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Cinema

Jogaram no YouTube o filme de Russ Meyer que inspirou o nome da banda Mudhoney

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Jogaram no YouTube o filme de Russ Meyer que inspirou o nome da banda Mudhoney

Russ Meyer (1922-2004) era um diretor de cinema que tinha lá suas obsessões: sexo não-explícito, mulheres com grandes seios (e grandes decotes), humor meio bizarro e personagens (e situações) fora da casinha. Além de produções de orçamento baixo.

Jogaram no YouTube o filme de Russ Meyer que inspirou o nome da banda Mudhoney

Dentre as atrizes que Meyer ajudou a lançar, estão nomes inesquecíveis como Kitten Natividad, Erica Gavin, Lorna Maitland e Tura Satana. O fato de realizar um cinema, er, bastante sexualizado fazia com que recebesse uma saraivada de críticas (mas há quem enxergue empoderamento feminino naquilo tudo, já que o cineasta sempre retratava mulheres poderosas e impositivas que botavam os homens para correr). De qualquer jeito, Russ virou cult entre cineastas independentes, fãs de cinema bizarro e alguns roqueiros, como a turma dos Cramps – que adorava produções como Faster, pussycat! Kill! Kill!, de 1965.

Jogaram no YouTube o filme de Russ Meyer que inspirou o nome da banda Mudhoney

Com o tempo Meyer foi conseguindo fazer seu nome: assinou com um grande estúdio (a 20th Century Fox) e achou seu lugar na chamada Nova Hollywood, embora sem tanto sucesso. O prestígio no universo do pop-rock continuou, a ponto de 1977 ele ser sondado por Malcolm McLaren, que queria que ele fizesse um filme sobre os Sex Pistols.

McLaren e o fiel escudeiro de Meyer, Roger Ebert, começaram a produzir um roteiro chamado Who killed Bambi, mas tudo naufragou quando, na versão de algumas pessoas, o empresário dos Pistols se viu sem grana para pagar até mesmo os eletricistas do estúdio na hora da filmagem (contam também que a 20th Century Fox, cuja diretrizes haviam mudado muito desde que Russ Meyer saíra de lá, estava financiando a história e vetara o nome de Russ).

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McLaren passou a trabalhar no que seria o filme The great rock’n roll swindle e Meyer estaria afastado do projeto (Ebert, anos depois, colocaria o roteiro de Who killed Bambi no seu blog). O cineasta se envolveria raras vezes com cinema após os anos 1970. Seja como for, Russ Meyer, que sofria de mal de Alzheimer, morreria cheio da grana, já que tinha os direitos sobre seus filmes e os vendia no mercado de DVDs e VHS.

E quem teve a atenção chamada por um certo filme de Meyer foi ninguém menos que Mark Arm, futuro líder do Mudhoney, em 1987. A banda, pilar do grunge, estava em começo de formação e precisava de um nome. Arm foi ao U-District’s Neptune Theatre assistir a uma sessão tripla de filmes de Meyer. Mudhoney, produção de 1965 dirigida por Russ, estava lá ensanduichada entre Up! e Faster pussycat!

Jogaram no YouTube o filme de Russ Meyer que inspirou o nome da banda Mudhoney

Mudhoney (volta e meia grafado como Mud Honey) era um tantinho mais perturbador e crítico que os outros dois filmes, contando uma história de maluquice e moralismo na era da Depressão, que se passava numa Califórnia rural. Um sujeito que acabava de sair da cadeia, Calif McKinney (John Furlong) acaba sendo contratado como auxiliar de serviços gerais de um fazendeiro chamado Lute Wade (Stuart Lancaster). Tem um envolvimento romântico com a sobrinha do patrão, Hannah Brenshaw (Antoinette Christiani), que é casada com um bêbado abusivo que a espanca, Sidney (Hal Hopper). Daí para a frente, a história fica mais bizarra, incluindo a entrada de um pregador tão maluco e picareta quanto Sidney – que se associa a ele.

A novidade é que, pelo menos até o momento, Mudhoney, o filme, está no YouTube. Tem legendas automáticas em inglês.

https://www.youtube.com/watch?v=pEF0NS6GrRI

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Na verdade, o único filme daquela sessão tripla que Arm não assistiu foi justamente Mudhoney, porque ele saiu da sala de exibição para comer. De qualquer jeito, o nome ficou na cabeça dele, e a banda – que naquele momento era um projeto destinado a durar pouco tempo e gravar só um single – acabou sendo batizada assim. O grupo gravou demos com qualidade bem ruim, Bruce Pavitt (do selo SubPop) deu uma grana à banda para que gravassem uma demo melhor com Jack Endino na produção e o resto é história.

Ah sim, Mudhoney, o filme, também inspirou a capa de um disco de Norah Jones, Little broken hearts, de 2012. Confira aqui.

