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E o show do Napalm Death no Tiny Desk, hein?

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Napalm Death (Foto: Divulgação)

Sim, o show do Napalm Death no Tiny Desk Concerts foi histórico. Foi na real uma das coisas históricas que a atração de YouTube apresentou desde que começou a ir ao ar, mas se você não imaginava ver uma das bandas mais barulhentas do mundo num espaço tão exíguo e intimista, foi exatamente o que rolou. E o Napalm Death provou que o formato funciona justamente quando o artista não tenta se adaptar a ele: o caos da banda permaneceu intacto, só mudou de endereço.

Lars Gotrich, produtor da rádio NPR Music, que faz o programa, é fã de som pesado e já sonhava com a banda de grindcore lá há tempos. O site Blabbermouth publicou uma declaração dele, afirmando que “a primeira banda de grindcore a se apresentar no Tiny Desk tinha que ser a banda pioneira. Recusei ou disse ‘talvez mais tarde’ para tantas outras – era assim que eu me preocupava em acertar. Só existe um Napalm Death, não apenas um exemplo de música extrema, mas também do que é preciso para ser humano em tempos que parecem desumanos”.

O repertório do grupo foi curto e direto, cabendo músicas como Instinct of survival, Amoral, Throes of joy in the jaws of defeatism e até duas músicas da estreia da banda, Scum (1986): a faixa-título e nada menos que a canção de dois segundos You suffer. O detalhe é que nenhum dos integrantes da formação original da banda faz parte do Napalm hoje – e nenhum dos atuais, que são Shane Embury (baixo), Barney Greenway (voz), Danny Herrera (bateria) e John Cooke (guitarra), tocou em Scum.

Falando em Shane, ele continua afastado da banda para tratar de sua pancreatite – Matt Sheridan vem tocando como baixista substituto e tocou em seu lugar no Tiny Desk. Barney Greenway, o cantor do grupo, estava orgulhosíssimo de tocar lá e manifestou isso algumas vezes. Chegou a fazer um apelo pela preservação da radiodifusão pública durante o programa.

“Há décadas que ouço o Democracy Now! na NPR Radio para me manter informado sobre as notícias norte-americanas, sem rodeios, mas com uma visão crítica. Então, quando surgiu o Tiny Desk da NPR , fiquei um pouco surpreso”, contou (via Blabbermouth).

“Percebemos que iríamos alcançar muito mais pessoas do que o normal com a apresentação no Tiny Desk, mas, como vocês podem esperar do Napalm Death, jamais suavizaríamos a performance. Esperamos que todos tirem pelo menos algo dela, mesmo que seja apenas uma compreensão da abrasividade musical levada ao extremo. Por favor, apoiem sempre a radiodifusão pública, tendo em vista os ataques implacáveis ​​que ela vem sofrendo”, afirmou o cantor.

O ND provavelmente não vai “viralizar” por causa da apresentação – mas uma turma enorme que jamais veria um show deles, ou clicaria num vídeo deles, deve ter parado pra ver nem que seja um minuto da session. Outro detalhe: um grupo de grindcore tocando entre estantes de livros é um contraste tão grande que atrai cobertura espontânea. Mesmo quem não gosta do som acaba clicando para ver como aquilo funciona. Pra Barney e cia foi ótimo, pros fãs também, pra NPR idem. E o show, se você não assistiu, tá aí.

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Wagner Almeida troca carreira solo pelo slowcore do Sempre Te Falam

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Wagner Almeida (Sempre Te Falam): Foto: Cauã Medeiros / Divulgação

RESUMO: O mineiro Wagner Almeida estreia o Sempre Te Falam com uma session de quatro faixas que misturam slowcore, post-rock e ruídos intimistas. O projeto terá lançamentos exclusivos no Bandcamp e YouTube.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Cauã Medeiros / Divulgação

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O músico mineiro Wagner Almeida já havia aparecido aqui no Pop Fantasma com o álbum solo Com cuidado (2023) – um passeio pelas possibilidades não apenas de estilos como shoegaze e guitar rock, mas também pelas vibes herdadas de bandas como Smashing Pumpkins. Agora, ele decidiu encerrar sua carreira solo e recomeçar com o projeto Sempre Te Falam – uma fase nova em que Wagner mantém uma onda narrativo, lo-fi e intimista, mas aposta agora em sonoridades mais intensas, que passeiam por estilos ruidosos e introspectivos como slowcore e pelo post-rock.

