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E não perca (eu disse NÃO PERCA) a tal música nova do Massive Attack com o Tom Waits

São duas voltas: o Massive Attack não lançava nada há uns seis anos e Tom Waits estava em hiato de gravações há quinze anos. E agora os dois retornam juntos no single Boots on the ground, que sai apenas em vinil, e também pode ser ouvida no YouTube e em outras plataformas de streaming. Só não adianta procurar no Spotify: o Massive Attack decidiu boicotar a plataforma por causa dos investimentos do CEO Daniel Ek na área militar.
Na real, se você quiser escutar a discografia inteira do duo eletrônico no Spotify, pode ir porque tem lá – eles ainda não tiraram clássicos como Mezzanine (1998) da plataforma. Mas os novos lançamentos do duo (visto ali em cima em foto de Warren Du Preez) virão “sob uma política de isenção do Spotify”, como diz a banda no release. No lado B do single, tem uma faixa-solo de Tom Waits, uma peça falada chamada The fly.
Agora, o que interessa de verdade é que Boots on the ground virou filme: um curta-clipe de sete minutos disponível nos canais da banda e realizado em colaboração com o enigmático artista fotográfico americano thefinaleye.
O filme é um retrato, com palavras e imagens (e sons), de “uma época histórica americana ainda sem nome, que surge após os maiores protestos públicos da história dos Estados Unidos – focados na oposição às batidas do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), à militarização das forças de segurança interna e ao autoritarismo estatal”, nas palavras do duo. São imagens dos protestos contra os desmandos do ICE, lado a lado com estatísticas bizarras sobre a situação dos imigrantes e dos desabrigados nos Estados Unidos.
No fim das contas, filme e música perfazem algo que muitas canções anti-guerra já haviam dito, mas (aparentemente) ninguém ouviu: em tempos de luta militar, todo mundo é descartável – o bom e velho “também morre quem atira”, do qual falava Marcelo Yuka. E quem já está na mira da polícia vira peça-chave numa indústria de assassinatos.
Alguns versos de Boots não poderiam ser maia explícitos: “moreno, malvado e jovem, burro e cheio de esperma / pra que você precisa de um fuzileiro naval? / isso é uma guerra de metralhadora, porra! (…) / eles fazem campanha, derramando todo o sangue que conseguem / moldam seu mundo, um soldado é só argila / quanto pesa cada soldado? / cortam seus tornozelos e jogam fora”. Na voz rouca e machucada de Waits – emoldurada pela criação marcial e ambient sufocante do MA – isso vira carne exposta.
Importante dizer também que o Massive Attack e Tom Waits estão extremamente orgulhosos da música – que aliás, é uma parceria bem distante, iniciada há anos e guardada há sete chaves pela banda. “Um dia, há muitos anos, aceitei um convite do Massive Attack para colaborar”, explica Waits. “Naquela época, nós lhes enviamos Boots on the ground. O longo atraso no lançamento nunca me preocupou. Hoje, assim como em todos os ontens da humanidade, garante que esta música nunca sairá de moda. A tolice do fiasco do homem é um banquete para as moscas. Logo, o lado B do próximo vinil de 12 polegadas do Massive Attack, The fly apresenta meu apreço pela praga alada”.
O Massive Attack está nas nuvens (não o estúdio do produtor Liminha, mas aquele estado de espírito de “nada pode estragar meu dia”). “É uma honra de carreira colaborar com um artista da magnitude, originalidade e integridade de Tom, mas esta faixa chega em um momento de caos. Em todo o hemisfério ocidental, o autoritarismo estatal e a militarização das forças policiais estão novamente se fundindo com políticas neofascistas. Vista dentro do cenário de emergência americana, tanto interna quanto externamente, esta faixa carrega pulsos de impulso impiedoso e mente abandonada”.
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E ainda sobre Tom Waits, ele vem voltando aos poucos, só que como ator: no dia 6 de novembro estreia Wild horse nine, novo filme de Martin McDonagh, no qual contracena com John Malkovich, Sam Rockwell, Steve Buscemi e Parker Posey. Recentemente, ele apareceu em Father mother sister brother, filme de Jim Jarmusch (falamos recentemente até da trilha deste filme, feita pela compositora almã Anika ao lado de Jim).
A música está nos planos dele: em 13 de novembro, sai 20th century paddy – The songs of Shane MacGowan, tributo ao saudoso cantor da banda The Pogues, em que Tom Waits solta a voz ao lado de nomões como Bruce Springsteen, Dropkick Murphys, Moya Brennan, The Jesus and Mary Chain e os próprios Pogues. Olha aí.
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Late Again transforma o caos cotidiano em pop psicodélico, em “Crazy or stupid”

