Urgente
Depois do silêncio: Babehoven retorna com disco sobre recomeços

Depois de passar por um período em que cantar deixou de ser uma certeza, o Babehoven está de volta com um disco que parece nascer justamente dessa sensação de recomeço. O duo de Hudson, Nova York, formado por Maya Bon e Ryan Albert, lança em 18 de setembro o terceiro álbum, I see them, I see me, pela Double Double Whammy.
A dupla lança também o single Lasagna, acompanhadoo de um clipe bem humorado dirigido por Ash Kron, no qual a dupla ganha um prêmio ao comer num fast food e decide partir numa road trip com o dinheiro que ganhou (“mas antes precisamos pagar umas contas”, avisa Ryan no vídeo).
A história por trás do álbum é bem menos leve. Durante a primeira turnê da banda como atração principal, em 2024, Maya Bon sofreu uma paralisia na corda vocal direita e passou meses sem conseguir cantar. Os médicos chegaram a dizer que ela talvez nunca recuperasse a voz.
Ela recuperou — e, segundo a cantora, voltou a cantar com um prazer que não sentia havia muito tempo. Essa sensação atravessa o disco inteiro: em vez de transformar o trauma em um álbum soturno, o Babehoven escolheu celebrar o simples fato de ainda poder fazer música.
Outro elemento importante veio das nove sessões de terapia com cetamina em altas doses que Bon fez para tratar a depressão. As experiências, descritas por ela como sonhos lúcidos, acabaram infiltrando as letras, que embaralham realidade e imaginação enquanto observam um mundo cada vez mais difícil de decifrar.
Entre crises climáticas, ansiedade coletiva e catástrofes diárias, I see them, I see me gira em torno da ideia de perspectivas diferentes sobre uma mesma realidade — uma espécie de “visão em paralaxe” aplicada às relações humanas.
Lasagna resume bem essa proposta. A música fala daquele tipo de intimidade em que duas pessoas ficam tão próximas que deixam de enxergar uma à outra com clareza. Enquanto a rotina ocupa todos os espaços, a presença da outra pessoa continua rondando, invisível e constante, produzindo ao mesmo tempo afeto, angústia e uma estranha sensação de paralisia.
“Às vezes, quando duas pessoas estão profundamente entrelaçadas, elas ficam tão próximas que já não conseguem realmente enxergar uma à outra. Você quer que a outra pessoa se parta ao meio, para revelar o que existe por baixo. Você se mantém ocupado, enche o dia de tarefas, mas a outra pessoa continua balançando ao vento ao seu redor — você a sente em todos os lugares. Ao mesmo tempo, você se sente pequeno, preso e tomado por uma inquietação desesperada”, diz Maya sobre a música.
Musicalmente, o disco também marca uma mudança de método. Pela primeira vez, Bon e Albert abriram mão do processo quase fechado que sempre guiou a banda e gravaram em quatro estúdios diferentes, com a colaboração dos engenheiros Sam Evian, Kevin Copeland e Phil Weinrobe — este último também como coprodutor. Blue around you, outro single do disco, já foi também liberado. Abaixo você confere o single de Lasagna, a capa e a lista de faixas de I see them, I see me.
Foto: Divulgação

LISTA DE FAIXAS
01. You’re a liar
02. When you look at me
03. Lasagna
04. Monster
05. Blue around you
06. Something true
07. Red interlude
08. Jess has a place
09. And I in a dream
10. Wave has a place
11. Neck
12. Beetle on the scene pt. 2
13. Three reds
14. Pelorus
Urgente
Wagner Almeida troca carreira solo pelo slowcore do Sempre Te Falam

