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Cultura Pop

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope

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Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope

Krautrocksampler é um livro do escritor e músico Julian Cope, lançado em 1995. O livro conta a história (resumida) do krautrock, aquela cena de bandas experimentais que surgiu na Alemanha no final dos anos 60 e início dos 70, que, cada um à sua maneira, influenciaram dezenas de outros artistas na história da música pop.?Kraftwerk certamente o maior influenciador, David Bowie e Radiohead dois dos maiores influenciados. O livro apresenta um perfil dos principais artistas e inclui uma lista dos 50 principais discos do movimento. Krautrocksampler está há anos fora de catálogo, sem previsão nenhuma de ser reeditado, e circula por aí em PDFs escaneados.

Procurei no Spotify se tinha alguma playlist do Top 50, e encontrei duas que incluem os álbuns na íntegra totalizando 22 horas (essa aqui) e 31 horas (essa outra). Eu tenho uma certa implicância com playlists que incluem álbuns na íntegra, me parece mais um trabalho operacional do que de curadoria. Além de tudo, ainda estão bastante desatualizadas.

Daí pensei em criar a minha própria playlist, incluindo uma música de cada disco, seguindo a diretiva que eu mantenho no Discografando de pesquisar a música “certa” de cada álbum. Resultou numa playlist com 45 músicas, 7h40min de duração?—?bem longa também, já que muitas das músicas “certas” de cada álbum têm 20 minutos ou mais de duração, prática bastante comum nos discos dessa época.

O Spotify é bem servido de discos de kraut, mas não completo. Da lista de Top 50 faltam discos do Cluster (Cluster II, Zuckerzeit), Faust (Faust, So far, The Faust tapes), Neu! (Neu! 2) e o primeiro do Ash Ra Tempel, mas como estes têm músicas espalhadas em coletâneas, rolou de serem representados na playlist. Já outros cinco discos?—?Paradieswärts Düül do Amon Düül, três do Ash Ra Tempel (Schwingungen, Seven up e Join inn), e o primeiro do Kraftwerk?—?não têm nenhuma música disponível, e acabaram ficando de fora. Se algum dia esses discos forem publicados, eu atualizo a playlist.

Um comentário pessoal: achei curioso que o Phaedra do Tangerine Dream, o Aguirre do Popol Vuh e o Future Days do Can não entraram no top 50, já que hoje são considerados alguns dos principais discos dessas bandas. E o Kraftwerk merecia bem mais do que ter só o primeiro na lista?—?é um sacrilégio deixar o Autobahn e o Radioactivity de fora.

E por fim, vale ouvir também a playlist do David Stubbs, autor do Future Days: Krautrock and the building of modern Germany, outro excelente livro sobre o tema.

Enfim, à lista. Ouve lá o Krautrocksampler?—?Julian Cope’s Top 50 que tá fino. Abaixo, o set list com fotos da época.

KRAUTROCKSAMPLER TOP 50:

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Amon Düul II

[~1. AMON DÜÜL?—?Paramechanische Welt
Paradieswärts Düül, 1970~]

2. AMON DÜÜL II?—?Phallus dei
Phallus Dei, 1969

3. AMON DÜÜL II?—?She came through the chimney
Yeti, 1970

4. AMON DÜÜL II?—?C.I.D. in Uruk
Carnival In Babylon, 1972

5. AMON DÜÜL II?—?Green-bubble-raincoated-man
Wolf City, 1972

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Ash Ra Tempel

6. ASH RA TEMPEL?—?Amboss
Ash Ra Tempel, 1971

[~7. ASH RA TEMPEL?—?Light: Look at your sun
Schwingungen, 1972~]

[~8. TIMOTHY LEARY & ASH RA TEMPEL?—?Space
Seven Up, 1973~]

[~9. ASH RA TEMPEL?—?Freak’n’roll
Join Inn, 1973~]

