, as primeiras músicas. Sempre gostei muito das baladas, gostava muito do Elton John, do Paul McCartney, do Stevie Wonder. Enfim, foram coisas que me influenciaram bastante. Acho que minha música tem um pouco de tudo isso. Consigo enxergar um pouco de Beatles na minha música, um pouco da harmonização mais Motown… Acho que a gente é produto do meio, a gente é o que a gente ouve.

E depois vieram Ritchie, Lulu. Você veio pro Rio imediatamente? Como foi isso?

Vim para fazer um teste na banda do Ritchie, para fazer a excursão Menina veneno. Éramos eu, Torcuato Mariano, Nilo Romero, todo mundo começando ali, né? Torcuato hoje é diretorzão da Globo, The Voice, guitarrista superconceituado. Eu tinha um tecladinho só, nem tinha nada. As coisas foram acontecendo, com Ritchie eu comprei mais um teclado, mais dois, mais três. E aí a coisa foi andando, comecei a ser chamado para fazer muito arranjo no Rio, Marina Lima me chamou… Gravei com todo mundo que você puder imaginar daquela época.

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O Ritchie eu imagino que dava ter sido um susto porque foi aquela chegada brava no mainstream. Os shows dele eram muito lotados, né?

Foi realmente um susto, porque aquilo parecia Beatles. Em todos os lugares nos quais a gente ia – principalmente no Nordeste – os quarteirões das ruas dos hotéis tinham filas que davam voltas, formavam anéis. Era gente que queria pegar autógrafo dele. Nunca vi uma coisa assim. As pessoas passavam desmaiadas na frente do palco, era muita loucura.

O Ritchie comentou uma vez que as meninas desmaiavam de propósito porque achavam que seriam levadas para o camarim…

Era isso mesmo! Fingiam que desmaiavam para serem levadas para um lugar mais tranquilo. Acontecia. Aliás acontecia de tudo, até eu ir dormir e achar fã dentro do armário.

Como apareceu a Warner na sua vida?

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Eu já tinha umas músicas estouradas nas vozes de outros artistas, Perigo com Zizi Possi, Transas na voz do Ritchie. Eu comecei a fazer meu primeiro disco e as gravadoras abriram o olho. O Liminha era diretor artístico da Warner, ouviu meu trabalho, gostou. Ele estava fazendo a trilha de uma novela, colocou o Esquece e vem na novela (O Outro, de 1986). Assim apareceu a Warner. Liminha tinha – ainda tem – um estúdio junto com o Gilberto Gil, que é o Nas Nuvens, e gravei dois desses três discos lá. A Warner me contratou e no primeiro disco já fui uma grande revelação. Eu era o que mais vendia na época (rindo).

Você ia muito no Chacrinha, lembro disso.

Ia lá, no Globo de Ouro, Fantástico eu fiz duas vezes. Aconteceu bastante coisa legal.

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Você acredita que imprimiu uma marca no trabalho como arranjador e produtor? Tinha uma coisa bem característica do seu som que eram aqueles teclados na introdução… Como em Rolam as pedras, do Kiko Zambianchi…

Sim, esse arranjo é meu. Não sei, acho que tudo aconteceu meio por acaso. Eu tinha um teclado da Roland que todo mundo quando me via tocando nele, queria comprar. Eu fazia tudo com ele, era um teclado que tinha um sequenciador, eu programava tudo muito bem nele. Fui uma das primeiras pessoas a conseguir programar bateria eletrônica direito, que não parecesse eletrônica. Eu tinha essa coisa de estúdio, tirava até linhas de baixo. Tirei a linha de baixo de Casa, do Lulu Santos.

Eu achei uma sonoridade logo no primeiro disco, que era a seguinte: eu gostava muito de baixo fretless (sem traste, como o usado em Everytime you go away, de Paul Young) e umas guitarras bem espaciais, bem cinematográficas. O Torcuato era um cara perfeito para isso, ele tem uma timbragem de guitarra incrível. Eu procurava manter essas pessoas em tudo o que eu fazia. Chamava o Torcuato, o Arthur Maia no baixo, Leo Gandelman no sax – a gente fazia os solos de sax com uma pegada nada jazzística e muito pop, eram melodias, não solos. Aí é o famoso “diga-me com quem andas”.

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Isso que tá acontecendo hoje com a música, de ela se tornar mais modal, com poucas variações na harmonia – você começar a caminhar harmonicamente sem mexer em muitas notas – acho que eu já fazia desde aquele tempo. Enxergo minha música assim, dessa coisa que enxerguei, da surpresa que o pop empreende no arranjo. Enxerguei isso naquela época e isso criou uma marca na minha música.

Você falou isso do baixo fretless, das guitarras espaciais, e lembrei direto do arranjo de Transas

Isso, isso, tinha o Torcuato… Uma coisa meio cinema, de criar texturas sonoras, não tentar tocar a música, criar texturas. Imagens sonoras, sabe? Isso fica claro, quando entra o Esquece e vem, e vem a guitarra (imita o som) e as cordas vêm entrando devagarzinho. Aquilo já cria uma atmosfera. Eu me lembro do Liminha escutando isso e falando: “Pô, cara, isso parece cinema”. Falei que a ideia era essa mesmo, criar uma atmosfera cinematográfica para a música. Apostei nesse idioma e criei essa marca, acho que consegui.

E depois da Warner?

Estou no décimo disco. Em 1991 gravei o Tudo ficou para trás, foi numa gravadora chamada Esfinge, que logo quebrou. Até teve música em novela, Além da sedução (de Lua cheia de amor). Em 1995 gravei o Tapete azul, que também teve música em novela, Sempre a mesma história, da novela Quem é você? Em 2002 gravei o Curta a vida, foi um disco que eu gravei pela Som Livre. Tem várias inéditas e umas regravações.

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Em 2007 eu fiz aquele que talvez seja meu melhor trabalho, o Paraíso invisível. É um disco que eu me preparei três anos para fazer, totalmente acústico, não tem teclados, todas as partes de camas de teclados são feitas por naipes de sopros. Mas um naipe nada usual. Eu fazia as camas com flugelhorn, flauta em sol e trombone. Em 2012 foi o Piano e voz, releitura de piano e voz das minhas cações mais relevantes. Dei uma pausa e comecei a tocar jazz em outro projeto. Gravei um DVD e CD tocando Chet Baker.

E agora venho lançando singles e no final do ano vou lançar meu décimo disco, que é o Vida que segue. Vai ter a releitura do Esquece e vem, um single que a gente vai fazer agora que é o Pra que serve uma canção. E outras inéditas, tem um feat com a Roberta Campos que tá pronto também. Fiz algumas pausas (rindo), até longas demais pro meu gosto. Mas a vida é isso mesmo. Mas acho que estou na fase talvez mais criativa da vida, estou compondo como nunca compus antes. Eu ligo o rádio e fico tão desanimado que me deu vontade de voltar (rindo). Brincadeira, tem coisas legais, mas a gente ouve umas coisas e “opa”.

E como tem sido o isolamento?

Dedicado ao estúdio: tenho trabalhado, composto, feito lives. Dei um tempinho, mas ano passado fiz 28 lives. Tenho composto bastante, produzido outras pessoas. Meu estúdio é perto da minha casa. Agora mesmo já estou trabalhando numa canção nova. Fiquei revendo HDs antigos também, coisas que estavam meio esquecidas e repaginei. Dei uma limpada no guarda-roupa.

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