Os Rolling Stones jamais conseguiram se livrar de (I can’t get no) Satisfaction – canção que o vocalista Mick Jagger disse, tempos atrás, não querer cantar aos 40 anos, mas tem que apresentar nos shows até hoje. A cineasta e fotógrafa Leni Riefenstahl (1902-2003) tem uma Satisfaction bem mais insatisfatória (ai) em seu currículo. Ainda que ela tenha feito milhares de outras coisas na vida, e tenha tido sua produção reavaliada positivamente na década passada, sua associação com o nazismo jamais será esquecida.

Adolf Hitler, que acabou se tornando seu amigo (bem) próximo, passou a gostar do trabalho dela quando assistiu a seu primeiro filme, Das blaue licht, uma produção de 1932 na qual só faltou Leni ir ao cinema vender ingressos, fazer pipoca e trabalhar de lanterninha: a cineasta dirigiu, editou, meteu a mão no roteiro e fez até o papel principal. A produção recebeu o Leão de Prata no Festival de Veneza. Foi o que abriu portas para ela dirigir obras como Dia da liberdade: Nossas forças armadas (1935), sobre um superencontro do Partido Nazista, e o conhecidíssimo O triunfo da vontade, do mesmo ano, sobre um comício monstro da turma de Hitler.

O triunfo da vontade ganhou prêmios importantes e – ainda que seja um filme associado a uma época triste – está longe de ser considerado uma produção ruim. A experiência de Leni como esportista (ela foi esquiadora, montanhista e nadadora) a ajudou a dirigir também as duas partes de Olympia, documentário sobre as Olimpíadas de Verão de 1936, realizadas em Berlim.

Compreensivelmente, a coisa fedeu para Leni depois da Segunda Guerra. A associação com Hitler (que financiou trabalhos pessoais seus) não apenas queimou seu filme: ela foi presa pelas tropas americanas por associação ao nazismo, entrou para a lista negra de Hollywoode só conseguiu fazer filmes bancados à própria custa. Chegou a dizer que se arrependia profundamente de ter iniciado qualquer tipo de relacionamento com Hitler e que sabia que até o fim da vida, iria encontrar gente dizendo que ela era nazista e sabia de segredos do partido. Também alegou que não sabia de crimes de guerra.

Leni, bem depois disso, continuou fotografando e até se arriscando em esportes radicais. Virou mergulhadora com 72 anos (teve que mentir a idade e falar que tinha 52, mas conseguiu). Mas bem antes disso, nos anos 1970, mesmo com o filme queimado (mas que trocadilho…) Leni Riefenstahl teve uma espécie de segundo ato, quando foi convidada a cobrir os Jogos Olímpicos de Verão de 1972 para o jornal britânico Sunday Times.

Quando Leni Riefenstahl fotografou Mick Jagger e Bianca Jagger

A cineasta ficou de freela na publicação por uns tempos, e em 1974, recebeu a missão de clicar ninguém menos que Mick Jagger e sua mulher Bianca Jagger. O roqueiro e a atriz e ativista estavam casados desde 1971. Olha as fotos aí.

Quando Leni Riefenstahl fotografou Mick Jagger e Bianca Jagger Quando Leni Riefenstahl fotografou Mick Jagger e Bianca Jagger Quando Leni Riefenstahl fotografou Mick Jagger e Bianca Jagger Quando Leni Riefenstahl fotografou Mick Jagger e Bianca Jagger Quando Leni Riefenstahl fotografou Mick Jagger e Bianca Jagger

Tem mais fotos aqui. Mick também posou com Leni.

Quando Leni Riefenstahl fotografou Mick Jagger e Bianca Jagger