A pandemia inspirou o novo single da banda Stolen Byrds, de Maringá (PR). O grupo lança a música O estranho buraco de minhoca refletindo sobre o que ficou de 2020 e sobre todos os aprendizados que o isolamento e os dias iguais trouxeram para os integrantes. Para enfatizar o tema da letra, mergulharam numa psicodelia repleta de efeitos e loops. E ainda gravaram todos os instrumentos da canção num iPhone.

“Estamos morando juntos e temos nosso homestudio. Quando a pandemia chegou nossas vidas se voltaram inteiramente para a produção. O estranho buraco de minhoca é um single que resultou de uma dessas imersões”, conta o vocalista Edwardes J V Neto, que divide a banda com Anderson Dutra (bateria), Joho Olivieri (guitarra), Adilson Filho “AJ” (baixo) e Fernando Vallim (guitarra).

Até o momento, o grupo não pensa num quinto disco, nem em usar a canção num próximo lançamento, o que pode tornar O estranho buraco de minhoca uma música especial para lembrar do período de isolamento. “O que temos em mente neste momento é o lançamento de vários singles ao longo de 2021, que eventualmente podem vir a ser um álbum, mas não temos certeza quanto a isso”, conta o vocalista.

PELO TELEFONE

A banda decidiu gravar o novo single pelo iPhone por uma razão bem simples: era o aparelho que tinham disponível para gravar. Animados com os exemplos de amigos como os Boogarins, foram em frente. De cara, surpreenderam-se com a ambiência do som, definido por eles como meio intimista e um pouco lo-fi.

“Mas o som tem um requinte que não esperávamos. É interessante ver como cada pessoa sente o som, para nós ainda tem gerado muitos feedbacks diferentes sobre isso”, conta. Para gravar, registraram todos os instrumentos em separado. A bateria foi gravada peça por peça.

“Todos os takes foram tirados com o meu irmão (Joho Olivieri) tocando a música inteiramente ocultando algum dos elementos, simplesmente deixando de tocá-los. Foi um pouco engraçado isso. Gravamos apenas um elemento da bateria para que não tivéssemos vazamento em cada take. Vimos que temos muitas possibilidades nas nossas mãos. E experimentar isso, pela primeira vez, abriu muitos caminhos para nós daqui pra frente”, completa.

NA MULTI

O Stolen Byrds conseguiu em 2019 alcançar um status que tem sido bem difícil para as bandas de rock nacional. Lançou o quarto disco, Wanderlust, pela grandalhona Sony Music. Foi um enorme aprendizado, mas o grupo precisou usar muito de seu trabalho pregresso como banda independente para fazer a coisa andar. Fizeram uma turnê pelo Brasil dividindo o palco com Boogarins e Fusage.

“A Sony, pelo seu enorme tamanho, não dá tanta atenção aos artistas, que ficam na mão das agências deles. No nosso caso a relação não foi das melhores. Tivemos de nos esforçar mais para fazer valer a pena”, conta. “Eles nos pagaram um disco, gravamos em Copacabana no Rio de Janeiro em um de seus estúdios, mas toda a parte de turnês fizemos por conta. Os estudos da cena artística brasileira nos fizeram chegar aos contatos necessários para realizarmos as turnês”.

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