Existiam mais relações entre Garganta profunda, o pornô-chique estrelado por Linda Lovelace em 1972, e as eleições presidenciais, do que se imaginaria de fato. Bom, o informante do Washington Post no caso Watergate acabou ganhando a alcunha de “deep throat”, ou “garganta profunda”. Uma história que geraria o livro-filme Todos os homens do presidente, aliás. O que ninguém imaginaria é que em 1975 alguém resolveria propor que a própria Linda Lovelace se candidatasse ao cargo de presidente dos Estados Unidos. Nem que fosse de brincadeira, para um filme.
Para Presidente, Linda Lovelace

O resultado foi que caiu nas mãos de um sujeito chamado Claudio Guzman a responsabilidade de dirigir Linda Lovelace for President. Guzman tinha experiência em programas como The Lucy Show e The Dick Van Dyke Show. No filme, Linda era a candidata escolhida por um comitê de partidos independentes, que gerava outro partido, o Upright Party. E ela viajava por todo o país para divulgar sua campanha.

A campanha era fake, mas o filme era bem real. Linda foi das grandes cidades aos cafundós do país, passando pelos habituais encontros com estudantes universitários. A produção abusava de zoações com Garganta profunda. No filme, rolavam slogans como “vote em Linda e engula o seu orgulho!”. Ou: “O voto em Linda é um sopro de democracia”. Sopro em inglês é blow, remetendo a blowjob – enfim, procure no Google.

Para Presidente, Linda Lovelace

Para Presidente, Linda Lovelace

Para Presidente, Linda Lovelace

Para Presidente, Linda Lovelace

Para Presidente, Linda Lovelace

Para Presidente, Linda Lovelace

A carreira de Linda não ia muito bem na época de Linda Lovelace for president, por sinal. Ela chegou a filmar um Garganta profunda parte 2 que não fez sucesso. O produtor David Winters observara que Linda ia bem concedendo palestras em universidades e quis mostrar a atriz numa campanha presidencial fake. Era uma ideia que já tinha causado uma puta controvérsia na época do sucesso-clipe Elected, de Alice Cooper (1972). Winters pensou no filme como algo que levaria Linda a ser assistida por um público mais mainstream. A tentativa não colou, já que o filme não foi um grande sucesso. E acabou sendo a última aparição de Linda na tela.

Linda Lovelace passou um bom tempo envolvida com drogas e acusou a indústria pornográfica de se aproveitar dela. Revelou ter sido estuprada enquanto fazia filmes. E disse que seu ex-marido, Chuck Traynor, produtor ligado à indústria do erotismo, queria obrigá-la a se prostituir. Essa situação mostrada em 2013 na biopic Lovelace, com Amanda Seyfried no papel-título.

Nos anos 1980, Linda converteu-se à Igreja Pentecostal. Aproximou-se de militantes feministas e ingressou numa cruzada contra a pornografia. Só que anos depois, Linda Lovelace afirmou que sofreu abusos e apropriações dos próprios militantes anti-pornografia. No YouTube tem um documentário bastante visto sobre ela,que detalha seu sucesso e seus fracassos.

Linda Lovelace for President saiu em DVD (em VHS, só em cópias piratas). No YouTube tem DEZ segundos de uma das cenas mais bizarras do filme: um grupo de Hare Krishnas fazendo campanha para ela. Só que a turma troca o “hare krishna/hare krishna” do canto tradicional da religião por “Linda Lovelace/Linda, Linda”.