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De Recife ao litoral: Charlos reinventa a própria música em “Saliente”

Carlos Carvalho, responsável pelo projeto-codinome Charlos, já circulou por praticamente todos os cantos possíveis da cena pernambucana deste século. Passou pela Lumo Coletivo, braço local do Fora do Eixo, estudou produção fonográfica, trabalhou no Estúdio Base ajudando a gravar boa parte da safra recifense dos anos 2000 em diante e, quando sobrava tempo, ainda fazia música.
Como instrumentista, fundou o trio Mabombe, que passou quase uma década misturando ritmos brasileiros e experimentação, lançou dois discos, tocou no SESC Instrumental e rodou o Brasil e parte da América do Sul. Também dividiu palco com ninguém menos que Ivinho, da Ave Sangria — experiência que, como veremos daqui a pouco, voltaria para assombrar (no bom sentido) sua música anos depois.
Só que a vida resolveu mudar o roteiro. Carlos foi diagnosticado com tinitus e hipersensibilidade ao som, duas condições que transformaram justamente aquilo que ele mais gostava de fazer em algo quase impossível. “Me vi impossibilitado de fazer o que mais gosto: música. O meu ouvido não aguenta mais a pressão sonora de grandes palcos, estúdios”, explica. “Foi um período complicado, me afastei da música, passei por um período de depressão”, complementa.
- Em novo single, La Bagunza faz da vida na estrada um idioma próprio
Em vez de encerrar a história, ele simplesmente reescreveu o manual. Mudou-se para o litoral sul de Pernambuco, trocou o barulho de Recife por um cenário mais silencioso e criou Charlos, projeto instrumental solo que cabe melhor na nova realidade — e que, de quebra, parece ter aberto outras portas criativas.
“O meu trabalho solo nasce disso, dessa reformulação de vida, sonora e artística, dessa possibilidade de tocar sozinho, com menos pressão sonora”, explica. “Resolvi tentar voltar a gravar e tocar de uma forma adaptada à minha condição”, complementa.
O primeiro capítulo dessa nova fase foi o compacto Tempestade / Brisa buena (2023). Agora chega Saliente, faixa cujo título brinca tanto com o chamado “saliente nordestino” — a porção da América do Sul mais próxima da África — quanto com o sentido mais… digamos… atrevido da palavra.
“Uma homenagem ao nordeste, ao povo que é mais “caloroso”, digamos, e ao forró que é cria da região nordeste”, comenta Charlos. Também tem o significado literal da palavra, fazendo ou pelo menos tentando fazer uma metáfora, através de um fraseado “maroto”.
“A música soa pra mim como um forró+rock com as melodias da guitarra influenciadas por guitarrada. Muito da minha inspiração para conseguir fazer foi pela influência e vivência da época que toquei com Ivinho”, finaliza o músico e produtor pernambucano.
Foto: Victor Inojosa (arte.foto.alma) /Divulgação
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Guantas fala dos perrengues da vida adulta em novo single

RESUMO: Em Vida adulta, o Guantas mistura rock, ritmos tropicais e humor para falar de contas, trabalho e sonhos de infância. O single ganhou um clipe sobre as dificuldades de crescer e encarar a rotina.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Trabalho, contas para pagar, geladeira vazia, transporte público lotado e aquela sensação de que a vida adulta não era bem o que a gente imaginava quando criança. É disso que trata Vida adulta, novo single do Guantas, banda paulistana que resolveu transformar os problemas do cotidiano numa música bem-humorada e dançante.
A faixa, lançada em 2 de outubro, também ganhou um clipe produzido pela Nacho Produções. No vídeo, o protagonista enfrenta situações bastante conhecidas de quem precisa lidar com as responsabilidades do dia a dia, enquanto lembra dos sonhos que tinha na infância. O resultado combina as dificuldades de crescer com o humor que o grupo costuma levar para suas músicas e apresentações.
O lançamento também foi celebrado com um show gratuito no dia 3 de outubro, no Gaz Burning Bar, durante o festival itinerante Palco Tarantino. A programação contou ainda com apresentações das bandas Nazireu Rupestre e Indaíz.
Formado em São Paulo em 2015 pelo argentino Nacho Martin, o Guantas mistura referências latino-americanas, ritmos tropicais e rock, com bastante espaço para os sopros e o ukulele. A banda também costuma investir em figurinos coloridos e numa apresentação de palco que não leva tudo tão a sério.
Em pouco mais de uma década, o grupo lançou dois álbuns, Guantas (2017) e Viva la Guantas (2019). A música Countryside entrou na trilha do programa Tá certo, da TV Cultura, enquanto Minha vizinha tocou em emissoras como 89FM, Kiss FM e USP FM. O grupo também passou por programas como Showlivre e por canais como Canal Brasil e Bis.
Agora, o Guantas apresenta uma nova formação, com Nacho Martin (voz e ukulele), Alex Ultra (guitarra), Alexandre Saldanha (baixo), Pedro Coutinho (teclado), Renan Pigmew (bateria), Fabio Bunito (trompete), Giovanni Santoro (trombone) e Abu (saxofone).
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Tropitrônix homenageia Poços de Caldas no clima tranquilo de “Mountain City”