Vizinhos gritando na rua, contas esquecidas, teorias estranhas e gente que parece ter perdido a inteligência de uma hora para a outra. Tudo isso causa irritação em qualquer ser humano, mas serviu de matéria-prima para Rafael Melo escrever Crazy or stupid, música nova de seu projeto Late Again. Um pop levemente psicodélico e nada levemente oitentista, e cuja melodia chega a ser rondada pelo fantasma de Eyes without a face, de Billy Idol.
Com visualizer assinado por Gabriel Rolim (Rollinos), a faixa nova do Late Again parte do princípio de que “todo mundo é louco, estúpido ou louco e estúpido”, e usa personagens para explicar a frase – são “representantes de uma sociedade cada vez mais confusa, hiperconectada e incapaz de distinguir informação, entretenimento e delírio”, como explica o texto de lançamento. “Por trás da ironia e de um elenco excêntrico de personagens, a canção mergulha em uma realidade sombria, tornada mais palatável pela leveza ensolarada de sua sonoridade e pela melodia mais contagiante do EP”, explica Rafael, artista multimídia brasileiro radicado no Brooklyn.
Rafael diz também ter evitado qualquer tipo de cinismo ao escrever a letra – prefere observar tudo com uma mistura de humor, perplexidade e identificação, dizendo que desse jogo ninguém está de fora. A faixa, com referências que vão de Mac DeMarco e Men I Trust a Caetano Veloso e Ryuichi Sakamoto, adianta o EP I dreamt I was awake, previsto para setembro.
Foto: Henrique Barreto / Divulgação
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Jungle lança “Someday, somewhere” e mantém clima ensolarado do novo disco

Com show agendado para 30 de março de 2027 em São Paulo, o trio britânico de música eletrônica e neo-soul Jungle segue firme no adiantamento de seu próximo álbum, Sunshine, que chega no dia 14 de agosto. Já saíram os singles Carry on e The wave, e chega agora às plataformas Someday somewhere, uma música tão dançante quanto sonhadora, e com o mesmo clima quase derretido, escapista, dos singles anteriores.
“Someday, somewhere é sobre se agarrar àquele sentimento de que algo melhor está por vir. Tem aquele otimismo de fim de verão do Jungle, um pouco de saudade, um pouco de fuga, e espero que seja algo em que as pessoas possam se perder”, conta a banda, agora oficialmente formada por J Lloyd, Tom McFarland e Lydia Kitto. A faixa já havia sido apresentada durante um recente set surpresa de DJ de Tom McFarland no Bus Palladium, em Paris.
Os ingressos para o show do Jungle no Brasil ainda estão à venda. Veja como comprar aqui.
Abaixo, você confere Someday, somewhere, a capa de Sunshine e a lista de faixas.
Foto: Mason Rose / Divulgação

LISTA DE FAIXAS:
1. Come back to me
2. Sunshine
3. Where are you now?
4. Move like you do
5. Romeo II ft Bas
6. Carry on
7. The wave
8. Someday, somewhere
9. Natural
10. Reflection
12. Heavy on my soul
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Echo and The Bunnymen fala de Bruxelas “assombrada” em novo single

Prepare seu coração: o Echo and The Bunnymen tá de volta. A banda anunciou o disco Apples for Isaac, seu décimo-terceiro álbum, e já lançou o primeiro single, Brussels is haunted. Na letra, a banda fala da vida de personagens que passaram pela cidade belga.
Nomes como o cantor oitentista Bert Bertrand e lugares como o clube The Classic são citados na faixa – e a impressão é a de que o “assombrada” vem de fantasmagorias pessoais de Ian McCulloch, cantor e letrista da banda. A melodia, por sua vez, tem muito da sonoridade mais aberta e menos exuberante do disco Echo and The Bunnymen, o último com o falecido baterista Pete de Freitas (1987).
Apples for Isaac foi produzido pelo vocalista Ian McCulloch, que também ficou responsável pela mixagem, juntamente com Alan Moulder e Andrea Wright. Levado adiante hoje em dia por Ian e pelo guitarrista Will Sargeant, o Echo contou também com o serviços de um outro baterista já “ido”: Clem Burke, do Blondie, morto em abril do ano passado, toca em dez das onze músicas.
“O poderoso e lendário Clem Burke — amigo de longa data do Mac — foi fundamental para a criação do álbum e, infelizmente, faleceu durante sua finalização… Te amamos, Clem X””., comentou a banda.
Apples for Isaac sucede Meteorites, de 2014, e a coletânea The stars, the oceans & the moon, lançada em 2018. Num papo com a Mojo, recentemente, Ian falou sobre o intervalo de mais de dez anos entre os dois discos. “O que nos atrasou? Acho que a Covid teve algo a ver com isso”, disse ele. “Mas eu também queria, liricamente, que tudo fizesse sentido — ou que fosse enigmaticamente importante. O que é uma baita frase”.
McCulloch acrescentou que “mais do que qualquer outro disco que eu me lembre, ele (Apples for Isaac) está soando exatamente como eu o imaginava. Eu simplesmente disse (pra mim mesmo): cante como você quer se ouvir”.
E tá aí o clipe de Brussels is haunted. Mais embaixo, a capa de Apples e a lista de faixas. Apples for Isaac será lançado em 18 de setembro pela BMG.

LISTA DE FAIXAS
01. Take me by the hand
02. Can’t be sold
03. Brussels is haunted
04. I’ll be your sunshine
05. Hijacked
06. The honey
07. Unstoppable force
08. The light that surrounds you
09. Lab rats ran
10. Asimov
11. We prayed in the dark








