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Can

10. CAN?—?You doo right
Monster Movie, 1969

11. CAN?—?She brings the rain
Soundtracks, 1970

12. CAN?—?Mushroom
Tago Mago, 1971

13. CAN?—?Vitamin C
Ege Bamyasi, 1972

14. CAN?—?The thief
Delay 1968, 1981

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Cluster

15. CLUSTER?—?Für die katz
Cluster II, 1972

16. CLUSTER?—?Hollywood
Zuckerzeit, 1974

17. CLUSTER?—?Sowiesoso
Sowiesoso, 1976

18. TONY CONRAD WITH FAUST?—?From the side of man and womankind
Outside The Dream Syndicate, 1973

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
The Cosmic Jokers

19. THE COSMIC JOKERS?—?Galactic Joke
The Cosmic Jokers, 1974

20. THE COSMIC JOKERS?—?Galactic Supermarket
Galactic Supermarket, 1974

21. THE COSMIC JOKERS?—?Elektronenzirkus
Planeten Sit-In, 1974

22. THE COSMIC JOKERS?—?Im Reich Der Magier
Sci Fi Party, 1974

23. STERNENMÄDCHEN?—?Tim Bleibt Bei Uns
Gilles Zeitschiff, 1974

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Faust

24. FAUST?—?Miss Fortune
Faust, 1971

25. FAUST?—?It’s a Rainy Day, Sunshine Girl
So Far, 1972

26. FAUST?—?Untitled #16 & #17
The Faust Tapes, 1973

27. FAUST?—?Krautrock
Faust IV, 1973

28. SERGIUS GOLOWIN?—?Die Weisse Alm
Lord Krishna Von Goloka, 1973

29. GURU GURU?—?Stone In
UFO, 1970

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Harmonia

30. HARMONIA?—?Watussi
Musik Von Harmonia, 1974

31. HARMONIA?—?Deluxe (Immer Wieder)
Deluxe, 1975

[~32. KRAFTWERK?—?Ruckzuck
Kraftwerk, 1970~]

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
La Düsseldorf

33. LA DÜSSELDORF?—?Silver Cloud
La Düsseldorf, 1976

34. LA DÜSSELDORF?—?Rheinita
Viva, 1978

35. MOEBIUS & PLANK?—?Rastakraut Pasta
Rastakraut Pasta, 1980

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Neu!

36. NEU!?—?Hallogallo
Neu!, 1972

37. NEU!?—?Neuschnee
Neu! 2, 1973

38. NEU!?—?Isi
Neu! ’75, 1975

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Popol Vul

39. POPOL VUH?—?Affenstunde
Affenstunde, 1970

40. POPOL VUH?—?Vuh
In Den Gärten Pharaos, 1971

42. POPOL VUH?—?Hosianna Mantra
Hosianna Mantra, 1972

41. POPOL VUH?—?Einsjäger und Siebenjäger
Einsjäger & Siebenjäger, 1974

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Tangerine Dream

43. TANGERINE DREAM?—?Genesis
Electronic Meditation, 1970

44. TANGERINE DREAM?—?Alpha Centauri
Alpha Centauri, 1971

46. TANGERINE DREAM?—?Birth of Liquid Plejades
Zeit, 1972

45. TANGERINE DREAM?—?Atem
Atem, 1973

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Klaus Schulze

47. KLAUS SCHULZE?—?1. Satz: Ebene
Irrlicht, 1972

48. KLAUS SCHULZE?—?Ways of Changes
Blackdance, 1974

49. WALTER WEGMÜLLER?—?Der Narr
Tarot, 1973

50. WITTHÜSER + WESTRUPP?—?Lasst Uns Auf Die Reise Gehn
Trips + Träume, 1971

E pra finalizar com chave de ouro…

Krautrocksampler: o Top 50 do Julian Cope
Ben Montero Sketchbook


Elson é criador da contra.fm, plataforma onde produz e apresenta os programas Noisenik, T20 e Discografando. Também é criador do selo Sinewave, colaborador do projeto #listadaslistas, produtor do podcast O Resto é Ruído, colaborador de diversos sites de música, e baixista da banda Herod.

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Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

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Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

RESUMO: Billy Corgan e Butch Vig retomam a parceria de Gish e Siamese dream em Black stars, faixa da trilha de Jogos vorazes. Um reencontro com o produtor que ajudou a criar o som do Smashing Pumpkins. Relembre o histórico.

Texto: Ricardo Schott – Fotos: Reprodução

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Imagine você entrar num estúdio com Billy Corgan, no começo dos anos 1990, e descobrir que ele quer gravar uma música com dezenas de guitarras. E que, se uma delas não soar exatamente como ele imaginou, vai ter que fazer tudo de novo. Agora imagine que o produtor, em vez de mandar o sujeito sossegar, acha a ideia ótima. Pois era mais ou menos assim que funcionava a parceria entre o Smashing Pumpkins e Butch Vig. E, 33 anos depois, os dois resolveram repetir a experiência.

