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Crítica

Ouvimos: Sacred Paws, “Jump into life”

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Ouvimos: Sacred Paws, “Jump into life”

Dupla escocesa formada pelas musicistas Ray Aggs (guitarra, baixo, voz) e Eilidh Rodgers (bateria, voz), o Sacred Paws parece um grupo formado por pelo menos mais uns/umas cinco integrantes, tamanha a potência do seu som. Vindas do indie-pop, as duas unem pós-punk e afrobeat, e acabam de lançar Jump into life, um álbum recheado de pérolas, e repleto de uma mistura musical que nasceu justamente dos estertores do rock feito entre os anos 1970 e 1980. Afinal, foi a união com beats diferentes que deu um diferencial enorme para bandas como Talking Heads, Siouxsie and The Banshees e Teardrop Explodes, além de Paralamas do Sucesso.

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O disco abre de maneira fluida, com sons lembrando New Order e The Cure, e uma bateria que se assemelha a uma percussão – enquanto a guitarra tocada por Ray parece viver em um planeta diferente, ordenando que todo o resto da canção se adeque a seu estilo livre, próximo do highlife (estilo africano recheado de guitarras) e repleto de variações. É o que rola em faixas como Save something, Winter e Fall for you.Another day é um country construído em torno da matriz de The Cure, New Order e R.E.M., com uma bateria que é puro solo, e a participação do pai de Ray tocando banjo.

Uma característica do Sacred Paws é que os vocais de Ray e Eilidh dão uma sonoridade positiva e tranquila para as canções – não importa o que esteja sendo cantado, e olha que as letras da dupla em Jump into life são basicamente sobre mudanças, finais de ciclo e coisas do tipo. Na grande área do álbum, a partir da quarta-faixa, localiza-se a porção mais afropop de Jump into life. E aí o disco une country e highlife em Simple feeling; parte para um pós-punk balançado que lembra o Aztec Camera, em Through the dark; e evoca bandas como Talking Heads e Television (esta, por causa da pegada na guitarra) em meio aos afrobeats de Turn me down.

Slowly slowly, por sua vez, é a canção do disco que tem mais cara new wave + power pop, com guitarras, vocais e batidas lembrando Blondie, Pretenders e Elvis Costello. No final, em Draw a line, uma surpresa: construindo uma fanfarra pós-punk e afrobeat que alude tanto a Fela Kuti quanto a Dexys Midnight Runners, Ray e Eilidh acabaram fazendo algo próximo do frevo, com ritmo pula-pula e metais cativantes e econômicos. Descubra logo essa banda.

Nota: 10
Gravadora: Rock Action Records
Lançamento: 28 de março de 2025

Crítica

Ouvimos: Improvement Movement – “Your perfect real life”

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Resenha: Improvement Movement – “Your perfect real life”

RESENHA: No terceiro álbum, o Improvement Movement passeia por psicodelia, prog, yacht rock, soul, pós-punk e indie, aproximando referências tão distintas quanto Television, Beach Boys, Todd Rundgren e Queens Of The Stone Age.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: ATO Records
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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Vindo de Atlanta, o Improvement Movement é um quarteto em que todos os músicos são multinstrumentistas, e em que a composição ocorre das mais diversas formas: em duplas, trios, em jams, etc. Your perfect real life, terceiro álbum, soa como o encontro definitivo da criatividade dos anos 1970 com o espírito “livre” do 60 – cabendo alguns toques mais modernos. Como se houvesse um “ligue os pontos” unindo Crosby, Stills, Nash & Young, Queens Of The Stone Age e Television – e de acordo com Your perfect real life, há sim.

O terceiro disco do Improvement Movement é o disco de músicas como Still cold, com riff lembrando justamente o Television, guitarra quase ofuscante ao fundo e linhas vocais que parecem brincar com See me, feel me, do Who – só que a letra ainda inclui um “kill me”. Carry on parece um pós-hardcore sem o mesmo peso, graças à zoeira rítmica, só que com vocais meio beatlemaníacos e algo de chamber pop lá pelas tantas. Common place chega a lembrar um Beach Boys indie rock, se é que é possível, e vai se tornando algo bem vertiginoso depois.

