Connect with us

Cultura Pop

Ryosuke Kiyasu: “Não estou nem um pouco interessado em rock and roll. Só em fazer o que quero”

Published

on

Ryosuke Kiyasu: "Não estou nem um pouco interessado em rock and roll. Só em fazer o que quero"

Já ouviu falar de Ryosuke Kiyasu? Não? Então, vamos lá.

Há alguns meses, um vídeo se tornou viral em várias comunidades do Facebook. Nele, um cidadão completamente tresloucado batia numa caixa de bateria de forma ensandecida ao redor de uma pequena plateia. Se você não assistiu esse tão sublime momento da música contemporânea, não se desespere. O vídeo encontra-se aqui embaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=QQ2gkF141TE


Tem mais vídeos.

Opa, aqui Ryosuke toca uma bateria de verdade.

Mas quem seria ele? De onde ele vem? Onde vive? O que come? Não, você não descobrirá isso no próximo Globo Repórter. Nós do POP FANTASMA corremos atrás e fomos lá falar com Ryosuke Kiyasu, um japonês que desde 2003 toca bateria em bandas dos mais variados estilos e, nas horas vagas, faz suas apresentações solo acompanhado apenas da caixa de uma bateria.

Advertisement

O resultado foi essa entrevista feita por e-mail e que você confere a seguir. Ryosuke aparentemente não é de falar muito, mas por outro lado foi bastante simpático em suas respostas e ainda nos confidenciou que nesse ano desembarcará aqui no Brasil para fazer uns showzinhos! Preparem-se desde já portanto conferindo o agradável bate-papo que tivemos com Ryosuke.

POP FANTASMA: Antes de mais nada, apresente-se aos brasileiros que ainda não conhecem seu trabalho.
RYOSUKE KIYASU: Oi, eu comecei fazendo shows solos com a caixa de bateria em 2003. Nos meus outros projetos, eu toco bateria de forma convencional.

Quando e por que você resolveu fazer essas performances incomuns tocando só com a caixa? Se não me engano, comecei em 2003 quando morei no Canadá durante um ano. Eu estava testando quão longe eu conseguiria me expressar tocando com apenas uma caixa.

Quais são suas maiores influencias musicais? Ouvindo vários tipos de música, percebi qual era minha favorita. Não há nada que particularmente tenha sido minha maior influência.

Eu sei que você toca bateria em diversas bandas, dos mais variados estilos. Por favor, conte-nos sobre elas e o que elas andam fazendo. Continuo aprendendo várias maneiras de pensar ao tocar com vários e diferentes tipos de bandas. Tem o Sete Star Sept, banda noise-grindcore que eu iniciei em 2004 (é a banda lá de cima, na qual ele toca bateria). A Kiyasu Orchestra, com uma pegada free jazz, que eu comecei também em 2004. O Fushitsusha, banda liderada por Keiji Haino, que fui convidado a ingressar já fazem 8 anos.

Advertisement

Qual a sua opinião sobre a livre troca de arquivos em mp3 na internet? Você acha que pode ser um problema para você e/ou sua gravadora? Ou a internet é uma aliada? A evolução da tecnologia é uma coisa natural, portanto eu acho que as mídias digitais estão se espalhando, é uma coisa boa. Mas de qualquer modo, vou continuar lançando música em formatos físicos.

Você tem outros empregos ou vive exclusivamente de sua música? Não tenho outros empregos, eu vivo exclusivamente da música que faço.

Ryosuke Kiyasu: "Não estou nem um pouco interessado em rock and roll. Só em fazer o que quero"

Recentemente você fez uma turnê pela Europa. O que achou da reação do público?? Tive excelentes respostas das plateias europeias. Foi uma turnê bem legal!

Falando nessa turnê europeia, seu vídeo se apresentando em Berlim tornou-se viral aqui no Brasil. Algumas pessoas acharam selvagem e criativo, mas a grande maioria achou estranho e não curtiu ou não entendeu. Qual a sua opinião sobre isso? Normal, eu sei que a maioria das pessoas não entende o que eu faço. Porém, os poucos que entendem admiram e me apoiam com muita força. Eu acho que a música tem que ser sempre revolucionária

Que conselho você daria a todos que desejam fazer algo tão incomum quanto a sua música? Faça jus a si próprio!

Você acredita que o rock and roll ou a arte em geral têm o poder de salvar sua alma? Não estou nem um pouco interessado em rock and roll ou arte. Só em fazer o que quero.

Advertisement

Essa é uma pergunta de fã: quando você vai fazer uma turnê no Brasil?? Eu planejo ir ao Brasil no próximo verão. Vou tentar fazer uns shows por aí.

Deixe uma mensagem para os fãs brasileiros. Amo muito o Brasil e mal posso esperar para tocar por aí!

