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Cultura Pop

Pegando uma onda maneira com Bo Diddley

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Pegando uma onda maneira com Bo Diddley

O livro New book of rock lists, escrito por Dave Marsh e James Bernard, classifica o roqueiro afro-americano Bo Diddley (1928-2008) como o “surfista mais improvável”. Isso graças a um dos álbuns menos conhecidos do cantor e guitarrista, Surfin’ with Bo Diddley, lançado em 1963 pelo selo Checker, uma subsidiária da Chess Records.

Pegando uma onda maneira com Bo Diddley

Surfin‘ foi um disco surgido numa época em que não apenas artistas como Little Richard e Chuck Berry estavam sumidos das paradas, como também o próprio Bo se reinventava fazendo de vez o crossover entre o blues e o rock – ou seja, entre o ritmo original negro e as plateias brancas, numa América bastante segregada.

SURF DE VERDADE

Apresentar Bo Diddley como guitarrista de surf music era tudo, menos uma ideia tola. Isso apesar do próprio livro de Marsh e Bernard fazer piada da situação, e do site da Universal Music apresentar o disco, que faz parte hoje do seu acervo, como um “álbum de conceito bizarro”. Os toques de Elias McDaniel (nome verdadeiro do músico) em sua guitarra de formato retangular tinham tudo a ver com a economia de acordes e os staccatos guitarrísticos da surf music.

Bo vinha de um grande sucesso com o disco Bo Diddley is a gunslinger (1961), seu quinto álbum, lançado também pela Checker. O disco tinha músicas como Ride on Josephine, Gunslinger e Sixteen tons (aquela mesma que no Brasil, na voz de Noriel Vilela, ficou conhecida como Dezesseis toneladas).

Na mesma época, Bo Diddley passou por um incidente até hoje mal explicado no programa de Ed Sullivan. O apresentou ouviu Bo tocando Sixteen tons, encasquetou que ele deveria cantar a música, e o artista, ao ler no cartão do programa “Bo Diddley – Sixteen tons”, achou que deveria tocar a música que levava seu nome, Bo Diddley, seguida da nova canção. Ed cortou Bo assim que acabou a primeira música e, contam testemunhas, teria banido o cantor do programa.

MEGATONS

Apesar de ser creditado a Bo Diddley, Surfin’ with Bo Diddley não era um disco só do guitarrista. A guitarrista americana Norma Jean Wofford, que já tocava com Bo desde 1962 (e era referida a ele como “A Duquesa”), possivelmente estava no álbum – que não tem créditos.

Mas em boa parte do repertório, como nas versões de What I’d say (Ray Charles), o instrumental era providenciado por uma banda de surf music chamada The Megatons, comandada pelo guitarrista Billy Lee Riley, grande ídolo da onda (ai) da surf music. De acordo com muita gente séria, Bo toca apenas nas faixas Surf, sink or swim, Surfer’s love call, Old man river e Low tide.

A onda surf (ai) de Bo Diddley ainda duraria mais um disco histórico: Bo Diddley’s beach party sairia em 1964 também pela Chester. Foi gravado no Beach Club na Carolina do Sul e foi um dos primeiros álbuns ao vivo feitos pelo sistema de gravação remota, com aqueles caminhões repletos de equipamentos. Curiosamente, Bo conseguiu chegar em excelentes lugares nas paradas britânicas com esse disco. Ao contrário de Surfin‘, esse disco está nas plataformas digitais.

O músico continuou ligado à Chess até 1974, ano em que lançou o excelente Big bad Bo, LP de sete curtas faixas em que ele surge como motociclista malvadão na capa. A partir daí, parou de gravar um álbum por ano e passou a se dedicar mais a shows. Virou lenda a ponto de abrir para o Clash na turnê americana de 1979 do grupo punk.

Tem conteúdo extra desta e de outras matérias do POP FANTASMA em nosso Instagram.

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

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Um post compartilhado por R.E.M. (@rem)

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George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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