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Cinema

“Meu nome é Bagdá”: skate feminino nos cinemas

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"Meu nome é Bagdá": skate feminino nos cinemas

O skate feminino chega ao cinema – aliás numa produção realizada antes das medalhas na Olimpíada. Meu nome é Bagdá, dirigido por Caru Alves de Souza, já estreou quinta-feira no Rio e em SP, e leva para as telas o dia a dia da adolescente Bagdá (Grace Orsato), uma skatista de 17 anos da Freguesia do Ó. Ela pratica o esporte ao mesmo tempo em que contesta o machismo das pistas, já que seu grupo de amigos tem apenas uma menina além dela. O filme foi lançado mundialmente no Festival de Berlim de 2020, onde conquistou o prêmio de melhor filme da mostra Generation 14plus.

No dia a dia, Bagdá (cujo nome verdadeiro, Tatiana, é revelado ao longo da trama numa situação em que a personagem é desrespeitada e humilhada) convive com uma família formada apenas por mulheres. A cantora Karina Buhr interpreta Micheline, mãe das três irmãs, Bagdá, Joseane (Marie Maymone) e a pequena Bia (Helena Luz). “Absorvemos muito do que os atores trouxeram para os personagens”, conta Caru, explicando que o roteiro foi sofrendo modificações a partir da convivência com atores.

“Eu estava fazendo um filme sobre skate e eu mesma não ando de skate, então me coloquei num papel mais de escutar do que de dizer como tudo deveria ser feito”, conta ela, que fez questão de, no filme, colocar mulheres em papeis que seriam predominantemente masculinos no dia a dia.

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"Meu nome é Bagdá": skate feminino nos cinemas

Paulette Pink (E), Grace Orsato e Karina Buhr

“A Micheline, por exemplo, não está num papel exatamente masculino, mas ela toma conta de uma família, segura o rojão sozinha. É uma mulher muito livre, que não aceita desaforo”, conta Caru, explicando que chegou até Karina quando procurava alguém com o punch da personagem, que cuida sozinha de três meninas e trabalha num salão de beleza, comandado por Gilda (Paulette Pink). “E ela trouxe muita dignidade para a personagem, questionava algumas coisas. No roteiro original, a Micheline era mais down”.

O SKATISTA

O filme foi inspirado num livro de Tony Brandão, mas algumas coisas eram bem diferentes na história original – tanto que o livro se chama Badgá, o skatista. Ainda nos primeiros argumentos, a ideia era que o personagem fosse um menino. Caru participou de um laboratório de roteiro e se deu conta de que queria escrever o roteiro a partir do ponto de vista da prima da Bagdá, Tati.

“Foi um longo processo onde eu me dei conta da história que eu queria contar. Inevitavelmente fui contaminada por toda a discussão da representatividade das mulheres no cinema, mas acho que isso também foi orgânico, de me perguntar porque é que a skatista não poderia ser uma mulher”, conta ela, que ao lado da produtora Rafaella Costa, foi testemunhando o crescimento do skate feminino no Brasil, e incluiu tudo isso no filme.

“Logo que a Bagdá virou uma skatista, o filme ficou muito centrado no embate dela com os meninos, de como era difícil ocupar este lugar de uma menina skatista num ambiente muito masculino. Mudamos o filme, começamos a buscar quem faria a Bagdá, conhecemos todas as meninas que estão no filme e muitas delas estão num coletivo de skate feminino”, diz ela.

Na pesquisa, Caru e Rafaella chegaram ao coletivo Britney’s Crew, do Rio, e a Grace Orsato, que andava de skate há dois anos quando o filme começou a ser rodado. “Tenho uma história similar à da Bagdá porque quando comecei a andar, fui para a pista e só conheci meninos. Depois comecei a me familiarizar com a problemática do skate feminino, o que as meninas passavam”, conta a atriz de 23 anos, que ajudou na construção do roteiro apontando questões importantes para a comunidade.

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Ela vê a Bagdá como “uma menina forte, que não tem medo de sofrer na rua, porque independentemente do que aconteça, vão ouvir a versão dela em casa”, conta, dizendo que teve aprender a ser um pouco mais igual a ela. “Ela tem 16 anos, eu tenho 23. Ela falava o que queria, gritava aos quatro cantos na rua. Ela tem essa energia para gastar, eu sou mais quieta. Mas ela é forte por causa desse apoio familiar. Ela tem uma família de mulheres, com várias representações de feminilidade, não é uma família padrão”.

Grace diz que, após o skate feminino na Olimpíada, o cenário mudou. “Vejo muita menina andando de skate. E as mulheres não se intimidam mais. Antes um cara chegava e falava: ‘Você é poser’ e elas falavam: ‘Eu nunca mais vou andar de skate na vida’. Hoje elas já respondem: ‘Ah, sai daqui, cara!’”, diz. “Como skatista, eu sempre falo que skate não é só Olimpíada, é um estilo de vida que muda a pessoa em vários níveis”.

