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Crítica

Ouvimos: Falcão – “Sério”

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Resenha: Falcão – “Sério”

RESENHA: Sério, disco novo de Falcão, não é tão sério assim – mas é um disco bem humorado de MPB, e não um disco de humor.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Midas Music
Lançamento: 7 de maio de 2026

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Sem lançar um disco novo desde 2014, Falcão (o humorista cearense, não ex-cantor do Rappa – precisava explicar?) retorna com um disco, digamos, bem diferente de todos os anteriores. Na capa de Sério, ele abandona as roupas chamativas, o girassol na lapela e a pose de “rei da breguice intelectualizada” e se veste como se fosse ao shopping fazer compras.

Não é tão sério assim, já que ele aparece sorrindo, e a segunda faixa é uma versão mais pesada de (pode acreditar) Jumento Celestino, o clássico dos Mamonas Assassinas – a primeira é Alecsander, justamente uma homenagem ao vocalista dos Mamonas, Dinho. Mas ao longo do disco dá pra ver que tudo é mais uma curtição do próprio Falcão (enfim, um “projeto especial” com Rick Bonadio e Fagner no comando). Falcão divide o baião Só tenho um (Alexandre Leão e Capinan) com Elba Ramalho e solta a voz direitinho na versão de Beleza, de Fagner, com o próprio autor fazendo participação. Se vai conquistar um público diferente para ele, só vendo, mas essa música pode tocar até em rádios adultas.

Sério, pela primeira vez na história de Falcão, é um disco bem humorado de MPB, e não um disco de humor: Falcão e Zeca Baleiro dividem o forró de duplo sentido A desculpa, o cearense faz reggaeton (!) ao lado do DJ Ari SL em Bololô (com a frase-meme “que xou da Xuxa é esse?” no refrão) e solta uma paródia de Belchior em duplo e triplo sentido (a balada Pobre Luiz, com Artur Menezes na guitarra). A surpresa é Carrossel, forró zoeiro de Sérgio Britto (Titãs), com participação do autor.

No lado “sério” de Sério, tem ainda uma curiosíssima versão de Não fique triste, da banda setentista O Peso (cujo vocalista, Luiz Carlos Porto, é cearense) – bom, aí vale dizer que Falcão consegue transformar a velha balada do grupo em um lance bem-humorado, que dá até pra dar umas risadas. Como ninguém é de ferro, tem o Falcão de sempre no ska Que se lasque o amor. Sério dá uma boa animada, mas vale mais descobrir o lado sério de discos como O dinheiro não é tudo mas é 100% – com direito a citações de Jimi Hendrix e Frank Zappa na impublicável Prometo não ejacular na sua boca. Um raro caso de humor anos 1990 que ainda provoca risos.

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Crítica

Ouvimos: Youbet – “Youbet”

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Resenha: Youbet – “Youbet”

RESENHA: Youbet mistura folk, punk e ruído num disco instável, psicodélico e cheio de identidade própria.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Hardly Art
Lançamento: 1 de maio de 2026

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O que chama mais a atenção no Youbet é o fato do projeto musical comandado pelo professor de música Nick Llobet ter uma cara própria forte pra burro – não apenas em composição como também em produção. O som deles parece uma construção de cenário, ou uma instalação em que se vai por diferentes caminhos, dos mais calmos aos mais tensos.

E isso aí parece bem mais pronunciado agora que o Youbet não é mais uma viagem solo, já que no segundo disco, intitulado apenas Youbet, Nick tem a companhia agora da baixista e também professora de música Micah Prussack. Nem adianta que Ground kiss, a faixa de abertura, inicie com uma bateria leve, com escovinha, e tenha vocais bem melódicos, com cadência quase folk. Até porque você vai acabar lembrando mesmo é das guitarras que fazem um estrondo tão grande, que parecem estar saindo de um alto-falante com defeito.

Essa estética de “som comprimido” é a cara de muita coisa feita hoje em dia, e às vezes parece uma brincadeira-comentário-adesão disfarçada à loudness war dos anos 2000. Mas tem outras ideias misturadas ali. See thru é punk rock com vocal gritado e cheio de efeitos – às vezes lembra Sugarcubes. Worship é soft rock com maldade e ruído, ganhando clima psicodélico e sombrio lá pelas tantas.

