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E tem música nova de Fiona Apple. É o tema da série “Lucky”

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Fiona Apple (Foto: Divulgação)

Fiona Apple tem andado sumi… bom, não exatamente sumida. Ela aparece às vezes, mas sem aviso prévio. Há alguns dias, sua melhor amiga Zelda Hallman postou em seu canal vídeo da cantora falando sobre as dificuldades que tem enfrentado para compor novas músicas sobre a “enxurrada interminável de horrores” que afetam o mundo hoje. No ano passado, ela lançou o single Pretrial (Let her go home), inspirado em sua experiência como observadora judicial, especialmente de mulheres afetadas pela prisão preventiva. E agora saiu mais uma música nova.

A faixa nova é a a curtinha Horns of a bull, tema da série Lucky, da Apple TV+, que já está disponível para streaming. A faixa tem um som que faz lembrar bastante o clima esparso do disco mais recente dela, Fetch the bolt cutters (por acaso, igualmente lançado de surpresa na pandemia, em 2020): percussão, piano, ruídos, voz (que voz, aliás!) e clima soturno e tenso, especialmente quando a velocidade da música vai aumentando.

Lucky estreou no Apple TV+ na última quarta-feira (15). Baseada no romance homônimo de Marissa Stapley, a minissérie acompanha uma golpista vivida por Anya Taylor-Joy, que tenta escapar tanto da polícia federal quanto de uma temida chefe do crime interpretada por Annette Bening. O elenco também reúne Clifton Collins Jr., Aunjanue Ellis-Taylor e Timothy Olyphant.

E a tal mensagem de vídeo divulgada por Fiona traz a cantora falando que “talvez esteja deixando a busca pela perfeição atrapalhar o que é bom”, disse ela. “É difícil me concentrar e quando consigo, fico me questionando se sou a pessoa certa para dizer aquilo ou se estou dizendo da maneira correta”.

“Eu só não queria que você pensasse que eu estava fingindo que não via nada, que eu não percebia o que estava acontecendo ou que eu não me importava. Eu me importo, sim. Sei que nem todo mundo espera algo de mim, mas eu espero algo de mim mesma”, continuou.

Além de Pretrial, ela lançou em 2025 uma versão de Heart of gold, de Neil Young, para um álbum beneficente da Bridge School – e fez uma participação na música Letter from an unknown girlfriend, da banda The Waterboys. E abaixo você confere Horns of a bull.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Mick Jagger: “Não quero ser imitado por inteligência artificial”

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Rolling Stones - Foto: Kevin Mazur / Divulgação

A inteligência artificial entrou na pauta dos Rolling Stones. Em entrevista à Billboard, Mick Jagger e Keith Richards disseram que a tecnologia pode ter utilidade, mas fizeram ressalvas ao uso de ferramentas capazes de copiar o trabalho de artistas já consagrados.

“Obviamente, não quero ser imitado por IA, nem vocal nem instrumentalmente, e a banda também não quer. Não quero pessoas simplesmente lançando coisas que soem exatamente como os Rolling Stones. Acho que isso está claramente errado”, disse o músico.

“Se alguém quiser fazer música com IA, vá em frente. Mas precisa ser original. É necessário colocar suas próprias ideias e pensamentos”, continuou. “Há pessoas que usam IA para criar uma música do zero ‘no estilo dos Rolling Stones’. Se você fosse minimamente criativo, não faria isso”.

Keith Richards, entrevistado em separado, também comentou o assunto com a revista. “O que penso é o seguinte: prefiro ouvir algo original. A música poderia fazer muito mais do que apenas tentar copiar a si mesma”, disse. “Afinal, é algo bastante simples – isto não é Beethoven ou Bach, e não tenho dúvida de que a IA consegue fazer isso. Mas e daí? Queremos contribuições novas. Não queremos mais e mais cópias e sintetizações”.

“Pelo menos esse é o meu ponto de vista”, continuou. “A música existe para você brincar com ela. Certamente há originalidade suficiente sem que seja necessário copiar cantigas infantis”.

O papo sobre IA surgiu por causa do clipe de In the stars, que usa tecnologia de deepfake para mostrar a formação dos Stones nos anos 1970 tocando a faixa, que faz parte do novo disco, Foreign tongues. Mick disse que todos se divertiram muito ao fazer o clipe e esclareceu que “apenas os rostos dos músicos são diferentes. Não são pessoas falsas em uma sala falsa. Todos estavam realmente em uma sala, tocando juntos”.

