O texto abaixo é do jornalista e radialista Rodney Brocanelli e saiu no blog Radioamantes. Há 21 anos, Rodney era o personagem de uma matéria do programa Vitrine, da TV Cultura, sobre a explosão das rádios piratas nos anos 1990. Isso rolou pouco antes de surgir a Lei das Rádios Comunitárias e bem antes de existirem podcasts (como o INVISÍVEL, nosso podcast) e web radios.

“Em 1995 o programa Vitrine, da TV Cultura (SP), então apresentado por Maria Cristina Poli, veiculou uma reportagem sobre o movimentos de rádios piratas que teve uma grande explosão na metade da década de 1990.

O repórter James Capelli (hoje sumido) visitou três emissoras que operavam em São Paulo, em diferentes pontos da cidade: Conexão, a Free e a Onze. A primeira procurava dar espaço os problemas do bairro, além de dar vez a pessoas que nunca tiveram experiência em rádio. A segunda era uma emissora ligada a igrejas. Já a terceira, era uma experiência que misturava pessoas ligadas ao Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP e moradores do centro de São Paulo.

Na ocasião a reportagem divulgou que o governo da época (FHC) iria enviar ao Congresso uma lei para regulamentar essas rádios sem concessão. Depois de muito tempo e muita discussão, saiu a lei das rádios comunitárias. Eu sou um dos personagens desta reportagem. Apareço da metade para o final, no espaço dedicado à Rádio Onze, operando pick up e até dando um depoimento pessoal. Tirando esse lado pessoal, vale como um registro de um momento em que para cada espaço vazio no dial, existiam até três emissoras clandestinas operando”.