RESUMO: O mineiro Wagner Almeida estreia o Sempre Te Falam com uma session de quatro faixas que misturam slowcore, post-rock e ruídos intimistas. O projeto terá lançamentos exclusivos no Bandcamp e YouTube.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Cauã Medeiros / Divulgação
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O músico mineiro Wagner Almeida já havia aparecido aqui no Pop Fantasma com o álbum solo Com cuidado (2023) – um passeio pelas possibilidades não apenas de estilos como shoegaze e guitar rock, mas também pelas vibes herdadas de bandas como Smashing Pumpkins. Agora, ele decidiu encerrar sua carreira solo e recomeçar com o projeto Sempre Te Falam – uma fase nova em que Wagner mantém uma onda narrativo, lo-fi e intimista, mas aposta agora em sonoridades mais intensas, que passeiam por estilos ruidosos e introspectivos como slowcore e pelo post-rock.
Uma boa mostra disso está na session Sempre Te Falam – Ao vivo no Estúdio Central, realizada no estúdio mineiro em 30 de maio. Wagner (guitarra e voz), Mateus Gregs (guitarra), João Carvalho (baixo), Fábio de Carvalho (sintetizador) e João Pedro Fernandes (bateria) dedicam-se a quatro faixas intensas e fechadas, algumas com diferentes segmentos e andamentos. As letras apontam para incertezas da vida.
As faixas iniciais do projeto são Kaury Seymour, Novaclean, Tão normal e Sota-capitão. O próprio Wagner editou o vídeo, que foca numa captação de imagens bem próxima do experimental e do marginal. Um detalhe: Wagner está interessado em maneiras novas de disponibilizar seu material, e as músicas do Sempre Te Falam sairão exclusivamente em seu Bandcamp e seu YouTube.
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Urgente
Tem robô aí! Raye enfrenta 1,8 milhão de inscrições para show de 5 mil lugares (!)

RESUMO: Raye tenta separar fãs reais de cambistas e bots após receber 1,8 milhão de inscrições para um show de 5 mil lugares. O caso lembra a polêmica dos supostos fãs artificiais do Geese.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
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A cantora pop Raye virou uma história de sucesso daquelas que dão até gosto de acompanhar. Depois de brigar com sua antiga gravadora porque não conseguia lançar um álbum, a cantora britânica resolveu seguir por conta própria, estourou nas paradas, ganhou seis Brit Awards numa noite só e virou uma das grandes estrelas do pop atual. Agora, está descobrindo um dos lados mais irritantes dessa popularidade: tentar vender ingressos para fãs de verdade num mundo cheio de cambistas e robôs.
A confusão começou com o anúncio de This symphony may contain hope, apresentação especial marcada para 23 de outubro no Royal Albert Hall, em Londres – e que faz parte do ciclo de divulgação do disco This music may contain hope (resenhado aqui). São apenas 5 mil ingressos disponíveis. O problema? Mais de 1,8 milhão de pessoas se inscreveram para tentar comprar uma entrada. Sim, você leu certo.
Raye, cujo nome verdadeiro é Rachel Keen, contou nesta terça (13) que ela e sua equipe estão precisando analisar manualmente as inscrições para tentar separar os fãs reais dos cambistas e das contas automatizadas. A ideia era justamente evitar uma pré-venda tradicional, que poderia facilitar a vida de quem compra ingressos aos montes para revendê-los por preços absurdos.
“É um mundo novo em que estamos vivendo. Nunca tinha visto robôs nessa escala”, escreveu a cantora no Instagram (via The Independent). “Não sei o que o futuro reserva para a venda de ingressos, mas sei que essa experiência abriu muito meus olhos.”
Ela também prometeu discutir novas maneiras de lidar com o problema. “Eu e minha equipe vamos pensar muito seriamente no que podemos fazer no futuro”.
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Os fãs selecionados receberão por e-mail um link e um código para participar da pré-venda. Se sobrarem ingressos, eles serão oferecidos ao público em geral. A preocupação de Raye é que as entradas cheguem às mãos de quem realmente pretende assistir ao show, pagando o preço original.
E olha que o sucesso dela não veio exatamente de bandeja. Depois de anos enfrentando dificuldades com sua gravadora, a cantora rompeu o contrato e lançou My 21st century blues em 2023. O disco chegou ao segundo lugar da parada britânica, entrou na lista do Mercury Prize e rendeu seis troféus no Brit Awards de 2024, incluindo o de álbum do ano.
De lá para cá, Raye emplacou mais um número um com Where is my husband!, depois do sucesso de Escapism, e foi atração principal dos festivais Reading e Leeds. Seu segundo álbum, This music may contain hope, mistura soul, blues, jazz, R&B, hip-hop e pop, com 17 faixas que falam de desilusões amorosas, autoestima e esperança, num clima de filme musical das antigas. É esse repertório que vai aparecer no Royal Albert Hall.
Aliás, a história de Raye lembra outra discussão recente, só que com uma diferença importante. No caso da cantora, os robôs são suspeitos de atrapalhar a venda de ingressos. Já o Geese, banda estadunidense que virou uma das grandes sensações do indie rock, precisou responder a suspeitas de que contas artificiais estariam ajudando a fabricar sua popularidade.
A confusão envolveu a Chaotic Good, empresa de marketing digital que trabalhou em campanhas para o Geese e para a carreira solo do vocalista Cameron Winter. A companhia utilizava redes de perfis e publicações no TikTok para aumentar a circulação de conteúdos musicais. Quando a história veio à tona, começaram as perguntas sobre quantos daqueles fãs eram reais.
Em entrevista à Rolling Stone, Winter resolveu brincar com a situação. “Parecia uma explicação razoável. A gente ficou tipo: ‘Meu Deus, tudo isso é falso’. Estávamos em pânico. Aí fomos até nossa gravadora por e-mail e perguntamos: ‘Há quanto tempo todos os nossos fãs são falsos, seus filhos da puta?’”
Segundo o cantor, a explicação recebida foi que a Chaotic Good havia sido contratada para divulgar vídeos de shows, e não para criar comentários ou fãs falsos. “Eram posts de baixa qualidade no TikTok, usados para impulsionar o algoritmo. Eles nos mostraram alguns exemplos, e isso me fez sentir melhor porque eram muito ruins”, contou. Já o baixista Dominic DiGesu foi ainda mais direto: “Venham ao show e me digam quantos bots vocês viram”.
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Urgente
Janeiro Industrial desacelera e explora lado contemplativo em “Recado relojoeiro”