A balada I do é igualmente vertiginosa e impressionante: clima sensível e misterioso, com diferentes partes, uma mais contemplativa que a outra. Há ainda um componente yacht rock bem sério no álbum, presente em In the morning e no clima meio Bee Gees de Home again (as referências vocais e melódicas do grupo australiano surgem também no bittersweet de Old friends).

A falta de (vá lá) limites sonoros do Improvement Movement aponta também para um encontro entre o jazz pop a la Todd Rundgren e as guitarras dedilhadas adotadas pela turma do emo Midwest, em Wide world. E também para o curioso futurismo, herdado da mescla de pós-punk e psicodelia (e do clima viajante de bandas como Pond e até Flaming Lips), de 21st century. Uma outra grande surpresa é o soul mágico de Being right, soando como um redesenho chamber pop nas baladas disco – tipo Let’s get it on, de Marvin Gaye. Mas Your perfect real life só tem surpresas

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Crítica

Ouvimos: Satanen – “Rokkii varten & taiteen vuoks”

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Resenha: Satanen - “Rokkii varten & taiteen vuoks”

RESENHA: A banda finlandesa Satanen cruza punk, garage, stoner, metal e blues-rock em Rokkii varten & taiteen vuoks, com ecos de Ramones, Motörhead, AC/DC, Black Sabbath e The Clash.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Svart Records
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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“Para o rock e para a arte”. Não sabemos finlandês, mas diz o Google Translator que Rokkii varten & taiteen vuoks, nome desse álbum do Satanen, significa isso aí. Voltados para uma mistura bem louca de punk, garage e stoner, eles soam quase sempre como uma mescla de Rancid, Ramones, Motörhead e loucuras motobiker, com outras referências no meio.

Rokkii varten abre com a onda meio punk, meio metal da faixa-título – uma música em duas partes que ganha um clima mais rocker das antigas lá pela metade. Vauhtikone vai ganhando aumento de velocidade, oscilando entre Lemmy e Joey Ramone, com vocal feminino. Mulkun elkeet pula de um clima meio metalzão anos 1980 para um boogie à AC/DC.

Numa onda sonora que interessa tanto a fãs de metal quanto a gente que ouve rock bem antigo, o Satanen chega perto do som de bandas como Nazareth e o próprio Black Sabbath na extrovertida Daddy issues, em Kuulit kyll e no blues-rock de Kkii. Só que ainda tem uma vibe bem hardcore em Chimera e algo que faz lembrar The Clash em Kiasma, música de várias partes e pura diversão, que encerra o álbum.

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Crítica

Ouvimos: Soft Science – “Sand”

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Resenha: Soft Science – “Sand”

RESENHA: No quinto álbum, Sand, o californiano Soft Science cruza shoegaze, psicodelia, darkwave e pós-punk em guitarras atmosféricas, com ecos de Ride, Catherine Wheel, Beatles e Echo & The Bunnymen.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Shelflife
Lançamento: 4 de setembro de 2026

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Assumidamente influenciado por bandas como Ride, Stereolab, The Mighty Lemon Drops, Catherine Wheel, My Bloody Valentine e Pale Saints, o Soft Science é um quinteto de shoegaze “das antigas” que vem da Califórnia – e que com Sand chega ao quinto disco. Especificamente a citação (feita por eles) do Ride tem bastante a ver com o som do álbum, ainda mais lembrando do clima imersivo dos primeiros discos do grupo inglês.

Entre paredes de guitarras (de doze cordas!), sons próximos da psicodelia (especialmente a voz de Katie Haley, imersa em meio à instrumentação) e partículas de darkwave, Sand abre com o clima quase meditativo de Spinning e Go, segue com recordações de Catherine Wheels e Psychedelic Furs em Fade, e recria de maneira própria o universo de Tomorrow never knows, dos Beatles, em Without.

Um clima meio Beatles, meio Stone Roses, dá as caras na faixa-título, enquanto Everything, Thread e Understand mandam bala num pós-punk luminoso, herdado tanto do já mais do que citado Ride quanto de Echo and The Bunnymen. O final tem o power pop + shoegaze de Hope e o clima hipnótico de Sway, com sons de teclado que provocam viagens musicais.

O Soft Science, em especial, mostra que shoegaze não é sinônimo de guitarras sujas. A música de Sand é cheia de climas atmosféricos e uterinos, e de ambientes em que você gostaria de ficar – e é repleta de uma beleza que pouca gente vai querer se aventurar a discutir. Ouça hoje mesmo.

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