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Mick Jagger: “Não quero ser imitado por inteligência artificial”

A inteligência artificial entrou na pauta dos Rolling Stones. Em entrevista à Billboard, Mick Jagger e Keith Richards disseram que a tecnologia pode ter utilidade, mas fizeram ressalvas ao uso de ferramentas capazes de copiar o trabalho de artistas já consagrados.
“Obviamente, não quero ser imitado por IA, nem vocal nem instrumentalmente, e a banda também não quer. Não quero pessoas simplesmente lançando coisas que soem exatamente como os Rolling Stones. Acho que isso está claramente errado”, disse o músico.
“Se alguém quiser fazer música com IA, vá em frente. Mas precisa ser original. É necessário colocar suas próprias ideias e pensamentos”, continuou. “Há pessoas que usam IA para criar uma música do zero ‘no estilo dos Rolling Stones’. Se você fosse minimamente criativo, não faria isso”.
Keith Richards, entrevistado em separado, também comentou o assunto com a revista. “O que penso é o seguinte: prefiro ouvir algo original. A música poderia fazer muito mais do que apenas tentar copiar a si mesma”, disse. “Afinal, é algo bastante simples – isto não é Beethoven ou Bach, e não tenho dúvida de que a IA consegue fazer isso. Mas e daí? Queremos contribuições novas. Não queremos mais e mais cópias e sintetizações”.
“Pelo menos esse é o meu ponto de vista”, continuou. “A música existe para você brincar com ela. Certamente há originalidade suficiente sem que seja necessário copiar cantigas infantis”.
O papo sobre IA surgiu por causa do clipe de In the stars, que usa tecnologia de deepfake para mostrar a formação dos Stones nos anos 1970 tocando a faixa, que faz parte do novo disco, Foreign tongues. Mick disse que todos se divertiram muito ao fazer o clipe e esclareceu que “apenas os rostos dos músicos são diferentes. Não são pessoas falsas em uma sala falsa. Todos estavam realmente em uma sala, tocando juntos”.
“Os músicos são músicos de verdade que se parecem um pouco com os Rolling Stones de 1968. A única coisa modificada foram os rostos”, disse. “Começaram trabalhando no meu e ficou um pouco parecido comigo, mas não exatamente. Parecia um dos meus filhos aos 23 anos ou algo assim. Depois vi Ronnie e disse ao pessoal: ‘Está mais parecido com Jeff Beck’. Então tiveram que trabalhar um pouco mais”.
Keith, que sempre detestou clipes, contou que esse foi o contato de raspão que a banda teve com a IA. “Eu disse: ‘Muito bonito. Gostaria de ainda ter essa aparência’. Talvez seja para isso que ela sirva: videoclipes. Coloque-a no lugar adequado. É um desenho animado de mim mais jovem. ‘Muito bonito. O que temos para o café da manhã?'”, brincou.
O músico fez questão de falar que “quanto à ideia de vídeo e música juntos, eu já sabia nos anos 1970 que seria um desastre. Você não pode empurrar ouvidos e olhos ao mesmo tempo e dizer: ‘aqui está, olhe isto’. Mas esse é o lado comercial do negócio, e você precisa desviar das coisas e se adaptar”.
“Durante algum tempo, o videoclipe se tornou mais importante do que a gravação, e foi aí que, para mim, ele realmente deixou de funcionar como algo viável. Era simplesmente: ‘você viu o novo clipe?’. ‘Não — eu acabei de fazer um disco’. Mas talvez seja apenas eu sendo ranzinza”, afirmou.
Foto: Kevin Mazur / Divulgação
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Baú de David Bowie libera as gravações dele em 1965 (com Jimmy Page na guitarra)

Antes de Ziggy Stardust, de Space oddity e até mesmo do nome David Bowie, existia Davie Jones: um jovem cantor tentando encontrar seu espaço na efervescente cena londrina dos anos 1960 – e cujo visual, de terno e franja, lembrava mais a turma mod, da qual faziam parte bandas como The Who e Small Faces.
É justamente esse período que será revisitado em The Shel Talmy recordings, coletânea que chega em 18 de setembro pela Parlophone, reunindo gravações feitas em 1965, quando Bowie ainda buscava uma identidade artística. Era o momento em que ele começava, ainda sem saber, a construir uma das carreiras mais inventivas da história da música pop.
O álbum reúne 22 faixas produzidas por Shel Talmy, o mesmo nome por trás de gravações clássicas de The Who (olha aí, ó) e The Kinks. Entre elas estão dez registros inéditos, incluindo demos e músicas que permaneceram guardadas por mais de seis décadas. O repertório passa tanto pelo trabalho solo de Davie Jones quanto por suas passagens pelas bandas The Manish Boys e Davie Jones & The Lower Third, mostrando um artista ainda profundamente influenciado pelo rhythm and blues britânico e pelo rock que dominava Londres naquele momento.
