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Quando Neil Young dirigiu um filme e convidou o Devo para atuar

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Quando Neil Young dirigiu um filme e convidou o Devo para atuar

Se bobear só os grandes fãs se recordam que Neil Young certa vez dirigiu um filme chamado Human highway. Era uma comédia bizarra lançada em 1982, mesmo ano em que Young fazia uma das incursões musicais mais malucas da sua vida – o LP Trans, dedicado ao synthpop e ao pós-punk. E o filme ainda trazia a participação do Devo, banda na qual Neil Young andava interessadíssimo.

Human highway, que foi lançado por Neil Young com pseudônimo (Bernard Shakey), começou a ser rodado em 1978 e custou três milhões de dólares do próprio bolso do cantor e cineasta. É a história dos funcionários e dos clientes de um restaurante de posto de gasolina, localizado ao lado de uma usina nuclear. Nenhum deles sabe, mas vai rolar uma guerra nuclear e vai morrer quase todo mundo. Neil Young interpreta um mecânico atrapalhado e reclamão, Lionel Switch.

O Devo faz uma trupe de lixeiros que trabalham com lixo radioativo. Dennis Hopper interpreta o cozinheiro do restaurante, e deixou sua marca não apenas na telona como por trás das câmeras: doidão, resolveu brincar com uma das facas do cenário durante as filmagens e acabou ferindo a atriz Sally Kirkland, que tentara tirar o objeto dele. A atriz foi parar no hospital e processou Neil Young.

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Para quem é fã tanto de Devo quanto de Neil Young, vale informar que o cantor e a banda aparecem no filme interpretando uma releitura de dez minutos do hit Hey hey, my my. O tecladista e cantor Mark Mothersbaugh usa sua máscara de Booji Boy, personagem infantil criado pela banda – e que havia sido o único sobrevivente do ataque nuclear. A ideia era que o Devo aparecesse apenas como garis nucleares reclamando de seus empregos, mas como Neil era fã do grupo, acabou solicitando mais de seus serviços.

HEY HEY, MY MY

E um detalhe curioso sobre a participação do Devo é que a banda não gostou muito de fazer o filme. “Sentimos uma espécie de repulsa por toda a experiência”, lembrou Mothersbaugh aqui. O músico ficou com uma péssima impressão de Dennis Hopper.

“Achamos que fosse retardado quando nos conhecemos. Ele não conseguia dizer suas falas. Ele não conseguia falar uma frase. Ele simplesmente ignorou todas as direções que recebeu”, contou. A banda também achou um pé no saco lidar com Neil Young sentado na cadeira de diretor, dando ordens e sendo adulado pela equipe.

Ficou uma herança do Devo na carreira de Young: a banda havia criado a frase “rust never sleeps”, que daria nome a um disco do cantor lançado em 1979, e no qual ele estava começando a trabalhar quando iniciou a filmagem. Mark e Jerry Casale, também do Devo, tinham criado uma empresa de design, e haviam feito a frase para propagandas de um cliente. Neil viu o boneco Booji Boy com uma roupa de baixo em que aparecia escrito “a ferrugem nunca dorme” e pediu para usar a frase em alguma coisa. Usou tão bem que pouca gente associa a frase ao Devo.

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O filme inteiro vai e volta do YouTube (sempre sobem e sempre derrubam). Mas o trailer tá aí. Vale dizer que Human highway ficou “secreto” por vários anos após sua exibição, em poucas salas. Saiu em VHS apenas em 1995 e depois ganhou uma “versão do diretor” em DVD e Blu-Ray.

Via Far Out

Veja também no POP FANTASMA:
– Sabe That’s good, do Devo, que tá sendo usada num comercial de banco? O clipe dela foi censurado em 1982
– Pera, o cara da capa do primeiro disco do Devo é David Bowie?
– Dev2.0: o Devo invade a Disney (e vice-versa)
– Neil Young ensinando seus fãs a fazer comida usando maconha
– Quando Neil Young fez um som com Charles Manson e disse que ele parecia com Bob Dylan (!)

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Urban struggle: tem documentário raro sobre punk californiano na web

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Sabe aquele vizinho fascista que você detesta, e que também tem uma relação péssima com você? Pois bem, o conto dos vizinhos que se odeiam mutuamente ganhou proporções astronômicas e perigosas com o relacionamento bizarro entre dois bares californianos: o boteco punk Cuckoo’s Nest e o bar de cowboys urbanos Zubie’s. Os dois ficavam um ao lado do outro na cidade de Costa Mesa, localizada em Orange County, região com cena punk fortíssima.

O Cuckoo’s Nest era um local importante para o punk da Califórnia, a ponto de bandas como Black Flag, Circle Jerks, Fear e TSOL teram tocado lá. E do primeiro show do Black Flag com Henry Rollins no vocal ter acontecido na casa, no dia 21 de agosto de 1981. Bandas como Ramones e Bad Brains, ao passarem pela cidade, sempre tocavam lá. Já o Zubie’s, lotado de playboys no estilo country, costumava ser um problema para os punks: os cowboys invadiam o local, arrumavam brigas com os punks e os insultavam usando termos homofóbicos.

Vale citar que mesmo dentro do Cuckoo’s Nest as coisas não eram fáceis, até porque “movimento punk” significava uma porrada de gente reunida, com motivações diferentes e estilos de vida conflitantes. Tipos violentos e machistas começaram a frequentar o local e a arrumar briga com os frequentadores. E quem viu o documentário The other f… word, da cineasta e roteirista Andrea Blaugrund Nevins, recorda que o rolê punk na Califórnia era muito violento.

