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Cultura Pop

Lou Reed, Devo, Grace Jones e Miles Davis (!) fazendo comercial da Honda

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Lembra do Lou Reed que era comumente associado a drogas, orgias e comportamento decadente nos anos 1960 e 1970? Claro que você lembra, mas nos anos 1980 alguma coisa tinha mudado a ponto de o próprio Lou achar que as pessoas não deveriam lembrar da época em que a imagem mais ligada a ele era o “lado selvagem”.

Casado com a designer Sylvia Morales desde 1980, lá por 1985 ele queria ser visto como um cara sério, heterossexual, machão e que, oh Deus, fazia sucesso. Afinal, um ano antes, o disco New sensations conseguira um resultado notável nas paradas americana e britânica, coisa que não acontecia na vida de Reed fazia uma pá de tempo.

E em junho de 1985 um comercial exibido nos EUA ajudaria a mudar a vida de Reed nesse sentido. Mesmo podendo ser visto dirigindo uma motocicleta Harley Davidson, o cantor não pensou duas vezes quando foi convidado para participar de um comercial das scooters da Honda. Ao som o hit Walk on the wild side (ok, não dava pra fugir tanto assim) Lou aparecia de casaco de couro e óculos escuros, dirigindo uma scooter por vários cantos de Manhattan. Neil Leventhal, gerente de produto da Honda, dizia que Lou era um inovador, e que sua música era “única e experimental, como nossas scooters”. O comercial você vê aí embaixo.

O esforço para que Lou estivesse naquele filme, na verdade, era de Sylvia, que assumiu os papeis de esposa e manager, e fazia de tudo para que seu maridão mudasse de imagem. Ela agendava entrevistas, fazia contatos para parcerias de trabalho (foi nessa que ele virou ate ator, num filme chamado One trick pony, estrelado por Paul Simon), marcava aparições na mídia e dava um belo tapa no visual das capas dos discos – afinal, era uma designer. Mas o interesse da Honda por usar celebridades, hum, inusitadas em seus comerciais não parou aí.

Uma reportagem da Billboard publicada em junho de 1986 intitulada Roqueiros transformam-se em mascates repassava os astros pop que recentemente tinham aparecido em comerciais – coisas como Whitney Houston vendendo Diet Coke, James Brown e Aretha Franklin vendendo McDonalds e o próprio Lou Reed fazendo comercial da Honda. Só que (e a reportagem lembrava disso) ele não estava sozinho: Adam Ant, Devo, Grace Jones e até Miles Davis juntaram-se a Lou nos comerciais da Honda.

O filme de Lou, eternamente lembrado, foi dirigido por Steve Horn e editado por Lawrence Bridges, que já havia trabalhado no clipe de Beat it, de Michael Jackson. Bridges chegou a declarar que via como um “sacrilégio” usar Walk on the wild side num comercial, e resolveu a questão em sua mente fazendo um comercial “marginal”, cheio de efeitos que caberiam mais num clipe ou num filme da nouvelle vague. Com tudo terminado, Bridges marcou uma reunião com um gerente de marketing da Honda, já achando que ia dar merda e todos odiariam o reclame. A resposta, lembrou ele, foi surpreendentemente positiva.

Os demais comerciais seguem aí embaixo. Destaque para o retro-futurismo do Devo. Grace Jones, ao que consta, foi uma das que mais se deu bem com a recente onda de artistas fazendo comerciais. A tal reportagem da Billboard trazia uma entrevista com o empresário dela, Bob Caviano, garantindo que a artista estava recebendo tantas ofertas que precisava recusar trabalho – comerciais de jeans e cigarros já estavam fora de cogitação.

O livro Where the suckers moon: the life and death of an advertising campaign, de Randall Rothenberg, explica que o filme estrelado por Lou Reed não fez muito para que o jovem americano passasse a curtir scooters. A biografia Transformer: A história completa de Lou Reed, de Victor Bockris, conta outra história: a de que os comerciais da Honda fizeram com que 60 mil veículos fossem vendidos e foram um case de sucesso. Seja como for, Lou estava pronto para outra: olha ele aí, ainda em 1985, anunciando os cartões de crédito da American Express.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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