“Os músicos são músicos de verdade que se parecem um pouco com os Rolling Stones de 1968. A única coisa modificada foram os rostos”, disse. “Começaram trabalhando no meu e ficou um pouco parecido comigo, mas não exatamente. Parecia um dos meus filhos aos 23 anos ou algo assim. Depois vi Ronnie e disse ao pessoal: ‘Está mais parecido com Jeff Beck’. Então tiveram que trabalhar um pouco mais”.

Keith, que sempre detestou clipes, contou que esse foi o contato de raspão que a banda teve com a IA. “Eu disse: ‘Muito bonito. Gostaria de ainda ter essa aparência’. Talvez seja para isso que ela sirva: videoclipes. Coloque-a no lugar adequado. É um desenho animado de mim mais jovem. ‘Muito bonito. O que temos para o café da manhã?'”, brincou.

O músico fez questão de falar que “quanto à ideia de vídeo e música juntos, eu já sabia nos anos 1970 que seria um desastre. Você não pode empurrar ouvidos e olhos ao mesmo tempo e dizer: ‘aqui está, olhe isto’. Mas esse é o lado comercial do negócio, e você precisa desviar das coisas e se adaptar”.

“Durante algum tempo, o videoclipe se tornou mais importante do que a gravação, e foi aí que, para mim, ele realmente deixou de funcionar como algo viável. Era simplesmente: ‘você viu o novo clipe?’. ‘Não — eu acabei de fazer um disco’. Mas talvez seja apenas eu sendo ranzinza”, afirmou.

Foto: Kevin Mazur / Divulgação

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Baú de David Bowie libera as gravações dele em 1965 (com Jimmy Page na guitarra)

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Baú de David Bowie libera as gravações dele em 1965 (com Jimmy Page na guitarra)

Antes de Ziggy Stardust, de Space oddity e até mesmo do nome David Bowie, existia Davie Jones: um jovem cantor tentando encontrar seu espaço na efervescente cena londrina dos anos 1960 – e cujo visual, de terno e franja, lembrava mais a turma mod, da qual faziam parte bandas como The Who e Small Faces.

É justamente esse período que será revisitado em The Shel Talmy recordings, coletânea que chega em 18 de setembro pela Parlophone, reunindo gravações feitas em 1965, quando Bowie ainda buscava uma identidade artística. Era o momento em que ele começava, ainda sem saber, a construir uma das carreiras mais inventivas da história da música pop.

O álbum reúne 22 faixas produzidas por Shel Talmy, o mesmo nome por trás de gravações clássicas de The Who (olha aí, ó) e The Kinks. Entre elas estão dez registros inéditos, incluindo demos e músicas que permaneceram guardadas por mais de seis décadas. O repertório passa tanto pelo trabalho solo de Davie Jones quanto por suas passagens pelas bandas The Manish Boys e Davie Jones & The Lower Third, mostrando um artista ainda profundamente influenciado pelo rhythm and blues britânico e pelo rock que dominava Londres naquele momento.

Um dos grandes atrativos da coletânea é a participação de um então desconhecido Jimmy Page, anos antes de formar o Led Zeppelin. Na época, ele era um dos guitarristas de estúdio mais requisitados da Inglaterra e aparece em algumas das sessões ao lado do pianista Nicky Hopkins, outro músico que se tornaria uma lenda dos estúdios britânicos.

A primeira amostra do projeto, I want your love, já foi divulgada e deixa claro que aquele Davie Jones de 1965 ainda estava distante de David Bowie, o artista camaleônico que revolucionaria o rock poucos anos depois. Trata-se de um rock “selvagem” que soa como uma caricatura de bandas como Who e Troggs.

Talmy entrou na vida de Davie Jones, quando o empresário do cantor, Les Conn, procurava alguém para produzi-lo – preferencialmnte alguém que tivesse visão de mercado. Norte-americano radicado em Londres, Shel Talmy era um dos produtores mais quentes da Inglaterra, e foi ele que acabou inserindo Page e Hopkins na jogada. Aliás, Talmy acreditava bastante no sucesso de Bowie, ou melhor, de Davie Jones – como disse em 2017. “Eu tinha certeza de que ele ia fazer sucesso. A única coisa ruim é que ele e eu estávamos cerca de seis anos à frente do mercado”, contou.

Aparentemente, a própria indefinição de Davie (ou Davy, a grafia varia) sobre sua persona musical acabou melando a iniciativa – em 1965 ele já estava adotando o codinome David Bowie.

