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Jello Biafra e Frank Zappa: parabéns por você existir, amigo!

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Jello Biafra e Frank Zappa: parabéns por você existir, amigo!

A foto acima circulou bastante pelo Reddit já tem um tempinho – e de vez em quando ela volta pra lá e circula mais um pouco. A presença de Frank Zappa (1940-1993) na obra e na vida de Jello Biafra, criador dos Dead Kennedys, sempre foi grande. Mas esteve maior que nunca após 1985, quando um comitê americano criou o Parents Music Resource Center. Proposto inicialmente por quatro mulheres – a mais conhecida era Tipper Gore, esposa do senador e depois vice-presidente Al Gore – o PMRC é responsável por aqueles selos de “parental advisory” que você até hoje vê nos discos.

Jello Biafra e Frank Zappa: parabéns por você existir, amigo!

O objetivo do comitê era aumentar o controle dos pais sobre o acesso das crianças à música considerada violenta, ou que tivesse conotações sexuais, ou aludisse a drogas. Tudo começou quando a filha de Tipper e Al comprou Purple rain, disco do Prince, e os zelosos pais implicaram o conteúdo sexual da letra de Darling Nikki, cuja personagem principal era uma garota que “se masturbava com uma revista”.

O PMRC fez barulho no mercado, já que o selinho invadiu as artes gráficas de vários álbuns e pôs “censura 18 anos” em muitos discos que tinham adolescentes como público alvo. Artistas como Jello Biafra e Joey Ramone foram contra, e se misturaram a vários outros. Paul McCarney e Peter Garrett (Midnight Oil), mais politicamente corretos, chegaram a dar declarações bastante isentonas sobre o assunto (“sou artista e pai de família”, justificou o ex-Beatle). Já Jello saiu, digamos, bastante chamuscado da situação, por causa do terceiro disco dos Dead Kennedys, Frankenchrist.

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Lançado em outubro de 1985, Frankenchrist dividiu bastante os fãs e a crítica. A começar porque os DK largavam de lado seu material eminentemente punk e hardcore, e investiam em canções “estranhas”. Stars and Stripes of Corruption, faixa que encerra o disco, tem mais de seis minutos. Mas de qualquer jeito, o álbum será sempre lembrado por ter trazido encartada essa ilustração aí de baixo.

Jello Biafra e Frank Zappa: parabéns por você existir, amigo!

O que você vê acima é o encarte do disco, trazendo o pôster de Landscape #XX, ou Penis Landscape, trabalho de 1973 do pintor suíço H. R. Giger. Biafra viu a ilustração numa reportagem da revista Omni e encasquetou que queria a paisagem de pênis no vindouro disco dos Dead Kennedys.

Sua ideia era inicial era que isso aí aparecesse na capa, mas seus colegas de banda não acharam a ideia boa. De qualquer jeito, ele conseguiu a liberação de Giger, que cobrou metade do preço normal e liberou o uso da reprodução. Deu merda: por intermédio de uma denúncia feita à Procuradoria Geral da Califórnia, os Dead Kennedys foram acusados ??criminalmente de distribuição de material prejudicial a menores.

O caso – que evidentemente foi parar no PMRC – durou dois anos. Jello, que afirmou ter tido sua casa invadida por policiais nesse período, foi processado e, depois, absolvido. No entanto, as idas e vindas nos tribunais impediram shows que os DK fariam no Brasil em 1985 (Jello chegou a declarar que estava louco para tocar aqui) e acabaram desanimando a banda de continuar.

Jello diz que a única pessoa do meio artístico que depôs em seu favor em todo o processo foi justamente… Frank Zappa. Não foi à toa: Zappa, censurado desde o começo da carreira (quando foi preso, acusado de trabalhar com pornografia), tinha opiniões extremamente ácidas a respeito do PMRC. Aproveitou para lançar um disco sacaneando o comitê, o bizarro Zappa Meets the Mothers of Prevention, em 1985.

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Em 19 de setembro daquele ano, Zappa, Dee Snider (Twisted Sister) e John Denver foram bater boca no senado com a turma do PMRC, para tentar impedir a colocação dos selinhos de aviso parental. Olha aí Zappa no senado americano.

Jello Biafra é fã de Zappa desde a escola – ouviu a coletânea Mothermania quando adolescente. Num texto de 1997 (que virou recentemente um post em sua página do Facebook), disse que o músico foi bastante solidário na época do processo de Frankenchrist. “Frank ligou para minha casa (não o contrário) oferecendo amizade e alguns conselhos muito valiosos: ‘Lembre-se: você é a vítima. Quando você revidar, faça com dignidade’.”, contou.

Em outro texto, lembrou que visitou Zappa em sua casa em Los Angeles algumas vezes nessa época. “Foram momentos muito especiais. Ele me mostrou um hilário vídeo de aeróbica cristã. As mulheres estavam em seus leotards apertados fazendo saltos. ‘Um-dois, dois-dois, três-dois, louvado seja o Senhor!’”, recorda.

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Abaixo, uma materinha de três minutos da MTV com as atuações de Zappa contra o PMRC. Um senador argumenta que crianças entre 10 e 12 anos escutam, em discos como os de Prince, conteúdo para o qual elas não estão preparadas. Em outro momento, Frank Zappa faz um discurso fenomenal dando um conselho a americanos que não querem seus filhos ouvindo obscenidades. “Vá com seus filhos à seção infantil, dê um disco dos Smurfs para eles. Ou ensine-os a ouvir música instrumental. Já pensou em ensinar seus filhos a gostar de música clássica ou jazz?”, afirmou.