Um dos grandes atrativos da coletânea é a participação de um então desconhecido Jimmy Page, anos antes de formar o Led Zeppelin. Na época, ele era um dos guitarristas de estúdio mais requisitados da Inglaterra e aparece em algumas das sessões ao lado do pianista Nicky Hopkins, outro músico que se tornaria uma lenda dos estúdios britânicos.
A primeira amostra do projeto, I want your love, já foi divulgada e deixa claro que aquele Davie Jones de 1965 ainda estava distante de David Bowie, o artista camaleônico que revolucionaria o rock poucos anos depois. Trata-se de um rock “selvagem” que soa como uma caricatura de bandas como Who e Troggs.
Talmy entrou na vida de Davie Jones, quando o empresário do cantor, Les Conn, procurava alguém para produzi-lo – preferencialmnte alguém que tivesse visão de mercado. Norte-americano radicado em Londres, Shel Talmy era um dos produtores mais quentes da Inglaterra, e foi ele que acabou inserindo Page e Hopkins na jogada. Aliás, Talmy acreditava bastante no sucesso de Bowie, ou melhor, de Davie Jones – como disse em 2017. “Eu tinha certeza de que ele ia fazer sucesso. A única coisa ruim é que ele e eu estávamos cerca de seis anos à frente do mercado”, contou.
Aparentemente, a própria indefinição de Davie (ou Davy, a grafia varia) sobre sua persona musical acabou melando a iniciativa – em 1965 ele já estava adotando o codinome David Bowie.
Bowie, aliás, chegou a voltar por conta própria a esta fase: em 2000 regravou músicas como You’ve got a habit of leaving para um álbum chamado Toy. Mas o projeto foi sendo deixado de lado e só saiu em 2021, cinco anos após sua morte. Não era um período que exatamente o envergonhava – ele costumava disparar mais pragas em relação a The laughing gnome, single de gosto altamente duvidoso que ele lançou em 1967.
Abaixo, você confere I want your love e a lista de faixas do disco.
LISTA DE FAIXAS:
01. You’ve got a habit of leaving (Remasterização de 2026)^
02. I want your love ^
03. Cupid ^
04. I pity the fool (Remasterização de 2026)+
05. Baby loves that way (Remasterização de 2026)^
06. Keep up with the Jones (Instrumental) ^
07. Leave her to me ^
08. I’ll follow you^
09. You gotta tell her (Remasterização de 2026)^
10. Take my tip (Remasterização de 2026)+
11. Certain woman *^
12. Today (Demo) –
13. I want my baby back (Demo) (Remasterização de 2026)-
14. I live in dreams (Demo) –
15. Bars of the county jail (Demo)-
16. That’s where my heart is (Demo) (Remasterização de 2026)-
17. I do believe I love you (Demo) –
18. You’ve got a habit of leaving (Overdub/Vocal Alternativo) (Remasterização de 2026)^
19. I pity the fool (Versão Vocal Alternativa) (Remasterização de 2026)+
20. Baby loves that way (Versão Vocal Alternativa) ^
21. Take my tip (Versão Vocal Alternativa) (Remasterização de 2026)+
^ com Davie Jones & The Lower Third
+ com The Manish Boys
– como Davie Jones
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De Recife ao litoral: Charlos reinventa a própria música em “Saliente”

Carlos Carvalho, responsável pelo projeto-codinome Charlos, já circulou por praticamente todos os cantos possíveis da cena pernambucana deste século. Passou pela Lumo Coletivo, braço local do Fora do Eixo, estudou produção fonográfica, trabalhou no Estúdio Base ajudando a gravar boa parte da safra recifense dos anos 2000 em diante e, quando sobrava tempo, ainda fazia música.
Como instrumentista, fundou o trio Mabombe, que passou quase uma década misturando ritmos brasileiros e experimentação, lançou dois discos, tocou no SESC Instrumental e rodou o Brasil e parte da América do Sul. Também dividiu palco com ninguém menos que Ivinho, da Ave Sangria — experiência que, como veremos daqui a pouco, voltaria para assombrar (no bom sentido) sua música anos depois.
Só que a vida resolveu mudar o roteiro. Carlos foi diagnosticado com tinitus e hipersensibilidade ao som, duas condições que transformaram justamente aquilo que ele mais gostava de fazer em algo quase impossível. “Me vi impossibilitado de fazer o que mais gosto: música. O meu ouvido não aguenta mais a pressão sonora de grandes palcos, estúdios”, explica. “Foi um período complicado, me afastei da música, passei por um período de depressão”, complementa.
