Connect with us

Lançamentos

Janeiro Industrial: emocore influenciado por Clube da Esquina em EP de estreia

Published

on

Lançando o EP de estreia, Alteridade, o Janeiro Industrial é uma banda que leva adianta a sonoridade emo + hardcore melódico que ficou famosa no Brasil no começo do século 21, com letras e vocais angustiados, e guitarras pesadas. As músicas do disco falam sobre saúde mental e estados psicológicos em geral.

“As letras foram escritas em formato de diário, exorcizando demônios na tentativa de suavizar momentos de batalhas internas, entregando confissões e debates sobre como o medo pode consumir o indivíduo”, revela o compositor e vocalista Murillo Fogaça, cujo disco foi produzido por Marcel Marques e mixado e masterizado por Gabriel Zander, e se vale do slogan “músicas tristes para dançar”, como conceito.

“O EP surgiu a partir das leituras dos textos de Sartre, que argumenta que os seres humanos estão condenados à liberdade, o que significa que somos totalmente responsáveis por nossas escolhas e ações. Isso se alinha com as letras das músicas, já que cada uma aborda experiências pessoais que nos modificam por completo”, diz.

Murillo é acompanhado por Felipe Fogaça (baixo), Giu Dias (bateria) e Felipe Marcon (guitarra). O single de lançamento, Deitou sem sono (…dessa vez não foi tão mal) é um emo bem ortodoxo, mas o autor diz ter na faixa influências que vão do rock alternativo do Title Fight às melodias do Clube da Esquina. Olvidar traz uma faceta mais acústica e tranquila ao som do grupo (Foto: André Kendy/Divulgação).

 

Crítica

Ouvimos: The Snuts, “Millennials”

Published

on

Ouvimos: The Snuts, "Millenials"
  • Millennials é o terceiro disco da banda escocesa The Snuts, formada por Jack Cochrane (voz, guitarra, violão), Joe McGillveray (guitarra, vocais), Callum Wilson (baixo, vocais) e Jordan Mackay (bateria, vocais).
  • É também o primeiro disco após a banda deixar a Parlophone, por onde lançaram os dois primeiros álbuns. O grupo montou seu próprio selo, Happy Artist, distribuído pela empresa The Orchard. A banda chegou a receber uma oferta da antiga gravadora, mas declinou, após atrasos da Parlophone em distribuir Burn the empire (2022), o segundo álbum.
  • “Decidimos criar nosso selo depois que um antigo chefe de gravadora nos disse: ‘Não há nada pior do que um artista feliz'”, contou Cochrane no material de divulgação da Happy Artist (“artista feliz”, em português, enfim).

The Snuts foi considerado uma banda genial por muita gente com um disco que (a bem da verdade) era chato pra caceta. A estreia da banda escocesa com W.L. (2021) abriu espaço para eles em festivais, conforme a pandemia foi retrocedendo. Mas era um disco grande demais, desequilibrado demais e repleto de um indie rock britânico genérico, que investia mais em canções enjoadinhas, entremeadas por momentos mais ou menos

O cenário foi começando a mudar com o segundo disco, Burn the empire, mais politizado, equilibrado, e que fez com que os Snuts se mexessem para dar conta de sua própria carreira. Por causa da demora da Parlophone em lançar o disco, a própria banda mobilizou os fãs para cobrar a gravadora. Hoje, independentes, saem na frente com seu melhor momento no terceiro álbum, Millennials, em que exibem a cara dos Snuts como uma banda repleta de ganchos pop, batidas dançantes e sons eletrônicos.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

No terceiro disco, os Snuts são mais uma banda boa de rádio do que um grupo de rock radical, ou uma banda cheia de baladas. Principalmente são uma banda capaz de brigar num universo pop em que as pessoas curtem de Kings Of Leon a Charli XCX, ainda que para fãs de rock isso tudo aí esteja bem longe de representar algo bom. Abrindo os ouvidos, dá para curtir o som ensolarado e quase oitentista de Gloria, o pop motorik de Millionaires e Dreams, o tom quase videogame de Novastar e Butterside down, a disco punk de NPC e outras.

