Live in Tokyo, disco duplo ao vivo do Public Image Ltd lançado em 1983, teve também uma versão “vídeo”, lançada no mesmo ano. O baterista da banda na época, Martin Atkins, lembrou em entrevistas que se tratou do primeiro vídeo digital lançado no mercado. John Lydon, vocalista e líder do grupo, lembra que a ideia da gravadora japonesa da banda (a Columbia) era que o disco inaugurasse o uso do gravador digital Mitsubishi X-800 32ch para álbuns ao vivo. “Acabei topando porque precisava da grana”, lembrou. A novidade é que alguém jogou o show inteirinho, como foi lançado em VHS – e jamais em DVD – no YouTube.

A pose de “e olha só onde eu cheguei!” de John Lydon logo na abertura do vídeo esconde que as coisas não iam lá muito bem para a banda. O grupo tinha conquistado críticos e tido algum sucesso no Reino Unido com o segundo inacreditável disco, Metal box (três EPs numa caixa de metal, lançados em 1979). Nos EUA, onde o set foi lançado como um LP duplo convencional, Second edition, nada de sucesso, vendas boas e singles. O grupo precisou fazer um disco ao vivo, Paris au Printemps (1980), só para bancar as dívidas que Metal box deixou na gravadora. Lydon renegou o disco e chegou a recomendar aos fãs que não o comprassem.

Em compensação, o terceiro disco de estúdio, Flowers of romance (1981), conseguiu uma excelente receptividade no Japão. Por que não gravar ao vivo lá? O show do disco Live in Tokyo foi registrado em duas datas no Nakano Sun Plaza (1º e 2 de julho de 1983). O show que está no VHS é o do primeiro dia.

Live in Tokyo (que foi lançado em vinil no Brasil) foi feito logo após um passaralho quase geral na banda. Jaw Wobble, baixista original, tinha saído há tempos, antes mesmo de Flowers, após desentendimentos sérios com Lydon. Entraram Louis Bernardi (baixo), Joseph Guida (guitarra) e Tommy Zvoncheck (teclados) após algumas audições – o que leva a maior galera a reclamar que o PiL de Live in Tokyo é falso. Seja como for, foi um momento bacana para a banda em termos de aceitação de público e de conquista de novos fãs.

“Lembro (do dia do show de Live in Tokyo) que tinha um pessoal botando folders em cada assento do local enquanto estávamos passando o som. Fui lá ver o que era. Era um street team da gravadora e os folders tinham informações sobre nosso novo disco, outros lançamentos da banda e nossa nova turnê. E isso em cada um dos 3 mil assentos. Que ideia fantástica”, lembrou Atkins em seu livro de memórias Tour:Smart: And break the band

Um detalhe bizarro é que como os músicos recém-admitidos no PiL eram da cena de Nova Jersey e mal tinham saído de lá, ganharam logo o apelido de “banda de cabaré”. E apareceram no palco em Tokyo usando ternos antiquados (um bullying que é atribuído a Atkins).

Via Fodderstompf.