Além da grana para comprar, você ainda vai ter que arrumar tempo para ouvir com calma e concentração, artigos raros durante a pandemia. Mas avisamos que sai no dia 16 de abril John Lennon/Plastic Ono Band – The ultimate collection, relançamento definitivo do primeiro disco solo do ex-beatle, que saiu originalmente em 16 de dezembro de 1970.

A pacoteira é, digamos, campeã. A caixa tem 159 faixas em seis CDs e dois discos de áudio Blu-ray, incluindo 87 gravações inéditas. O material inclui demos, ensaios, outtakes, jams e conversas de estúdio, mostrando como tudo foi criado.

Todas as faixas foram mixadas do zero usando transferências de alta resolução (coisa de 192 kHz / 24 bits). Além do som, tem um livro de 132 páginas com fotos raras, letras, memorabília e notas, além de alegadamente tudo por trás de cada canção do disco, nas palavras de John, Yoko e de quem trabalhou no álbum.

Uma pequena demonstração da caixa já pode ser vista no YouTube: olha aí Mother, de John Lennon/Plastic Ono Band, com mix novo.

Aliás, os fãs de Yoko Ono/Plastic Ono Band vão ficar felizes em saber que a estreia de Yoko, que é gêmea do álbum de John, também aparece na caixa, só que com as músicas em seus tamanhos originais, antes das edições feitas para o álbum.

Yoko diz num texto do livro que acompanha a caixa que “com os álbuns da Plastic Ono Band, John e demos uma realidade realmente crua, básica e verdadeira ao mundo. Estávamos influenciando outros artistas, dando-lhes coragem, dignidade a um certo estilo de vulnerabilidade e força que não era aceito na sociedade da época. Foi uma revolução para um beatle dizer, ‘Escute: eu sou humano, sou real.’ Foi preciso muita coragem para ele fazer isso”.

De fato, John Lennon/Plastic Ono Band foi um exercício de despojamento que influenciou até mesmo o pré-punk e o nascimento do punk, além de outros estilos. Apesar de ser uma produção de Phil Spector, rei da parede de som e o cara que pôs uma orquestra chorosa e controversa em The long and winding road, dos Beatles, é um disco cru e simples, com poucos músicos: John (voz, guitarra, piano), Ringo Starr (bateria), Klaus Woorman (baixo), Billy Preston (piano) e os próprios Phil (piano) e Yoko (“vento”, de acordo com o encarte).

O discurso das letras, bastante pessoal, surgiu após a passagem de John e Yoko pela terapia do grito primal, do psicólogo americano Arthur Janov. Um número enorme de artistas foi influenciado pelas temáticas de John no disco. Roger Waters, do Pink Floyd, por exemplo, foi um deles – o resultado pode ser escutado nas letras do grupo, que lançou Atom heart mother dois meses antes de Plastic Ono Band.

Olha uma foto da caixa aí. O material já está em pré-venda.

Primeiro disco solo de John Lennon ganha caixa com 8 discos e 159 músicas