O fim do álbum vem em tom de pop-rock de rádio, em Wunderkind, no synth pop Deep diving e num encontro entre brit pop e emocore, Circles. Curioso que os Snuts tenham deixado para fazer seu disco mais acessível na fase mais indie da banda – em outra grande gravadora, o som do grupo seria enxergado como um pós-grunge comum, e correria o risco de ser mal produzido e mal direcionado.

Nota: 8
Gravadora: Happy Artist

 

 

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Aluminum, “Fully beat”

Published

on

Ouvimos: Aluminum, "Fully beat"
  • Fully beat é o primeiro álbum da banda californiana Aluminum. O grupo é formado por quatro músicos experientes da cena pós-punk local: Marc Leyda (vocais, guitarra, sampler), Ryann Gonsalves (vocais, baixo), Austin Montanari (guitarra) e Chris Natividad (bateria).
  • O grupo conta ter uma gama de influências que vai de “Orbital a Wipers, The Avalanches e Sly and the Family Stone”. O release conta que “músicas foram criadas ao longo de meia dúzia de meses em porões e estúdios de ensaio, criando uma abundância de paixão autêntica e catarse que é tão nostálgica e reconfortante quanto uma camiseta de banda querida e esfarrapada”.
  • O selo do grupo, Felte, começou em Nova York e se mudou pra Los Angeles, inspirado por gravadoras como Factory Records, Touch & Go, Quarterstick, 4AD, Sub Pop e outras. “O clima do selo geralmente consiste em tensão — um toque de melancolia e uma espécie de peso musical ou lírico, dependendo do projeto”, diz o fundador Jeff Owens.

Mal dá para acreditar que o Aluminum é de San Francisco, Califórnia. E mal dá pra acreditar que seu disco de estreia, Fully beat, é um disco lançado em 2024. Pensando bem, olha que dá pra acreditar: a música da Bay Area sempre foi marcada por uma taxa enorme de variação de estilos, do funk metal ao punk, passando pelo rock mais barulhento. E com a quantidade de informações que qualquer pessoa tem nos dias de hoje, é mais tranquilo fazer lembrar de uma época, ou de um estilo de produção que marcou vários lançamentos.

Dito isso, Fully beat faria um baita sucesso se fosse lançado na Inglaterra no começo dos anos 1990, e poderia ter sido lançado por uma banda de Manchester. Ou , enfim, por uma banda aparentada de grupos como Ride, Happy Mondays, My Bloody Valentine e Boo Radleys. Só conferir a batida motorik, o tom viajante e as guitarradas da faixa de abertura, Smile, e todo o esplendor indie-psicodélico de Always here, never there, quase uma canção do The Jesus and Mary Chain ou do Primal Scream, com aquele mesmo aspecto simultaneamente ensolarado e sombrio, como num pôr do sol de inverno. Ou a indie dance tensa, sustentada pela linha de baixo e pelas distorções, de Behind my mouth, com vocais da baixista Ryann Gonsalves (que também faz parte da banda Torrey e tem trabalho solo).

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

HaHa continua a série de referências ao Jesus and Mary Chain, e também a grupos como The Verve. Pulp é mais ruidosa e menos pop que o som da banda que deu o nome à música- está mais próxima do shoegaze ou de um power pop altamente distorcido. A dançante Beat traz de assalto a mesma mania de mesclar distorções e referências dos anos 1960 que as bandas britânicas tinham há três décadas – e soa quase como uma canção perdida do Screamadelica, do Primal Scream, ou dos Charlatans, ou um remix eletrônico do Pink Floyd de Syd Barrett. Call an angel é um filhote introspectivo do rock de Manchester dos anos 1990. E fechando, tem um Upside down que não é o do Jesus and Mary Chain, mas uma canção autoral do Aluminum – marcada por guitarras altas, vocais melódicos e riffs de teclado. Uma boa surpresa.

