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Crítica

Ouvimos: The Beaches, “Blame my ex”

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Ouvimos: The Beaches, "Blame my ex"
  • The Beaches é uma banda de rock alternativo do Canadá, formada por Jordan Miller (voz, baixo), Kylie Miller (guitarra, backing vocals), Leandra Earl (teclados, guitarra, backing vocals) e Eliza Enman-McDaniel (bateria). O nome do grupo foi escolhido como homenagem ao bairro de Beaches, em Toronto – três delas vivem na região.
  • Blame my ex é o segundo álbum das Beaches, lançado seis anos após a estreia com Late show, que saiu pela grandalhona Island. Entre um disco e outro, saíram três EPs, alguns singles e até uma coletânea Sisters not twins (The professional lovers album), de 2022. Hoje, após saírem da Island, elas são independentes.
  • Dizem elas que Blame my ex “é um disco de rompimento… Falamos sobre luto, solidão, ansiedade, redenção e reencontrar-se depois de suportar um mundo de dor”. Leandra Earl, que define o disco como “triste triunfo feminino”, chegou a afirmar que o material já estava em andamento e foi afetado pelo fim de um relacionamento dela.

Se você classificar Blame my ex como apenas um álbum de pop punk, ou apenas um disco sobre as dores de cabeça que vêm após o fim de um namoro, vai perder boa parte da festa. A banda canadense vai do power pop à new wave, passando por sonoridades que parecem bastante influenciadas por nomes como Stevie Nicks e Go-Go’s, e acrescentando vários outros detalhes musicais para os quais é preciso atenção.

O disco das Beaches mantém a média de quase um potencial single por faixa, e lança mão de letras bem interessantes para, acima de tudo, falar de superação, empoderamento e volta por cima. Me & me prega: “porque todo mundo precisa encontrar alguém, esse é o objetivo de todo filme/você não quer acabar como uma solteirona triste”. Tem também a sacanagem explícita de My body ft your lips e Cigarette (essa última parece coisa do T. Rex, “quero ser seu cigarro e ficar para sempre nos seus lábios”), e o clima melancólico de If a tree falls.

O álbum já havia tido seu potencial de comunicação testado quando o single Blame Brett teve sucesso de streamings – o que animou as garotas a manter o disco na onda da recuperação psicológica após o desastre amoroso. Acordes com cara grunge, dedilhados herdados de The Edge (U2), linhas vocais lembrando Eurythmics e riffs distorcidos marcam What doesn’t kill you makes you paranoid, outro single do álbum. Um lado meio new wave, meio anos 1950 (não chega a parecer com o B-52s, campeão nesse mesmo tipo de mistura) domina Shower beer. Enquanto um lado ágil, parente do indie rock anos 2000 e do tecnopop oitentista (ainda que levado adiante por guitarra, baixo e bateria), dá o tom em Everything is boring e na solar Edge of the Earth. Um triunfo, de fato.

Gravadora: Independente/AWAL
Nota: 8,5

Foto: Reprodução da capa do álbum

Crítica

Ouvimos: Ryan Fidelis – “Tons de marrom”

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Resenha: Ryan Fidelis – “Tons de marrom”

RESENHA: Neo soul e r&b guiam Ryan Fidelis em disco sobre amor negro, com ecos de Djavan, Tim Maia, Max de Castro e boogie atual.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Cuervo Musica
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Cantor catarinense, Ryan Fidelis é um cara do neo soul, do r&b e de outros gêneros afins – mas em especial, em Tons de marrom, ele é um cara que, além de fazer música, ouve muita música e deixa isso bem claro no seu disco. Falando basicamente sobre amor negro, e sobre visões poéticas e musicais do amor (com direito a citações diretas de Djavan, Tim Maia e Jorge Ben), ele traz de volta um universo que lembra bastante o de discos como Samba raro (1999), de Max de Castro.

Tons de marrom é descrito por ele como um filme em forma de disco – e é um álbum com o olho no passado e no futuro da música, simultaneamente. Afinal, “filmes em forma de disco” estão bem na moda no pop dos últimos tempos (Raye e Melanie Martinez que o digam). Já o som segue uma linha do tempo que passa pelo neo soul dos anos 1990 (pegando a vibe retrô da época), pelo Boogie naipe de Mano Brown, pelo r&b dos dias de hoje, e por um estilo de produção conceitual e moderno, falando de um relacionamento que se torna uma jornada.

  • Ouvimos: Exclusive Os Cabides – Feliz e triste ao mesmo tempo (EP)

O disco abre com a felicidade da balada Rosa Maria e do balanço Levitou, segue com o voo sonoro de Mais que isso, e com a vibe Robson & Lincoln da balada Corpo suado – mas isso é a, digamos, parte feliz de Tons de amor, marcada por participações vocais de Nina, JOK3R e Maui. Tem ainda o soul experimental e amoroso de Marte, só que daí pra frente, o amor só vai pra trás. As faixas em que o personagem do disco está no maior bode amoroso, aliás, são as melhores: tem o beat percussivo e a vibe samba-soul de Sonhos distantes, e a elegância setentista das balada-blues Redimir e Tons de marrom.

No final, músicas mais curtas e simples indicam que o personagem de Tons de marrom chegou na aceitação de que tudo acabou, e que tem novidades vindo ai. Na real, falta só uma balada histórica para encerrar Tons de marrom – mas é um arco histórico cheio de surpresas.