RESUMO: Em Recado relojoeiro, a Janeiro Industrial mistura emo, indie rock e guitarras atmosféricas para falar de tempo, memória e autocuidado. A faixa antecipa o próximo EP da banda de Sorocaba.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Caio Lourenço / Divulgação
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O tempo passa, as coisas mudam e algumas músicas precisam esperar um pouco até encontrar seu lugar. Foi o que aconteceu com Recado relojoeiro, novo single da Janeiro Industrial, banda de Sorocaba (SP) que vem misturando hardcore melódico, emo e rock alternativo. A faixa, lançada pelo selo Downstage, estava guardada havia um bom tempo e só agora ganhou uma versão definitiva, com banda completa, guitarras cheias de chorus e um clima mais contemplativo.
A própria Janeiro Industrial brinca que Recado relojoeiro é seu lado mais “baladinha”. E até que faz sentido: depois de mostrar uma sonoridade mais urgente em Futebol de segunda, lançada em agosto, o grupo resolveu diminuir um pouco a velocidade. O peso continua por ali, mas divide espaço com guitarras mais atmosféricas e uma aproximação maior com o indie rock.
A letra também acompanha essa mudança de clima. Recado relojoeiro fala sobre autocuidado, vulnerabilidade, memória e a percepção de que ninguém termina de aprender a lidar consigo mesmo. O tempo aparece tanto como assunto da canção quanto na própria história de sua gravação: a composição nasceu no violão, ficou esperando sua vez e ganhou outra cara quando passou a ser trabalhada pelo grupo. O nome da faixa é inspirada em Watchmen, série de quadrinhos de Alan Moore e Dave Gibbons.
Formada em 2021 a partir das composições de Murillo Fogaça, a Janeiro Industrial conta ainda com Felipe Marcon (guitarra), Felipe Fogaça (baixo) e Rafael Malinverni (bateria). Desde o EP Alteridade (2024), a banda vem ampliando suas referências sem abandonar a ligação com o hardcore melódico.
Recado relojoeiro, que chega às plataformas com distribuição da Algohits, também dá uma pista do próximo EP da Janeiro Industrial, previsto para sair em parceria com a Downstage. Pelo que o grupo mostrou nos dois singles mais recentes, a ideia é abrir espaço para outras possibilidades dentro de um som que continua bastante ligado ao emo e ao rock de guitarras.
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