Quando deparei com esse disco na web, cheguei a achar que fosse falso. Não é: essa estranha mistura de psicodelia e de música feita para skatistas, cujo resultado gráfico lembra mais um pesadelo stoner, existe de verdade. Esse LP foi lançado em 1976 por um selo chamado Pickwick. E ganhou edição em CD em 2015, pela Parlophone japonesa (já tinha sido lançado lá pela Victor nos anos 1970). É o primeiro disco do Sneakers & Lace, uma espécie de Beach Boys-Bay City Rollers do skate. O nome do LP é Skateboardin’ USA.

Sneakers & Lace: os Beach Boys do skate (!)

Olha aí a fofinha Skateboardin’.

A balada Little skateboard queen é bem bonita.

Fazendo um freestyle na onda disco, tem o Skate walk boogie.

Essa é Sidewalk convoy.

Os dois caras por trás do Sneakers & Lace eram Neil Levenson e Phil Margo. Ambos já atuavam como músicos e compositores desde os anos 1960, trafegando entre o doo wop e o pop. Phil era (é ainda hoje, na verdade) baterista de uma banda chamada The Tokens, sucesso com músicas como essa aí, que com certeza você conhece: The lion sleeps tonight. Mitch Margo, irmão de Phil, também entrou na composição de algumas faixas do Sneakers & Lace.

Levenson compôs canções para os Tokens. E também escreveu outros hits para outros grupos. Um dos mais conhecidos é esse sucesso-família aí, Denise, com Randy & The Rainbows. Foi lançada em 1963 e é tão ligada ao sonho norte-americano de prosperidade e sucesso, que alguém jogou a faixa no YouTube, com um vídeo repleto de imagens dos Kennedy, de carros velozes, dos Beach Boys e de filmes bacanas do período.

Diz o encarte de Skateboardin’ USA que a banda não era uma armação de gravadora. O Sneakers & Lace ensaiava e andava de skate no Central Park quando foi descoberto em 1975 por Neil Levenson, e contratado. Uma pessoa no Discogs afirma que, bem antes disso, os três rapazes do grupo (Jon Gittler, David Ramirez e David Ortiz) eram mais conhecidos como “o trio do toalete”, porque tinham a mania de ensaiar no banheiro masculino da escola. Eles conheceram a garota do grupo, Carolyn Sloan, enquanto andavam de skate no Central Park, e decidiram montar um quarteto. Carolyn também era colega de escola deles.

Tem mais gente por aí que não acredita que esse disco exista. Tanto que o próprio David Ramirez resolveu aparecer nos comentários de um vídeo do disco no YouTube e esclarecer dúvidas.

“Sim, esse álbum é absolutamente real. Eu cantava com voz de tenor e tocava baixo elétrico, entre 1974 e 1978. Jon Gittler era o barítono e tocava bateria, David Ortiz era o tenor e tocou guitarra. E Carolyn Sloan era nossa soprano e tocava teclados. Nosso disco foi gravado no Ultima Studios em Nova York em 1976, e era composto principalmente de músicas sobre skates e romance jovem, usando vários gêneros musicais diferentes”, escreveu.

Já a Carolyn Sloan anda mais envolvida hoje em dia com música gospel. Olha aí.