A novidade é Black stars, música lançada nesta sexta-feira (16) e incluída na trilha sonora de Jogos vorazes: Amanhecer na colheita. A trilha completa sai em 13 de novembro, uma semana antes da estreia do filme. É a primeira gravação lançada pelo Smashing Pumpkins com produção de Vig desde o álbum Siamese dream, de 1993. A faixa também entrou no repertório da atual turnê Rats in the cage.

A história dos dois começou em 1990, quando o Smashing Pumpkins gravou Tristessa, compacto lançado pela Sub Pop, sob a produção dele. Isso foi antes de Vig produzir Nevermind, do Nirvana (1991). Corgan gostou do cara logo de primeira. Numa entrevista à Tape Op, contou que o produtor não tinha pose, trabalhava pra caramba e não se assustava com as ideias que ele e o baterista Jimmy Chamberlin levavam para o estúdio. Pelo contrário: parecia gostar da complicação.

Foi assim que chegaram a Gish (1991), álbum de estreia da banda, primeiro no qual trabalharam juntos. Corgan queria um disco com peso, psicodelia, melodias bonitas e guitarras aparecendo de todos os lados – um baita rock de arena, com ambiência, totalmente o oposto daquela onda da época, de simplesmente colocar quatro músicos numa sala e apertar o botão de gravar. Vig comprou a ideia e ajudou a organizar tudo aquilo. Dá para ouvir o resultado em Siva, Rhinoceros e Daydream, três músicas bem diferentes que parecem fazer parte do mesmo universo.

Só que os dois tinham um problema: não sabiam a hora de parar. Corgan contou à Rolling Stone italiana que Vig pegava pesado com afinação, ritmo e vocais. Fazia Billy cantar a mesma parte tantas vezes que ele começava a achar que não sabia cantar. O engraçado é que, olhando para trás, o vocalista reconhece que aquela cobrança fez toda a diferença.

Em Siamese dream (1993), o segundo disco, a situação ficou ainda mais complicada. A banda já tinha uma gravadora grande esperando resultados, Billy passava por uma fase emocional difícil e os integrantes não se entendiam nada bem. Foram gravar em Atlanta, mas os problemas viajaram com a banda nas malas.

Corgan acabou tocando praticamente todas as guitarras e boa parte dos baixos. Algumas músicas ganharam tantas camadas que Vig precisava descobrir como fazer tudo caber na mixagem. Era guitarra em cima de guitarra, com mais uma guitarra aparecendo quando você achava que já tinha acabado. E, se alguma coisa não estivesse perfeita, lá iam eles gravar de novo. O disco demorou, custou caro e deu um trabalhão. Só que saiu dali Siamese dream, com Cherub rock, Today, Disarm e vários clássicos.

Corgan nunca escondeu o quanto Vig foi importante. Nos textos da reedição de Siamese dream, em 2011, escreveu: “Butch me apoiou o tempo todo nessa visão maluca”. E completou: “Butch era a única pessoa que poderia ter feito aquele disco conosco, porque o respeitávamos tanto que queríamos estar à altura dos padrões elevados dele”.

Mas aí chegou a hora de fazer o duplo Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995), e Billy resolveu mudar tudo. Chamou Flood e Alan Moulder para produzir, porque queria sair daquela maneira de trabalhar. Numa entrevista ao Grammy.com, explicou que Vig havia ajudado a construir uma versão quase idealizada do Smashing Pumpkins. Flood queria outra coisa: ouvir a banda como ela realmente soaria nos shows.

E não, a troca não aconteceu por causa de alguma briga. Em 2011, perguntaram a Corgan se ele toparia trabalhar novamente com Vig. “Eu amo Butch e temos uma relação muito boa. Adoraria. Ele provavelmente é uma das únicas pessoas com quem eu voltaria a entrar em estúdio”, respondeu. Vig também sempre pareceu adorar Corgan, embora já tenha declarado algumas vezes que o músico foi “um pentelho” no estúdio (quem conhece a história de Billy sabe que isso é um nome até carinhoso).

Pois bem: demorou 15 anos para aquela declaração virar realidade. Black stars coloca novamente os dois no estúdio, agora com décadas de experiência acumulada e sem a obrigação de repetir o que fizeram em 1993.

Ainda não há indicação de que a parceria vá render um álbum inteiro. Por enquanto, é uma música para uma trilha sonora. Mas já dá para imaginar a cena: Billy aparece com uma ideia complicada, Butch escuta, pensa um pouco e resolve que dá para melhorar. E lá vem outra guitarra…

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

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Cultura Pop

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

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