RESUMO: Em parceria com Moonrib, o Tropitrônix mistura soul, jazz, city pop e eletrônica suave em Mountain City. A faixa troca o clima de pista pela contemplação das montanhas de Poços de Caldas.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Depois de estrear em 2025 com Sunset feelings, disco que misturava city pop, psicodelia e música eletrônica num clima de rave à beira-mar (e resenhado aqui), o duo Tropitrônix volta com Mountain City. Desta vez, os irmãos João Paulo Scalla Oliani e Breno Scalla Oliani trocaram a paisagem praiana pelas montanhas de Poços de Caldas (MG), cidade natal dos dois e inspiração para o novo single.
Feita em parceria com o músico indie mineiro Moonrib, a faixa mistura soul, jazz e indie com uma levada eletrônica tranquila, próxima do chill-out e do city pop. O andamento é relaxado, com espaço para uma voz processada eletronicamente que canta versos como “We live where the mountain has learned to be still / Echoes in quartz, humming the stone” (“Vivemos onde a montanha aprendeu a ficar imóvel / ecos no quartzo, fazendo a pedra cantarolar”).
O Tropitrônix nasceu da parceria entre os dois irmãos, que trabalham como músicos e produtores, combinando baixo, programação eletrônica e referências que vão do funk ao disco e ao house. No primeiro álbum, a dupla apostava numa trilha sonora imaginária para o pôr do sol, com músicas mais voltadas para a pista.
Em Mountain City, a ideia é outra: menos festa, mais contemplação. A paisagem de Poços de Caldas aparece tanto na letra quanto no clima da gravação.
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Os Alquimistas e akaStefani lembram romances punks em “Tu”

RESUMO: Em Tu, o trio sul-mato-grossense Os Alquimistas mistura punk e garage rock para contar uma história de amor e noites intermináveis, ao lado de akaStefani. A faixa antecipa seu primeiro álbum, previsto para 2026.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Um romance entre dois punks que se conheceram no colégio, noites que parecem não acabar e aquela impressão de que o relacionamento está por um fio. Pode ser uma história só ou várias lembranças misturadas. É mais ou menos por aí que vai Tu, single dos Alquimistas, trio de Campo Grande (MS) que prepara seu primeiro álbum completo depois de mais de uma década de atividade.
A música foi composta por Bo Loro, integrante da banda, e akaStefani, artista e produtora musical que ele conhece desde os tempos da cena punk de Campo Grande, e que passou por bandas como Duo Chipa e Manobra Feroz. As guitarras ficaram a cargo do cearense Edson Van Gogh, músico que já trabalhou com Cidadão Instigado, Jonnata Doll e os Garotos Solventes e Lirinha.
Em Tu, Os Alquimistas mostram seu lado mais ligado ao punk e ao rock de garagem, com referências que incluem Ramones, Johnny Thunders & The Heartbreakers e Fidlar. A gravação ainda tem uma curiosidade: um sino de verdade, que estava no Estúdio 45, onde o disco foi registrado, acabou entrando na música.
O título faz referência a uma composição de Edson Vander, artista admirado por Bo Loro. Lançada em 18 de setembro, a faixa antecipa o álbum homônimo do grupo, que reúne influências de psicodelia, punk, garagem e música brasileira, incluindo referências sul-mato-grossenses.
Formado em 2013 por Leotta, Perim e Bo Loro, o trio lançou em 2019 o EP Cidade pequena, que recebeu uma indicação ao Prêmio Dynamite de Música Independente na categoria Revelação. A banda também já passou por festivais como Grito do Rock, Campão Cultural e Som da Concha, além de ter feito shows no Rio e em São Paulo.
O primeiro álbum dos Alquimistas foi gravado com a colaboração do produtor Anderson Rocha, que já havia trabalhado com a banda no EP de estreia. O disco tem lançamento previsto para 2026 e contará com edição em vinil, atualmente em fabricação em São Paulo.
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