Uma boa mostra disso está na session Sempre Te Falam – Ao vivo no Estúdio Central, realizada no estúdio mineiro em 30 de maio. Wagner (guitarra e voz), Mateus Gregs (guitarra), João Carvalho (baixo), Fábio de Carvalho (sintetizador) e João Pedro Fernandes (bateria) dedicam-se a quatro faixas intensas e fechadas, algumas com diferentes segmentos e andamentos. As letras apontam para incertezas da vida.

As faixas iniciais do projeto são Kaury Seymour, Novaclean, Tão normal e Sota-capitão. O próprio Wagner editou o vídeo, que foca numa captação de imagens bem próxima do experimental e do marginal. Um detalhe: Wagner está interessado em maneiras novas de disponibilizar seu material, e as músicas do Sempre Te Falam sairão exclusivamente em seu Bandcamp e seu YouTube.

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Tem robô aí! Raye enfrenta 1,8 milhão de inscrições para show de 5 mil lugares (!)

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Tem robô aí! Raye enfrenta 1,8 milhão de inscrições para show de 5 mil lugares (!)

RESUMO: Raye tenta separar fãs reais de cambistas e bots após receber 1,8 milhão de inscrições para um show de 5 mil lugares. O caso lembra a polêmica dos supostos fãs artificiais do Geese.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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A cantora pop Raye virou uma história de sucesso daquelas que dão até gosto de acompanhar. Depois de brigar com sua antiga gravadora porque não conseguia lançar um álbum, a cantora britânica resolveu seguir por conta própria, estourou nas paradas, ganhou seis Brit Awards numa noite só e virou uma das grandes estrelas do pop atual. Agora, está descobrindo um dos lados mais irritantes dessa popularidade: tentar vender ingressos para fãs de verdade num mundo cheio de cambistas e robôs.

A confusão começou com o anúncio de This symphony may contain hope, apresentação especial marcada para 23 de outubro no Royal Albert Hall, em Londres – e que faz parte do ciclo de divulgação do disco This music may contain hope (resenhado aqui). São apenas 5 mil ingressos disponíveis. O problema? Mais de 1,8 milhão de pessoas se inscreveram para tentar comprar uma entrada. Sim, você leu certo.

Raye, cujo nome verdadeiro é Rachel Keen, contou nesta terça (13) que ela e sua equipe estão precisando analisar manualmente as inscrições para tentar separar os fãs reais dos cambistas e das contas automatizadas. A ideia era justamente evitar uma pré-venda tradicional, que poderia facilitar a vida de quem compra ingressos aos montes para revendê-los por preços absurdos.

“É um mundo novo em que estamos vivendo. Nunca tinha visto robôs nessa escala”, escreveu a cantora no Instagram (via The Independent). “Não sei o que o futuro reserva para a venda de ingressos, mas sei que essa experiência abriu muito meus olhos.”

Ela também prometeu discutir novas maneiras de lidar com o problema. “Eu e minha equipe vamos pensar muito seriamente no que podemos fazer no futuro”.

Os fãs selecionados receberão por e-mail um link e um código para participar da pré-venda. Se sobrarem ingressos, eles serão oferecidos ao público em geral. A preocupação de Raye é que as entradas cheguem às mãos de quem realmente pretende assistir ao show, pagando o preço original.

E olha que o sucesso dela não veio exatamente de bandeja. Depois de anos enfrentando dificuldades com sua gravadora, a cantora rompeu o contrato e lançou My 21st century blues em 2023. O disco chegou ao segundo lugar da parada britânica, entrou na lista do Mercury Prize e rendeu seis troféus no Brit Awards de 2024, incluindo o de álbum do ano.

De lá para cá, Raye emplacou mais um número um com Where is my husband!, depois do sucesso de Escapism, e foi atração principal dos festivais Reading e Leeds. Seu segundo álbum, This music may contain hope, mistura soul, blues, jazz, R&B, hip-hop e pop, com 17 faixas que falam de desilusões amorosas, autoestima e esperança, num clima de filme musical das antigas. É esse repertório que vai aparecer no Royal Albert Hall.