A discussão acabou levando Jello ao palco do… programa da Oprah Winfrey. E num bate-boca com ninguém menos que Tipper Gore e Bob Guccione Jr (Penthouse). Num momento, o grupo para para discutir a letra de Hold it now, hit it!, dos Beastie Boys.

Com informações de Alternative Tentacles.

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Mais Frank Zappa aqui.

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Dan Spitz: metaleiro relojoeiro

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Se você acompanha apenas superficialmente a carreira da banda de thrash metal Anthrax e sentia falta do guitarrista Dan Spitz, um dos fundadores, ele vai bem. O músico largou a banda em 1995, pouco antes do sétimo disco da banda, Stomp 442, lançado naquele ano. Voltaria depois, entre 2005 e 2007, mas entre as idas e as vindas, o guitarrista arrumou uma tarefa bem distante da música para fazer: ele se tornou relojoeiro (!).

A vida de Dan mudou bastante depois que o músico teve filhos em 1995, e começou a se questionar se queria mesmo aquela vida na estrada. “Fazíamos um álbum e fazíamos turnês por anos seguidos, e então começávamos o ciclo de novo – o tempo em casa não existia. É uma história que você vê em toda parte: tudo virou algo mundano e mais parecido com um trabalho. Eu precisava de uma pausa”, contou Spitz ao site Hodinkee.

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Na época, lembrou-se da infância, quando ficava sentado com seu avô, relojoeiro, desmontando relógios Patek Philippe, daqueles cheios de pecinhas, molas e motores. “Minha habilidade mecânica vem de minha formação não tradicional. Meu quarto parecia uma pequena estação da NASA crescendo – toneladas de coisas. Eu estava sempre construindo e desmontando coisas durante toda a minha vida. Eu sou um solucionador de problemas no que diz respeito a coisas mecânicas e eletrônicas”, recordou no tal papo.

Spitz acabou no Programa de Treinamento e Educação de Relojoeiros da Suíça, o WOSTEP, onde basicamente passou a não fazer mais nada a não ser mexer em relógios horrivelmente difíceis o dia inteiro, aprender novas técnicas e tentar alcançar os alunos mais rápidos e mais ágeis da instituição.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Discos de 1991 #9: “Metallica”, Metallica

A música ainda estava no horizonte. Tanto que, trabalhando como relojoeiro em Genebra, pensou em largar tudo ao receber um telefonema do amigo Dave Mustaine (Megadeth) dizendo para ele esquecer aquela história e voltar para a música. Olhou para o lado e viu seu colega de bancada trabalhando num relógio super complexo e ouvindo Slayer.

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O músico acha que existe uma correlação entre música e relojoaria. “Aprender a tocar uma guitarra de heavy metal é uma habilidade sem fim. É doloroso aprender. É isso que é legal. O mesmo para a relojoaria – é uma habilidade interminável de aprender”, conta ele. “Você tem que ser um artista para ser o melhor – seja na relojoaria ou na música. Você precisa fazer isso por amor”.

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Cinema

Bead game: desenho animado sobre agressividade

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Bead game: desenho animado sobre agressividade

Em 1977, o diretor de cinema Ishu Patel fez o curta-metragem de animação Bead game, que foi relançado recentemente pelo National Film Board of Canada.

Para mostrar como a agressividade pode chegar a níveis inimagináveis, ele criou uma animação que usa apenas contas coloridas, que ganham a forma de vários objetos, animais, pessoas e monstros – um lado sempre tentando derrotar o outro. E quando você nem imagina que a briga pode ficar maior ainda, ela fica.

Via Laughing Squid

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Cultura Pop

Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

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Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

Em 1986, surgiu uma banda de rock chamada Bad Radio, em San Diego, Califórnia. Foi um grupo que fez vários shows, ganhou fãs e se notabilizou como uma boa banda de palco da região. Mas que se notabilizou mais ainda por ter tido ninguém menos que o futuro cantor do Pearl Jam, Eddie Vedder, nos vocais.

Eddie Vedder, que é lá mesmo de San Diego, aportou por lá em 1988 e ficou até 1990. Conseguiu fazer uma mudança geral no grupo, que tinha uma sonoridade bem mais new wave com a formação anterior, com Keith Wood nos vocais, Dave George na guitarra, Dave Silva no baixo e Joey Ponchetti na bateria. Wood saiu do grupo e com Vedder, a banda passou a ter uma cara bem mais funk metal, e mais adequada aos anos 1990.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Discos de 1991 #5: “Ten”, Pearl Jam

E essa introdução é só para avisar que jogaram no YouTube a última apresentação do Bad Radio com Vedder nos vocais. Rolou no dia 11 de fevereiro de 1990, pouco antes de Eddie se mandar para Seattle e virar o cantor de uma banda chamada Mookie Blaylock – que depois virou Pearl Jam. A gravação inclui as faixas What the funk, Answer, Crossroads, Just a book, Money, Homeless, Believe you me, What e Wast my days. O show foi dado no Bacchanal, em San Diego.

Com a saída de Vedder, o Bad Radio ainda continuou um pouco com o próprio Keith Wood, de volta, nos vocais. Segundo uma matéria publicada pela Rolling Stone (e que tem detalhes contestados pelos ex-integrantes do Bad Radio), Vedder não foi apenas cantor da banda: ele virou assessor de imprensa, empresário, produtor e o que mais aparecesse. A lgumas testemunhas dizem que a banda não era favorável ao lado ativista de Eddie (que costumava dedicar músicas e shows aos sem-teto), o que ex-integrantes do Bad Radio negam (tem mais sobre isso aqui).

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