Gene Simmons é um daqueles sujeitos que fazem as definições da palavra “autoestima” serem largamente modificadas. Já deu mostras suficientes disso durante toda a sua carreira, com declarações malucas, turnês monumentais e, enfim, a noção (sem margem de erro) de que suas habilidades como marketeiro são até mais precisas do que as de músico.

Em 2004 o baixista linguarudo do Kiss, preparando-se para mais uma turnê da banda, lançou Asshole. Era seu segundo disco solo, que dividiu opiniões de fãs e críticos, e trazia atrativos que iam além da música. Pra começar, da mesma forma que o Kiss havia composto há vários anos uma música com Lou Reed, Gene Simmons trouxe para seu novo disco parcerias com ninguém menos que Frank Zappa e Bob Dylan. Olha as duas aí.

Black tongue surgiu de uma parceria que Gene tinha iniciado anos antes com Frank, que o convidara para ir até sua casa. Trinta segundos da tal música, que já tinha esse título, foram achados nos guardados de Frank pelo seu filho Dweezil, a pedido de Simmons, depois que o músico morreu. Já Waiting… nasceu de um telefonema de Gene a Bob Dylan. “Liguei num dia frio para ele e disse: ‘Oi Bob, é Gene Simmons. Você quer escrever uma música comigo? E fiquei surpreso ao ouvir: “Sim, claro, vamos lá.”

Para saber mais sobre Asshole, tem esse papo com Simmons na Rolling Stone. O baixista e cantor do Kiss sequer fez uma turnê de lançamento para o disco. E declarou que pretendia fazer “festas onde só os babacas (assholes) seriam admitidos”, com direito a um certificado de babaquice dado de graça no convescote. E o disco tinha também a versão bizarra de Simmons, com Dave Navarro na guitarra, de Firestarter, do Prodigy. Banda, você sabe, do já saudoso Keith Flint, sujeito que pouco antes de morrer, participou de uma maratona de 48 horas.

A cover de Gene Simmons, aliás, ganhou um clipe que mais parece uma mistura de Warrant com Bonde da Stronda. Veja por sua conta e risco.

A cover de Firestarter feita por Simmons não entrou para a história e possivelmente tem mais detratores do que fãs. Aliás, se teve algo de positivo ali foi colocar Gene para pela primeira vez, trabalhar com um de seus maiores fãs, Dave Navarro.

Inclusive, o ex-guitarrista do Jane’s Addiction até bateu um papo ao lado de Simmons com a Guitar World. A equipe de reportagem o flagrou gravando suas partes de guitarra na música. “A ideia (da cover) era: ‘Como fazer diferente?'”, explica Simmons. “(Firestarter) é uma música muito excitante, mas não tinha guitarras no original. E se você vai querer que alguém rock out na guitarra – para usar o jargão da rua – deveria ser Dave Navarro”.