Mais: Receiver, cuja letra mistura crença, compaixão e meritocracia furada na mesma história, é um punk rock com cadência lembrando bastante Kurt Cobain. Fertile eyes invade o corredor do alt-country. E se você já se pegou pensando que uma determinada música deveria durar 20 minutos, digo que é o caso de Nadia, folk cigano de letra curta, com melodia lindíssima.

Outras faixas em Youbet, o álbum, vão da beleza ao ruído em pouco tempo, como na psicodelia de Undefined e no soft rock de Bad moon. Tudo combinado a momentos como Embryonic, música tranquila e pop que tem lá seus lados estranhos, e chega a lembrar os Cardigans. Instabilidade transformada em identidade própria.

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Crítica

Ouvimos: Una Sofía – “Canção para o caminho” (EP)

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Resenha: Una Sofía - "Canção para o caminho"

RESENHA: Una Sofía mistura samba, folk latino e bolero em Canção para o caminho, EP delicado, cinematográfico e cheio de travessias internas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 14 de maio de 2026

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“Esse EP fala sobre movimento, penso nele como um coming of age em forma de música. É um deslocamento externo, unindo as raízes colombianas e brasileiras que têm crescido dentro de mim, mas também é uma travessia interna”, conta Una Sofía, cantora colombiana radicada em São Paulo, sobre Canção para o caminho. O EP de Una Sofía é balizado pelo samba, mesmo começando pelo bolero + jazz em espanhol (Confesiones, que lembra João Bosco e Aldir Blanc) e prosseguindo no corredor do folk latino (Cadê?, música de vocais em português, com sotaque hispânico e extensão de longo alcance).

  • Ouvimos: Duo Violeta – Mar pequeno

Com voz, violão e percussão tomando a frente em todas as seis músicas, Canção para o caminho destaca a delicadeza e o clima introvertido de algumas faixas, como o jazz latino Só eu sei (com Nina Nicolaievsky). Pido perdón é um samba com alguma coisa de Jorge Ben e de Elis Regina, em que Sofía olha para trás e conclui que “passei a vida pedindo perdão por existir”. Nubes é uma canção delicada e chuvosa, combinando valsa tocada ao piano, jazz e clima de sonho.

A faixa-título encerra o EP inserindo confiança e esperança na história – é uma balada folk linda, com clima interiorano e sons que lembram os discos setentistas de Lô Borges e Beto Guedes. Canção para o caminho é um filme sonoro (por acaso, Una Sofía é compositora e cineasta) em que sempre se trabalha pelo final feliz.

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Crítica

Ouvimos: Corespondents – “Exploding house”

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Resenha: Corespondents – “Exploding house”

RESENHA: Corespondents mistura jazz, psicodelia e post-rock em Exploding house, disco instrumental irônico, sujo e cheio de climas estranhos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Antiquated Future
Lançamento: 12 de março de 2026

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Banda que existe há 23 anos e que veio de Seattle, o Corespondents faz música instrumental irônica – às vezes lembrando um pouco a proposta sonora da banda carioca Brasov, já que toques ciganos e latinos volta e meia tomam conta do som deles. Há um elemento ou outro de post rock, o que ajuda a modernizar e sujar um pouco o som.

  • Ouvimos: Soma Please – Ballet (EP)

Exploding house, o novo álbum (que é mais um lançamento do inventivo selo Antiquated Future, do Oregon), abre com Rubber my dirt ball – tema de onda jazz-psicodélica-misteriosa, com efeito que vem surgindo aos poucos e guitarras em clima de faroeste. Queen nut vai migrando para o som funkeado, com guitarras wah wah. Já It’s healthy to feel this uncomfortable daria uma boa canção “de rádio” se tivesse uma letra: é uma balada instrumental de clima tranquilo – mas mesmo assim vai ganhando uma onda espacial e sombria.

Furtive lurker começa com guitarra dedilhada e vai se parecendo cada vez mais com algo entre o fusion e o progressivo, com partes diferentes. Seguindo a onda de títulos engraçadinhos do Coresponders, Explodng house encerra com o som havaiano fake de Strawberry ashtray (literalmente “cinzeiro de morango”) e com a psicodelia relaxante (ou quase isso) de Vegan meditation Part 2: K-hole at the AI Weiwei Jawa Rave: Sisyphus Mix.

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