Bate-bola jogo rápido com Ryosuke Kiyasu
Nome completo:
Segredo!
Cidade onde nasceu: Ehime, Japão
Idade: Segredo!
Cor favorita: Preto
Comida favorita: Bife
Filmes favoritos: Nenhum em especial
Torce para qual time de futebol: Nenhum
Prefere tocar ao vivo ou estar no estúdio? Tocar ao vivo
Coisas que gosto: Caixas de bateria
Coisas que odeio: Baratas

LUCIANO CIRNE é jornalista, flamenguista, casado, ama cachorros e aceita doações de CDs, DVDs, videogames e carrinhos!

Cultura Pop

Quando o Buzz Bin da MTV decidia o que era legal ver

Published

on

Quando o Buzz Bin da MTV decidia o que era legal ver

A informatização das paradas de sucesso nos anos 1990 inventou outras coisas que serviram como sombras para as novidades tecnológicas: bugs, novos jabás, novas formas de fazer o público engolir a mesma música todos os dias, dia após dia. Essa informatização deu numa maior rapidez para verificar quem eram os primeiros lugares das paradas, em vendagens cada vez mais astronômicas, num rolê maior de artistas iniciantes que de uma hora para outras viravam popstars e, cada vez mais, em novas paradas de sucesso, mostrando a todo mundo o que era cool, bacana e descolado na música. E aí surgiu o Buzz Bin, a parada de vídeos da MTV, que fez todo mundo prestar atenção em novos clipes e novos hits da estação.

O Buzz Bin era mais antigo que os estouros dos anos 1990. Surgiu em 1987 e servia para divulgar todo tipo de artista das paradas pop que tivesse algum destaque e começasse a fazer sucesso.  Só que depois dos anos 1990, quando uma série de artistas “alternativos” começaram a vender muitos discos, ele virou a menina dos olhos da emissora e o sonho de qualquer artista novo. Under the bridge, dos Red Hot Chili Peppers, foi clipe Buzz Bin. Give it away, também. Everything is zen, do Bush, idem. Músicas de Nirvana, Stone Temple Pilots, Green Day, Gin Blossoms (lembra?), Arrested Development (lembra?)  e Cracker, idem. Até mesmo Creep, do Radiohead e (pode acreditar) Mother, do Danzig foram Buzz Bin.

A transformação de um clipe em Buzz Bin podia mudar a carreira de uma banda. O The New York Times jurava que o disco dos Red Hot Chili Peppers BloodSugarSexMagic teve sua trajetória mudada após o clipe de Give it away ganhar a honraria. Andy Schuon, vice-presidente sênior de música e programação do canal, costumava se encontrar semanalmente com um comitê de 20 funcionários da emissora para decidir que clipes entrariam nesse esquema de estrelato instantâneo. Nomes de estilos como pop-punk e nu metal começaram a despontar para o sucesso ali.

As estratégias eram discutidas com as gravadoras, que sempre tiveram relação tensa com a MTV. Aliás, desde o começo, quando a emissora queria obrigar os selos a fazerem lançamentos exclusivos lá (por muito pouco, a estação podia deixar um medalhão como Billy Joel ou os Rolling Stones falando com as paredes) e ganhava nariz torcido por não querer investir dinheiro na produção de clipes. Numa matéria, a Entertainment Weekly chamava o Buzz Bin de “melhor amigo do rock alternativo” e Peter Baron, chefe de promoção de vídeo da Geffen Records, dizia que era mais importante ter um clipe Buzz Bin do que ter muita audiência. Andy Schuon dizia na mesma matéria que a parada da estação era “nossa maneira de dizer: ‘De todas as coisas na MTV, aqui está o que você deve prestar atenção'”.

>>> Ei, falando nisso, nosso podcast POP FANTASMA DOCUMENTO tem um episódio com as histórias do comecinho da MTV

Havia problemas (er) conceituais no Buzz Bin, vale dizer. Brad Osborn, Emily Rossin e Kevin Weingarten, três pesquisadores, publicaram um artigo no jornal Music and Science sobre o que tornava um clipe passível de buzz na emissora. Os três assistiram a todos os 288 clipes da série e foram anotando detalhes numa planilha. Para seu conhecimento, lá vai: a primeira camisa de flanela vista num clipe Buzz Bin surge no vídeo de Man in the box, do Alice In Chains. Mulheres só são mostradas tocando instrumentos em cerca de um em cada nove vídeos. Homens negros são mostrados como vocalistas principais com mais frequência do que mulheres negras – uma amostra pequena, de 88 vídeos, por sinal, já que nos restantes, homens brancos lideram os vocais. Se você quiser ler o artigo todo, tá aí.

O Buzz Bin gerou dois CDs – lançados pelo selo Mammoth, que passaria a fazer parte do conglomerado Disney – e durou até bastante tempo. Foi até 2004 e terminou seus dias dividido entre paradas diferentes da MTV e do VH1 (Discover and download e You oughta know, respectivamente). Ficou como retrato de uma época em que, vá lá, uma pessoa poderia surgir do nada, conseguir um contrato e ainda liderar as paradas, sem largar de vez a aparência de “alternativo”.

