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Crítica

Ouvimos: Young Widows, “Power sucker”

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Ouvimos: Young Widows, “Power sucker”

Geralmente, bandas como Swans, Shellac e Jesus Lizard são citadas quando o papo é o grupo norte-americano Young Widows. Um grupo ruidoso que surgiu em 2006, tem uma discografia curta (cinco álbuns de lá para cá, e uma preferência por split EPs, gravados com bandas como Melt Banana e Pelican) e tem álbuns que são cheios de estilo até mesmo nas capas – cada um dos LPs apresenta uma máscara diferente no lay out.

Power sucker, o quinto disco, lançado após um hiato discográfico de onze anos, investe em rock arrastado, pesado, que não deixa de lado as influências de grunge que sempre marcaram a banda – os vocais de Evan Patterson (guitarra) e Nick Thieneman (baixo) seguem a mesma estileira blasé que volta e meia aparecia nas gravações de Kurt Cobain. O som, originalmente um filhote barulhento do pós-punk, volta mais metaleiro e sombrio, em faixas como The darkest side, Every bone e o punk metal krautrock de Turned out alright.

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O “lance” pós-punk do grupo aponta para o lado mais tribal do estilo, de bandas como PiL, Siouxsie and The Banshees e Killing Joke, em faixas como Call bullshit, Falling bullet, a quase stoner Exit slowly e o clima garageiro da faixa-título – além das ferozes A life in tow e Hotel of crows, que fecham o álbum. Em meio a isso, algo próximo de um punk blues toma conta de Balloon e The holy net, e fusões com doom metal, evocando Helmet e Sepultura, aparecem em Take get lost.

Já nas letras, o grupo basicamente entrega dor, depressão e escuridão, como no “lado escuro do meu coração” de The darkest side e nas correntes de A life in tow. Um som para tempos doloridos e pesados.

Nota: 8,5
Gravadora: Temporary Residence
Lançamento: 21 de março de 2025.

Crítica

Ouvimos: Make – “Exegesis at the end of time”

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Resenha: Make – “Exegesis at the end of time”

RESENHA: Após dez anos, o Make retorna com Exegesis at the end of time: doom e sludge sombrios, lentos e apocalípticos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 12 de junho de 2026

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The end of the night, faixa de abertura de Exegesis at the end of time, disco novo da banda estadunidense Make, começa quase “em silêncio”: há ruídos que vêm de longe, mas o som vai evoluindo com repetições e riffs circulares. O peso só chega lá pelos seis minutos, com vocal gutural e caos sonoro, até encerrar aos onze minutos.

Essa descrição aí meio que dá conta de explicar qual é o universo do Make, uma banda que não lançava discos há dez anos – mas cujos discos, cá pra nós, requerem um pouco mais de tempo de absorção. Exegesis tem seis longas faixas e é marcado por um peso funéreo e introvertido, entre estilos como sludge e doom metal. As misteriosas The judge e Forking paths têm esse grau de “sinistrosidade”, que às vezes pode ser confundido com tranquilidade aparente. Já Chimera cria um astral psicodélico no disco, com suas guitarras agudas e desnorteantes.

Como tudo é bem grave em Exegesis, vale citar que a mixagem deixa claro de onde vem cada som, e não permite que músico algum fique sem ser devidamente ouvido – a ideia não é enterrar sons numa massa bruta musical, vamos dizer assim. O álbum é completado com duas faixas sombrias, The spectacle e The augur, que dão a ideia de um disco conceitual sobre o fim de tudo. Ou sobre a paz de cada um sendo absorvida pelo apocalipse urbano.

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Ouvimos: Paulo Metello – “Normandia”

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Resenha: Paulo Metello – “Normandia”

RESENHA: Paulo Metello mistura pós-punk, psicodelia, dream pop e folk em Normandia, álbum lo-fi que vai do contemplativo ao dançante.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Paranoia Musique
Lançamento: 22 de maio de 2026

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O carioca Paulo Metello cita bandas como Echo & The Bunnymen e The Jesus and Mary Chain ao lado de grupos como The Church e Psychedelic Furs nas referências de seu novo álbum, Normandia. Dá uma boa animada em fãs de pós-punk clássico e rock gótico – aliás, nomes bem recentes como Rocket entraram igualmente na receita do álbum.

Mesmo soando bem mais “humano” que alguns discos anteriores dele, Normandia é uma viagem lo-fi em torno do pós-punk e da psicodelia, com vocais “de transmissão” em faixas percussivas como Behind blue skies e baladas dream pop como Flamingo. Além do drone punk de Cine Longobardo.

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Normandia ainda migra para o folk contemplativo (na faixa-título) e para climas espaciais (nas celestes Velvet old light, Lady in sun dress e Guarda la bella luna). Duas curiosidades são Hello heaven, que parece ter algo de David Bowie e Neil Young, e a vibe dançante e underground de Drinking stars, com batida herdada de Justify my love (Madonna) e vocal rappeado.

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Ouvimos: Trompas – “Anxiety” (EP)

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Resenha: Trompas – “Anxiety” (EP)

RESENHA: Sludge e stoner sufocantes marcam a estreia do Trompas. Anxiety transforma isolamento, peso e melancolia em riffs graves e som sombrio.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 19 de junho de 2026

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Liderado pelo ex-CPM 22 Wally, o Trompas não tem rigorosamente nada a ver com a ex-banda do músico – Anxiety, o EP de estreia, fica entre o sludge metal e o stoner, e a “ansiedade” do titulo não é figura de linguagem. O material do EP é realmente asfixiante e o Trompas é uma banda “de pandemia”, inspirada pela falta de comunicação da época. Já o som tem algo do Anthrax em 1993 (do disco Sound of white noise), e tem muito dos discos mais pesados de bandas como Melvins.

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O lado do alambrado ocupado pelo Trompas é o da música grave, quase depressiva, com ritmo lento e riffs sombrios – como em Ten year hate e no blues desconstruído de Lost again. Fading face remete a memórias que vão se apagando, com sonoridade lenta e grave, enquanto Trip é uma viagem quase doom metal, em clima triste. Já Anxiety, a faixa-título, é o retrato gritado do isolamento lá por 2020 – em música, letra e clipe.

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