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Lançamentos

Inocentes: EP acústico e próximo disco em vinil

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Inocentes: EP acústico e próximo disco em vinil

A veterana banda punk paulistana Inocentes prepara para agosto o próximo disco, Antes do fim, que será lançado em LP pelo selo Red Star Records. Uma prévia do álbum já está nas plataformas, e é o EP acústico Não acordem a cidade, com cinco releituras desplugadas do repertório do grupo.

O disco foi produzido por Henrique Khoury, e as músicas escolhidas foram O homem que bebia demais, A noite lá fora, Náo acordem a cidade, Expresso do Oriente e São Paulo. “A banda está tentando seguir um padrão na escolha das faixas, que é o de lançar músicas que não tenham sido regravadas antes, e que os arranjos tenham nos deixado muito satisfeitos. São músicas que acabam tendo um ar de frescor e ineditismo, algumas são velhas conhecidas, outras nem tanto, são verdadeiros lados B, mas que a gente gosta muito”, revela o vocalista Clemente Nascimento.

Clemente destaca especialmente a releitura de Expresso Oriente, que havia saído antes no EP Pânico em SP (1986)- e havia saído também em outro lançamento do grupo, Garotos do subúrbio (1999), que revelava uma demo de 1985. “Ela tem uma atualidade impressionante. Um amigo palestino me falou anos atrás, que era a única música que ele conhecia, fora do Oriente Médio, que citava os palestinos e me agradeceu muito, fiquei emocionado, não sabia dessa relevância”, diz Clemente (foto: Alexandre Wittboldt/Divulgação).

Crítica

Ouvimos: Ugly, “Twice around the sun” (EP)

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Ouvimos: Ugly, "Twice around the sun" (EP)
  • Twice around the sun é o primeiro EP da banda britânica Ugly. O grupo tem Sam Goater (voz, guitarra), Harrison Jones (guitarra), Theo Guttenplan (bateria), Harry Shapiro (baixo), Jasmine Miller-Sauchella (voz, teclados) e Tom Lane (teclados).
  • O grupo se conheceu na faculdade em Cambridge, e já foi um trio e um quarteto antes de assumir a nova formação. O nome Ugly não tem uma razão específica além do fato da banda ter achado que seria legal subir no palco e falar: “Olá, nós somos feios”. Ironicamente, Sam trabalhou como modelo por um bom tempo.
  • Goater cresceu num lar religioso e ouvia muito Simon & Garfunkel, além de música cristã, em casa, com a família. Em 2019 afirmou que se interessava muito por histórias bíblicas, “porque foram uma boa parte da minha infância”.

Não se iluda com a demonstração técnica de floreios vocais que abre o primeiro EP do Ugly. The wheel, a primeira faixa, inicia com várias vozes a cappella voando pelos fones de ouvido. As vozes do Ugly são realmente belas no disco todo, mas início dá uma ideia apenas parcial do que realmente é essa banda de Cambridge, na Inglaterra – e que por sinal teve que acrescentar um UK ao lado do nome, nas plataformas, por causa de um xará metaleiro norte-americano.

Rapidinho, na mesma faixa (que tem mais de sete minutos), entra uma espécie de pesadelo musicado, que serve de ponte para uma das coisas mais progressivas que você vai escutar em 2024. A canção ganha ritmos quebrados, ambientação sonora que lembra uma mescla de hard rock e sons latinizados (mais ou menos como o Yes ou o Focus) etc. Mas tudo parece meio maníaco e variado, mais próximo de uma variação atual das viagens art rock dos anos 1970 – ou uma espécie de prog que fãs de indie rock e até de punk podem ouvir.

Sha, na sequência, parece um soft rock feito de maneira bem independente, quase para não tocar no rádio – ou tocar numa rádio bem alternativa. Icy windy sky lembra algo entre MPB dos anos 1970, Beach Boys e Steeleye Span, com solos de violão e vocais melódicos e fortes, mas prosseguindo com partículas de ruído em momentos escolhidos. Sherpherd’s Carol é o progressivo mais formal do álbum, e lembra um desvio post-rock da mescla com jazz rock dos anos 1970, que pegou bandas como Yes, Genesis e O Terço. Hands of man abre partindo da sombra do rock dos anos 1990, mas vai ganhando outros tons em seguida. I’m happy you’re here, que encerra o disco, tem tantos momentos diferentes, do folk lo-fi ao som mais viajante e puro, que nem me atrevo a colocá-la num rótulo.

Apesar de ser considerado pela banda como um EP, Twice around the sun tem mais de trinta minutos e seis músicas. Mas já daria para ser tido como um álbum inteiro, até pela quantidade de surpresas contidas nele. É o tipo de disco que não cabe em definições fáceis e que precisa ser ouvido várias vezes.

Nota: 9
Gravadora: Independente.

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Crítica

Ouvimos: Kasabian, “Happenings”

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Ouvimos: Kasabian, "Happenings"
  • Happenings é o oitavo disco da banda britânica Kasabian, e o segundo após a saída do vocalista Tom Meighan, condenado por violência doméstica. Hoje a banda é formada por Serge Pizzorno (voz, composições, guitarra, teclados), Chris Edwards (baixo, teclados, vocais), Ian Matthews (bateria) e Tim Carter (guitarra, teclados, vocais).
  • O disco novo foi definido por Pizzorno numa entrevista ao New Musical Express como “um disco pop, de certa forma – é apenas uma grande música após a outra”, diz. “Eu sempre gostei muito de músicas que te viram de cabeça para baixo. Você está em uma boate, consegue ouvir algo acontecendo e uma porta se abre”.

