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Cultura Pop

Days Like These: a versão britânica de That 70’s Show

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Se você acompanhava a série That 70’s show – que no Brasil passou como Que loucura de família e está inteirinha na Netflix – provavelmente curte a ideia de um seriado que mostre o dia a dia de uma turma de adolescentes dos anos 1970. E possivelmente ficava intrigado de ver que, na fictícia Point Place, onde se passava a história, o som mais revolucionário que chegava era David Bowie. Em termos de música, a turma do porão do Eric Forman se alimentava basicamente de hard rock, progressivo, disco music e sons pop. Ali, óbvio, não era Nova York. Ramones, Television e outros grupos não se criariam muito por ali, e punk inglês era coisa de outro planeta.

Days Like These: a versão britânica de That 70's Show

O que talvez resolva seu dilema é saber que a mesma empresa que fez That 70’s show, a Carsey-Werner, bancou uma versão inglesa da série, em 1999. Days like these mantinha só dois nomes completos de personagens do original, Eric Forman (Topher Grace no original, Max Wrottesley na versão britânica) e Kitty Forman (Debra Jo Rupp nos EUA, Ann Bryson na Inglaterra). Donna Pinciotti (Laura Prepon) virava Donna Palmer (Rosie Marcel). Michael Kelso (o futuro astro Ashton Kutcher) transformava-se em Michael McGuire (James Carlton). E ia por aí. Foi ao ar no canal britânico ITV. E nela pelo menos a turma tinha ouvido falar de Sex Pistols.

“O inovador é que é a primeira vez que uma empresa dos EUA produz versões americana e britânica do mesmo programa. Em vez de sindicalizar o programa americano no Reino Unido ou vender os direitos de formato a uma produtora britânica, a Carsey-Werner, de Studio City, contratou uma equipe de criação britânica e decidiu lançar novamente a mesma base de história, só que com as gírias de 1976 na Inglaterra”, dizia um texto publicado em 1999 no L.A. Times.

“Naqueles dias, os EUA e o Reino Unido estavam muito mais separados ideologicamente. Simon Bates, um lendário DJ britânico e cronista da cultura pop de ambas as nações, define o cenário: ‘Nós não tínhamos interesse em nada criativo que os americanos fizessem. Pensávamos que seríamos mais inteligentes e melhor lidos, enquanto a América ainda estava no Jurássico. Nós tivemos Bowie e os Stones, e você teve Bachman Turner Overdrive e os Allman Brothers'”.

Outra diferença é que a série escolheu uma local que existia de verdade como base: Luton, cidade operária perto de Londres, contra a fictícia Point Place, no Wisconsin, que aparecia no original. Olha aí um dos episódios: dá pra ver que a turma realmente se esforçou para reproduzir o porão do Eric.

E a cozinha dos Forman não fica atrás.

O tema de abertura do That 70’s show era In the street, música do Big Star lançada em 1972. Já a equipe de Days like these decidiu mandar a cronologia pra ponte que partiu, e escolheu um hit do Asia de 1990 (!) para a abertura, também chamado Days like these.

Outra diferença entre Days like these e seu modelo é que a série britânica foi esquecida. Durou apenas uma temporada e sequer chegou a ter todos os seus episódios exibidos. Na época, o intercâmbio EUA-Inglaterra parecia que ia durar: andavam falando até numa versão britânica do seriado Lei e ordem.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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