Flea, baixista dos Red Hot Chili Peppers – e que tocou no Fear por alguns tempos nos anos 1980 – lembra em The other f… word que, no começo dos anos 1980, uma cena comum nos shows do Black Flag eram as inúmeras brigas nas quais os fãs eram esmurrados e nocauteados, apenas por terem o cabelo ou a roupa assim ou assado. “As pessoas não somente tomavam porrada, elas acabavam no hospital. Havia ambulâncias transportando os fãs após os shows a todo momento!”.

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O Cuckoo’s Nest ficou aberto de 1976 até 1981 e nunca deixou de ter problemas. O proprietário Jerry Roach lutava para manter a casa aberta, dialogava da maneira que dava com policiais, com clientes e até com a turma enorme de hippies, cabeludos e malucos que pulava de galho em galho na Califórnia.

E essa longa introdução é só pra avisar que jogaram no YouTube o documentário  Urban struggle: The battle of the Cuckoo’s Nest, dirigido em 1981 por Paul Young.  Infelizmente sem legendas.

Tem uma edição melhor no Vimeo. Sem legendas também.

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Num dos depoimentos do documentário, Jerry define a atitude dos punks como “foda-se, vivo de acordo com minhas regras”. Mas diz que não vê hippies como sendo pessoas da paz e do amor o tempo todo, e muito menos enxerga punks como odiadores contumazes. “É só um conflito de gerações”, disse Jerry, que – você talvez já tenha imaginado – batizou o local em homenagem ao filme Um estranho no ninho, de Milos Forman (o nome no original era One flew over the cuckoo’s nest).

Tanto os músicos quanto Jerry falam bastante a respeito de brigas com a polícia – o dono do local relata as vezes em que conversou com os agentes – e reclamam da violência policial. Por acaso, um dos agentes é entrevistado, e os meganhas locais, seguindo o exemplo dos cowboys, não tinham o menor apreço pelos punks. A luta de Jerry para manter o local aberto também está no doc. Mas se você quer sair fora das discussões, o documentário ainda tem apresentações bem legais do Black Flag, Circle Jerks e TSOL.

Paul Young, o autor do filme, era um estudante de cinema que tinha sido contratado por Jerry para filmar as invasões da polícia ao local. Acabou sendo responsável pelo documentário, e anos depois acabou ficando bastante indignado quando viu o filme We were feared – The story of The Cuckoo’s Nest, de Jonathan WC Mills, e reconheceu várias de suas imagens lá.

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Cinema

Mostra de cinema e música Curta Circuito vem aí e estamos nela!

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Tem um festival unindo música e cinema, cuja 21ª edição começa hoje, e nós estamos nele. O festival Curta Circuito começa nesta segunda (11), online e que e traz sete filmes brasileiros que contam a história da música e de músicos. Com direção de Daniela Fernandes e curadoria de Andrea e Carlos Ormond, o evento acontece online pelo site da mostra, entre 11 e 17 de outubro, com filmes disponíveis a partir das 20h em cada dia e participação gratuita. Nós (enfim, eu, Ricardo Schott, editor deste site) estamos lá participando de um debate sobre o filme Ritmo alucinante, de Marcelo França (na quarta, dia 13, ao lado do diretor de fotografia Jom Tob Azulay)

“Em anos anteriores debatemos filmes populares (2017), violência (2018), fé, magia e mistério (2020). Nosso recorte da curadoria conta não especificamente a história da música, mas histórias de música – e de músicos. Em todos os filmes, existe um ponto convergente: os músicos são protagonistas de experiências e emoções, levando de carona o espectador”, explica a curadora Andrea Ormond. “Esta edição do Curta Circuito vem como mais um alento a todos aqueles que resistem. A programação está recheada de histórias e da presença de personagens femininos marcantes da filmografia brasileira, dos anos que trazem som, cor, vivacidade, liberdade e postura”, completa a diretora Daniela Fernandes.

O filme Ritmo alucinante mostra trechos do festival Hollywood Rock de 1975, realizado no antigo Estádio de General Severiano, em Botafogo, com participações de Rita Lee, Vímana, O Peso, Erasmo Carlos, Raul Seixas e Celly Campello.

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Entre os outros filmes da mostra estão Bete Balanço (1984, dir. Lael Rodrigues), Um trem para as estrelas (1987, dir. Cacá Diegues), Corações a mil (1983, dir. Jom Tob Azulay, com Gilberto Gil e Regina Casé) e Roberto Carlos e o diamante cor de rosa (1970, dir. Roberto Farias).

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Cinema

Um canal de vídeos mostra como foi que Roger Rabbit uniu desenho e vida real

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Um canal de vídeos mostra como foi que Roger Rabbit uniu desenho e vida real

Daqui a bem pouco tempo, Uma cilada para Roger Rabbit (1988) vai fazer 35 anos – e como o tempo voa, logo logo faz 40. O filme de Robert Zemeckis inovou por misturar desenho animado e realidade, e deixou todo mundo intrigado não apenas pelo filme, mas também pelas suas imagens de making of, já que não havia quem não quisesse saber como aquilo foi feito.

Quem ficou de olho nas imagens de bastidores (o Cinemania, da Manchete, e o Fantástico exibiram muita coisa) viu que a produção usou máquinas para mexer os objetos “movidos” pelos desenhos animados (sim, porque ninguém abriu mão de usar objetos de verdade). E que os personagens humanos de Roger Rabbit precisavam fazer força para fingir que “contracenavam” com os desenhos animados, principalmente nas cenas de ação – que eram inúmeras.

O canal kaptainkristian localizou três regras importantes na animação de Uma cilada para Roger Rabbit, e que tornaram o filme um prodígio, feito numa época em que nem havia tecnologia suficiente para unir tão bem assim desenho e realidade. Dica: o uso de luzes e sombras contou bastante para ajudar o filme a se tornar o que é.

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