Com raras exceções, os discos do Kasabian sempre me fizeram achar que estava todo mundo ficando maluco. De uma hora pra outra, uma turma enorme tinha passado a gostar de uma banda que mexia em clichês do indie rock, sem acrescentar nada de tão brilhante assim. Há exceções na discografia: o primeiro álbum (epônimo, 2004) tem pérolas das festas indies, como Reason is treason e Club foot. O segundo disco, Empire (2006), deu uma dimensão quase stoner ao rock da Inglaterra na faixa-título e em Shoot the runner. Mas fora isso, havia pouca coisa de parar o trânsito ali, e muitas ideias boas desperdiçadas com soluções fáceis. Os fãs, bastante numerosos, nunca pareceram se importar.

Os números no Spotify do álbum anterior da banda, The alchemist’s euphoria (2022), mostram claramente que rola uma operação salva-Kasabian após os problemas enfrentados pelo grupo (o vocalista Tom Meighan foi saído após declarar-se culpado de agredir sua noiva, o guitarrista e principal compositor Serge Pizzorno decidiu assumir os vocais). A quantidade de reproduções das faixas é diminuta se comparada a de discos anteriores. Já Happenings, o novo disco, ainda não chamou tanto a atenção do público, como dá pra ver na própria plataforma. Mas destaca-se por ser o começo de uma fase nova para o Kasabian, que volta disposto a atirar longe até mesmo o conceito básico de “banda de rock”. E retorna mais inspirado ainda por hip hop, disco, música eletrônica, e toques new rave que aproximam o grupo de novidades como Master Peace.

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O disco abre mergulhado no synth pop em Darkest lullaby. Referências de estilos eletrônicos mais hardcore surgem aqui e ali em faixas como Call e How far you will go. Já Coming back to me good é um indie rock dançante tão bom, que soa mais como o começo de uma banda nova do que como uma tentativa de resgatar um grupo que já tem vários álbuns na discografia. O mesmo não acontece com Italian horror, no mesmo estilo, mas que soa mais como lembrança de grupos como Foster The People e Arctic Monkeys. Já a bacaninha Passengers traz o Kasabian tentando soar como um The Killers mais introspectivo, ou como um Coldplay menos derramado.

Happenings é marcado pela concisão – são músicas curtas e o álbum tem somente 28 minutos. Da mesma forma que discos grandes podem aporrinhar o saco pela falta de edição, um álbum curto precisa de menos pontes e de discurso direto. Com uma barriga a menos e uma coisa ou outra mais bem colocada, o Kasabian teria voltado na medida. Voltaram numa onda de “banda legal” e nada mais do que isso.

Nota: 6,5
Gravadora: Sony

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Crítica

Ouvimos: Pond, “Stung!”

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Ouvimos: Pond, "Stung!"
  • Stung! é o décimo disco da banda australiana Pond, hoje formada por Nick Allbrook, “Shiny” Joe Ryan, Jay “Gum” Watson, Jamie Terry e James “Gin” Ireland, todos divididos em vários instrumentos.
  • Os integrantes do grupo se dividem em mil outros trabalhos. Stung! foi realizado em sessões semanais durante um ano. “Mas acho que uma semana entre as sessões é tempo suficiente para esquecer para onde você está indo com o álbum”, disse Allbrook à Far Out. Antes que o trabalho se perdesse por falta de organização, o grupo se trancou no estúdio de um amigo em Dunsborough, na costa sudoeste da Austrália.
  • Nomes como Scott Walker, Blur e Talk Talk são citados por Allbrook como influências do disco. Quanto às letras… “Boa parte da vibração das letras do álbum é que você tem todos os motivos para odiar e temer o mundo, mas você só precisa continuar amando o mundo, e amando as pessoas”, diz.

A definição de “rock psicodélico” é pouca areia para o caminhão do Pong, mas faz sentido. Em quase todo o tempo de Stung!, eles soam balizados pelos tons viajantes, mas o principal que fica da audição do disco é a variedade musical. Que às vezes põe o grupo australiano próximo até das bandas nacionais que referenciam-se numa mescla de pós-punk, vanguardismo e Mutantes.

A discografia extensa da banda (dez discos lançados com relativamente pouco tempo de distância entre cada um, desde 2014) revela um grupo moderno, ruidoso, por vezes eletrônico e dançante, mas que usa o som dos anos 1960/1970 como uma espécie de senha musical – mais ou menos como seus confrades do Tame Impala, ou como outras formações, como Flaming Lips, ou até mesmo Beck.

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Com o sucesso do Tame Impala, o Pond (que no começo dividia integrantes com eles e tinha ares de “projeto colaborativo”, no estilo casa-de-noca em que entra e sai quem quer) ficou com a posição de primo mais estranho ainda da banda de Kevin Parker, que por sinal é ex-integrante do Pond. Houve momentos em que soaram mais pop, menos pop, mais eletrônicos. Stung!, décimo álbum, soa como uma mistura de todas essas fases, abrindo com o dream pop de Constant picnic, e seguindo com o jangle rock de (I’m) Stung, e o folk psicodélico, agridoce e misterioso de Neon river. Mas caindo logo na sequência no groove BEM pop de So lo, numa onda mais próxima do Chic e de Prince do que do Pink Floyd. E no instrumental progressivo-stoner-setentista Black lung, lembrando um King Crimson com levada.

Stung! segue com uma bela valsinha psicodélica referenciada em Beach Boys (Sunrise for the lonely), um instrumental eletrônico e dançante que soa como coisa do A wizard, a true star, clássico de Todd Rundgren (Elf bar blues), além dos oito minutos de Edge of the world pt. 3, dream pop distorcido que mais parece um Bee Gees virado do avesso. Invetem também no power pop na bela e pesada Boys don’t crash e em Last Elvis, e num r&b estranho em Elephant gun.

Nota: 9
Gravadora: Spinning Top

 

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