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Ouvimos: Vinícius Tavares – “Zé do Cão – cap. 1” (EP)

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Resenha: Vinícius Tavares – “Zé do Cão – cap. 1” (EP)

RESENHA: Em Zé do Cão cap. 1, Vinícius Tavares une rap, coco e dub num retrato maquínico do Agreste pernambucano entre protesto, tradição e futuro.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Facção de Arte
Lançamento: 1 de maio de 2026

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“A música que faço é ligada ao território em que vivo. Toritama é a menor cidade de Pernambuco em termos de espaço, mas abriga, junto com outras cidades do Agreste, o maior pólo da indústria têxtil brasileira. Ao mesmo tempo em que vemos o desenho das serras na paisagem, também estamos constantemente em contato com esse maquinário produtivo e com um fluxo intenso de pessoas que passam por aqui cruzando o estado”.

Quem diz isso é Vinícius Tavares, músico, cantor e compositor natural de Toritama (170 km de distância de Recife), e cujo som surge como uma mistura de organicidade, história e máquina. Zé do Cão cap. 1 cita o personagem interpretado por José Pimentel no filme A noite do espantalho, de Sérgio Ricardo (1974, filme que trouxe Alceu Valença como ator e autor da trilha sonora) e embarca num rap + coco + repente em suas sete faixas, que soam como atualização da psicodelia nordestina de Zé Ramalho e Lula Côrtes, ou como rapsódias de um país constantemente assediado por ideologias tortas, e no qual diversão, protesto e existência andam lado a lado.

  • Ouvimos: Tangolo Mangos – Pedágios y caronas

Essa onda ganha cadência de reggae em Deus é brasileiro e o cão também, mergulha no eletrococo em Cavalo do cão, migra para o dub nordestino em Na fulô ronca o besouro e volta para o Nordeste maquínico em Vai cair corisco, com Jessica Caitano, e Vende-se coisa bonita, com Virginia Guimarães – música em que Vinicius cita Mundo Livre S/A e canta que “computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro”, mas que “dinheiro faz o artista fazer computador”.

Há um quê de funk nas duas músicas finais – a eletrônica e cerimonial Música de bailinho e o batidão Bota ideia Zé. Tudo apontando para um Brasil cercado de máquinas e ideias, e que inventa a si próprio.

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Ouvimos: Erasmo Carlos – “Mano”

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Resenha: Erasmo Carlos - “Mano”

RESENHA: Mano reúne rappers ótimos com Erasmo Carlos, mas falta ousadia: algumas releituras funcionam, mas uma parte boa soa reverente demais.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 6
Gravadora: Universal Music Brasil
Lançamento: 22 de maio de 2026

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É muito ruim escutar um disco de releituras, reimaginações ou retrabalhos post-mortem em que o original foi horrivelmente estragado – exemplos não faltam. Em pior situação está quem ouve um disco desses esperando um pouco mais de ousadia ou até um sacrilégio que grude no ouvido e acabe agradando, mas encontra convidados tímidos e/ou reverentes demais.

Mano, o disco que une Erasmo Carlos e nomes conhecidos do rap, reúne uma galera ótima: Marcelo D2, Xamã, Budah, Emicida, Criolo, Tasha & Tracie, Rael, Dexter, Tássia Reis, Criolo. O álbum oficializa coisas que todo mundo já sabia: o repertório de Erasmo nos anos 1970 sempre foi perfeito para samplear, e disco como Carlos, Erasmo (1971) e 1941-1972: Sonhos e memórias (1972) eram precursores em estilos de música que até hoje não foram devidamente documentados. Lá, tem jazz com trip hop, soft rock e samba-rock, hard rock latino, MPB-pop para ouvir a bordo de um skate (o ritmo sinuoso de Mundo cão)… Coisas que se bobear, não podem ser ouvidas no som de mais nenhum artista, só lá.

Da turma selecionada para Mano, uma parte parece ter sentido o drama e ficado meio amedrontada com a responsabilidade: Dexter (Mundo cão), Budah (Cachaça mecânica) e Xamã (Sábado morto) não fizeram muita coisa além de acrescentar versos nos originais – que ganharam um banho de loja hip hop, vá lá. Por causa dos acréscimos, as músicas ganharam subtítulos (respectivamente, no caso dessas três, Quem é herói ou vilão?, Queimando tudo dentro e Eu enquanto pássaro).

Maria Joana, com Marcelo D2, vale mais pelo remix reggae feito na faixa, que dá uma baita ambiência aos backing vocals do original. Mas nem a vibe conceitualmente correta, que acrescentou o subtítulo Pra que as trevas destravem, ajudou muito – D2 soa mais como um enxerto do que como um convidado. De ótimo em Mano, tem Emicida, que foi parceiro de Erasmo, sentindo-se à vontade justamente em É preciso dar um jeito, meu amigo (A vida irrita a arte) – aliás a voz do rapper, acompanhado pelo Tropkillaz, surge até antes do cantor. E Tássia e Criolo fazendo uma reforma em Gente aberta (Imensamente visceral).

Num universo de oito faixas, metade acaba engrenando, porque Tasha e Tracie dão um ar brincalhão a Grilos (subintitulada O tempo é amigo e inimigo) e enchem a música de estilo. E Rael moderniza Sorriso dela, que ganha ares de trap romântico com o nome Não tem pra ninguém. Ouça como dever cívico, mas o que falta a Mano são justamente aquelas remexidas que deixam os puristas putos da vida.

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