Bowie, aliás, chegou a voltar por conta própria a esta fase: em 2000 regravou músicas como You’ve got a habit of leaving para um álbum chamado Toy. Mas o projeto foi sendo deixado de lado e só saiu em 2021, cinco anos após sua morte. Não era um período que exatamente o envergonhava – ele costumava disparar mais pragas em relação a The laughing gnome, single de gosto altamente duvidoso que ele lançou em 1967.

Abaixo, você confere I want your love e a lista de faixas do disco.

LISTA DE FAIXAS:
01. You’ve got a habit of leaving (Remasterização de 2026)^
02. I want your love ^
03. Cupid ^
04. I pity the fool (Remasterização de 2026)+
05. Baby loves that way (Remasterização de 2026)^
06. Keep up with the Jones (Instrumental) ^
07. Leave her to me ^
08. I’ll follow you^
09. You gotta tell her (Remasterização de 2026)^
10. Take my tip (Remasterização de 2026)+
11. Certain woman *^
12. Today (Demo) –
13. I want my baby back (Demo) (Remasterização de 2026)-
14. I live in dreams (Demo) –
15. Bars of the county jail (Demo)-
16. That’s where my heart is (Demo) (Remasterização de 2026)-
17. I do believe I love you (Demo) –
18. You’ve got a habit of leaving (Overdub/Vocal Alternativo) (Remasterização de 2026)^
19. I pity the fool (Versão Vocal Alternativa) (Remasterização de 2026)+
20. Baby loves that way (Versão Vocal Alternativa) ^
21. Take my tip (Versão Vocal Alternativa) (Remasterização de 2026)+

^ com Davie Jones & The Lower Third
+ com The Manish Boys
– como Davie Jones

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De Recife ao litoral: Charlos reinventa a própria música em “Saliente”

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Charlos - Foto: Victor Inojosa (arte.foto.alma) /Divulgação

Carlos Carvalho, responsável pelo projeto-codinome Charlos, já circulou por praticamente todos os cantos possíveis da cena pernambucana deste século. Passou pela Lumo Coletivo, braço local do Fora do Eixo, estudou produção fonográfica, trabalhou no Estúdio Base ajudando a gravar boa parte da safra recifense dos anos 2000 em diante e, quando sobrava tempo, ainda fazia música.

Como instrumentista, fundou o trio Mabombe, que passou quase uma década misturando ritmos brasileiros e experimentação, lançou dois discos, tocou no SESC Instrumental e rodou o Brasil e parte da América do Sul. Também dividiu palco com ninguém menos que Ivinho, da Ave Sangria — experiência que, como veremos daqui a pouco, voltaria para assombrar (no bom sentido) sua música anos depois.

Só que a vida resolveu mudar o roteiro. Carlos foi diagnosticado com tinitus e hipersensibilidade ao som, duas condições que transformaram justamente aquilo que ele mais gostava de fazer em algo quase impossível. “Me vi impossibilitado de fazer o que mais gosto: música. O meu ouvido não aguenta mais a pressão sonora de grandes palcos, estúdios”, explica. “Foi um período complicado, me afastei da música, passei por um período de depressão”, complementa.

  • Em novo single, La Bagunza faz da vida na estrada um idioma próprio

Em vez de encerrar a história, ele simplesmente reescreveu o manual. Mudou-se para o litoral sul de Pernambuco, trocou o barulho de Recife por um cenário mais silencioso e criou Charlos, projeto instrumental solo que cabe melhor na nova realidade — e que, de quebra, parece ter aberto outras portas criativas.

“O meu trabalho solo nasce disso, dessa reformulação de vida, sonora e artística, dessa possibilidade de tocar sozinho, com menos pressão sonora”, explica. “Resolvi tentar voltar a gravar e tocar de uma forma adaptada à minha condição”, complementa.

O primeiro capítulo dessa nova fase foi o compacto Tempestade / Brisa buena (2023). Agora chega Saliente, faixa cujo título brinca tanto com o chamado “saliente nordestino” — a porção da América do Sul mais próxima da África — quanto com o sentido mais… digamos… atrevido da palavra.

“Uma homenagem ao nordeste, ao povo que é mais “caloroso”, digamos, e ao forró que é cria da região nordeste”, comenta Charlos. Também tem o significado literal da palavra, fazendo ou pelo menos tentando fazer uma metáfora, através de um fraseado “maroto”.

“A música soa pra mim como um forró+rock com as melodias da guitarra influenciadas por guitarrada. Muito da minha inspiração para conseguir fazer foi pela influência e vivência da época que toquei com Ivinho”, finaliza o músico e produtor pernambucano.

Foto: Victor Inojosa (arte.foto.alma) /Divulgação

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