>>> Apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma

Continue Reading

Cinema

Um documentário silencioso sobre o Talk Talk (confira dois vídeos)

Published

on

Mark Hollis, líder da banda britânica Talk Talk, detestava dar entrevistas. De modo geral, preferia o silêncio a ficar soltando a primeira coisa que viesse à mente. Quando fez o clipe do hit It’s my life, recusou-se a aparecer dublando a música – mas acabou fazendo outro clipe em que aparecia parodiando a dublagem de canções em clipes (!). Já falamos desses dois vídeos aqui.

O Talk Talk parou de fazer shows em 1986 e em 1992, quando encerrou atividades, o músico passou a levar uma vida reclusa. Mark ficou um bom tempo escrevendo seu primeiro disco solo, que saiu saiu em 1998, Mark Hollis (falamos dele aqui). Quando foi dar suas primeiras entrevistas sobre o álbum, recusou-se a posar para novas fotos e disse que não faria shows.

Bom, esse introito todo é só para avisar que existe um documentário sobre o Talk Talk, só que (como não podia deixar de ser) o filme não é dos mais ortodoxos. Talk Talk: in a silent way foi dirigido por um sujeito que parece ser o maior fã vivo da banda, o cineasta belga Gwenaël Breës. Ele, no começo do filme (diz o site Reprobate Press) afirma que, assim que escutou a música do Talk Talk no rádio, “meus horizontes sônicos mudaram”.

O processo de filmagem não foi dos mais fáceis: os integrantes da banda se recusaram a dar depoimentos e a família de Hollis sequer permitiu que sua música aparecesse no filme. Nem mesmo o produtor Tim Friese-Greene quis falar. É um documentário não-autorizado, pois.

Breës falou com fãs, ex-colegas, engenheiros de gravação, pessoas que de alguma forma gravitavam em torno de Hollis e da banda. E como não podia usar a música do grupo, convocou um grupo de músicos franceses e belgas para tocar. In a silent way está ao seu alcance no torrent mais próximo, já passou por alguns festivais e estará em breve na edição deste ano do Doc’n Roll Film Festival.

Seguem aí dois clipes do filme.

>>> Apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma

Continue Reading

Cultura Pop

Punk, evangelho e política: Johnny Thunders apoiando Jesse Jackson

Published

on

Punk, evangelho e política: Johnny Thunders apoiando Jesse Jackson

Em outubro de 1989, Johnny Thunders, ex-integrante dos New York Dolls, estava querendo mudar. O músico, viciadaço em heroína durante vários anos, dizia estar livre das drogas, e voltando a buscar um lugar ao sol, ao lado da banda Oddballs, que o acompanhava.

“Apagar memórias pode ser ainda mais difícil do que mantê-las. No caso de Thunders, a memória coletiva de seu público está repleta de imagens de um artista errático conhecido quase tanto por seus ataques ao vício em drogas quanto pelas realizações musicais de uma carreira que começou no início dos anos 1970”, escrevia Mike Boehm no dia 14 de outubro de 1989 no Los Angeles Times.

“Eu achava que precisava usar drogas para ser feliz e tocar. Eu estava tão errado. Quero convidar a indústria da música para os shows. Eu realmente gostaria de chamá-los. Venha a um show, e eu mostrarei o que posso fazer”, dizia Thunders na reportagem. O cantor vinha dando uma geral até mesmo nas letras que cantava, já que seu repertório mais recente incluía uma canção sobre abuso infantil (Children are people too) e até louvores ao pastor Jesse Jackson.

O pastor protestante havia sido candidato a candidato à presidência dos Estados Unidos em 1988, pelo Partido Democrata. E tinha uma plataforma bem interessante. Ele iria reverter a política econômica de Ronald Reagan, fazer um redesenho na guerra às drogas (repleta de políticas que ele considerava racistas), dar indenização a descendentes de escravos negros, entre outros itens. Jackson concorria com nomes como Joe Biden (olha!), Al Gore e o governador de Massachusetts, Michael Dukakis.

Com uma campanha bem montada e o trabalho de governador para ajudar, Dukakis ganhou as preliminares (e, enfim, perdeu a guerra presidencial para George W. Bush). Mas até lá muita gente deu apoio a Jackson, inclusive… Johnny Thunders. Olha ele aí dizendo que “a única pessoa que eu acho que é digna de ser um presidente dos EUA é Jesse”, e iniciando uma espécie de punk gospel em homenagem ao candidato.

Johnny gravara um disco em 1988, Copy cats, ao lado de Patti Paladin, repleto de covers de rock dos anos 1950 e 1960. Continuaria se apresentando, com e sem os Oddballs, já que faria até uma turnê acústica. Mas sua história seria interrompida em 23 de abril de 1991: Johnny morreu, aparentemente de overdose de cocaína, embora haja depoimentos conflitantes a respeito disso. Pessoas muito próximas dizem que o punk veterano estava com leucemia e vinha tendo a saúde degradada. Uma perda enorme para a música.

>>> Apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma

Continue Reading
Advertisement

Trending