- Em novo single, La Bagunza faz da vida na estrada um idioma próprio
Em vez de encerrar a história, ele simplesmente reescreveu o manual. Mudou-se para o litoral sul de Pernambuco, trocou o barulho de Recife por um cenário mais silencioso e criou Charlos, projeto instrumental solo que cabe melhor na nova realidade — e que, de quebra, parece ter aberto outras portas criativas.
“O meu trabalho solo nasce disso, dessa reformulação de vida, sonora e artística, dessa possibilidade de tocar sozinho, com menos pressão sonora”, explica. “Resolvi tentar voltar a gravar e tocar de uma forma adaptada à minha condição”, complementa.
O primeiro capítulo dessa nova fase foi o compacto Tempestade / Brisa buena (2023). Agora chega Saliente, faixa cujo título brinca tanto com o chamado “saliente nordestino” — a porção da América do Sul mais próxima da África — quanto com o sentido mais… digamos… atrevido da palavra.
“Uma homenagem ao nordeste, ao povo que é mais “caloroso”, digamos, e ao forró que é cria da região nordeste”, comenta Charlos. Também tem o significado literal da palavra, fazendo ou pelo menos tentando fazer uma metáfora, através de um fraseado “maroto”.
“A música soa pra mim como um forró+rock com as melodias da guitarra influenciadas por guitarrada. Muito da minha inspiração para conseguir fazer foi pela influência e vivência da época que toquei com Ivinho”, finaliza o músico e produtor pernambucano.
Foto: Victor Inojosa (arte.foto.alma) /Divulgação
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Em novo single, La Bagunza faz da vida na estrada um idioma próprio

Um brasileiro, uma espanhola e dois anos vivendo dentro de um carro entre a Europa e o Brasil. Parece o início de um documentário de baixo orçamento ou de uma história que alguém contaria num bar às três da manhã, mas acabou virando a origem da La Bagunza. O duo passou esse tempo tocando nas ruas para bancar a própria sobrevivência e, agora instalado em Madri, faz dessa vida improvisada um cartão de visitas sonoro.
No single La bagunza, Fillipe De Serendipia e Betina não parecem muito interessados em respeitar fronteiras musicais. O som pula entre rock alternativo, gipsy rock e manouche com a mesma naturalidade de quem atravessa um país sem saber exatamente onde vai dormir na noite seguinte.
A letra também embarca nessa lógica nômade: português, espanhol, francês e inglês aparecem misturados em versos como “voy living like a rolling stone, viviendo de petit a petit / demain és un dia plus loin, y le chapeaux és combustible”, além do maravilhoso “não importa se a hard rain a gonna fall, eu busco o sol / e te digo, mon amour, que él toujours esta mas higher than the clouds”. No meio dessa torre de Babel particular, surgem referências que vão de Exu e Nanã a Raul Seixas e Bob Dylan.
- Late Again transforma o caos cotidiano em pop psicodélico, em Crazy or stupid
Filipe diz que a música narra uma escolha radical, não aquela visão romântica do “on the road”. “Há situações ou vivências que só a vida na estrada pode proporcionar, e de uma maneira muito peculiar. La bagunza é uma ode a este modo de viver. Ao mergulhar nessa nossa mistura de idiomas, pintamos um quadro visceral sobre a estrada: uma vida caótica, mas com propósito e, acima de tudo, mágica”, conta.
A produção ficou nas mãos de Javier Catalá, guitarrista que já trabalhou com Ricky Martin, Alejandro Sanz e Manu Tenorio. E, curiosamente, o encontro aconteceu do jeito que combina com uma banda chamada La Bagunza: durante um show em Madri, ninguém sabia operar a mesa de som – exceto Catalá. A coincidência ficou ainda maior quando descobriram que eram praticamente vizinhos, num pequeno povoado nos arredores da capital espanhola.
“Num período extenso de viagens, fizemos um show em Madrid e o acaso nos apresentou o Javier Catalá: ninguém sabia operar a mesa de som, exceto ele. Ali nasceu uma sintonia imediata, que se completou quando descobrimos que éramos vizinhos em um pueblito nos arredores da capital. O imprevisto abriu as portas dos Estúdios Montepríncipe, onde ele entendeu que nossa música não vem de laboratório, mas do asfalto, capturando a essência da nossa vivência”, conta Fillipe.
Foto: Divulgação
Lançado pelo selo independente espanhol The Duck Queen, o single ainda reúne Miguel Lamas (bateria), Mae Rod (baixo), Kyran (órgão Hammond) e Kinda Assis (viola erudita). É uma faixa que soa menos como o começo planejado de uma carreira e mais como um instantâneo de uma banda que decidiu transformar quilômetros rodados, improviso e encontros improváveis em música. Tem um clipe de La bagunza vindo aí, e sai em breve.








