Nota: 9
Gravadora: Felte.

 

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: John Cale, “POPtical illusion”

Published

on

Ouvimos: John Cale, "POPtical illusion"
  • POPtical illusion é o décimo-oitavo disco solo de John Cale, fundador do Velvet Underground (banda da qual acabou sendo saído após o líder Lou Reed mandar um “ou ele ou eu” para os colegas). É o quinto disco do cantor para o selo Double Six, ligado à gravadora londrina Domino.
  • Num papo com The Guardian, Cale disse que o novo disco foi pautado pela pandemia, como já havia acontecido com o anterior, Mercy (2023), e que ele estava com muita raiva (“de coisas políticas, principalmente”) quando fez o disco. “Escrevi o disco com muito mais agressividade do que tive no passado recente, mas era um tipo diferente de agressão – um tipo de agressão romântica”, contou.
  • O álbum foi produzido por ele com sua empresária Nita Scott. Ao contrário de Mercy, bastante colaborativo, dessa vez Cale tocou quase tudo sozinho, com colaborações pontuais de Nita (teclados e programações) e Dustin Boyer (guitarra).

O tal “passeio pelo lado selvagem” do qual Lou Reed falava, tem mais a ver com seu ex-colega de banda e “inimigo íntimo” John Cale. Lançando disco clássico atrás de disco clássico, Lou foi do rock mais básico e destrutivo ao puro ruído. John ficou com o lado aparentemente mais desafiador, indo das tentativas de abraçar o rock mais radiofônico, até canções mais sinfônicas e elaboradas. Em vários momentos, trabalhou com selos menores e teve menos atenção da mídia do que Reed.

Em alguns momentos, John e Lou pareciam se “encontrar”, ainda que separados. Foi o que aconteceu em discos sombrios e protopunks de Cale, como Fear (1974) e Slow dazzle (1975, em cuja capa o cantor usava roupas pretas, óculos escuros e se parecia não muito levemente com o rival). No disco novo, POPtical illusion, a “ilusão de ótica pop” de John Cale inclui mostrar que a música de vanguarda, na visão dele, se parece bem pouco com a ideia comum de rock, ou até de punk. O som de POPtical tem a ver até com pop adulto-contemporâneo, desde que aquilo possa ser mexido e remexido de forma a se tornar um pouco esquisito, como acontece em faixas como Davies and Wales, a quase progressiva Edge of reason e o sophisti-pop I’m angry, que às vezes soa como uma bossa nova fragmentada e produzida por Brian Eno.

O novo disco tem, principalmente, a visão de um dream pop às avessas, como se as camadas de teclados e programações (além dos vocais gravados como se viessem do fundo de uma caverna) servissem para dar uma ideia de paraíso perdido, de sonho que acabou. Tudo isso em meio a letras bem pessoais, como God made me do it (Don’t ask me again) e Calling you out, ou comentários políticos como os de Company commander (“os direitistas queimando suas bibliotecas/nos dando os benefícios e a dúvida”). Vem logo à mente a lembrança de que no entendimento de Cale, o disco que ele e Reed estavam fazendo em homenagem a Andy Warhol, Songs for Drella, deveria ter uma cara de réquiem, de elegia – porque é mais ou menos isso que dá para enxergar em POPtical, um disco “raivoso” feito em meio à pandemia.

No repertório de POPtical, acha-se também o punk eletrônico de Shark shark, o jazz pop sombrio de Funkball the brewster, o synthpop de How we see the light (que lembra a fase anos 1990/2000 de David Bowie) e, no encerramento, as meditativas Laughing in my sleep e There will be no river. O novo disco de Cale é extenso (mais de uma hora de duração) e termina deixando a sensação de que o baú do retiro pandêmico do músico ainda vai gerar mais surpresas.

Nota: 10
Gravadora: Domino/Double Six

 

 

 

 

 

Continue Reading
Advertisement

Trending