Aliás, a história de Raye lembra outra discussão recente, só que com uma diferença importante. No caso da cantora, os robôs são suspeitos de atrapalhar a venda de ingressos. Já o Geese, banda estadunidense que virou uma das grandes sensações do indie rock, precisou responder a suspeitas de que contas artificiais estariam ajudando a fabricar sua popularidade.

A confusão envolveu a Chaotic Good, empresa de marketing digital que trabalhou em campanhas para o Geese e para a carreira solo do vocalista Cameron Winter. A companhia utilizava redes de perfis e publicações no TikTok para aumentar a circulação de conteúdos musicais. Quando a história veio à tona, começaram as perguntas sobre quantos daqueles fãs eram reais.

Em entrevista à Rolling Stone, Winter resolveu brincar com a situação. “Parecia uma explicação razoável. A gente ficou tipo: ‘Meu Deus, tudo isso é falso’. Estávamos em pânico. Aí fomos até nossa gravadora por e-mail e perguntamos: ‘Há quanto tempo todos os nossos fãs são falsos, seus filhos da puta?’”

Segundo o cantor, a explicação recebida foi que a Chaotic Good havia sido contratada para divulgar vídeos de shows, e não para criar comentários ou fãs falsos. “Eram posts de baixa qualidade no TikTok, usados para impulsionar o algoritmo. Eles nos mostraram alguns exemplos, e isso me fez sentir melhor porque eram muito ruins”, contou. Já o baixista Dominic DiGesu foi ainda mais direto: “Venham ao show e me digam quantos bots vocês viram”.

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Janeiro Industrial desacelera e explora lado contemplativo em “Recado relojoeiro”

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Janeiro Industrial (Foto: Caio Lourenço / Divulgação)

RESUMO: Em Recado relojoeiro, a Janeiro Industrial mistura emo, indie rock e guitarras atmosféricas para falar de tempo, memória e autocuidado. A faixa antecipa o próximo EP da banda de Sorocaba.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Caio Lourenço / Divulgação

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O tempo passa, as coisas mudam e algumas músicas precisam esperar um pouco até encontrar seu lugar. Foi o que aconteceu com Recado relojoeiro, novo single da Janeiro Industrial, banda de Sorocaba (SP) que vem misturando hardcore melódico, emo e rock alternativo. A faixa, lançada pelo selo Downstage, estava guardada havia um bom tempo e só agora ganhou uma versão definitiva, com banda completa, guitarras cheias de chorus e um clima mais contemplativo.

A própria Janeiro Industrial brinca que Recado relojoeiro é seu lado mais “baladinha”. E até que faz sentido: depois de mostrar uma sonoridade mais urgente em Futebol de segunda, lançada em agosto, o grupo resolveu diminuir um pouco a velocidade. O peso continua por ali, mas divide espaço com guitarras mais atmosféricas e uma aproximação maior com o indie rock.

A letra também acompanha essa mudança de clima. Recado relojoeiro fala sobre autocuidado, vulnerabilidade, memória e a percepção de que ninguém termina de aprender a lidar consigo mesmo. O tempo aparece tanto como assunto da canção quanto na própria história de sua gravação: a composição nasceu no violão, ficou esperando sua vez e ganhou outra cara quando passou a ser trabalhada pelo grupo. O nome da faixa é inspirada em Watchmen, série de quadrinhos de Alan Moore e Dave Gibbons.

Formada em 2021 a partir das composições de Murillo Fogaça, a Janeiro Industrial conta ainda com Felipe Marcon (guitarra), Felipe Fogaça (baixo) e Rafael Malinverni (bateria). Desde o EP Alteridade (2024), a banda vem ampliando suas referências sem abandonar a ligação com o hardcore melódico.

Recado relojoeiro, que chega às plataformas com distribuição da Algohits, também dá uma pista do próximo EP da Janeiro Industrial, previsto para sair em parceria com a Downstage. Pelo que o grupo mostrou nos dois singles mais recentes, a ideia é abrir espaço para outras possibilidades dentro de um som que continua bastante ligado ao emo e ao rock de guitarras.

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