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Cultura Pop

O Natal do New Order em 1982

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O Natal do New Order em 1982

Exageramos um pouco no título, admitimos. Na verdade esse “Natal do New Order” tá mais para Natal do Haçienda, clube aberto em 21 de maio de 1982 em Manchester, Inglaterra, e que era de propriedade tanto da gravadora independente Factory quanto do próprio New Order – que até aquele momento era um dos contratados mais promissores do selo.

Em 1982, tanto a Factory quanto o New Order estavam bastante mudados. O grupo de Bernard Sumner (voz, guitarra), Peter Hook (baixo), Gillian Gilbert (teclados) e Stephen Morris (teclados, bateria) havia excursionado pelos EUA em 1981. E, aliás, tinha migrado do pós-punk herdado de sua encarnação anterior, Joy Division, para os sons eletrônicos – por intermédio de singles como Procession, Everything’s gone green (ambos 1981) e Temptation (1982). Ainda não era o New Order superpopular de Blue monday, mas já era um grande adianto.

HAÇIENDA

A ideia do Haçienda, criado pelo então empresário do New Order e co-diretor da Factory, Rob Gretton, era criar um clube noturno dedicado à música e à arte, e que fosse naturalmente acessível a seus frequentadores. Quem quisesse conhecer a casa deveria se tornar sócio dela – com uma mensalidade em torno, inicialmente, de cinco libras.

“Em troca, você ganha entrada gratuita em um New Order e um show do A Certain Ratio”, diz um artigo publicado em 1982 num fanzine chamado City Fun. Bebidas e entradas seriam mais baratas que o comum, o que depois representou um problema sério para uma casa tão ambiciosa (a venda de bebidas é geralmente o sustentáculo de qualquer casa noturna e, na Inglaterra dos anos 1980, a galera preferia mesmo era gastar grana com drogas).

A ideia era que o clube cedesse espaço para peças de teatro na pista de dança, e que rolassem performances bizarras – a banda industrial Einstürzende Neubauten, por exemplo, chegou a perfurar as paredes em volta do palco, durante um show. Em 1986, o Haçienda passou a tocar house music. Quem botava som na casa era Greg Wilson, DJ-celebridade que ficou famoso ao mixar canções ao vivo durante uma ida ao programa The Tube. Na casa, ele mostrava seus talentos nas carrapetas ao lado de Hewan Clarke e do chefe de A&R da Factory, Mike Pickering. Aí a fama veio de vez, porque todo mundo queria conferir as noites de música eletrônica da casa.

NEW ORDER E BE MUSIC

Entra aí um detalhe interessante sobre o New Order em 1982: Rob Gretton, empresário da banda, deu ao quarteto a ideia de criar uma editora chamada Be Music. A empresa cuidaria de licenciamento do catálogo e de recebimento de direitos autorais.

A ideia cresceu e o nome virou quase uma banda dentro de outra, e um nome usado para fortalecer a identidade do grupo. Se um integrante produzisse/remixasse outro artista, ou fizesse qualquer coisa meio solo, o nome a ser usado era… Be Music, não Peter Hook, Bernard Sumner ou qualquer outro integrante da banda. Assim, nenhum membro se destacaria dentro ou fora do grupo. Enquanto foi possível fazer isso, a Be Music rendeu material suficiente para que, anos depois, saíssem até coletâneas.

E olha aí um lançamento de peso do New Order com o nome de Be Music, no Natal de 1982: o compacto-brinde do Haçienda, com a banda fazendo uma versão de nada menos que Ode to joy, o famigerado prelúdio do quarto movimento da Nova Sinfonia de Beethoven. A música saiu num flexidisc da Factory, com Rocking Carol, uma tradicional canção natalina checa no lado B. Os vocais foram todos feitos em vocoder.

Via New Order BR

Tem conteúdo extra desta e de outras matérias do POP FANTASMA em nosso Instagram.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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