TEATRO E FAMÍLIA

O filme tem momentos de pura espontaneidade no relacionamento familiar de Bagdá com a mãe e as irmãs, e com a turma do skate. Há cenas mais teatralizadas e coreografadas que, aponta Caru, servem como um respiro. “Quando a Bagdá não consegue responder à altura, ela transbora na coreografia”, diz a cineasta.

No caso das cenas com amigos, irmãs, mãe, tudo surgiu de muita preparação e de trabalho em cima do roteiro, até para que o improviso ficasse bem feito. “Discutimos cena a cena, para tentar entender o que fazia sentido, o que não fazia”, diz Caru. “A Caru foi muito sensível. A gente às vezes improvisava e se o improvisado ficasse melhor, ela selecionava”, diz Grace.

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Cinema

Sweatbox: o documentário que a Disney proibiu está no YouTube de novo

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A história do desenho animado da Disney A nova onda do Imperador (2000) é mais enrolada que fio de carretel e já rendeu uma história oral enorme publicada pela Vulture. Primeiro que o filme, originalmente, seria The kingdom of the sun, com direção de Roger Allers (O rei leão), trilha sonora de Sting e vozes de (entre outros nomes) Eartha Kitt e David Spade.

O filme, cuja história seria inspirada em mitos incas, passou por mudanças, brigas, discussões, arquivamento, e foi transformado em A nova onda. Os nomes de Eartha Kitt e Sting, vale lembrar, foram mantidos na trama, mas o espaço da trilha feita pelo ex-Police foi sensivelmente diminuído.

Só que aí houve um outro filme, que deveria ser um making of da produção, dirigido por Trudie Styler, mulher de Sting. O filme de Trudie acabou se chamando The sweatbox e ficou tão realista no que dizia respeito aos problemas do filme, que a Disney acabou descartando seu lançamento. Volta e meia ele aparecia no YouTube (em 2012, vazou por lá, por exemplo) e sempre caía.

Dessa vez colocaram o filme em várias partes, com uma telinha mínima para ninguém perceber que ele está por lá. Veja logo antes que tirem.

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O realismo do making of já começava em seu nome. O título Sweatbox tem origem numa história ligada ao começo da Disney – a de que a sala de exibição da empresa em Burbank, Califórnia, originalmente, não tinha nem ar condicionado, e os animadores eram obrigados a ver o resultado do seu trabalho no calor, levando uns esbregues do próprio Walt Disney quando o chefe via que tinha algo errado. A princípio, nada muito diferente de como o processo do filme foi se desenrolando, com telefonemas bizarros, broncas desclassificantes e um monte de divergências entre chefes e comandados.

No filme, há momentos bastante constrangedores para todo mundo, como a hora em que Sting descobre por telefone que sua participação na trilha será bastante reduzida, ou quando notáveis da Disney Feature Animation declaram ter odiado o filme original e decretam que tudo vai ter que passar por mudanças. Pessoas que estavam no projeto desde o começo reclamam que o aspecto “cultural” do filme (de explorar os elementos incas) foi sendo deixado de lado, e que o todo do projeto foi virando apenas mais um filme da Disney, com um herói, um vilão e uma historinha para entreter as crianças. Os dubladores então, demonstram muito desânimo.

Sting, que detestou as mudanças no filme, mandou uma carta pedindo para sair. Foi convencido a ficar no projeto e ainda colaborou um pouco, mas várias de suas músicas foram descartadas. Os roteiristas tiveram pouco tempo para trabalhar e partiram para um estranho esquema de improviso, em que qualquer gag, por mais louca e despropositada que parecesse, poderia ser aproveitada. No fim das contas, A nova onda do imperador rendeu críticas meio ácidas e certa decepção na bilheteria, se comparado com os filmes da Disney dos anos 1990. Quem detestou as mudanças riu por último.

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Na tal matéria da Vulture, mesmo pessoas bastante responsáveis pela mudança em A nova onda reclamam do fato da Disney ter escondido The sweatbox. De qualquer jeito, o filme chegou a passar no Festival de Cinema de Toronto de 2002 e quem viu, viu. Hoje, pode ser visto no YouTube ainda que numa tela mínima, espelhada e com legendas cagadas em inglês. Tenta lá (e aproveite, pode cair).

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Cinema

Psicodelia e relojoaria (!) num filme

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Uma empresa antiquíssima chamada Hamilton Watches, daquelas que fazem relógios que muitas vezes custam um carro usado ou um apartamento, resolveu fazer em 1949 um filme mostrando como se faz um relógio.

Não apenas isso: a ideia do curta era mostrar como funciona um relógio por dentro – daí rola até um pequeno momento stop motion mostrando um relógio sendo montado a partir de várias partes.

Para quem ama história do cinema, vale citar que o filminho é uma produção original da Jam Handy Organisation, responsável por virar de cabeça para baixo o mercado de filmes industriais e de treinamento nos EUA entre os anos 1930 e 1960. Esse texto explica um pouco da história da empresa, mostrando o quanto eles não economizavam grana e usavam o que havia de mais moderno na época em efeitos especiais.

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